sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Nosso encontro com Cesare Battisti

Eu estava no trabalho em uma tarde de sexta-feira quando recebo um zap do escritor e parceiro Galeno Amorim. "Topa fazer uma grande entrevista em parceria Blog do Galeno e O Calçadão?". Claro que topei. "Quem é o entrevistado?". A resposta veio seca: Cesare Battisti.

Liguei para o poeta e cinegrafista Filipe Peres e fomos nos encontrar com este personagem mundialmente conhecido e do qual muito se falou no Brasil nos últimos anos. Ele nos aguardava no SINTUSP, no campus da USP Ribeirão Preto.

No caminho Filipe e eu dividíamos a ansiedade. Como será que é o tal italiano?

A ansiedade era grande porque a nossa recomendação era para não falar de política, pois Battisti ainda sofre uma grande perseguição por parte da mídia e da direita brasileira desde que Lula permitiu seu asilo político no Brasil no seu último dia de mandato.

Tive que dar um mergulho relâmpago na literatura produzida por Cesare, porque era dali que eu tinha as únicas chances de emplacar uma conversa com ele.
A resposta às ansiedades logo veio. Cesare é um sujeito simples, simpático, falante, emotivo. Estava acompanhado de sua esposa brasileira e sua filha.

A conversa rolou solta e da literatura conseguimos adentrar um pouco na vida pessoal de Cesare e de suas angústias derivadas de uma vida de mais de 30 anos de fuga e clandestinidade. No final já fazíamos piadas.

O resultado da entrevista você pode conferir no vídeo abaixo ou lê-la no Blog do Galeno, onde ele fala sobre rotina, seus livros, a prisão e os sonhos futuros.


No final vieram mais 50 minutos de papo, off line, onde conversamos sobre o ato de escrever, a inspiração para sentar diante do teclado. Battisti é como eu, escreve melhor pela manhã e é como Filipe, busca inspiração no trabalho intenso.

A emoção dominou todo o tempo, da parte dele e da nossa. Enquanto eu estava sentado diante dele imaginava como seria ter uma vida como a dele. Desde 1982 ele não revê a Itália, desde que foi julgado à revelia e condenado à prisão perpétua a partir de uma, vejam vocês, delação premiada de um antigo companheiro de armas. O delator foi solto e ele, condenado.

Andou pela França, pelo México e acabou no Brasil, olhando o pôr-do-Sol do hotel em Copacabana e sentindo saudades da Europa. Hoje já pensa em português, o que atrapalha sua escrita em francês.

Cesare Battisti é um tremendo personagem e um ser humano intenso.


Nos despedimos e deixamos para trás Battisti e sua história, contada pela emoção que sai dos seus olhos.


Ricardo Jimenez

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