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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Quadro: Manhã de Domingo, de Diego Rivera

 


9

o impossível
para um revolucionário
não passa de uma folha em branco
ainda sem o suor coletivo...

os donos do espelho polem o próprio reflexo
e chamam de pátria a sua própria vaidade;
mas o espelho trincou,
caiu em mil pedaços de vidro afiado
na praça onde o sol não pede licença

no domingo de Diego há uma parede viva:
os mortos finalmente fecharam os olhos em paz
e deixaram a terra arada para os que ficam

o trabalho, se fosse por eles, já não seria pedra sísifo
rolando morro acima nas costas da fome,
mas o braço erguido que segura a semente

9.1

a multidão deságua na Alameda
como um rio de camisas e bandeiras abertas
onde a atenção já não se vende nos leilões do império

cada rosto é um manifesto sem tinta,
uma ideia que brota de tudo o que é quente,
como uma promessa de pão repartido
na mesa de um futuro
que já não precisa pedir desculpas para nascer


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