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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Tatuapé transforma o Anhembi em roça e resistência ao homenagear o MST

Plantar para Colher e Alimentar: Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra
Fotos: @filipeaugustoperes


Escola, que levou à avenida desfile marcado pela apelo à reforma agrária, pela espiritualidade indígena, memória histórica como caminho de dignidade, ficou em 4º lugar e fará o desfile das campeãs 


Na noite de sábado (14), no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé levou para a avenida o enredo “Plantar para Colher e Alimentar: Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, em homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Em um desfile que combinou espiritualidade, memória histórica e crítica social, a escola transformou o maior palco do carnaval paulistano em roça simbólica de resistência e esperança.


A terra como dádiva coletiva

A apresentação começou evocando a origem sagrada da agricultura, com referências a Tupã, símbolo da criação e da fertilidade na tradição indígena. A terra foi apresentada como dádiva coletiva, espaço de comunhão entre ser humano e natureza. Tons terrosos, elementos cenográficos que simulavam lavouras e alas coreografadas representando o cultivo marcaram a primeira parte do desfile.



Na sequência, a narrativa avançou para a ruptura histórica provocada pela colonização e pela formação do latifúndio. Alegorias representaram a invasão e a violência que marcaram a concentração fundiária no Brasil. A escola também destacou a resistência negra no campo, com alas remetendo aos quilombos, e fez referência à Guerra de Canudos, evocando a rebeldia sertaneja liderada por Antônio Conselheiro como símbolo de enfrentamento à exclusão social.


O ponto central do desfile foi a representação contemporânea da luta pela terra. Sob o refrão que denuncia a contradição brasileira “tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra” bandeiras vermelhas ocuparam a avenida, enquanto a principal alegoria simbolizou a transformação do latifúndio improdutivo em assentamento agrícola, com produção de alimentos saudáveis, sem agrotóxicos, cooperativas e famílias trabalhando coletivamente.


Na reta final, o clima de denúncia deu lugar à celebração da colheita. Sanfona, agogô e danças populares reforçaram a dimensão cultural do campo brasileiro. Ao exaltar a partilha, a dignidade e a esperança, a Tatuapé encerrou um desfile marcado pela força poética e pelo posicionamento social, consolidando uma apresentação que uniu espetáculo visual e reflexão política sobre terra, desigualdade e justiça social. 


Tatuapé participará do desfile das campeãs 


A Acadêmicos do Tatuapé terminou em 4º lugar, com resultado ganhou direito de participar do desfile das campeãs no próximo sábado (21), junto à Gavioes da Fiel, Dragões da Real, Barroca Zona Sul e à campeã Mocidade Alegre.

Também participarão do desfile a campeã e vice do grupo de acesso 1, Academivos do Tucuruvi e Pérola Negra, além da campeã e vice do grupo de acesso 2, Morro da Casa Verde e X-9 Paulistana.


Fotos

























































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