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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

MP move ação contra vereador de Ribeirão Preto por exposição de criança trans em escola e obtém condenação de parlamentar em São José dos Campos

Página do MP informando a ação civil contra o vereador Isaac Antunes (PL)

Contra os vereadores do PL Isaac Dalcol Antunes e Anderson Senna, o MP atua por discriminação: em Ribeirão Preto, pede R$ 500 mil de indenização a Isaac, destinados ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente; em São José dos Campos, obteve a condenação de Anderson por falas contra a comunidade LGBTQIA+.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio da Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Ribeirão Preto, ajuizou na última sexta-feira (18/9) ação civil pública contra o vereador Isaac Dalcol Antunes (PL) por condutas relacionadas à exposição de uma criança trans de 11 anos, que utilizava o banheiro feminino da Escola Municipal Anísio Teixeira. Em caráter liminar, o promotor Moacir Tonani Junior pede a retirada das publicações relacionadas aos fatos das redes sociais e que o parlamentar se abstenha de divulgar conteúdos discriminatórios. No mérito, requer a condenação do homem ao pagamento de R$ 500 mil por danos morais coletivos, valor a ser destinado ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente.

Segundo a ação, Isaac Dalcol Antunes esteve na unidade de ensino em 26 de março deste ano após tomar conhecimento de que a criança em questão utilizava o banheiro feminino. Na ocasião, estudantes confeccionavam espontaneamente cartazes em apoio à colega. De acordo com os elementos reunidos no inquérito civil, o parlamentar questionou quem havia determinado a produção dos materiais, discutiu com os alunos e rasgou parte dos trabalhos. Após o episódio, alguns estudantes ficaram assustados e constrangidos, e pais precisaram ser chamados para buscá-los.

A diretora da escola relatou à Promotoria que, antes dos episódios de março, a utilização do banheiro pela aluna não havia provocado problemas na comunidade escolar. Segundo o depoimento, o ambiente passou a ficar polarizado após as visitas do vereador e de seu suplente Hagara Espresola Ramos, conhecido como “Hagara do Pão de Queijo”, com divulgação de vídeos nas redes sociais. A diretora afirmou ainda que a aluna deixou de frequentar a escola por alguns dias em razão de comentários de ódio, violência e ameaças e, ao retornar, utilizava agasalho e apito por receio de ser agredida.

“Nesta esteira, tem-se que a conduta do parlamentar extrapolou em muito o exercício da sua liberdade de expressão dentro de um Estado Democrático de Direito. Faturar politicamente em cima de um tema tão caro à sociedade vai de encontro ao exercício de um mandato parlamentar, uma vez que os propósitos não coincidem, são antagônicos”, diz o promotor nos autos.

Ainda segundo o Ministério Público, as manifestações de Isaac  Antunes atingiram direitos assegurados a crianças e adolescentes, especialmente à dignidade, ao respeito e à proteção contra discriminação, violência e tratamento vexatório.

Em relação à liminar, o MPSP pede que Instagram, WhatsApp, Facebook, YouTube, TikTok, LinkedIn, X e Pinterest sejam oficiados para retirar, no prazo de dois dias, as publicações do vereador relacionadas aos fatos ocorridos na escola. Também requer que Isaac Dalcol Antunes seja obrigado a se abster de publicar conteúdos discriminatórios.

Condenação em São José dos Campos

Em outra ação civil pública, desta vez de autoria do promotor João Marcos Costa de Paiva, a Justiça condenou o vereador Anderson Senna (PL), de São José dos Campos, por falas discriminatórias proferidas contra a comunidade LGBTQIA+ durante discurso na Câmara Municipal. O réu deverá pagar R$ 6 mil a título de indenização por dano moral coletivo, montante que será revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos. A Promotoria analisa se entrará com recurso visando à condenação do outro vereador que, na mesma ocasião, também deu declarações de cunho preconceituoso, Lino Bispo (PL), assim como à imposição, a ambos os parlamentares, da obrigação de retratação pública.

As manifestações ocorreram durante sessão realizada em 7 de agosto de 2025, na discussão de projeto que oficializava a comemoração do Dia das Mães e do Dia dos Pais nas escolas municipais. Lino Bispo afirmou que a família seria formada por homem e mulher e questionou a legitimidade de uniões homoafetivas. Anderson Senna criticou as chamadas “agendas LGBTQIA+” e classificou integrantes de um movimento de identidade de gênero como pessoas com “distúrbios mentais”, além de questionar a possibilidade de contratação profissional dessas pessoas.

Na ação, o Ministério Público sustentou que as manifestações ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e da imunidade parlamentar. 

“A palavra de um vereador no exercício da função não equivale à de um particular em ambiente privado”, 

afirmou o promotor, destacando que a manifestação oficial de um parlamentar é acompanhada da responsabilidade decorrente do cargo. A Justiça, contudo, distinguiu as condutas: considerou que as declarações de Lino Bispo estavam protegidas pela liberdade de crença e expressão, enquanto a fala de Anderson Senna ultrapassou os limites do debate parlamentar e assumiu caráter discriminatório.

Segundo a sentença, ao atribuir uma suposta condição de doença mental às pessoas mencionadas e questionar sua capacidade de inserção social e profissional, Anderson Senna atingiu direitos da coletividade LGBTQIA+. 

“A fala atribui característica desqualificadora às pessoas atingidas e associa essa característica à sua aptidão para participar da vida social e profissional”

registrou a magistrada Patricia Milani na decisão.

Tabela explicativa

NomePartidoMunicípio / CasoPosiçãoEnvolvimento citadoSituação processualValor / CondenaçãoDestino do valor
Isaac Dalcol AntunesPLRibeirão PretoVereadorTeria ido à Escola Municipal Anísio Teixeira após saber que uma criança trans de 11 anos usava o banheiro feminino; teria discutido com alunos e rasgado cartazesAção civil pública ajuizada em 18/9. Há pedido de liminar para retirada de publicações e abstenção de conteúdos discriminatórios. Ainda não há condenaçãoO MP pede R$ 500 mil por danos morais coletivosFundo Municipal da Criança e do Adolescente
Anderson SennaPLSão José dos CamposVereadorEm discurso na Câmara, criticou “agendas LGBTQIA+” e classificou integrantes de movimento de identidade de gênero como pessoas com “distúrbios mentais”Condenado em ação civil públicaR$ 6 mil por dano moral coletivoFundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos
Hagara Espresola Ramos (“Hagara do Pão de Queijo”)Avante (ex-PL)Ribeirão PretoSuplente de vereadorCitada no depoimento da diretora como participante das visitas à escola ao lado de Isaac, com divulgação de vídeos nas redes sociaisNão consta como ré, condenada ou alvo de pedido específico do MP na matériaNada indicadoNada indicado
Lino BispoPLSão José dos CamposVereadorNa mesma sessão de 7/8/2025, afirmou que a família seria formada por homem e mulher e questionou a legitimidade de uniões homoafetivasNão foi condenado: a Justiça entendeu que suas declarações estavam protegidas pela liberdade de crença e expressão. O MP analisa recursoNada indicadoNada indicado

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MP move ação contra vereador de Ribeirão Preto por exposição de criança trans em escola e obtém condenação de parlamentar em São José dos Campos

Página do MP informando a ação civil contra o vereador Isaac Antunes (PL) Contra os vereadores do PL Isaac Dalcol Antunes e Anderson Senna,...