sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sem cuidar do meio ambiente, do Aquífero e do Daerp, Ribeirão sofre com a falta de água no início do calor!


Levando em frente o propósito do blog O Calçadão de fazer uma série de artigos e entrevistas sobre como Ribeirão Preto se enxerga no futuro e como transformar esta cidade em uma cidade verdadeiramente democrática, desenvolvida, ambientalmente sustentável e inclusiva, trazemos hoje esse assunto da água.


Nos últimos dias de temperaturas elevadas, diversos bairros de várias regiões de Ribeirão Preto vêm sofrendo com a falta de água. Neste sábado, praticamente toda a zona Oeste, mais de 12 bairros, sem água há mais de 12 horas e sem previsão de solução.

A água vai se transformando em um grande problema para a cidade e os seus cidadãos.

Três motivos básicos: falta de cuidado com o meio ambiente, falta de cuidado com áreas de recarga do Aquífero Guarani e um acelerado processo de sucateamento da autarquia de água, o Daerp.

O Estatuto das Cidades estabelece normas de ordem pública e de interesse social que procuram regular o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo e do equilíbrio ambiental.

Pois nada disso existe em Ribeirão Preto para vários segmentos, inclusive o da água.

A cidade não tem cobertura vegetal adequada e nem um plano ambiental para chamar de seu.

A cidade não protege as áreas de recarga do Aquífero Guarani, localizadas na zona Leste (exceto pela presença abençoada ali da fazenda da Barra e seus assentados), onde a especulação imobiliária baba de desejo de transformar tudo em cimento e asfalto. O Plano Diretor, que possui um artigo que protege a região, está parado há 3 anos na Câmara por causa desse quesito.

Por último, a cidade está sucateando sua autarquia de água, o Daerp. Aliás, o Plano Municipal de Saneamento também está parado por causa de uma discussão sobre tributação. Em Ribeirão Preto é difícil discutir o lema 'quem tem mais paga mais e quem tem menos paga menos', seja com grande parte da população ou com seus 'representantes' políticos.

Ribeirão está assentada sobre um grande lençol de água mineral que, bem cuidado, poderia suprir a cidade de água por mais de 50 anos, inclusive com projeções de 1 milhão de habitantes, marca ainda longe de ser alcançada.

A recente região metropolitana poderia discutir a formação de consórcios intermunicipais de gestão de bacias e de gestão ambiental, incluindo a participação da sociedade civil, em um verdadeiro esforço de gestão democrática.

Mas, não. O Daerp trabalha no limite, enxugando gelo, e seus servidores se sentem ameaçados pela atual administração. A Prefeitura não possui um plano emergencial para os eventos de falta de água pela quebra de bombas, por exemplo. 

Quanto custa manter um carro pipa preparado para uma eventualidade?

O tão necessário processo de descentralização administrativa é um assunto léguas distante da atual Prefeitura, que aponta como solução a centralização, com a proposta de criação de uma 'agência reguladora', uma espécie de super secretaria com plenos poderes.

Aliás, será que há fiscalização sobre poços artesianos irregulares, principalmente nas regiões mais ricas de condomínios fechados?

Falta gestão e sobra conversa e ameaças aos servidores, em uma atitude estúpida para uma administração que ainda precisa se encontrar e mostrar a que veio.

A única proposta sobre o problema da água feita pelo Prefeito foi na campanha, quando ele disse que parte da população poderá tomar água tratada do rio Pardo.

Tem gente se perguntando: que parte da cidade tomará água vinda do rio Pardo e qual parte continuará tomando água mineral do aquífero?

Ricardo Jimenez - blog O Calçadão

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