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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sem votos nas periferias, não se ganha eleições em Ribeirão



Ribeirão Preto conta com aproximadamente 480 mil eleitores espalhados por toda a cidade. No entanto, dentro desse universo, há um grupo crucial para que qualquer candidatura alcance a vitória: os eleitores das periferias. Veja alguns exemplos: na região norte, encontramos bairros como Heitor Rigon, Ipiranga, Jandaia, Simioni, Quintinos, Aeroporto, Salgado Filho, Ribeirão Verde, Dutra, Marincek, Valentina, Maria Casagrande, Orestes Lopes, Cristo Redentor, Campos Elíseos, Tanquinho, Vila Mariana e Vila Elisa; na região oeste, estão Jd Paiva, Wilson Toni, Paulo Gomes Romeu, Monte Alegre, Vila Virgínia, Parque Ribeirão e Progresso; na região leste, temos Parque São Sebastião, Jd Juliana, Jd Helena, Servidores, Jd Zara e Vila Abranches; e, por fim, na região sul, o bairro João Rossi.

Esses bairros abrigam uma população trabalhadora cuja realidade difere significativamente da classe média de outras partes da cidade. As demandas, realidades e problemas enfrentados por esses eleitores precisam ser compreendidos e discutidos em profundidade, algo que muitas vezes falta aos candidatos que buscam competir em Ribeirão Preto, especialmente no campo progressista, que historicamente tem se concentrado em atrair o voto da classe média e debater projetos focados nesse perfil.

A ideia de "periferias como centralidade" implica a necessidade de um olhar atento para esse segmento da população, que representa indiscutivelmente 60% ou mais dos eleitores da cidade. É fundamental ter uma presença ativa nesses bairros, entender suas particularidades, dialogar com os moradores, participar de suas lutas e construir uma organização política que tenha legitimidade no território. Identificar os sonhos, desejos e demandas locais é essencial para elaborar projetos e propostas alinhadas a esse conhecimento. Sem essa conexão, a vitória eleitoral em Ribeirão se torna um objetivo distante.

Nos últimos 25 anos, o voto das periferias de Ribeirão Preto passou por transformações significativas. Em 2000, ele foi destinado à candidatura de Antônio Paolcci, que venceu no primeiro turno. A partir de 2004, o eleitorado das periferias passou a apoiar o projeto popular de Darcy Vera, que manteve essa base até 2015. Recentemente, partes importantes desse eleitorado foram conquistadas por Ricardo Silva, que se destacou com uma postura popular em um embate intenso contra a postura elitista de Nogueira, que, mesmo com sua tendência elitista, conseguiu atrair parte desse público em 2016 e 2020. Duas figuras à direita dominando o voto das periferias.

A esperança no campo progressista ressurgiu em 2022, quando Lula e Haddad obtiveram uma votação expressiva na cidade, seguida por uma performance igualmente positiva da chapa de esquerda do PT e PSOL que concorreu à Prefeitura em 2024, quase chegando ao segundo turno e elegendo três vereadoras. As eleições de 2026 podem representar uma nova oportunidade para uma forte votação em favor de Lula em Ribeirão. Se essa votação vier acompanhada de um trabalho de base sólido e consistente, capaz de reconstruir o diálogo com a classe trabalhadora local, teremos um motivo real para sonhar com os anos de 2028 e 2032.

A política demanda um esforço contínuo, pautado por métodos claros e objetivos. É possível, em Ribeirão, construir um projeto para reconquistar a Prefeitura pelo campo progressista, apoiando-se nas conquistas do governo Lula.

Vamos à ação: as periferias precisam ser a nossa prioridade e centralidade.

Ricardo Jimenez - Professor, Presidente da Abarcoeste (Associação de Moradores do Complexo Oeste) e editor do Blog O Calçadão

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