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| Conferência defendeu a reforma agrária como condição essencial para o enfrentamento da crise climática. Fotos: @filipeaugustoperes |
Evento realizado na 3ª Feira da Reforma Agrária Neusa Paviato, na Estação Cultura, em Campinas, debateu a reforma agrária popular, a luta pela terra e o socialismo como alternativa aos impactos do agronegócio
A conferência "Defender a Soberania, Lutar pela Reforma Agrária e Cuidar da Natureza", realizada no sábado (7) durante a 3ª Feira da Reforma Agrária Neusa Paviato, na Estação Cultura, em Campinas (SP), reuniu o historiador e professor aposentado da Unicamp, Luiz Marques, membro do conselho Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, do MST, o escritor e ativista indígena Naldo Tucano, o deputado federal Nilto Tatto (PT), a dirigente nacional do MST, Renata Menezes, e a representante do Sindicato dos Químicos, Edileuza Santana. Os participantes defenderam que o enfrentamento da crise climática e da desigualdade social exige a superação do capitalismo e a retomada da reforma agrária popular.
O professor Luiz Marques abriu a conferência fazendo um balanço crítico das conferências climáticas internacionais (COPs) e dos 10 anos do Acordo de Paris. Para ele, o balanço é de fracasso, pois o aquecimento global se acelerou. O historiador atribuiu o resultado à lógica do capitalismo, que se baseia em três pilares insustentáveis: a reprodução ampliada do capital, a transformação da natureza em mera mercadoria e a redução de tudo o que importa para a vida a uma "externalidade".
"Não existe nenhuma razão biológica, histórica ou espiritual para que nós não superemos o capitalismo", afirmou.
O historiador destacou que, no Brasil, a forma mais nociva desse sistema é o agronegócio, responsável por mais de 70% das emissões de gases de efeito estufa no país, principalmente pela pecuária e pelo desmatamento. O professor também alertou para o que chamou de "mês do fogo", uma aliança entre o agronegócio e o crime organizado para destruir a Amazônia.
O escritor e ativista indígena Naldo Tukano, do povo Tukano, do noroeste amazônico, trouxe a perspectiva dos povos originários. Tukano denunciou a ameaça de exploração de terras raras em território indígena e a invisibilidade dos povos indígenas nas cidades.
"Nós, povos indígenas, viramos estrangeiros dentro do nosso próprio país", lamentou.
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| Naldo Tucano |
Naldo defendeu a agricultura familiar e o sistema de policultivo dos povos indígenas como essenciais para a soberania alimentar e a preservação ambiental.
"Enfrentar as dores do presente exige um diálogo profundo entre o passado, o agora e o amanhã", disse, citando seu livro "A Vida Antes do Discurso".
O deputado federal Nilto Tatto (PT) afirmou que a crise climática é uma oportunidade para o Brasil repensar seu modelo de desenvolvimento. O deputado criticou a dependência da exportação de commodities e defendeu a agregação de valor à produção nacional, além de investimentos em ciência e tecnologia.
"Não há possibilidade de a gente pensar em soberania sem pensar em soberania alimentar, e não dá para pensar em soberania alimentar se a gente não tiver reforma agrária", declarou.
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| Nilto Tatto |
Tatto também alertou sobre a força do agronegócio no Congresso e a necessidade de pressão popular para garantir avanços.
"A gente tem um governo, mas não tem poder, porque o poder está colocado no Congresso", disse.
A dirigente nacional do MST, Renata Menezes, avaliou que a vitória eleitoral de Lula representou uma derrota ao imperialismo norte-americano e à extrema-direita, mas que a soberania não se resume ao resultado das urnas.
"A soberania é a capacidade de o nosso povo organizado defender estes interesses", afirmou. Renata defendeu que a reforma agrária é central para enfrentar a concentração fundiária, a crise climática e a desigualdade nas cidades.
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| Renata Menezes |
"Falar de reforma agrária para nós é estar combinado à disputa de um modelo de cidade que garanta direito a ela na sua totalidade", declarou.
Renata também convocou a população a ocupar as ruas e a pressionar o governo Lula.
"É preciso que a gente governe junto com ele, com essa pressão das ruas, e nos coloque em outro patamar da luta de classes".
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