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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A vitória dos cansados

 

Celebra! Vencemos!

Segunda parte de "Teimosia dos Cansados"

1

perguntaram-me se ainda estou cansado
claro que estou
mas o cansaço agora é outro:
peso do corpo que dançou a noite inteira
voz rouca de tanto cantar coletivamente
de quem sente o gosto do suor e da justiça pelo povo

não é mais a prova de que luto
pois não lutei sozinho

dois dias após
o desânimo desaparecera naquela terça
fora enterrado na praça
debaixo dos nossos pés cansados
onde não havia mais tempo para silenciar
ao ver tanta injustiça

e, ontem, toda esta violência repetida
foi rompida pelo nosso abraço  à noite

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Câmara intima ARCON a se defender em processo sobre obra dos Plenários I e II

Laudo técnico aponta problemas na execução do contrato de reforma da sede do Legislativo; empresa tem 15 dias úteis para apresentar alegações finais.

CNBB: '"Cada eleitor(a) é convidado(a) a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo"

Conselho Permanente da entidade divulgou mensagem ao povo brasileiro em que cobra compromisso dos candidatos com a democracia, com os pobres e com a justiça social

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Câmara de Ribeirão Preto aprova alterações na lei do Banco de Professores Substitutos; entenda o que mudou e por que a oposição votou a favor

Principais pontos que prejudicavam a categoria foram retirados

Após trabalho da oposição e mobilização da categoria, Executivo recua em pontos polêmicos: fim do "pedágio" de 12 meses e restrição do uso de temporários a faltas curtas e imprevistas. Projeto foi aprovado por 20 votos a zero nesta quarta-feira (21).

Direito à cidade: Sob o pretexto da "ordem urbana", Ricardo Silva centraliza poder de veto sobre o uso do espaço público

Decreto centraliza poder nas mãos do prefeito Ricardo Silva

Decreto nº 234/2026, publicado em 21 de outubro, transfere para o Chefe do Executivo a palavra final sobre eventos que fecham vias ou ocupam parques, esvaziando a análise técnica e reforçando a lógica de controle estatal sobre a sociabilidade urbana.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Relatório oficial do Incra confirma retomada da reforma agrária com mais de 104 mil famílias em 2025

Em um governo popular, a luta se torna diálogo permanente

Documento de gestão aponta que a inclusão de 100 mil famílias no PNRA ocorreu majoritariamente via reconhecimento e regularização; números são fruto da pressão popular e do diálogo com o governo federal

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Novo PAC leva R$ 461 milhões a Ribeirão Preto e impulsiona saúde, mobilidade e infraestrutura

Governo Lula destinou quase 0,5 bilhão para o município de Ribeirão Preto

Programa federal financia 22 iniciativas, da terapia CAR-T contra câncer ao novo campus do IFSP, corredores de ônibus e redes de água em bairros

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Ato "Todos pela Democracia" reúne professoras e estudantes contra precarização do ensino e avanço do fascismo

 

Ato de professoras reforçou o apoio à candidatura de Lula
Fotos: @filipeaugustoperes

Evento organizado pela A Casa Hilton e Casa Coletiva, em parceria com a Frente Ampla e o DCE Livre da USP, debateu plataformização, cortes na educação e apoio à candidatura de Lula

sábado, 10 de outubro de 2026

Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina organiza ato em Ribeirão Preto em Dia Global de Ação

 

Ato lembrou os 1100 dias de genocídio 
Fotos: @filipeaugustoperes

Mobilização deste sábado (10) na Esquina Democrática integrou chamado internacional da Aliança Global pela Palestina e pediu fim da guerra em Gaza, embargo de armas e direitos plenos do povo palestino

Como o Estadão transformou uma negativa da PF em palanque para Flávio Bolsonaro

Análise do Discurso revela manipulação da informação 


Análise da construção discursiva revela que o jornal paulista inverteu a pirâmide da informação, colocou um áudio sem validade jurídica no topo da notícia e deu espaço para que o candidato atacasse Lula sem provas, enquanto a Polícia Federal e a PGR desmentiam a existência de delação.


Por Filipe Augusto Peres

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Teimosia dos cansados

 


1

perguntaram-me se estou cansado
claro que estou
com a voz rouca
de quem sente

mas meu cansaço não é covardia,
nem desistência 
apenas
a prova de que luto

terça-feira, 6 de outubro de 2026

TCE aponta inconsistências fiscais e na Educação em Ribeirão Preto no primeiro ano da nova gestão

 


A situação não representa, necessariamente, julgamento definitivo das contas, mas um alerta para que o gestor possa corrigir eventuais desvios antes da apreciação final pelo Tribunal

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

O Brasil tem 56 milhões de apoiadores de Flávio Rachadinha?

 


Será possível que 56 milhões de brasileiros escolheram conscientemente trocar a rede de proteção social do Bolsa Família por um projeto político flertante com a milícia? Ao que parece, sim. Mas a resposta curta e simplista não dá conta da realidade. Definitivamente, o Brasil não abriga 56 milhões de apoiadores da criminalidade organizada, sonegadores convictos ou entusiastas de negociatas financeiras escusas.

Então, o que leva essa multidão a chancelar o herdeiro político do bolsonarismo — figura marcada pelo fantasma das "rachadinhas", pela lavanderia de capitais e pelas obscuras articulações com o sistema financeiro?

Responder a isso exige encarar o cenário macro do qual o Brasil é apenas um capítulo. Há cerca de uma década, o país absorveu a dinâmica global de crise do capitalismo tardio. É o velho capital em sobressalto gestando, mais uma vez, seu braço radical, xenófobo, autoritário e fundamentalista, maquiado por um "cristianismo" de encomenda. A novidade do século XXI é a simbiose perfeita entre essa extrema-direita e a arquitetura dos algoritmos das big techs.

O capital em crise encontrou o disfarce perfeito: apresentou-se como "antissistema" enquanto apontava o dedo para o campo progressista. O mesmo campo que, nas últimas três décadas, limitou-se a gerenciar um modelo econômico caduco — baleado nos anos 2000 e infartado em 2008. Ao assumir a gestão da ordem neoliberal, o campo progressita perdeu suas ferramentas históricas. Os sindicatos derreteram com a precarização do trabalho, os movimentos sociais perderam tração na era digital e os partidos abandonaram a transformação social. Social-democratas viraram neoliberais; socialistas viraram social-liberais.

O resultado é este: um neoliberalismo falido que concentra renda e espreme os espaços de sobrevivência. A disputa por esses espaços escassos transforma-se em ódio do vizinho contra o vizinho. De longe, em gabinetes nababescos ou paraísos fiscais, o algoritmo opera como uma varinha mágica, entregando na palma da mão do sujeito ressentido o alvo "certo" para a sua raiva. Não o sistema real, mas o bode expiatório fabricado: o idoso que precisa do benefício, as minorias, o próprio Estado e o campo democrático gestor da crise.

Os 56 milhões de votos do filho de Jair são heterogêneos. Reúnem os que odeiam por convicção, os manipulados pelo medo que chega pelo celular, os fieis orientados por pastores, os que abominam as políticas de inclusão e até mesmo beneficiários dessas próprias políticas, entorpecidos pela desinformação ou omitidos na apatia política (foram 33 milhões deles neste primeiro turno)

Assim se desenha o paradoxo trágico: o adversário navega na onda do algoritmo e colhe milhões de votos a despeito dos escândalos. Do outro lado, o governo Lula — que retirou o país do Mapa da Fome, popularizou o ensino superior e garantiu as reservas cambiais que salvaram o país da ruína — vê sua aprovação fustigada por ser associado às estruturas do próprio sistema. O governo atuou como eficiente "gestor da crise", mas quem gesta a rede e o ecossistema digital é a oposição.

Ainda há tempo de evitar o colapso? Sim. Mas não bastará gerenciar os danos. Será preciso encarar, desmascarar e enfrentar o verdadeiro sistema. Gerenciar bem o sistema em crise já não resolve. Lula tem a máquina na mão e também a caneta. E, junto a isso, talvez a ajuda complementar esteja na juventude que consegue se dar bem nas redes sociais apesar do algoritmo. Entreguem as redes nas mãos da juventude nesta reta final.

Ricardo Jimenez - editor do Blog O Calçadão

Entre o alçapão e os freios da democracia: Por que temos que reeleger Lula?


Por Joaquim Lauro Sando

Se a eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno poderia abrir a porta do alçapão que se encontra no fundo do poço, a eleição de Lula para um quarto mandato produziria outro cenário: não resolveria os problemas que estarão colocados diante do Brasil, mas preservaria importantes freios institucionais capazes de impedir que o novo Congresso Nacional transforme sua eventual maioria parlamentar em poder sem limites.

sábado, 3 de outubro de 2026

A Matrix brasileira: Lula, Flávio Bolsonaro e a disputa entre a consciência crítica e a ignorância "confortável"

 

Cypher vende Morpheus por um filé que não existe.
(Matrix -1999)

O que define o lado, a vida não é a retórica, mas a prática: enfrentar a Matrix ou vender Morpheus por um filé. 

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Educação pública versus educação-mercadoria: os dois projetos que se enfrentam nos planos de Lula e Flávio Bolsonaro

Propostas completamente opostas

Documentos registrados no TSE revelam concepções antagônicas sobre o papel do Estado, o destino do fundo público e a função social da escola; análise expõe o caráter de classe de cada proposta, incluindo os impactos sobre a aposentadoria e a precarização do trabalho docente

Ribeirão Preto firma financiamento de R$ 250 milhões com a Caixa para obras do Pró-Transporte

Este ano, ainda ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) já havia autorizado  R$ 1,09 bilhão para Ribeirão Preto. O objetivo foi  financiar a qualificação viária do Corredor de Mobilidade Leste-Oeste

O Município de Ribeirão Preto firmou, em 15 de setembro de 2026, contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de reais) destinado à execução de obras e serviços no âmbito do Programa Pró-Transporte. A informação consta do Extrato do Contrato de Financiamento nº 0647001-19, publicado no Diário Oficial do Município nº 12.489, de 25 de setembro de 2026 (página 8).

domingo, 27 de setembro de 2026

O poema que nos faz

 


1

há um poema dentro de nós,
como uma criança 
que chuta a parede do ventre
e exige nascer

o poema diz: — te amo.
dizemos: — nos amamos
o “amamos” não é o mesmo
existe o meu, o teu, o nosso, 
como todos que já disseram “eu te amo” ao mundo
e o mundo decidiu diversamente
se respondia

sábado, 26 de setembro de 2026

Movimentos sociais pressionam candidatos nas eleições 2026 por fim da violência no campo e reforma agrária



Mais de 30 organizações sociais entregam cartas de compromisso exigindo metas contra conflitos agrários, que somaram 1.593 casos em 2025; Articulação Nacional de Agroecologia propõe agenda para o próximo governo

Organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram, no último dia 23, carta de compromisso a candidatas e candidatos às eleições deste ano exigindo o fim da violência no campo e a implementação de uma política de reforma agrária. 

O documento, intitulado "Carta de Compromisso das Eleições de 2026: Pelo Fim da Violência no Campo", foi lançado pela Campanha Contra a Violência no Campo: em defesa dos povos do campo, das águas e das florestas, iniciativa criada em agosto de 2022 e que reúne mais de 30 organizações sociais e 70 entidades da sociedade civil. Paralelamente, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) divulgou sua Carta Política para as eleições, propondo uma agenda de transformação dos sistemas agroalimentares com base na agroecologia.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Ribeirão Preto abre seleção para professor substituto com base na PND 2025

Edital oferece cadastro reserva com salários de até R$ 29,39 por hora/aula e reserva de 30% para cotas raciais; inscrições começam em 28 de setembro.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

MP move ação contra vereador de Ribeirão Preto por exposição de criança trans em escola e obtém condenação de parlamentar em São José dos Campos

Página do MP informando a ação civil contra o vereador Isaac Antunes (PL)

Contra os vereadores do PL Isaac Dalcol Antunes e Anderson Senna, o MP atua por discriminação: em Ribeirão Preto, pede R$ 500 mil de indenização a Isaac, destinados ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente; em São José dos Campos, obteve a condenação de Anderson por falas contra a comunidade LGBTQIA+.

Projeto da "Lei da Blindagem Rural" criminaliza ocupações e bloqueios de rodovias em favor do agronegócio

PL inconstitucional criminaliza a luta pela terra. Foto: Arquivo/@filipeaugustoperes

Dados de financiamento de campanha expõem conexão do autor, o deputado federal José Medeiros (PL/MT) com o agronegócio; e investigações apontam histórico passado de desmatamento, crimes ambientais e trabalho análogo à escravidão envolvendo algumas das principais famílias doadoras de suas campanhas ao legislativo.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Secretaria de Educação de Ribeirão Preto não possui critérios objetivos para compartilhamento de profissionais de apoio escolar


Levantamento estatístico de estudantes com deficiência (TEA, Baixa Visão, Física, etc.) matriculados nas redes CEI, EMFI e EMEF

Respostas a pedidos de acesso à informação feitos pelo Blog O Calçadão, no mesmo dia da publicação do decreto, revelam que norma não define número máximo de alunos por profissional nem protocolo público de análise

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Professoras Denunciam Retrocessos na Rede de Ensino de Ribeirão Preto

 


Ribeirão Preto – Um grupo de professoras da rede municipal de ensino de Ribeirão Preto está enfrentando sérias irregularidades em relação a um processo seletivo e ao pagamento de aulas extraordinárias. As educadoras estão mobilizadas para exigir respeito aos seus direitos trabalhistas e justiça em relação às situações que enfrentam.


Processo Seletivo Anulado


Em 2025, um grupo de professoras participou de um processo seletivo com a expectativa de ser convocado para assumir cargos temporários em 2027. Após pagarem a taxa de inscrição e serem aprovadas na prova, as candidatas foram surpreendidas ao serem informadas de que o certame havia sido declarado ilegal, o que resultou na anulação do processo e na impossibilidade de sua convocação.
"Investimos tempo e dinheiro em algo que acabou sendo descartado sem qualquer aviso ou compensação", desabafou uma das participantes. O grupo, que se sente prejudicado, está buscando a anulação da decisão que torna o processo ilegal e pede ressarcimento da taxa de inscrição, além de uma nova convocação.


Atrasos nos Pagamentos das Aulas Extras


Outra preocupação das professoras refere-se ao pagamento pelas aulas extraordinárias que ministram. Essas aulas, que excedem a carga horária regular de 32 horas semanais, são pagas com uma verba específica chamada "lerinte", em folha suplementar.
Os pagamentos referentes às aulas realizadas em agosto, que deveriam ocorrer em 1º de outubro, foram adiados para o dia 20 do mesmo mês — um atraso de 20 dias. Já o pagamento das aulas de setembro foi prorrogado para 20 de novembro. As professoras relataram que a mudança repentina nas datas de pagamento e a falta de comunicação prévia geraram um sentimento de insegurança e desrespeito pelos direitos trabalhistas.
"Essa situação tem sido insustentável. Não podemos trabalhar sem receber em dia, e essa falta de comunicação só piora a nossa situação. Já estou considerando não aceitar mais aulas extraordinárias", afirmou uma das professoras afetadas.


Demandas e Ações

O Blog O Calçadão entrou com dois pedidos de acesso à informação junto à Secretaria Municipal da Educação para esclarecimentos sobre a ilegalidade do processo seletivo e os atrasos nos pagamentos das aulas extraordinárias.

No primeiro pedido, relacionado ao processo seletivo, solicitamos informações detalhadas sobre a anulação do certame, a devolução da taxa de inscrição e a previsão de um novo processo seletivo.

O segundo pedido busca esclarecer as normas que regulamentam os pagamentos das aulas extraordinárias, incluindo a justificativa para os atrasos e detalhes da verba orçamentária utilizada.


Falta de Transparência e Segurança


As professoras enfatizam que sua principal reivindicação é a transparência nas gestões e o respeito dos direitos trabalhistas. "Exigimos que a gestão educacional respeite seus compromissos. Precisamos de clareza e previsibilidade para que possamos planejar nossas vidas profissionais e pessoais", concluiu uma delas.

A situação das educadoras revela um cenário tenso dentro da rede de ensino e levanta questionamentos sobre a gestão pública em Ribeirão Preto, que deve garantir não apenas a legalidade dos processos seletivos, mas também o cumprimento das obrigações financeiras com seus profissionais.

Com o avanço das solicitações de informação, as professoras esperam que a gestão municipal se pronuncie e tome as devidas providências para corrigir essas irregularidades, garantindo que seus direitos sejam respeitados e que as futuras contratações e pagamentos sejam realizados de forma adequada e transparente. A comunidade escolar e a sociedade civil acompanham a situação de perto, na expectativa de uma resolução satisfatória e justa para todos os envolvidos.


Ricardo Jimenez - Equipe editorial O Calçadão

Faltam menos de 20 dias para as eleições que podem definir os próximos 20 anos. Às ruas!




Por Caio Cristiano, presidente do PSOL-RP e vice-presidente do Sindicato dos Servidores 
Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis.

O desenlace das crises institucionais é frequentemente imprevisível, mas o cálculo político que rege a ofensiva da extrema-direita na atual conjuntura é cristalino. Com apoio de Trump e dos EUA, eles querem eleger um governo lambe-botas do imperialismo americano. Para isso, estão dispostos a tudo e qualquer coisa, mesmo ações ilegais.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Educação Alimentar Obrigatória: Câmara analisa projeto que exige nutricionistas nas escolas

 

Arquivo/ Foto: Filipe Augusto Peres

Projeto de Lei 2.339/26 torna disciplina obrigatória em todas as escolas

O Projeto de Lei 2.339/26 torna obrigatória em todas as escolas a disciplina de Educação Alimentar e Nutricional na educação básica, que abrange educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A proposta prevê uma aula semanal, no mínimo, integrada ao projeto pedagógico das unidades. O texto está em análise na Câmara dos Deputados desde esta terça-feira (15).

Ribeirão Preto adere à Prova Nacional Docente e muda critério para seleção de professores

 


Município integra sistema federal de avaliação de docentes; primeiros editais podem usar nova ferramenta já em 2027

Ribeirão Preto oficializou sua adesão à Prova Nacional Docente (PND), um sistema federal de avaliação de professores que promete padronizar e, segundo o governo, aumentar a transparência nos processos seletivos de docentes da rede municipal. A decisão foi publicada no Diário Oficial de 15 de setembro, através da Resolução SME nº 20.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

A emergência e a transparência precisam caminhar juntas

 



Transparência orçamentária não é luxo, mas obrigação, especialmente em crises

Desde 24 de julho, quando o vendaval atingiu Ribeirão Preto, o Blog O Calçadão acompanha as consequências do desastre natural. Primeiro, a cobertura da situação de emergência decretada pela Prefeitura. Depois, em agosto, a publicação do edital para o saque calamidade do FGTS, permitindo que moradores pudessem sacar até R$ 6.220 para reparar danos. A prefeitura, também, já havia decretado estado de emergência na Saúde, devido ao vendaval. Todas estas ações foram corretas, não se questiona isso. 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Ribeirão Preto aprova R$‌ 5,1 milhões para expandir escolas em tempo integral

 

Publicação do Diário Oficial de quarta-feira

A Prefeitura de Ribeirão Preto vai investir R$‌ 5,1 milhões em expansão do programa de Escola em Tempo Integral (ETI). O crédito especial foi autorizado pela Lei nº 15.303, publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (09/09).

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Mulheres vivas e soberania: Grito dos Excluídos traz à Ribeirão Preto a luta por terra, moradia digna e fim das violências contra as mulheres

 

Dom Moacir durante celebração da missa
Fotos: @filipeaugustoperes

Manifestação na paróquia Nossa Senhora dos Anjos reúne movimentos sociais, pastorais e trabalhadores em protesto que reivindica justiça social, fim da escala 6x1 e proteção às mulheres

Na segundo-feira (7), Ribeirão Preto se transformou em espaço de resistência e esperança. Na Paróquia Nossa Senhora dos Anjos e Santa Edwiges, no bairro Heitor Rigon, a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu em torno de uma centena de pessoas em torno de demandas que tocam o cotidiano de milhões de brasileiros: moradia digna, fim da exploração trabalhista, defesa das mulheres e soberania nacional. O ato, que começou às 8h30 com acolhida e prosseguiu com missa presidida por Dom Moacir Silva às 10h, ecoou um grito que há 32 anos não cessa de denunciar as injustiças estruturais do país.

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Três programas de governo, duas visões antagônicas: a engenharia política de 2026

BRAUNS, Ennio. Greve do ABC.

[…] poderiam ser trabalhadores e trabalhadoras 
nas grandes greves do ABC
fotografados pelos históricos fotojornalistas
do ABC
como Ennio Brauns

(Quadro: Manifestacion, de António Berni. Filipe Augusto Peres)


Uma análise comparativa completa dos planos de Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT-aliados) que demonstra como a elite econômica e a sua representação judicial coordena a candidatura de dois representantes da extrema-direta para fragmentar o voto contra o projeto democrático e de desenvolvimento nacional.

Os planos de governo de Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL), embora com linguagens diferentes, defendem os mesmos interesses de classe e propõem instituições parecidas de controle político. O programa de Lula, por sua vez, representa um projeto fundamentalmente diferente: baseado na redução de desigualdades, soberania nacional e fortalecimento da democracia substantiva. A suspensão e liberação de Renan Santos não é acidental, mas engenharia política destinada a fragmentar o voto de forma que Flávio (ou Renan, caso ambos avancem) vença contra Lula em segundo turno.

I. SEGURANÇA PÚBLICA: A GUERRA CONTRA POPULAÇÕES, NÃO CONTRA O CRIME

Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL): autoritarismo explícito e velado

Renan propõe explicitamente o Direito Penal do Inimigo (DPI) como framework de governo. Sua proposta divide a população em "cidadãos" (com direitos) e "inimigos" (sem direitos). Indivíduos classificados como membros de facções perderiam direitos políticos, civis e sofreriam restrição de liberdade de locomoção. O ônus da prova seria invertido: presumem-se culpados até que comprovem inocência. Estados de Defesa seriam permanentes em "áreas sob comando das facções", ou seja, qualquer favela ou comunidade urbana.

Flávio propõe "declarar guerra ao crime organizado" com linguagem menos explícita, mas conteúdo semelhante. Propõe "medidas duras, concretas e aplicáveis desde o primeiro dia". Defende "tornozeleiras eletrônicas", como as que seu pai tentou romper, para monitoramento permanente, "reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais", "fim da progressão de regime" para crimes hediondos, e "maioria penal reduzida". Embora não nomeie "Direito Penal do Inimigo", propõe exatamente isso: suspensão de direitos fundamentais em nome da "guerra ao crime".

Lula propõe reorganização da segurança pública através do fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), "inteligência tática" e "controle de armas de fogo". Seu programa enfatiza "cooperação federativa" e "combate aos fluxos financeiros ilícitos". Não propõe suspensão de direitos, mas fortalecimento de instituições democráticas de segurança. A diferença é radical: enquanto Renan e Flávio propõem guerra contra populações classificadas como "inimigas", Lula propõe combate ao crime dentro do marco legal democrático.

Renan e Flávio convergem em propor a suspensão permanente de direitos fundamentais para categorias de população. Lula propõe fortalecimento institucional dentro da democracia. Essa é a diferença entre fascismo e democracia.

II. ECONOMIA: AUSTERIDADE PARA OS POBRES, PRIVILÉGIO PARA OS RICOS

Renan e Flávio: austeridade fiscal radical

Renan propõe "ajuste fiscal" como primeira medida de seu plano. Seu programa intitula o capítulo de segurança como "Um Remédio Amargo",  sugerindo que redução de gastos sociais é necessária mas dolorosa. Propõe "reforma trabalhista para flexibilizar relações de trabalho", "redução de supersalários", "reforma administrativa" e "austeridade fiscal". O Livro Amarelo destaca "contenção de gastos" e "equilíbrio fiscal" como prioridades.

Flávio propõe "equilíbrio fiscal" e "tesouraço nos gastos públicos". Seu programa defende "menos imposto no que a família consome", "conta de luz mais simples", "juros menores". Porém, a estratégia para alcançar isso é "estabilizar e reduzir a dívida pública" através de cortes. Flávio afirma que "juros altos são consequência da dívida crescente" e que "juros menores não se decretam: conquistam-se com contas em ordem". Isso significa cortes em políticas sociais.

Lula propõe crescimento econômico com inclusão e estabilidade. Seu programa defende "valorização real do salário-mínimo" e "mercado de trabalho aquecido" que levaram a "expansão da massa salarial e do consumo". Alcançou "maior renda real do trabalho e menor desemprego da série histórica". Propõe "redução sustentada das taxas de juros" através de "crescimento econômico", não através de cortes. Seu programa destaca "investimentos produtivos públicos e privados" em infraestrutura, educação e saúde.

Diferença fundamental: Renan e Flávio propõem que o povo pague pela "austeridade fiscal". Lula propõe que o crescimento econômico reduza naturalmente a dívida, mantendo políticas sociais.

Reforma Tributária: quem paga?

Renan não detalha reforma tributária em seu programa resumido, mas destaca "contenção de gastos" e "menos impostos", sugerindo redução de receita estatal.

Flávio propõe "menos imposto no que a família consome" e "redução de impostos". Isso significa redução de receita estatal sem compensação, exigindo cortes em políticas sociais.

Lula implementou reforma tributária que beneficia os pobres. "A cesta básica ficará isenta desses impostos e os mais pobres terão direito a um mecanismo de cashback, o que favorece a progressividade tributária." Seu programa defende "justiça tributária" e "combate aos privilégios e às distorções".

Programas Sociais: manutenção ou eliminação?

Renan propõe "produtividade pela cidadania" e "economia de assistencialismo". Sua linguagem sugere que assistência social é "comodismo" e que o objetivo é "qualificação, trabalho, crédito e patrimônio". Isso indica redução ou completa eliminação de programas assistenciais.

Flávio promete "manter e aperfeiçoar os programas sociais", mas sua estratégia é transformá-los em "trilha que leva à qualificação, ao trabalho, ao crédito e ao patrimônio". "Proteção não é o fim da linha: é o começo de uma trilha". Isso significa redução de benefícios permanentes em favor de uma suposta "qualificação", o que não ocorreu no governo de seu pai.

Lula expandiu programas sociais. "O Bolsa Família foi recriado e expandido com benefícios especiais para crianças e adolescentes." Alcançou "desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, atingiu o menor patamar histórico de 0,504". Propõe continuar essa expansão.

Síntese econômica: Renan e Flávio propõem austeridade que reduz direitos sociais. Lula propõe crescimento que amplia direitos sociais. Essa é a diferença entre neoliberalismo e desenvolvimento social.

III. EDUCAÇÃO E CULTURA: FORMAÇÃO DE ELITES OU EDUCAÇÃO PÚBLICA UNIVERSAL?

Educação: Qual objetivo?

Renan propõe "Formar elites, cultivar o povo", o próprio título de seu capítulo sobre educação revela a estratégia. Formar elites é diferente de educar o povo. Isso significa educação diferenciada por classe social, em que uma determinada classe social, por meio de sua educação superior, decidirá o que é bom para o povo, cultivando-o em seus "valores superiores".

Flávio propõe "educação de verdade" com "método fônico", "escola sem doutrinação", "escolas cívico-militares" e "gestão escolar por resultados". Essas propostas indicam educação controlada, militarizada, não democrática, contra qualquer tipo de pluralidade e altamente doutrinária.

Lula propõe "educação para todos" com "investimentos em todos os níveis educacionais". "O Ministério da Educação reassumiu a liderança estratégica e federativa do setor. Os investimentos em todos os níveis educacionais voltaram." Propõe programa contra evasão e expansão de acesso.

Cultura: Identidade Nacional ou Mercado?

Renan propõe "Chega de saudade: cultura" com foco em "indústria cultural" e mercado.

Flávio propõe "leis de incentivo" e "patrimônios históricos", modelo mercantilista em que cultura é negócio.

Lula recriou o Ministério da Cultura e "retomada dos mecanismos de financiamento permitiram voltar a valorizar a identidade nacional e a diversidade cultural brasileira". Seu programa defende cultura como direito, não como mercado.

IV. MEIO AMBIENTE E TERRITÓRIO: EXPLORAÇÃO OU PRESERVAÇÃO?

Amazônia: Floresta em pé ou floresta explorada?

Renan propõe "bioeconomia" , "gerar renda a partir da floresta em pé, com biotecnologia, fármacos, cosméticos". Embora fale em "floresta preservada", a ênfase é em "agregação de valor" , transformar a floresta em commodity, como o agronegócio já faz com a produção de soja, por exemplo.  Propõe também "desfavelização" , eliminação de comunidades indígenas e quilombolas.

Flávio propõe "desenvolver o Norte" com "bioeconomia" e "soberania com profissionalismo". Promete "os povos indígenas e as comunidades quilombolas terão autonomia para decidir sobre as atividades produtivas em suas terras", mas simultaneamente propõe exploração de "terras raras" e "minerais críticos".

Lula alcançou "menor taxa de desmatamento da história da Amazônia". "Promovemos a recuperação e a restauração florestal. Retomamos o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris, atualizando nossas metas de redução de emissões." Seu programa defende preservação real, não exploração disfarçada.

Desfavelização: limpeza social?

Renan propõe explicitamente "desfavelização" como capítulo de seu plano. "Acabar com a favela é precondição para que o Brasil deixe de ser um país dividido entre lei e ausência de lei, entre cidade e periferia, entre cidadão e morador sem documento." Isso é linguagem de "higiene social" , eliminação de populações consideradas indesejáveis.

Flávio não menciona "desfavelização" explicitamente, mas propõe "urbanização de áreas degradadas" e "lixão zero", eufemismos para eliminação de favelas.

Lula propõe "investimentos em infraestrutura urbana, habitação, saneamento básico" com foco em "inclusão" e "redução de desigualdades territoriais". Seu programa defende integração de favelas à cidade, não eliminação.

Síntese ambiental: Renan e Flávio propõem exploração e limpeza social. Lula propõe preservação e inclusão. Essa é a diferença entre fascismo e democracia substantiva.

V. POLÍTICA EXTERNA E SOBERANIA: ALINHAMENTO OU AUTONOMIA?

Soberania Nacional: conceito ou prática?

Renan propõe "soberania com profissionalismo, não com ideologia"., como se o seu posicionamento não fosse ideológico. Sua crítica é que Lula trocou "interesse nacional pela ideologia". Renan defende "pragmatismo", o que significa alinhamento com potências hegemônicas em troca de benefícios imediatos.

Flávio afirma que "soberania se exerce na prática, não no discurso" e critica a "diplomacia guiada pela ideologia". Propõe o mesmo "pragmatismo" e "ganho mútuo do comércio". Critica Lula por receber Nicolás Maduro e permitir "navios de guerra iranianos". Defende alinhamento com "parceiros tradicionais" , código para alinhamento e submissão aos mandos e desmandos dos Estados Unidos.

Lula defende "soberania nacional" como "princípio permanente e inegociável". "Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica." Seu programa busca "autonomia de decisão" e "capacidade de construir um projeto nacional de desenvolvimento".

Alianças estratégicas: independência ou vassalagem?

Renan critica Lula por "alinhamento ideológico" com Venezuela e Irã. Isso é código para dizer que Lula deveria se alinhar com Estados Unidos.

Flávio critica que "não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais",  referindo-se a Estados Unidos, Argentina e Israel. Propõe "reverter o quadro com profissionalismo e foco no interesse nacional".

Lula propõe "protagonismo na arena global" e "reabertura do Brasil ao mundo, assegurando a soberania nacional". Seu programa defende relações multilaterais e cooperação, não vassalagem.

Síntese geopolítica: Renan e Flávio propõem alinhamento com Estados Unidos (disfarçado de "pragmatismo"). Lula propõe autonomia e soberania. Essa é a diferença entre dependência e independência nacional.

VI. DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: BIOECONOMIA OU DESENVOLVIMENTO INTEGRADO?

Nordeste: região de exploração ou desenvolvimento?

Renan propõe "Zonas Econômicas Especiais" no Nordeste. Essas zonas são áreas de exploração intensiva com regulação reduzida, típicas de modelos de dependência econômica. E a questão ambiental?

Flávio propõe "Trem do Nordeste", "Transnordestina" e "Baixio do Irecê", infraestrutura para escoamento de produção. Enfatiza "data centers", "energia limpa" e "terras raras". Isso é integração do Nordeste ao mercado global como fornecedor de commodities.

Lula propõe "redução de desigualdades territoriais" e "rede policêntrica de cidades que impulsione a integração nacional". Seu programa defende desenvolvimento integrado, não exploração regional.

VII. INSTITUIÇÕES POLÍTICAS: DEMOCRACIA OU TECNOCRACIA?

Judiciário: reforma ou concentração de poder?

Renan propõe "tribunais especializados com magistrados selecionados por critérios técnicos rigorosos e dotados de proteção especial". Isso é concentração de poder em uma elite de "especialistas", dando nome aos bois: fascismo tecnocrático.

Flávio propõe "reforma do judiciário" com "STF como corte constitucional". Defende "instituições fortes, cada Poder dentro de seus limites". Embora menos explícito que Renan, também propõe concentração em especialistas.

Lula propõe "fortalecimento da democracia real e efetiva" e "aprofundamento da democracia". Seu programa defende "políticas públicas orientadas pela inclusão, pela equidade, pela solidariedade".

VIII. O PADRÃO REVELADO: DUAS VISÕES ANTAGÔNICAS

Renan Santos e Flávio Bolsonaro: convergências estruturais

Segurança: Suspensão de direitos para populações classificadas como "inimigas"
Economia: Austeridade fiscal que reduz direitos sociais
Educação: Formação de elites, não educação universal
Ambiente: Exploração e limpeza social
Soberania: Alinhamento com potências hegemônicas
Instituições: Concentração de poder em tecnocracia especializada

Síntese: Ambos propõem fascismo tecnocrático, apenas com linguagens diferentes. Renan é explícito (Direito Penal do Inimigo). Flávio é velado (guerra ao crime). O resultado é idêntico: suspensão de direitos, concentração de poder, alinhamento com elites globais.

Lula: projeto alternativo

Segurança: Fortalecimento institucional dentro da democracia
Economia: Crescimento com inclusão e redução de desigualdades
Educação: Educação universal para todos
Ambiente: Preservação real e integração de populações
Soberania: Autonomia e independência nacional
Instituições: Fortalecimento da democracia substantiva

Síntese: Lula propõe desenvolvimento nacional com democracia, exatamente o oposto de Renan e Flávio. Seu programa defende redução de desigualdades, soberania e direitos.

IX. A ENGENHARIA POLÍTICA: POR QUE SUSPENDER RENAN?

Agora compreendemos por que a elite judicial suspendeu Renan e o liberou 48 horas depois. Não foi acidente. Foi engenharia política precisa.

Se Renan não tivesse sido suspenso, permaneceria como candidato desconhecido com variante entre 3 e 8% nas pesquisas. A suspensão o transformou em "vítima da elite judicial", em "resistente democrático", em "denunciante do Banco Master". Ganhou visibilidade, simpatia e legitimidade.

Resultado: Renan emergiu como "terceira via" outsider que fragmenta o voto contra Lula. Flávio permanece protegido (seu sigilo foi mantido). Lula é enfraquecido (atacado de todos os lados).

Em segundo turno, a fragmentação favorece Flávio. Ou, se Renan chegar ao segundo turno contra Flávio, a elite judicial apoia Flávio (que implementará versão similar de seu fascismo tecnocrático).

De qualquer forma, a elite judicial vence. Se Lula vencer, estará enfraquecido e cercado. Se Flávio ou Renan vencerem, implementam fascismo tecnocrático.

 A ESCOLHA REAL ESTÁ DIANTE DE NÓS

A análise comparativa completa dos três programas de governo revela uma verdade incômoda: não há "terceira via" democrática. Renan e Flávio propõem versões diferentes do mesmo fascismo tecnocrático, apenas com linguagens diferentes.

Renan é explícito: propõe Direito Penal do Inimigo, desfavelização, tribunais especializados. Flávio é velado: propõe "guerra ao crime", "urbanização de áreas degradadas", "reforma do judiciário". O resultado é idêntico: suspensão de direitos, concentração de poder, alinhamento com elites globais.

Lula, por sua vez, propõe algo fundamentalmente diferente: desenvolvimento nacional com democracia, redução de desigualdades, soberania e fortalecimento de direitos, mesmo com todas as limitações da estrutura burguesa-capitalista.

A suspensão de Renan não foi erro. Foi estratégia. Transformou um candidato desconhecido em "terceira via" que fragmenta o voto contra Lula. A elite econômica, e a sua representação judicial, não está apostando em um candidato específico, está apostando em um padrão institucional que qualquer um que vencer terá que aceitar: a supremacia da tecnocracia, da vontade judicial subordinadas aos interesses do grande capital sobre a nossa frágil democracia eleitoral. Vale lembrar que o próximo Presidente, em um suposto afastamento de Moraes, pode vir a indicar 5 ministros para o STF no próximo mandato. Vale também lembrar que Trump e sua corja nacional estão no encalço para invalidar qualquer processo eleitoral que contrarie os seus interesses.

A escolha real não é entre Lula, Renan e Flávio. É entre democracia (mesmo que burguesa) com direitos (Lula) ou fascismo tecnocrático (Renan e Flávio). Tudo o mais é engenharia política destinada a obscurecer essa escolha fundamental.

Que reconheçamos o padrão e recusemos sua legitimidade.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Quadro: Manifestación, de António Berni

 

BERNI, António. Manifestación (1934)

10

entre copos meio cheios de cuspe e cerveja,  
o balcão de zinco guarda o mapa  
daqueles que o mundo esqueceu de matar  
mas na arpillera, eles são um mar de cabeças erguidas,  
primeiros planos poderosos de uma greve que não cessa  

alguém pergunta ao garçom a hora do apocalipse,  
mas o rádio chia... 
não, é o orador fora da tela,  
bigodes e calvície avançada, bradando "abaixo a guerra!"  

(foi na Argentina
mas poderiam ser operários bradando 
"abaixo o genocídio  do povo palestino!"
em uma greve geral na Itália)