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terça-feira, 7 de julho de 2026

Prefeitura encerra contrato de gestão com Santa Lydia para UPAs

 


Novo ajuste já foi pactuado, mas termos ainda não foram divulgados; efeitos da rescisão são retroativos a 1º de julho

O Município de Ribeirão Preto encerrou, com efeitos retroativos a 1º de julho de 2026, o Contrato de Gestão nº 324/2023 firmado com a Fundação Hospital Santa Lydia para a operacionalização, gerenciamento e execução das ações e serviços de saúde nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) Leste, Oeste, Norte e na UBDS Vila Virgínia. O ato foi publicado no Diário Oficial desta terça-feira (7) e informa que o encerramento ocorre em razão da pactuação de novo ajuste.

O Termo de Encerramento, assinado pelo Subsecretário de Gestão Administrativa, Rafael Cirilo de Souza, formaliza o fim do vínculo com a Fundação Hospital Santa Lydia, que até então era responsável pela gestão das quatro unidades de saúde. O documento, registrado no Processo Digital PMRP nº 2023/160537, estabelece que os efeitos da rescisão são retroativos a 1º de julho de 2026.

A justificativa apresentada é a "pactuação de novo ajuste". O novo contrato, no entanto, não é detalhado na publicação, tampouco são informados os valores, as metas ou a nova entidade gestora, se houver.

As UPAs Leste, Oeste e Norte, além da UBDS Vila Virgínia, são unidades de atendimento de urgência e emergência que compõem a rede de saúde municipal. A mudança na gestão desses serviços, ainda que decorrente de novo ajuste, representa uma alteração na forma de prestação do atendimento à população.

Documentos obtidos via LAI expõem crise financeira da Santa Lydia e contextualizam rescisão de contrato

Pedido do Blog O Calçadão revelou passivo a descoberto de R$ 10,3 milhões, seis ressalvas contábeis e risco de descontinuidade operacional; Município encerrou contrato das UPAs dias depois

O pedido, protocolado em 23 de junho de 2026 sob o número e-SIC nº 4493, foi direcionado à Subsecretaria de Integridade e Relações Institucionais em Saúde, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde, e respondido pela Gerência de Convênios. A resposta, assinada por Tanelia Tayse de Souza e Silva, Gerente de Convênios, e por Larissa Mendonça Cintra, Subsecretária Administrativa e Financeira, trouxe a manifestação da Superintendência da Fundação Hospital Santa Lydia, com os documentos que expõem a situação financeira da entidade: o balanço patrimonial de 2025, o "Plano de Ação para Ressalvas Contábeis" e a ata do Conselho Curador da Fundação.

A crise financeira evidenciada nos documentos da LAI demonstra a fragilidade financeira da FHSL, evidenciada pelos números e pelas ressalvas contábeis, tornando a renegociação do contrato, ou sua substituição por um "novo ajuste", uma necessidade administrativa.

A resposta ao pedido traz o balanço patrimonial de 2025, o "Plano de Ação para Ressalvas Contábeis" e a ata do Conselho Curador da Fundação, que expõem um passivo a descoberto de R$ 10,3 milhões, seis falhas contábeis graves e a "incerteza relevante" sobre a continuidade operacional da entidade. O diagnóstico de fragilidade financeira, agora público, contextualiza a decisão do Município, publicada no Diário Oficial de 7 de julho, de encerrar o Contrato de Gestão nº 324/2023 das UPAs e buscar um "novo ajuste".

Os números do balanço de 2025, anexados à resposta da LAI, demonstram que a Fundação encerrou o exercício com passivo circulante de R$49,58milhões, enquanto o ativo circulante era de apenas R$42,67  milhões, resultando em um capital circulante líquido negativo de R$ 6,9 milhões. Isso significa que a entidade poderia não possuir recursos suficientes para honrar suas obrigações de curto prazo, uma situação que, em termos contábeis, caracteriza insolvência.

O patrimônio líquido da Fundação é negativo em R$10,milhões,e o déficido exercícicio de  2025 foi R$758 mil, após um déficit de R$ 2,38milhões em 2024. A dívida com fornecedores e prestadores de serviços saltou de R

A auditoria independente (PP&C Auditores Independentes) identificou seis ressalvas contábeis, detalhadas no "Plano de Ação" apresentado pela Superintendência da FHSL:

Ativo Imobilizado (CPC 27): Ausência de revisão da vida útil dos bens (R$ 11,57 milhões) e falta de testes de impairment.

Subvenções Governamentais (CPC 07): Falta de controles para reconhecimento sistemático das receitas de contratos de gestão e convênios.

Apresentação do Resultado (CPC 26): Falta de segregação entre custos e despesas operacionais (R$ 225,8 milhões).

Arrendamentos (CPC 06): Inexistência de análise e mensuração de obrigações contratuais de aluguel.

Estoques: Incertezas sobre contagem física dos estoques.

Folha de Pagamento: Incertezas remanescentes sobre o gerenciamento da folha (saldo de R$ 16,6 milhões em 2024).

O Conselho Fiscal, em parecer de 3 de junho de 2026, manifestou-se favorável à aprovação das contas com ressalvas, destacando que as operações "continuam em andamento, mas ainda não apresentaram evolução nas ressalvas da auditoria". O órgão condicionou a aprovação à apresentação de um "Plano de Saneamento de CPCs" e à realização imediata de laudos técnicos.

O relatório do auditor independente alerta para a existência de "incerteza relevante" relacionada à continuidade operacional da Fundação. Embora a Superintendência da FHSL afirme que as ressalvas "não constituem elementos suficientes para caracterizar comprometimento da capacidade operacional", os números e as falhas contábeis estruturais indicam um cenário de risco que o Município, ao decidir pelo encerramento do contrato, parece ter levado em consideração.

A ata da reunião extraordinária do Conselho Curador, realizada em 28 de janeiro de 2025, também integra a resposta da LAI e revela decisões estratégicas que contribuíram para o agravamento da situação financeira:

Aumento de custo de R$ 30 milhões por ano para dobrar o número de médicos e readequar o quadro de pessoal assistencial nas UPAs.

Hospital 100% SUS: Aprovação da proposta do Secretário Municipal de Saúde para que o Hospital Santa Lydia atenda exclusivamente ao SUS, resultando em redução estimada de receita de R$ 4 milhões com a suspensão de atendimentos particulares e de convênios.

Ampliação de leitos: Inauguração de 10 novos leitos em abril de 2025, "sem a correspondente recomposição orçamentária".

Resposta incompleta

A resposta ao e-SIC nº 4493 não atendeu integralmente ao pedido. Permanecem pendentes de esclarecimento pela Fundação Hospital Santa Lydia:

Plano de Saneamento de CPCs: O pedido solicitava cópia do plano com cronograma detalhado para correção de cada ressalva. A Fundação limitou-se a apresentar um plano de ação genérico, com prazos estendidos (inventário físico até fevereiro de 2027) e reconhecimento de que "o prazo de conclusão poderá ser estendido".

Laudos técnicos do ativo imobilizado: Não foram apresentados os laudos de vida útil e impairment do ativo imobilizado de R$ 11,57 milhões. A Fundação informou apenas que há uma planilha de controle e que o inventário ocorrerá entre julho e dezembro de 2026.

Fluxo de caixa projetado: O pedido solicitava cópia do fluxo de caixa projetado para junho a dezembro de 2026. Não houve atendimento.

Contratos de arrendamento: O pedido solicitava relação completa dos contratos de arrendamento em vigor, com valores mensais e prazos. A Fundação informou apenas que "se encontra em fase de elaboração" o controle interno referente a esses contratos.

Risco de desassistência: A pergunta específica sobre eventual risco de redução de leitos, fechamento de unidades ou paralisação de serviços (UPAs, hospitais, SAMI, URA) não foi respondida de forma objetiva.

Leia o texto do Extrato do termo de encerramento na íntegra:

EXTRATO DO TERMO DE ENCERRAMENTO

Termo de Convênio nº. 324/2023

Processo Digital PMRP nº 2023/160537

Convenente: Município de Ribeirão Preto.

Conveniada: Fundação Hospital Santa Lydia

Objeto: Formalizar o encerramento do Contrato de Gestão nº 324/2023, celebrado para a operacionalização, o gerenciamento e a execução das ações e serviços de saúde nas Unidades de Pronto Atendimento do Município (UPA Leste, UPA Oeste, UPA Norte e UBDS Vila Virgínia).

Do Encerramento: Fica encerrado, com efeitos retroativos a partir de 01 de julho de 2026, em razão da pactuação de novo ajuste.

Ribeirão Preto, 07 de julho de 2026.

RAFAEL CIRILO DE SOUZA

Fonte: 

Diário Oficial do Município de Ribeirão Preto, Edição nº 12.434, página 17, publicada em 07 de julho de 2026.


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