E mesmo sem o apoio da Prefeitura Municipal, Ribeirão Preto teve carnaval, para todos os públicos, incluindo a diversidade do Carnagay, fechando o carnaval nesta terça gorga no morro de São Bento!
Tivemos o já conhecido bloco Os Alegrões no Jardim Irajá e com a novidade do bloco Comunista - Foro de São Paulo!
Tivemos a força e a tradição do Afoxé, desfilando na zona Norte toda a sua cultura e dignidade, lutando contra a situação adversa de ter de superar empecílios colocados pelo próprio poder público municipal.
Foto: Matheus Vieira
Tivemos ainda o bloco Berro e o bloco da Vila, organizado pelo amigo Fernando Braga.
Tivemos o Maracatu Navegante invadindo a Esplanada. Tivemos o Padre Chico e o seu excelente carnaval, o Carnacanja.
E tivemos a galera do Carnagay. Um evento construído na garra pelo Fábio Jesus, da ONG Arco Íris, e sua turma que sem contar com um tostão de incentivo público colocou mais de 2 mil pessoas para curtir o carnaval no morro de São Bento.
Foi o fechamento merecedor para esse carnaval construído única e exclusivamente pela força do movimento popular e suas lideranças. Foi o carnaval da superação, da diversidade, da dignidade e da alegria.
Agradecemos ao Fabinho, Isabella, Débora e todos que recepcionaram tão bem o blog O Calçadão na cobertura do evento.
O movimento popular carnavalesco de Ribeirão mostrou força e capacidade para construir um projeto cultural que integre o carnaval e outros eventos, na busca de preencher uma lacuna vergonhosa da cidade, da completa ausência de uma política cultural, histórica e de turismo em Ribeirão Preto.
Cumprindo mais uma etapa do nosso objetivo de visitar e conhecer as comunidades de Ribeirão Preto, estivemos no último domingo na comunidade Nazaré Paulista, no Jardim Aeroporto. Lá encontramos o líder comunitário José Augusto Alves e as demais pessoas que buscam se auto organizar e tocar a vida em busca dos seus sonhos.
O blog O Calçadão procura trazer para o leitor o caráter humano de quem luta em busca de um teto para morar. Muitas vezes o morador de favelas, ou comunidades, como, legitimamente, gostam de frisar, são tratados de maneira desumana e estigmatizados a partir da ignorância reinante na mídia tradicional.
Nazaré Paulista é o nome da avenida que cruza a comunidade. Ali há uma enorme área particular situada bem ao lado do aeroporto Leite Lopes. Essa área, assim como outras centenas na cidade, é objeto de litígio judicial desde 2003 e, portanto, por não cumprir a sua função social, ou seja, ficar abandonada, torna-se alvo de ocupações dos sem teto reivindicando o espaço para a moradia popular.
A primeira ocupação ocorreu em 2011 com o nome de Nelson Mandela. Houve uma reintegração de posse em 2012, mas como o terreno permaneceu abandonado, nova ocupação se deu em 2014, a atual Nazaré Paulista.
São cerca de 200 famílias que lutam para transformar o local em um prolongamento do bairro Jardim Aeroporto. "Nós estamos por conta própria realizando o mapeamento do local, abrindo ruas, dando ao local uma cara de bairro", conta o trabalhador manual Émerson Genovezi. "É importante que a Prefeitura nos reconheça como bairro, porque assim teremos rede de luz e água. Nós queremos pagar nossas taxas, impostos e termos reconhecida nossa cidadania", afirma o líder José Augusto.
São mais de 500 áreas na cidade com média de 800 m2 que poderiam ser destinadas à moradia popular em Ribeirão Preto, diminuindo o drama de cerca de 30 mil pessoas que hoje sobrevivem em condições precárias de moradia na cidade. O problema é que o poder econômico é forte na cidade e os instrumentos legais que poderiam disciplinar o planejamento urbano da cidade permanecem sem serem votados no parlamento municipal.
É o caso do Plano Diretor, que teve a votação mais uma vez adiada ano passado. Dentro dos aspectos legais do Estatuto das Cidades (votado em 2001), o Plano diretor pode conter instrumentos legais que deem uma destinação social aos terrenos abandonados no perímetro urbano. "Essa área particular onde nós estamos ocupando está em litígio judicial, porque a proprietária morreu e há um problema que envolve os possíveis herdeiros e imobiliárias poderosas da cidade. Ou seja, não há dono conhecido e a área fica abandonada. Nós a reivindicamos para nossa moradia", conta José Augusto.
O problema de moradia e ocupações na zona norte, no entorno do aeroporto, é agravado pela questão da internacionalização do Leite Lopes. O Plano Diretor de 1995 recomendava um novo aeroporto fora dos limites urbanos e talvez a transferência da rodoviária para o local do Leite Lopes, mas em 1997 o novo governo instalado introduziu a proposta de criar no Leite Lopes um aeroporto internacional. A insegurança jurídica criada desde 1997, quando a ideia foi lançada, afastou os investimentos e criou um caos social na região.
Não é só a questão das favelas. Há muitos bairros populosos no entorno que também sofrem com essa batalha de 20 anos. "A atual Prefeita já tentou transformar toda essa área em zona industrial. Será que ela vai tirar daqui o Quintino, o Salgado Filho e tantos outros bairros?", se questiona o caminhoneiro Claudinei Lopes.
O drama da zona Norte a partir da proposta esdrúxula de construir um aeroporto internacional dentro da cidade já foi e será motivo de outros artigos por aqui.
Mas caminhando pela comunidade, encontramos histórias. Há quem peça uma biblioteca comunitária no local. Há outros que querem simplesmente terem um comprovante de endereço, fundamental para, por exemplo, requisitar passe escolar na Transerp. Encontramos um grupo limpando uma área para construção de um futuro centro de convivência e reuniões da comunidade.
A comunidade vive, pulsa, se movimenta. O esforço em construir casas de alvenaria para dar 'bom aspecto ao local'. Esforço para numerar as casas, facilitando o trabalho do carteiro. "Importante urbanizar o local, iluminar as ruas, ter ponto de ônibus. Para isso precisamos ser reconhecidos pelo Poder Público", pondera o seu José Augusto.
Encontramos crianças brincando. Ou seja, encontramos mais uma vez um conjunto de pessoas com seus sonhos e projetos, tentando se organizar da melhor forma possível para enfrentar a dureza da luta, a luta contra a falta de planejamento urbano e contra a sanha do poder financeiro.
Felizmente a comunidade conta com entidades que a auxiliam juridicamente e recentemente houve uma vitória com a revogação parcial de um pedido de reintegração de posse dado por uma Juíza substituta da cidade. A luta continua.
Se você leitor quiser visitar a comunidade, vá, veja com os próprios olhos, converse com as pessoas. A informação é o melhor remédio para tudo.
O Calçadão apoia a luta dos sem teto de Ribeirão Preto e reafirma sua posição de que áreas urbanas devem ter uma função social. Sem essa função social, as áreas se tornam apenas mecanismos de especulação imobiliária e devem ser legalmente destinadas para projetos de moradia popular.
Continuaremos mostrando as comunidades de Ribeirão Preto e escrevendo sobre o drama do debate em torno do Leite Lopes.
Confesso que não assisto à Globo, com uma exceção, assisto ao Bom Dia Brasil antes do trabalho, para saber logo de manhã qual o clima na casa do inimigo. A reportagem em destaque foi transmitida pela Globo Ribeirão Preto, conhecida como EPTV, e tomei contato a partir de uma postagem no facebook. a intenção era mostrar o trajeto entre Ribeirão Preto e Rifaina, às margens da represa do rio Grande. Mas o mapa é da Europa! Ribeirão está em Paris e Rifaina em algum lugar da Sibéria.
Clique no link, vá até o minuto 5:47 e divirta-se com o eurocentrismo global.
Laudato Si, louvado seja, é a expressão usada por São Francisco de Assis no seu Cântico das Criaturas e também é o título da Encíclica do Papa Francisco de 2015, onde com coragem trata sobre a nossa responsabilidade com a degradação ambiental e alterações climáticas, além de criticar o consumismo e o capitalismo sem freios da atualidade.
Conheci Mireille Martins em um Sarau Preto, uma roda de poesia que acontece mensalmente no Centro Cultural Quintino II em Ribeirão Preto. Ouvi na ocasião o seu relato sobre a realidade universitária que enfrenta com dignidade, consciência e dedicação e a convidei para escrever no blog. O resultado você pode conferir abaixo. Conheça um pouco a realidade de uma jovem negra da periferia de Ribeirão Preto, estudante de escola pública, que ingressou em uma Universidade Federal levando consigo a consciência necessária para enfrentar as dificuldades, encarar um ambiente elitista e hostil ao jovem negro e transformá-la em uma mulher negra universitária, uma pesquisadora apta a transformar a realidade de quem a cerca e a levar sua negritude militante à outras mulheres mundo a fora.
Não é de hoje que se discute o papel do negro nas universidades. O tema cotas raciais ganha relevância, dentre outros temas, mas pouco se fala de como as universidades se preparam para
E eis que recebemos uma ligação do amigo Padre Chico nos convidando para entrevistar o seu amigo e hóspede Padre João Cromains. Um padre belga, progressista e que desenvolveu seu sacerdócio em plena ditadura militar, sendo o capelão da JOC (Juventude Operária Católica) na periferia de São
A formação de uma frente ampla integrando as principais bandeiras progressistas e de resistência defendidas pelos partidos de esquerda, sindicatos e movimentos populares não é algo novo no Brasil. É sempre uma ferramenta de luta da qual se lança mão para defender em última instância os interesses nacionais e do povo trabalhador.
Eu evitei falar sobre esse assunto, mas quero usá-lo como possibilidade de reflexão. Organizei um grupo de estudos sobre Clarice Lispector, baseado no livro 'Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres', juntamente com a Professora Dra Lucília Abrahão. Sou apaixonado por este livro e gostaria
O blog O Calçadão foi criado dia 19 de dezembro de 2014 e seu objetivo é fazer mídia digital voltada para as questões sociais a partir de uma visão progressista, fazendo o contraponto à mídia tradicional oligárquica e defendendo as bandeiras dos movimentos populares.
Nesses 13 meses de existência, tivemos a oportunidade de nos aproximarmos de inúmeros amigos e companheiros que realizam todos os dias a luta popular, a militância em prol dos direitos dos mais oprimidos e da busca por políticas públicas que melhorem a vida das pessoas do ponto de vista coletivo.
Nos aproximamos do movimento de mulheres, do movimento negro, do movimento estudantil, do movimento por moradia, do movimento sindical, do MST e demais companheiros que lutam por reforma agrária, das associações de moradores e demais líderes comunitários, dos professores, de partidos políticos de esquerda e progressistas, de intelectuais e artistas e, principalmente, das comunidades espalhadas pela periferia, buscando contar as suas histórias de luta e de sonhos.
Esse vínculo de diálogo que se estabeleceu entre o blog O Calçadão e os movimentos populares foi expresso no ato de comemoração de nosso primeiro aniversário, dia 4 de dezembro último no Centro Cultural Palace. Mais de 100 companheiros e companheiras estiveram lá conosco em uma noite memorável.
Foi assim que surgiu a ideia de restabelecer em Ribeirão Preto um movimento que já existiu algumas vezes na cidade, ou seja, a reunião dos vários movimentos populares, dos mais diversos segmentos, para trocar experiências e debater a cidade do ponto de vista da democratização política, com fortalecimento da participação popular nas decisões políticas, e da inclusão social.
O objetivo do Fórum Permanente de Movimentos Populares é criar, de maneira desburocratizada e participativa, um documento público com as bandeiras políticas dos movimentos populares para estabelecer um diálogo com a sociedade ribeirão-pretana e com as forças políticas progressistas da cidade neste ano de 2016, onde o debate político municipal ganha relevância.
A intenção é dialogar com toda a sociedade, priorizando os bairros populares e os mais pobres entre os pobres, que são os moradores das comunidades, dos mais de 45 núcleos de favelas de Ribeirão Preto. Dar voz e vez, prioritariamente, às mulheres e jovens dessas comunidades.
A palavra Permanente dá o sentido político mais amplo, de continuidade, que supera o calendário eleitoral e prossegue debatendo Ribeirão Preto na visão dos movimentos populares objetivando construir uma cidade mais democrática, participativa, inclusiva e aberta ao acesso de todos.
Juntamente com as companheiras da UBM (União Brasileira de Mulheres-Ribeirão Preto) e da ONG Casa da Mulher, o blog O Calçadão convida a todos a participarem da reunião de lançamento do Fórum, que se realizará dia 27 de fevereiro, 9h da manhã, na UGT.
Todos estão convidados. Venham se juntar a nós e ajudar a construir essa ideia! Nos vemos lá!
Ricardo Jimenez - Blog O Calçadão
Giovanna Wrubel - UBM Ribeirão Preto
Ádria Maria Bezerra, Marisa Honório e Sílvia Diogo - Casa da Mulher
Imagine o Centro Histórico de Ouro Preto/MG ou de Paraty/RJ terem suas seculares ruas e vielas asfaltadas. Seria um atentado ao patrimônio cultural, histórico e turístico daquelas cidades. Seria a desfiguração de um marco na história não só nacional, mas também que remete ao período do Colonialismo, às grandes navegações, à expansão europeia pelo globo, entre tantos outros episódios significativos de nossa formação.
A força de trabalho de anônimos homens do Velho e do Novo Mundo e , principalmente, dos homens do Continente Negro está eternizada em cada metro quadrado daquele resistente pavimento.
Em Ribeirão Preto, o calçamento centenário de paralelepípedos feitos de rocha basáltica demonstra a sua resistência e vigor. Diferente das cidades acima, as ruas feitas com paralelepípedos rochosos em Ribeirão Preto foram quase todas cobertas pelo manto asfáltico, numa concepção hoje ultrapassada do que é modernização. Mas como suspiro, o patrimônio histórico pede socorro.
Janelas abertas na camada asfáltica pelo intenso trânsito de veículos e pela implacável ação do tempo dão a dimensão do que era o urbanismo de uma Ribeirão Preto de outrora.
Talhados e esculpidos sobretudo por trabalhadores portugueses e seus descendentes, a rocha basáltica de origem vulcânica era extraída do que, posteriormente, convencionou-se chamar de pedreiras e que hoje são aproveitadas inteligentemente como parques públicos municipais, como os parques Curupira e Raya ou a Pedreira Santa Luzia, que urge ser transformada em parque.
Bairros antigos como o bairro-cidade Campos Elíseos, o Ipiranga (antigo bairro do Barracão onde imigrantes italianos saltavam do trem) e a Vila Tibéio, berço do Botafogo F.C., foram pavimentados com os artesanais paralelepípedos, manualmente, um a um.
Mas é no quadrilátero central que está o mais antigo calçamento basáltico da urbe. Guias , sarjetas, soleiras de porta, além do leito carroçável propriamente dito podem ser verificados em alguns pontos do Centro. A Esplanada do imponente Theatro Pedro II, o 3o maior teatro de ópera do país, está aos olhos vistos para quem quiser conhecer de perto a beleza e a fortaleza desse tipo de calçamento.
Portanto, a exemplo da Avenida 9 de Julho-tombada como patrimônio histórico pela força e pressão da sociedade civil organizada- acreditamos que se o antigo calçamento for recuperado, prioritariamente no quadrilátero central e, por conseguinte, devidamente tombado, Ribeirão Preto voltará com o incomum charme de tempos passados que lhe conferia peculiar identidade. Isso atrairá mais visitantes àquela região, principalmente por se tratar de uma área de grande concentração de estabelecimentos comerciais que, certamente, sofre a concorrência dos grandes centros de compras, os chamados shopping centers. Lá, a atividade comercial pode ser aquecida por meio de uma estratégica campanha de marketing turístico aludindo para o centro histórico da cidade, vitalizando, assim, aquela localidade.
Mas não é só de beleza, história e turismo que se constitui aquele calçamento, pois há também nesta proposta uma questão ambiental. As fissuras entre os blocos permitem a permeabilidade das águas, contribuindo significativamente para a prevenção de enchentes, bem como a recarga de lençóis freáticos. Sua manutenção é simples e econômica, a começar que em muitas situações o revestimento com paralelepípedos dispensa a construção de galerias para águas pluviais., bem como diminui a manutenção das que já existem.
Se tratando de uma atividade quase artesanal, novos postos de trabalho seriam criados. Certamente atenderiam uma gama de trabalhadores cuja 'indústria do asfalto' dispensa por consequência de sua mecanização.
Origem e Destino
Foi na belle-époque ribeirão-pretana, a pequena Paris ou petti paris como fora chamada a cidade, com seus calçamentos de paralelepípedo em franca expansão, que surgiram as raízes do que mais tarde viria acontecer: a cidade deixa de ser concebida para as pessoas e passa a ser, imperiosamente, a cidade do automóvel.
Os carros não param para a passagem dos pedestres, pois as vias de pedestres é que são interditadas pelas ruas, a começar pelo seu desnível onde o transeunte se iguala ao nível do carro, quando há de descer um degrau de pedra basáltica chamado de sarjeta. A reveladora arquitetura mostra que a cidade 'moderna' prioriza a máquina ao ser humano.
Por isso, não seria exagero entender que retomar o antigo pavimento é caminhar para a humanização da cidade, aguçando percepções e debates sobre o tipo de cidade que se deseja, além de recriar zonas permeáveis e um atrativo para maior desenvolvimento turístico com sua consequente geração de renda. A choperia Pinguim, de renome internacional, assim como todo o Quarteirão Paulista e o novo calçadão, pode ser a vanguarda nesse processo, numa produtiva parceria público-privada.
Contudo, não estamos propondo um retorno ao passado, pelo contrário, o que queremos é que se preserve a memória, através do patrimônio histórico de uma Ribeirão que se foi.
Que se valorize e aperfeiçoe o potencial que temos bem abaixo dos nossos pés. Só assim haverá instrumentos de como balizar o presente que se tem para projetar o futuro que se quer. do contrário, o amanhã será intransitável e caoticamente incerto.
Todos os anos o drama se repete e cada vez mais com ares de angústia e apreensão conforme a política educacional tucana, ao longo desses últimos 20 anos, aperta o cerco em torno da carreira docente no Estado de São Paulo.
Participo de atribuições de aulas desde 2003, ano em que ingressei na carreira de professor do Estado. Quem participa sabe bem o que significa.
Para quem já trabalha há algum tempo, existem duas jornadas de trabalho mais comuns: a jornada básica de 25 aulas e a jornada integral de 32 aulas. Como ao longo desses últimos 20 anos o processo de fechamento de salas de aula é contínuo e a defasagem salarial é constante, os professores do Estado são obrigados a cada ano a disputar palmo a palmo as aulas que ainda restam.
Como ninguém consegue sobreviver da jornada básica, todos buscam completar sua jornada de 32 aulas, por uma questão mínima e vital de pagar as contas. Mas a cada ano as aulas se escasseiam e o drama aumenta.
Eu tenho 13 anos de Estado, tenho um Mestrado e realizo cursos e provas de evolução funcional. Hoje, com 32 aulas, meu salário líquido, ou seja, aquilo que chega ao meu bolso gira em torno de 3200 reais. Não há profissão que exija diploma superior que pague tão pouco.
Na rede estadual são 200 mil docentes que todos os anos passam pelo drama da expectativa da atribuição de aulas em busca desse salário que mencionei acima, alguns um pouco mais e muitos um pouco menos.
O drama já começa antes da atribuição, pois todos sabem que o governo tucano de São Paulo sempre tira uma carta da manga na antevéspera do processo. São as conhecidas 'resoluções' que alteram a realidade já difícil do professor do dia para a noite, sempre no sentido de dificultar sua vida.
Este ano, além do fechamento de salas do noturno, que levará mais de 30 mil docentes ao desemprego, houve uma ' resolução' de última hora que retirou das escolas metade dos coordenadores pedagógicos. Uma medida de contenção de gastos que enfraquece as equipes gestoras e cria ainda mais competição pelas poucas aulas que ainda restam, pois esses coordenadores voltarão para a sala de aula tirando o lugar de um docente.
E o drama continua na escola. Não há aulas suficientes para todos! É verdade. No momento em que o país mais cresce na área da educação, onde os jovens pobres estão tendo a oportunidade de ingressar na universidade via ENEM, não há aulas suficientes para os professores na rede estadual de São Paulo! Porque o governo estadual fecha salas de aula, fecha matrículas no noturno e das salas que restam, o governo as entope de gente: 45 alunos por sala!
Bem, não havendo aulas para todos na escola, resta o sofrimento final, o inferno de Dante anual, o cerrar das cortinas da humilhação anual dos professores: o 'bolão' da Diretoria de Ensino. Olhe a foto inicial e esta aqui em baixo. Ambas cedidas pelos Conselheiros da Apeoesp Fábio Sardinha e Roberto Tofoli.
Foto: Fabio Sardinha
Das aulas que restaram, cria-se um 'bolão', um conjunto de aulas disponibilizadas para os professores que ainda não completaram sua jornada ou para aqueles que buscam pelo menos um mínimo de aulas para não perder o vínculo. Sempre ocorre ao longo do dia todo, mas a parte pior é a busca da carga suplementar, esta que tapa buracos com aulas picadas aqui e ali. Como em todos os anos, esta etapa ocorre na parte da tarde, com início às 14 horas. Todos os anos.
No olhar a apreensão: haverá aulas? Nos semblantes a tentativa de resignação. Passa pela mente de todos, além do medo de ficar sem aulas, a situação humilhante de estar ali, daquela forma. A lista corrida de nomes corre pela tarde toda e às vezes pela noite. Ao final, professores saem com algumas aulas a mais, porém alguns para isso precisam aceitar o que tem. Vi amigos professores que completaram sua jornada em 4 escolas, algumas em cidades da região.
Sim, amigo leitor, hoje na rede estadual de educação de São Paulo a maioria dos professores leciona em mais de uma escola, muitos em três escolas, quatro... Sei de um amigo que dará aulas em duas escolas em Ribeirão Preto e uma na cidade de Cajuru, a 65 km de distância. Você consegue imaginar isso? Imagine o tempo que ele gastará em trânsito de uma escola para outra.
É preciso que a sociedade pense sobre a educação pública estadual. Para mim o projeto é bem claro: sucatear para privatizar. É do DNA tucano fazer isso. Em outros Estados governados por tucanos isto já está em andamento. Sucateia a escola, adoece e empobrece os professores, destrói a imagem da educação pública no imaginário popular e depois entrega para uma ONG, com o discurso da meritocracia. Assim, o Estado lava as mãos de sua responsabilidade, enriquece os amigos das ONGs e cria uma escola estadual para os rejeitos sociais criados pelo sistema excludente. Pronto. eis a fórmula.
Para finalizar, o relato de uma situação, o gran finale da humilhação anual: eram por volta das 15h30 da tarde de ontem. Cerca de 150 professores estavam amontoados dentro de uma espécie de galpão que serve de pátio na escola. Fazia tranquilamente uns 38oC lá dentro, típico de uma tarde de verão em Ribeirão Preto. Ninguém pode sair dali porque corre o risco de ser chamado e não ouvir. Os professores tentavam combater o calor e conversavam, claro, quem submetido à uma tensão não busca aliviá-la de alguma forma?
De repente uma senhora que trabalha na diretoria de Ensino pega o microfone e tenta falar. O barulho atrapalha. Mas bastaria um pouco de tranquilidade e pedir com calma que o barulho pararia. Mas não. A mulher se irrita e dispara: "Isso aqui é o que se chama de professores? Essa é a educação que vocês têm? Eu estou rezando para que um de vocês não ouça o seu nome e perca as aulas, porque professor assim não merece ter aulas".
E assim foi mais uma crônica anual de humilhação do professor paulista. Até o ano que vem.
Rússia, Quatar, Irã, Venezuela e Arábia Saudita buscam liderar um acordo dentro da OPEP para recuperar os preços do barril de petróleo, informa a Prensa Latina e o Brasil 247. O preço médio pode se estabilizar em torno dos 70 dólares.
Com um custo de produção em torno de 8 dólares o barril, o pré-sal brasileiro tem pela frente um cenário extraordinário com o barril sendo vendido a 70 dólares no mercado.
Enquanto a mídia tradicional brasileira, comandada por 6 famílias de magnatas, permanece em aliança com setores golpistas da sociedade na sanha de destituir Dilma e de destruir Lula, é hora do Brasil que pensa, que sonha, começar a cuidar do futuro.
O pré-sal, descoberto e nacionalizado por Lula, é sim um tremendo passaporte para o futuro. Em menos de 15 anos poderá estar gerando riquezas que poderão catapultar a educação e a ciência e tecnologias brasileiras, basta para isso retomarmos agora um projeto nacional de desenvolvimento.
Mas é preciso enfrentar o golpismo. A Lava Jato investe sem escrúpulos sobre o sistema nacional de engenharia, buscando inviabilizá-lo. Enquanto o governo busca acordos de leniência que permitam a sua retomada em outras bases, setores dissidentes dentro do aparelho de Estado fazem a política da terra arrasada, sob o argumento hipócrita do 'combate à corrupção'.
Enquanto uma crise mundial surgida no seio do capitalismo financeiro assola o emprego e renda da população mundial, o PSDB, aliado de Eduardo Cunha no golpe contra a democracia, busca passar por aqui, à revelia do voto, leis que entregam o pré-sal para as multi-nacionais e que restabelecem no país o mais brutal processo de retomada das privatizações do setor público, acabando com os mecanismos de Estado no controle das práticas do capitalismo selvagem.
Eis a disputa que se avizinha, senhoras e senhores. Desesperados com as quatro derrotas consecutivas para o campo da esquerda e trabalhista, o PSDB e a mídia, fiéis representantes do mais tradicional poder financeiro, buscam retomar o poder central do Brasil. O PSDB para retomar o que começou e não pode terminar nos anos 90 e a mídia para garantir via verbas estatais a sua sobrevivência, escapando da falência via tetas do Estado nacional, como sempre.
É hora de retomar a luta, de buscar a unidade do campo democrático e progressista. É hora de envolver os trabalhadores e o empresariado nacional que acredita no país. Denunciar os golpistas. Denunciar as artimanhas de uma mídia mentirosa, parcial e rasteira.
Os ventos fortes passarão e as oportunidades voltarão, junto com o valor do petróleo, e nossa obrigação é continuar a construir por aqui as bases de um país mais justo, aprofundando as políticas públicas que permitam a inclusão social, a diminuição das disparidades de renda, a democratização política e o desenvolvimento nacional.
Em novembro do ano passado escrevemos neste blog um artigo chamado Aspone do PSDB afirma que Dom Odilo assessora Alckmin na opressão aos estudanteshttp://www.ocalcadao.blogspot.com.br/2015/11/aspone-do-psdb-afirma-que-dom-odilo.html. Ali estava a figura conhecida no meio educacional de São Paulo, o pitbul de Alckmin, Fernando Padula. Sempre disposto a comprar briga em defesa da 'política'educacional tucana.
Naquele momento, o Aspone era gravado pelos Jornalistas Livres ensinando algumas dirigentes de ensino a 'partirem pra cima' dos estudantes que ocupavam escola. "Vamos espalhar que é um movimento político, petista, que eles querem é desviar o foco do impeachment", ensinava.
Tudo bem, Padula, o Aspone, sempre foi assim, não se furtando a descer ao nível de 'bater boca' em redes sociais com professores, sempre defendendo o império tucano paulista. Mas corrupção? Aí é demais.
Segundo dados que estão sendo investigados pela Operação Alba Branca, da Polícia Civil, Padula era, ao lado de Luiz Roberto dos Santos, o Moita, Chefe de Gabinete da Casa Civil do governo tucano, o pivô do esquema que desviava grana da merenda escolar!
Como pode? Então o conhecido pitbul tucano dentro da SEE agia junto com um bando de pilantras e alguns conhecidos políticos paulistas, também citados na operação, como Fernando Capez, Baleia Rossi e Duarte Nogueira desviando dinheiro da merenda?
Então quer dizer que enquanto a meninada ocupava escola e sofria uma série de assédios e boatos espalhados pela mídia amiga tucana de que estavam a serviço do PT e depredando as escolas, quem na verdade depredava a merenda era a turma do Aspone?
O blog O Calçadão não fará julgamento prévio, como faz a mídia tradicional contra Lula e o PT, por exemplo. Apenas esperamos que as investigações prossigam com liberdade e transparência.
Mas não contribui para a apuração da verdade a tentativa patética do Governador Alckmin de tentar jogar a culpa no colo da Dilma. Ridículo!
Fico triste pelo Cardeal Odilo, que deveria vir a público pedir desculpas aos estudantes paulistas caso se comprovem as acusações da Operação Alba Branca. Deveria dizer obrigado a eles por defenderem a escola pública contra seus verdadeiros inimigos. E também a mídia tradicional deveria pedir desculpas ao povo, por fazer um jornalismo tendencioso, escondendo os escândalos de corrupção que não a interessam.
Chega até ser engraçada a
conversa dos meus amigos coxinhas. Um diz que os “PETRALHAS” afundaram o
Brasil, pois, segundo ele (e também a Veja, a Globo, o PIG em geral), as ações
da “Petro” estão em baixa. “Petro” é um
jeitinho dissimulado de dizer Petrobrax frente à vergonha da derrota nas
manobras de mudança de nome da nossa maior empresa nacional, a PETROBRAS. Na
época o Partido Democrático Trabalhista (PDT) conseguiu a vitória sobre o
entreguismo que há tempos prepara a empresa rumo a sua privatização.
O mal intencionado (ou ignorante, na melhor das hipóteses)
esquece ou finge esquecer que o único governo que afundou uma rentável
plataforma da PETROBRAS foi o de FHC-PSDB. Seus personagens são os mesmos
criminosos que, junto com outros gangsteres, fazem a sangria da nossa
nacionalidade, a começar pelo intento frustrado de mudar o nome de nossa
empresa orgulho nacional, como dito acima, a PETROBRAS. Esta, constituída na Gloriosa
Era Vargas, a mesma Era que FHC prometeu enterrar.
O coxa em questão esquece ou também finge esquecer, que o
mesmo governo tucano entreguista doou a maior mineradora do mundo, a brasileira
Vale do Rio Doce, avaliada em quase 100 bi. Foi-se por ridículos 3 bi e o
resultado todos nós sabemos (e o ex-rio Doce idem).
Mas a piada não parou por aí, pois outra coxa, ainda mais
engraçada, sem nexo com o debate sobre a “Petro”, soltou algo assim: “Na
Venezuela a lata do [imprescindível] leite em pó custa 1.300.000.000.000.000.000.000.000...
e mais alguma coisa”. Sem citar qualquer tipo de fonte, a coxa afirma essa
cifra como se frequentasse diariamente os estabelecimentos comerciais daquele
país. Puxa vida! Pra que afrontar tanto
assim a inteligência alheia. Pra quê?
Por fim, faço coro com o brizolista Humberto Gessinger em
mais uma de suas belas canções:
“...não
vemos graça nas gracinhas da TV, morremos de rir no ‘horário’ eleitoral.”
*Marcelo Botosso é Historiador e apreciador inveterado do rock cantado
em português.
No dia 10 de janeiro, uma semana antes das chuvas torrenciais deixarem mais de 200 famílias desabrigadas na comunidade Cidade Locomotiva, no bairro Jóckey Clube em Ribeirão Preto, este blog visitou o local (que você pode ler aqui), assim como já visitou e continuará visitando comunidades em Ribeirão Preto.
Ali, encontramos a realidade do drama da luta por moradia na cidade.
Vários veículos de mídia correram para cobrir a situação terrível dos desabrigados, provisoriamente ocupando um galpão particular nos arredores da comunidade alagada. De imediato, e de maneira positiva e elogiável, muitos se solidarizaram com o drama daquelas pessoas e levaram até lá alimentos, roupas e outros donativos arrecadados.
Mas senti falta, nas coberturas feitas, do debate sobre um fator essencial que levou à formação da comunidade Cidade Locomotiva e outras comunidades na zona norte da cidade.