9
o impossível
para um revolucionário
não passa de uma folha em branco
os donos do espelho polem o próprio reflexo
e chamam de pátria a sua própria vaidade;
mas o espelho trincou,
caiu em mil pedaços de vidro afiado
na praça onde o sol não pede licença
no domingo de Diego há uma parede viva:
os mortos finalmente fecharam os olhos em paz
e deixaram a terra arada para os que ficam
o trabalho, se fosse por eles, já não seria pedra sísifo
rolando morro acima nas costas da fome,
mas o braço erguido que segura a semente
9.1
a multidão deságua na Alameda
como um rio de camisas e bandeiras abertas
onde a atenção já não se vende nos leilões do império
cada rosto é um manifesto sem tinta,
uma ideia que brota de tudo o que é quente,
como uma promessa de pão repartido
na mesa de um futuro
que já não precisa pedir desculpas para nascer
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