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sábado, 24 de janeiro de 2026

Ato em solidariedade à Venezuela reúne mais de 3 mil pessoas do MST no Pelourinho (BA)

 

Fotos: Filipe Augusto Peres

Por Mariane de Barros

Da Página do MST 


O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) realizou na tarde desta quinta-feira (22) um dos maiores atos no Brasil em solidariedade à Venezuela. As ruas de Salvador no Pelourinho foram ocupadas por uma grande marcha que contou com a participação de cerca de 3 mil pessoas e integrou a programação do 14º Encontro Nacional do MST. 


Com o objetivo de denunciar a invasão dos Estados Unidos na Venezuela e exigir a libertação do presidente Nicolás Maduro e a deputada Cilia Flores, a marcha percorreu o Centro Histórico de Salvador, saindo da Praça Castro Alves em direção ao Terreiro de Jesus. No percurso, o MST pintou de vermelho o Pelourinho, tendo em punho a bandeira da Venezuela. Esse que é um território sagrado marcado também pela resistência do povo negro e indígena brasileiro.


A marcha começou na praça Castro Alves


Já no ato, a mística que foi guiada pela juventude Sem Terra, trouxe o Imperialismo dos Estados Unidos como ponto central de denúncia, pedindo pela libertação de Maduro e Cilia Flores e a retomada de garantias de direitos ao povo venezuelano. Foi conduzido com músicas e poesias que remontam a história de vida e resistência do povo.


Além dos/as trabalhadores/as Sem Terra, também estavam presentes representações das delegações internacionais. O ato político contou com falas de dirigentes das centrais sindicais, de partidos políticos, movimento negro e sem teto, representantes da Venezuela e de outros países, também marcados pela resistência às intervenções dos Estados Unidos, como Cuba, Haiti, Burkina Faso e Palestina, assim como o dirigente do movimento, João Pedro Stédile. 


A representante da Venezuela, Erika Farías, direção do PSUV, prestou solidariedade a todo o povo que luta e apontou a necessidade de denunciarmos a presença do imperialismo que se instaura nos países da nossa América do Sul. “Não vamos deixar as ruas até que Nicolás e Cília Flores sejam libertados. Nós temos o que eles querem e nós vamos aprender, como povo e como governo a cumprir nossos objetivos. Somos um povo vitorioso e vamos vencer, porque temos claro nossos objetivos, que é manter a paz, essa é uma tarefa revolucionária. Não somos e nem vamos ser colônia de nenhum império!”


Já Stédile lembrou o passado do Pelourinho como território marcado pela luta e resistência dos povos que foram escravizados, a fim de honrar e respeitar o solo que conta a história do povo brasileiro, fazendo ligação com a resistência do povo da Venezuela. 


João Pedro Stédile e Érika Farías


Concluiu assumindo seu compromisso e de todo o povo presente em lutar em defesa da Venezuela. “Proponho que a gente faça um juramento de que cada um de vocês, se for necessário, pegue só a sua mochila, o tênis e a nossa bandeira e vão pra Venezuela ajudar o povo venezuelano a derrotar o imperialismo.” 


O ato em Solidariedade à Venezuela encerrou com a canção de Victor Jara que, em sua poética e composição, reafirma o direito dos povos que resistem: “El Derecho de Vivir en Paz”. 


domingo, 11 de janeiro de 2026

A revolução iraniana e os desafios contemporâneos: uma análise de centro esquerda

 



Introdução: O Paradoxo Revolucionário


A Revolução Iraniana de 1979 representa um dos eventos mais complexos e paradoxais do século XX, unindo forças progressistas e reacionárias em uma insurreição popular que derrubou uma monarquia autoritária apoiada pelo Ocidente, apenas para estabelecer uma teocracia igualmente autoritária. Esta análise, a partir de uma perspectiva de esquerda, examinará a história dessa revolução, sua base islâmica, os protestos contemporâneos, as dinâmicas regionais e os riscos geopolíticos atuais, considerando sempre as complexidades socioeconômicas e as aspirações democráticas do povo iraniano.


*A Revolução de 1979: Uma Confluência de Forças Contraditórias*


A revolução que culminou em 1979 não foi um evento monolítico, mas uma convergência de movimentos diversos: nacionalistas laicos, intelectuais de esquerda, estudantes liberais, marxistas islâmicos como os Mujahidin-e Khalq, e o amplo movimento religioso liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini. O regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi, embora implementasse certas modernizações (a "Revolução Branca"), era profundamente autoritário, sustentado pela temida polícia secreta SAVAK, e economicamente desigual, com grande concentração de riqueza e corrupção endêmica. Do ponto de vista dessa análise, é crucial reconhecer que a revolução emergiu de legítimas demandas populares por justiça social, independência nacional e participação política. Os discursos de Khomeini habilmente articularam essas demandas com linguagem religiosa, prometendo justiça para os "mustaz'afin" (oprimidos) contra os "mustakbirun" (arrogantes/opressores), conceitos que ressoavam tanto com a teologia xiita quanto com a crítica social. Nesse ensejo, a base islâmica pautada na Teologia da Libertação Xiita sustentou uma ideologia revolucionária islâmica que desenvolveu-se como uma resposta distintamente xiita ao colonialismo, modernização imposta pelo autoritarismo secular. O conceito de "Velayat-e Faqih" (Governo do Jurista Islâmico), centralizado por Khomeini, propunha uma teocracia onde o jurista mais qualificado supervisionaria o Estado para garantir sua conformidade com a lei islâmica. Esta foi uma inovação teológica significativa no xiismo duodecimano, que historicamente mantinha uma relação mais distante entre o clero e o governo durante a ausência do Décimo Segundo Imã.


A revolução apresentava elementos que alguns analistas compararam a uma "teologia da libertação" islâmica, enfatizando a justiça social, a redistribuição de riqueza e a resistência ao imperialismo. Nas primeiras constituições, incorporou-se linguagem sobre direitos trabalhistas, proteção social e propriedade pública dos principais meios de produção. Contudo, na prática, esses elementos progressistas foram frequentemente suplantados por um autoritarismo conservador, especialmente após a eliminação de grupos de esquerda e liberais no período pós-revolucionário. Abre-se a possibilidade de analisar o Irã na contemporaneidade.


O Irã Contemporâneo: Protestos e "Revoluções Coloridas"?


As manifestações que têm ocorrido no Irã nas últimas décadas, com particular intensidade desde 2009, 2017-2018, 2019 e 2022, apresentam características complexas. De uma perspectiva dessa análise essas manifestações parecem ser um mix onde de um lado existe , “as revoluções coloridas" instigadas por potências estrangeiras que incita justas reivindicações para enfraquecer governos estabelecidos ou contrários a lógica estadunidense e de outro,  as causas domésticas profundas como: descontentamento econômico crônico (especialmente entre jovens com altas taxas de desemprego), desigualdade de gênero sistêmica, repressão política e aspirações por liberdades civis. Os protestos liderados por mulheres após a morte de Mahsa Amini em 2022 exemplificam essa dinâmica interna. Portanto, certamente existem tentativas de influência externa em qualquer cenário geopolítico sensível às mobilizações massivas e, também, indicam autênticas frustrações sociais. Nesse sentido, pode-se reconhecer que as intervenções estrangeiras buscam instrumentalizar descontentamentos legítimos para objetivos geopolíticos que pouco consideram o bem-estar da população. Estabelece-se assim uma complexa dinâmica regional observada entre o Hezbollah e Inteligência Israelense


O envolvimento do Irã no Líbano através do Hezbollah representa um pilar de sua política externa de resistência ao que considera imperialismo ocidental e sionismo. As alegações de infiltração de agentes israelenses no Hezbollah refletem a intensa guerra de inteligência na região. Israel considera o Hezbollah uma extensão da influência iraniana e uma ameaça existencial, levando a operações contínuas para minar suas capacidades.


Faz-se aqui uma critica tanto a política que pode ser interpretada como intervencionista do Irã quanto a resposta militarista (colonial e racista) israelense, reconhecendo que esta dinâmica serve para justificar militarização e desvio de recursos em ambos os lados, enquanto as populações civis sofrem as consequências. A securitização das relações regionais impede abordagens diplomáticas que poderiam abordar questões de segurança de maneira mais equilibrada.


Isolamento e Vulnerabilidade: Cenários de Conflito


O Irã enfrenta, atualmente, um isolamento diplomático significativo, agravado por sanções econômicas severas, tensões com potências sunitas regionais e um impasse nas negociações sobre seu programa nuclear (para fins pacíficos). Este isolamento cria vulnerabilidades, embora também tenha fortalecido a ideia de resistência e autossuficiência. A possibilidade de um ataque militar ao Irã, seja por Israel, Estados Unidos ou outros atores, representa um risco real com consequências catastróficas regionais e globais. Qualquer cenário de conflito provavelmente desestabilizaria ainda mais o Oriente Médio, afetaria drasticamente a economia energética global e causaria sofrimento humano em grande escala. Cabe enfatizar a necessidade urgente de promover uma desescalada diplomática, apoiando a retomada do acordo nuclear (JCPOA) e promovendo diálogo regional inclusivo. Mas Trump tem corroído qq possibilidade de acordos diplomáticos e sua política de intervenção manifesta a ideia de que quando a bala chega pela porta, a diplomacia sai pela janela.


Conclusão: Entre Revolução e Reforma


Quatro décadas após a revolução, o Irã permanece um paradoxo: uma teocracia com elementos republicanos, uma economia misturada com setores estatais dominantes e privados restritos, e uma sociedade jovem e educada com aspirações contraditórias com as estruturas governamentais. A tensão central permanece entre o impulso revolucionário original (com seus elementos igualitários e anti-imperialistas) e as demandas contemporâneas por liberdades individuais, justiça social e participação democrática.


O Irã rejeita tanto o intervencionismo externo quanto o autoritarismo interno, defendendo o direito à autodeterminação do povo iraniano enquanto critica estruturas de opressão doméstica. Reconhece as legítimas preocupações de segurança regional, mas advoga por soluções diplomáticas e pelo fim de políticas de sanções que frequentemente prejudicam mais a população civil do que as elites governantes. A autodeterminação dos povos não pode ser tutelada pelos interesses de outros países que buscam intervir no Irã. O que se apresenta atualmente é que essas manifestações internas e de protesto contra os Aiatolás somado aos interesses sionistas e norte americano pode promover um duro golpe contra o Irã, afetando diretamente nos interesses econômicos Chineses e estratégicos Russos. É um movimento específico de Washington contra o Sul global. 


O futuro do Irã dependerá da capacidade de sua sociedade de navegar entre as pressões externas e as dinâmicas internas, possivelmente desenvolvendo um modelo próprio de mudança que reconcilie sua identidade islâmica com as aspirações democráticas e socioeconômicas de seu povo. Qualquer transformação significativa provavelmente virá de movimentos sociais internos, não de intervenções externas, mas o contexto internacional pode facilitar ou obstruir esses processos. E pelo que se apresenta, tem total potencial em obstruir. 


A comunidade internacional, particularmente forças progressistas, deveria apoiar iniciativas de diálogo, reduzir tensões militares e priorizar o bem-estar da população civil iraniana, reconhecendo sua complexidade e resistência frente a décadas de desafios extraordinários. 


Autor: Roberto de Barros. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

O Roteiro Repetido: A Trajetória do Lawfare no Brasil de 2005 a 2026

 

Nesta virada de ano para 2026, o palco da política parece ter cristalizado sua dramaturgia shakespeariana. Para podermos tecer os fios desse enredo e, de forma délfica, tentar prever os acontecimentos que virão a ocorrer em 2026, é preciso promover um recuo de duas décadas e avaliar o que ocorreu no Brasil na esfera política de 2005/2006 em diante.


Esse período situa-se no contexto pós-eleição de 2002. O governo Lula enfrentava dificuldades para governar com base em alianças parlamentares tradicionais, e em 2005 “surgiram” revelações sobre um suposto esquema de pagamentos mensais a parlamentares em troca de apoio político. No ano de 2006, iniciaram-se uma série de investigações formais e posteriores judicializações pelo STF. Esse movimento criou um impacto político e desencadeou uma semente estratégica para a oposição. Esta semente foi catalisada num modus operandi que se iniciou com um marco narrativo de "corrupção sistêmica no PT", estabelecendo uma construção midiático-judicial na qual figuras políticas específicas eram condenadas pela capa do jornal – estratégia que seria ampliada posteriormente.


A partir desse fato, pode-se estabelecer uma observação crítica: (1) enquanto o Mensalão foi tratado como caso isolado de corrupção política, (2) operações subsequentes utilizaram a mesma lógica com alcance ampliado. Foram inúmeras operações, dentre elas a Operação Castelo de Areia (2009), que investigou supostos esquemas de corrupção envolvendo empreiteiras (como o Grupo Camargo Corrêa) e políticos, revelando métodos semelhantes – como cartel de obras e lavagem de dinheiro – antes mesmo de a Lava Jato começar em 2014 (embora tenha sido anulada por questões processuais). O modus operandi dessa operação foi o mesmo de toda a Lava Jato: soltar denúncias na mídia sem provas para criar um clamor popular e, com isso, enfraquecer figuras públicas (normalmente ligadas aos setores progressistas), alterando a correlação de forças políticas – fenômeno conhecido como lawfare.


Em 2014, inicia-se formalmente a Lava Jato, inicialmente focada em lavagem de dinheiro em um posto de gasolina em Brasília. No entanto, ocorreu uma expansão estratégica e ela rapidamente se transformou em investigação sobre contratos da Petrobras, utilizando delações premiadas como método principal. Foi em 2015-2016 que ocorreu o pico da operação, com:


1. Prisão preventiva como regra (inversão da presunção de inocência);

2. Uso midiático de conduções coercitivas para construção de narrativa pública.


Ambos os métodos, já experimentados no Mensalão e na Castelo de Areia, tiveram um foco seletivo em empresas do complexo industrial nacional, especialmente do setor petroquímico e de engenharia pesada, que foi desmantelado em consequência. O impacto econômico sistêmico foi catastrófico, resultando na desarticulação das cadeias produtivas nacionais e na falência ou enfraquecimento de empresas estratégicas (Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, etc.). A operação também levou ao desmonte da capacidade de projeto de infraestrutura nacional, à fuga de capitais e ao desinvestimento em setores estratégicos.


Em suma, a Lava Jato criou um ambiente propício para: a criminalização do financiamento político tradicional (afetando principalmente o PT); a legitimação midiática do discurso de "combate à corrupção" como justificativa para ruptura institucional; e a pressão sobre parlamentares através de processos judiciais. Isso culminou no impeachment – um golpe – de Dilma Rousseff, utilizando-se a narrativa anti-corrupção como véu para remover do cargo uma presidente eleita sem cometimento de crime de responsabilidade. O resultado foi a implementação de uma agenda neoliberal radical (PEC do Teto, reforma trabalhista, desmonte do pré-sal), a abertura para privatizações e a desnacionalização da economia, colocando o Brasil em um patamar de servilismo geopolítico e de desigualdade social intensa e crônica.


O atual Caso Master é, portanto – 20 anos após o Mensalão e 10 anos após o golpe contra Dilma –, uma tentativa da Faria Lima e da mídia do PIG (o braço financeiro e ideológico deste) de repaginar uma Lava Jato 2.0 para promover pressão contra Lula, que entra em 2026 como favorito eleitoral e com popularidade em ascensão. A fórmula é a mesma.


Após as reviravoltas jurídicas – anulação das condenações de Lula, reconhecimento da parcialidade de Sergio Moro, revelações do “Vaza Jato” –, criou-se uma nova estratégia com o mesmo modus operandi. O braço midiático, na figura declaradamente lava-jatista de Malu Gaspar (Globo e companhia), busca criar um novo caso emblemático para reacender a narrativa de corrupção seletiva, associando o governo atual (através do ataque ao STF, especificamente aos ministros que condenaram Bolsonaro) a supostos novos esquemas. Prepara-se, assim, o terreno para a desestabilização política em ano eleitoral, com um objetivo evidente: reativar os instrumentos de lawfare (guerra jurídica) através de uma ciranda maléfica – uma Dança de Shiva – da Faria Lima. Quem acha que essa pressão ficará restrita a Moraes ou Toffoli está completamente enganado. O objetivo é maior: trata-se de enfraquecer todo o grupo mais racional e garantista de uma parca e frágil democracia para, com isso, enfraquecer o governo Lula, que tem conseguido muitos de seus avanços com a participação do STF. Além disso, esse caso omite muitos dos avanços promovidos pelo governo Lula e abre terreno para criminalizar movimentos progressistas, impedindo a consolidação de um novo ciclo político nacional-desenvolvimentista.


Portanto, a sequência histórica demonstra um projeto de poder que utilizou o sistema de justiça como instrumento político, assim representado:


1. Mensalão (2006): Laboratório de criminalização política via mídia e Justiça.

2. Lava Jato (2014-2018): Operação de escala industrial para desarticulação econômica e política nacional.

3. Golpe de 2016: Consequência direta do ambiente criado.

4. Caso Master (atual): Tentativa de reativação do mesmo roteiro.


A mídia hegemônica atua como braço narrativo deste projeto, plantando casos periodicamente para manter a narrativa de "corrupção estrutural da esquerda", enquanto ignora esquemas semelhantes em outros espectros políticos (nesse caso, o próprio Esteves). O objetivo permanece: impedir projetos de desenvolvimento nacional soberano e manter a subordinação do Brasil aos interesses geopolíticos e econômicos externos.


É óbvio que o sistema judiciário brasileiro precisa ser revisto, mas é igualmente preocupante quando se desconsideram certas influências políticas no Ministério Público, na promotoria e no sistema midiático. Não é razoável colocar a política para a polícia, pois toda vez que isso foi feito, a consequência foi lastimável para os setores progressistas do país. Ter uma ala da própria esquerda incapaz de refletir sobre o que está por trás dessa situação é muito temerário e ilustra como ainda existe, no DNA desses setores, o espírito golpista da Lava Jato. Teremos um forte embate em 2026 para que esses espectros de Hamlet não voltem mais.


Roberto Barros.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Debate no Assentamento Mário Lago reafirma reforma agrária como eixo da justiça social e climática


Da esquerda para a direita: Nivalda Alves, Guilherme Cortez, Marcelo Goulart e Joaquim Lauro Sando

Fotos: @filipeaugustoperes

Com falas que denunciaram o papel do agronegócio na crise climática e defenderam a reforma agrária como eixo da justiça social, lideranças políticas e do MST reforçaram, no Mário Lago, a centralidade da luta pela terra para o futuro do país

quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Mostra de Cinema Palestino reúne lideranças e fortalece solidariedade internacional em Ribeirão Preto


Fotos: @comitepalestinarp

Exibição do filme Uma Casa em Jerusalém, no Sindicato dos Químicos, contou com palestra sobre a situação atual na Palestina e presença de representantes palestinos, organizações políticas, movimentos sociais e coletivos culturais.

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Cúpula dos Povos

 


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quatro dólares por hectare

um café ruim numa esquina de Belém custa mais...

Mostra de Cinema Palestino: Uma casa em Jerusalém e A 200 metros

 


Mostra de Cinema Palestino 

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Fabricação do Álcool, Químicas e Farmacêuticas de Ribeirão Preto e Região exibirá, no próximo dia 26, o filme "Uma casa em Jerusalém", do diretor Muayad Alayan. Com a curaodria de Jamile Abdel Latif, o filme integra a Programação da Mostra de Cinema Palestino, organizado pelo  Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina e se insere na Comemoração ao Dia Internacional do Povo Palestino. 

terça-feira, 11 de novembro de 2025

quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Dois mundos

Cerrado em chamas
Foto: Agência Brasil

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O avião pousou em Belém sob uma névoa quente de umidade amazônica e promessas oficiais. Nos outdoors do caminho até o centro de convenções, lia-se em inglês e verde-limão: “Brasil: The Green Superpower of the Future”. Marina sorriu, amarga. Sabia que cor e slogan não eram a mesma coisa que verdade. Verdade não é market share. Verdade não dá lucro.

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Poema à continuidade viva

 

Reunião da Confraria dos Poetas Vermelhos. Foto: Filipe Peres

(Ao camarada Alipio Freire)


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camarada

te escrevo ao além

e te digo:

na maior parte do tempo

estou firme, desperto e inteiro

 

a barbárie se impõe

e as pessoas rezam com o cálculo eleitoral sobre a planilha

 

mas existem contradições:

o valor do afeto não cabe na planilha

e eu continuo a insistir pelo amor

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Manual para uma guerra importada

 

No extermínio surge o termo narcoterrorismo


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no Rio chamam de operação.

em Caracas, chamam de intervenção


é a mesma bala

fabricada no mesmo país

plantando medo em prestações

Poema antibrechtiano

 


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quando a opressão

transparece além-muros do morro

quando o sangue jorra na calçada da planície

atrapalha o almoço em frente à tv

da classe média branca

pessoas brancas

(como eu)

antes de voltarem as costas ao povo negro

à rotina

enjoadas pelo azedume da comida 

escrevem poemas indignados

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

As redes e o sangue

 

EUA mata pescadores sem provas

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No princípio, eram redes e esperança.

Homens do mar lançavam sua fé nas águas,

o sal queimava o rosto e purificava o pão.

O milagre não era o peixe 

era o direito de viver do que o mar dava.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Leão XIV: as periferias clamam por justiça e solidariedade

 

Foto: Divulgação

"...hoje eu digo: terra, teto e trabalho são direitos sagrados, pelos quais vale a pena lutar por eles, e quero que vocês me ouçam dizer: 'Estou dentro! Estou com vocês!'", sublinhou o Papa Leão

terça-feira, 21 de outubro de 2025

O retorno do imperialismo norte-americano e a ameaça à soberania latino-americana

 

Por Filipe Augusto Peres

Recentemente li os artigos “Manifestos destino e destinos”, publicado no Jornal do Brasil no último dia 19, de Adhemar Bahadian, e “Pá de cal na Ucrânia e lança-chamas na América Latina”, de Marcelo Zero, na página do Brasil 247, publicado ontem, 20 de outubro. Ambos convergem sobre o ressurgimento do imperialismo norte-americano sob a forma do trumpismo. Ambos apontam que o lema “Make America Great Again” não representa apenas um slogan político interno, mas a atualização de uma ideologia expansionista e autoritária que, sob o pretexto da defesa da liberdade e da civilização ocidental, busca reafirmar a hegemonia dos Estados Unidos sobre o mundo e, em particular, sobre a América Latina.

sábado, 18 de outubro de 2025

Theatro Pedro II, 95 anos - por Gusmão de Almeida


Já mencionei anteriormente que minha relação com o Theatro Pedro II é, para dizer o mínimo, um tanto quanto ambígua (*leiam: O Teatro Carlos Gomes e uma Praça Vazia). Cada visita ao teatro traz à tona a melancólica lembrança da tragédia do Carlos Gomes.

Desde sua reforma no início dos anos 1990, o espaço atrai uma clientela da zona sul, aquela região que, a partir da década de 1980, se transformou na "Meca" dos condomínios "fechados". E enquanto isso, o povo, que passa diariamente pelo centro e pela Esplanada, continua a ser um mero espectador ausente do Pedro II.

O que se vê é uma relação entre o ribeirão-pretano e o Teatro que certamente se assemelha a um amor não correspondido: uma admiração à distância que só aumenta à medida que a desigualdade social e a concentração de riqueza se agravam.

Infelizmente, o "povo" sempre parece ter sido um convidado indesejado no cenário cultural de Ribeirão Preto, com algumas raras exceções que fazem nosso coração pulsar.

O Theatro e a cidade estão imersos em uma aura que evoca o passado dos barões do café, contrastando com o presente de uma classe média que se autodenomina "cult", presente até mesmo na administração do que hoje chamamos de Fundação Pedro II.

Mas, afinal, qual é a verdadeira história do Theatro Pedro II? Ele sempre foi assim?

Se não sou um sábio ancião que presenciou todo esse enredo, pelo menos posso garantir que as coisas nem sempre foram como são hoje.

Concebido em 1928 e inaugurado em 1930, o Theatro Pedro II representava a Ribeirão Preto da era da "belle époque" cafeeira, quando a cidade era conhecida como "cidade do entretenimento". Era uma época em que os cassinos e a vida noturna, sob a batuta do francês Francisco Cassoulet e suas convidadas (o "moulin rouge" do sertão), faziam as noites de Ribeirão brilharem.

Dizem que os barões do café acendiam seus cigarros com notas de "mil réis" e que a Cervejaria Paulista, sob a liderança de Meira Júnior, sonhava em construir um monumento que completaria o arco cultural ao redor da Praça XV, onde do outro lado se erguia o deslumbrante, mas já demolido e saudoso, Teatro Carlos Gomes.

Contudo, a história nos lembra que 1930 marcou o início da queda dos cafeicultores, e o suntuoso Pedro II serviu por apenas um breve período a uma elite em decadência, mais preocupada em aparecer do que realmente existir.

O entorno da Praça XV rapidamente se popularizou, transformando o que antes eram opulentos casarões do café em um comércio vibrante.

Como nos ensina o magnífico Rubem Cione, renomado historiador da cidade, a memória dos tempos dos coronéis já não interessava mais nos anos 1940, e a Prefeitura não estava disposta a investir em sua manutenção.

As décadas da "modernidade" - quando a cidade, perdendo relevância em âmbito nacional, começou a se redescobrir - reservavam outro destino ao Pedro II. Por ironia, um destino melhor do que o do mais antigo Teatro Carlos Gomes, que foi demolido em 1946.

Mas vamos deixar as mágoas de lado por um instante e prosseguir.

O que importa aqui é que a estrutura do Pedro II sobreviveu à sanha demolidora que assolou Ribeirão nas décadas de 40, 50 e 60, mas o "glamour" do café já se dissipara.

A partir dos anos 50, Ribeirão Preto começou a reestruturar-se sob a pressão da indústria automobilística, que, juntamente com o sistema ferroviário (que terá seu momento em outra oportunidade), decidiu enterrar um passado que considerava superado em nome da "modernidade". Isso, caro leitor, eu sou testemunha ocular.

Curiosamente, os anos 50, 60 e 70 foram os únicos períodos em que o povo realmente ocupou o Theatro (e, lembre-se, não era exatamente para ver peças teatrais). O Pedro II se transformou em um espaço frequentado pela comunidade, servindo como salão de jogos e palco dos famosos bailes de carnaval no subsolo - um local carinhosamente conhecido como a "caverna do diabo" ou a "panela de pressão" - além do cinema que ali funcionou.

Agora, não me entendam mal: essa não foi uma época de efervescência cultural na cidade, pois não houve. Mas aqueles foram anos de uma juventude em ebulição no mundo, e a vida social da cidade pulsava no centro, abrangendo os bairros próximos. Todo mundo vivia a cena urbana.

Eu mesmo vivi essas experiências, namorando, noivando e casando no coração da cidade.

Políticos, artistas, estudantes... Todos compartilhavam as esquinas da Única, a Sociedade Dante Alighieri, a Casa de Portugal (na praça Tiradentes, hoje estacionamento e lar do magnífico Bar do Márcio, famoso pela sua tilápia), o Mercadão, as ruas José Bonifácio, Saldanha Marinho e São Sebastião, o Cine Centenário, a Praça XV, o Pinguim (na sua antiga sede) e, claro, o Teatro Pedro II.

Com o tempo, a vida social do centro foi se esvaindo, restando apenas a atividade comercial. O centro transformou-se em um simples local de passagem e compra, enquanto o Pedro II lamentavelmente foi esquecido. E não podemos esquecer da "Baixada", que merece um texto só para ela.

Essa época revelou a faceta excludente de um presente que alguns talentosos jovens analistas denominam de neoliberal. O convívio em praça pública, o uso comum dos espaços, foi trocado por shoppings centers e condomínios "fechados", enquanto as conversas em rodas cedem lugar às interações digitais.

Toda essa popularidade que caracterizou o teatro era uma tentativa do povo de fazê-lo seu, enquanto foi possível, até que um incêndio em 1980 quase o destruiu.

Aqui, permitam-me abrir um parêntese.

Ribeirão possui três teatros de renome: o Pedro II (no centro) e outros dois no Morro de São Bento (o Arena e o Municipal), todos inaugurados em 1969, em um período que muitos chamam de "modernização" da cidade. Estes teatros receberam os mais importantes artistas e são verdadeiros patrimônios históricos e culturais, além de belíssimos.

Mas a questão que fica para o leitor mais perspicaz é: quando Ribeirão Preto teve uma política cultural verdadeiramente popular que contemplasse a utilização desses três espaços municipais? Quando o teatro, enquanto arte, se tornou parte de um projeto abrangente de cultura popular?

Aqueles que trabalham com teatro são verdadeiros heróis, diariamente lutando quase sozinhos por apoio. E o povo, em sua maioria, não tem acesso às produções teatrais e culturais.

Para agravar a situação, soube que ronda sobre a cidade a ameaça de terceirização dos teatros Municipal e de Arena. Uma verdadeira tragédia!

Fechando o parêntese.

O Pedro II, tombado em 1982, só conseguiu se reerguer entre 1991 e 1996, ganhando uma nova cúpula, uma sala dos espelhos e tudo o mais.

Esperava-se que não apenas o Pedro II, mas todo o ambiente cultural da cidade pudesse respirar novos ares. A construção de um calçadão poderia ter sido o início de uma nova fase de revitalização da vida social do centro.

Mas, lamentavelmente, isso não aconteceu.

O centro não foi recuperado, e o funcionamento do Pedro II nunca se alinhou a um projeto de revitalização da região.

Por isso, durante as noites de espetáculo, o Pedro II é frequentado por pessoas que raramente visitam o centro. Os luxuosos carrões ficam em estacionamentos particulares, e ao final da apresentação, vão, na melhor das hipóteses, ao Pinguim (outros, como eu, escolhem o "Dr. Linguiça" para um lanche “gourmet”).

Tristemente, com peças teatrais e espetáculos como óperas e concertos, o verdadeiro povo fica de fora, e o Pedro II se torna uma bolha elitista imersa em um centro popular e decadente.

Eu sou um velho ranzinza, confesso. Não consigo aceitar que o espaço cultural de uma cidade seja moldado de forma restrita, alienando as expressões populares. A arquitetura do Pedro II e do "quarteirão paulista" deveria, ao contrário, se harmonizar com o povo. Antes um espaço pertencente à Cervejaria Paulista, hoje o teatro é um patrimônio público, e deve, como tal, ser inclusivo. Mais que isso, deve se integrar a um amplo projeto de revitalização do centro, onde não apenas economistas e poderosos lobistas da construção civil tenham voz, mas o povo também deve participar e ser ouvido.

O Teatro Pedro II, assim como o povo de Ribeirão Preto, permanece isolado da cidade a qual pertence.

De onde virá essa nova energia política? Ribeirão Preto precisa discutir-se, enxergar-se, para que, quem sabe, no centenário do Pedro II, todos possam participar ativamente de um ambiente cultural verdadeiramente democrático, seja na Esplanada, dentro do teatro ou em qualquer lugar.

Essas reflexões me acompanharam enquanto subia a rua Álvares Cabral, parando para tomar um café na Única e comprar uma garapa na tradição do velho João, o Garapeiro.

Voltarei em breve. Prometo.

Saudações,

Gusmão de Almeida

sábado, 11 de outubro de 2025

Ato em Ribeirão Preto une vozes pela Palestina e denuncia genocídio e capitalismo global

 


Mobilização foi puxada pelo Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina e reuniu PSOL, PT, MST, UP, PCB, PCBR, MES, DM-PT Ribeirão Preto, Movimento Ecosocialista Florestinha Urbana, Memorial de Resistência Madre Maurina Borges, APEOESP, Associação Amigos do Memorial da Classe Operária-UGT e Resistência Caipira Antifascista

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

O drama das praças de Ribeirão Preto - por Gusmão de Almeida

 


Como já mencionei em minhas primeiras divagações por estas páginas, a alma deste velho se alegra ao andar, ao contemplar e ao descobrir as novidades que a vida apresenta, sempre em diálogo com o passado, esse exercício sutil e profundo que nos permite compreender o presente e sonhar um futuro mais luminoso.

Recordo-me de meu último texto, onde falava da praça Carlos Gomes, no coração da cidade, que, após um período vestindo a armadura de um terminal de ônibus, ficou despojada de suas tradições e do querido Teatro Carlos Gomes.

Com isso, resolvi retomar a linha dos meus escritos, trazendo à tona a questão das praças, que sempre pulsaram como o coração de uma comunidade.

Qual é, afinal, a verdadeira função de uma praça? Espaço de lazer, de contemplação, de cultura e beleza paisagística? 

Sim, tudo isso e muito mais. Contudo, para que uma praça cumpra seu papel, é essencial que esteja entrelaçada na trama da cidade, integrada à vida do seu povo, à efervescência da urbe.

Durante meu período de ausência, aproveitei para levar este corpo cansado a um passeio, em busca dos ares revigorantes da nossa América do Sul, onde respirei os sonhos dos libertadores.

Em Santiago, Lima, Quito e Bogotá, encontrei praças vibrantes, tanto no centro histórico quanto nos parques e espaços públicos, que acolhem a vida que pulsa nos largos e nas vielas.

Lá, o povo se faz presente — turistas e locais, artistas, comerciantes, namorados, contempladores e leitores — todos se entrelaçando, convivendo sob a sombra das árvores, nas praças que, por sua vez, se inserem e refletem a essência da vida urbana.

Lima, por exemplo, viveu um admirável renascimento de seus espaços públicos. O circuito mágico das águas, com sua beleza deslumbrante, me fez pensar: por que não em Ribeirão Preto? Temos água, calor e, acima de tudo, um povo vibrante. Por que não?

Hoje percebo que o conceito de praças—como simples quadrados mirados a partir de um bairro ou de uma área central—já não se sustenta mais. Há um moço, aliás, que já compartilhou suas ideias aqui, que está investindo em projetos de parques lineares.

É verdade. No entanto, minha cidade abriga um emaranhado de praças e espaços públicos que jazem esquecidos, sem conexão com o contexto e as necessidades atuais.

As praças estão em estado lastimável e, como eu, quem delas ainda se aproxima é visto com olhos críticos, ou pior, como um louco sonhador.

Mas deixemos de lado a tragédia das praças periféricas e voltemos o olhar para o centro da cidade.

Na praça XV, por exemplo, observa-se mais gente em seus arredores do que em seu íntimo!

E as demais? Vamos pensar na praça Camões, na praça das Bandeiras, na praça 7 de Setembro.

Concentro-me com carinho na praça 7 de Setembro, um espaço que frequento e que sempre me faz recordar que ali se desenrolaram alguns dos primeiros jogos de futebol da cidade, onde meninos sonhadores tentaram deixar sua marca, mas que, temo, se foram, talvez convidados a partir.

É um mal de velho, talvez, um saudosismo cheio de esperanças, mas onde estão os pipoqueiros e os vendedores de balões?

Ah, já sei. Eles habitam apenas os lugares onde há vida.

A praça XV, no meu tempo de juventude, foi o epicentro da efervescência ribeirão-pretana, o local da mocidade vibrante.

Mesmo nos anos 90, tempos complicados para a cidade, havia uma ocupação do espaço público que se estendia pelas avenidas 9 de Julho, Portugal e Vargas.

Quem se lembra? Eu, já cansado e morador dos arredores, cansei de percorrer aquelas ruas aos sábados à noite, sentindo o vai e vem das pessoas, conversando nas calçadas e ouvindo a música que emanava do Bar Mania.

Sim, o burburinho nas calçadas!

Às vezes, ao caminhar por aí, refleti como Ribeirão Preto anseia por vida, por pessoas que apreciem a companhia umas das outras.

Voltarei a abordar este tema...

Por ora, vou em busca de um colete novo, para aquecer-me com elegância, na minha loja predileta, situada na bela e histórica rua Amador Bueno.

Cordialmente,

Gusmão de Almeida

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