“Os brasileiros precisamos ter a consciência da gravidade do momento político, social, econômico e moral que vivemos nos últimos meses.”
Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães, bispo auxiliar de Belo Horizonte e reitor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. |
Reportagem: Francesco Strazzari, publicada no sítio
Settimana News, 18-03-2017.
Em 2016, o governo tomou decisões que terão consequências
nefastas para trabalhadores e pobres devido à Proposta de Emenda Constitucional
(PEC 241 na Câmara Federal e PEC 55 no Senado), com a qual praticamente cessam
as contribuições para a reforma da Previdência Social.
O país se encontra diante do contínuo agravamento das
condições de vida das populações indígenas, das mudanças no Estatuto do
Desarmamento, das alterações nas leis referentes à classe operária, dos
inúmeros casos de corrupção envolvendo políticos, empresários e advogados
suspeitos de se livrarem dos vestígios das suas atividades iníquas.
“Famílias da chamada classe média veem rapidamente diminuir seu poder de
compra, tendo que adiar sonhos como o de possuir o imóvel próprio, aumentar a
família, formar os filhos na universidade ou que seja viajar e descansar da
rotina de trabalho, cada vez mais massacrante.”
É dura a acusação do bispo contra o governo, que defende os
interesses do grande capital, exigindo sacrifícios ao mais pobres que lutam
para sobreviver. O sistema financeiro é privilegiado. Os bancos vão muito
melhor do que o país e acumulam riquezas. Assiste-se a um triste atraso de
iniciativas de resgate da dignidade popular. O neoliberalismo torna-se
desenfreado.
As dinâmicas de participação democrática são fortemente
hostilizadas e reduzidas a fragmentos, em um momento em que – ressalta Dom
Joaquim mais uma vez – seria preciso levantar a cabeça e caminhar. E também
levantar a voz, especialmente em defesa das populações indígenas. Nos quase 30
anos desde que entrou em vigor a Constituição, que deu impulso à proteção dos
direitos dos indígenas, essas pessoas hoje estão correndo graves riscos, a
ponto de as Nações Unidas redigirem um dramático relatório.
No Brasil de hoje, o Estado continua vivendo separado da
sociedade civil, e a deterioração das condições de vida das populações
indígenas e dos setores mais pobres deveria sacudir as consciências.
“Nenhuma nação pode realizar-se em meio a tanta
desigualdade. É papel precípuo da universidade não só expressar sua
solidariedade às massas de pobres, trabalhadores empregados ou não, homens e
mulheres de boa vontade e de todas as idades, como também contribuir para a
formação da consciência crítica, cidadã, ecológica integral, progressista,
ética, arejada, humanizada, inclusiva, justa e livre.”
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