Após uma acirrada batalha eleitoral, Ricardo Silva assumiu a Prefeitura de Ribeirão Preto, sendo promovido a gestor na esteira do medo da ascensão da extrema-direita, representada por seu adversário. Grande parte do campo progressista, consciente da gravidade dessa possibilidade, uniu forças para garantir sua vitória. Desde então, Ricardo adotou uma estratégia que parece ter saído diretamente das páginas de manuais de marketing político: uma presença forte e constante nas redes sociais, alinhando-se à tendência dos prefeitos “TikTok”.
No primeiro ano de gestão, essa tática surtiu efeito. Um período sempre marcado pela paciência e pela expectativa dos eleitores. A tática, combinada com o estilo de seu antecessor, Duarte Nogueira, que não convesava com niguém — e incapaz de dialogar com a população — criaram o cenário ideal para o novo prefeito. Ricardo pôde, assim, deslizar pela gestão, gravando vídeos e alegando que sua administração ainda estava executando o orçamento de Nogueira, um orçamento que, não por coincidência, priorizava investimentos em obras questionáveis em detrimento das áreas sociais.
Só para constar, além do orçamento antissocial, Nogueira também se despediu do cargo com empréstimos bancários a rodo, feitos para custear obras, um legado que Ricardo criticou e denunciou ao assumir.
Passou-se o primeiro ano e a popularidade de Ricardo cresceu, impulsionada por promessas embaladas na frase "vamos tocar Ribeirão pra frente". O que parecia uma sinfonia de esperança, no entanto, tornou-se uma marcha solene ao entrarmos no segundo ano do governo.
A paciência do eleitor é finita e a crítica começa a aparecer. Ribeirão Preto começa a se dar conta de que os problemas estruturais, há muito tempo negligenciados, continuam presentes: a gestão de resíduos sólidos, o caos na saúde e no abastecimento de água, os problemas na educação, a falta de política de moradia popular, além das enchentes que enfrentamos ano após ano. As obras da 9 de Julho e o plano de mobilidade, que tiveram algum projeto, são testemunhas silenciosas de uma forma de administração que não dialoga com a cidade real, da população.
Internamente, a sustentação política de Ricardo se revela uma colcha de retalhos feita de interesses duvidosos. A mesma força política que dominou a Câmara sob Nogueira continua a governar, uma mistura de bolsonarismo de ocasião e um toma lá da cá que prioriza o apadrinhamento político em detrimento de soluções concretas dos problemas da cidade. O secretariado de Ricardo, recheado de figuras distantes da realidade vivida nos bairros, espelha essa falta de atenção às demandas reais da população.
É alarmante perceber que, apesar de Ricardo ter mudado a forma de comunicação, a essência de sua gestão permanece inalterada: uma incapacidade crônica de abordar e resolver os problemas estruturais que afligem Ribeirão. O diálogo, nesse contexto, parece estar restrito apenas ao grande capital e aos empreendimentos privados que são aprovados sem as contrapartidas sociais necessárias para as comunidades impactadas.
A nível externo, Ricardo se alia ao governo de Tarcísio de Freitas, mas essa conexão não traz à população de Ribeirão qualquer esperança em termos de soluções concretas para os desafios enfrentados. Enquanto o vereador mais influente da cidade, pertencente ao bolsonarismo local, se perpetua no poder, a tragédia se torna mais evidente.
Ricardo, apesar de seu otimismo nas redes sociais e de sua aparente proatividade, encontrará dificuldades para cumprir o conjunto enorme de promessas que colecionou no primeiro ano de governo. Do ponto de vista concreto, apesar da discrição do Prefeito ao anunciá-los, é do governo federal que estão vindo e poderão vir os recursos necessários. Recursos que deverão viabilizar a maior obra de mobilidade da cidade, ligando as regiões leste e oeste; recursos para resolver a questão do abastecimento de água e, se o governo federal seguir na mesma linha a partir de 2027, os recursos para enfrentar as enchentes — com obras a montante do córrego Ribeirão.
Logo, ao nos aprofundarmos sob a superfície do TikTok, encontramos uma Ribeirão profundamente paralisada, imersa em uma política atrasada que não só se afasta da população, mas que também adota uma lógica privatista que empurra para longe as soluções estruturais. O que a cidade precisa, urgentemente, é de um governo que tenha a coragem e a visão de olhar além das redes sociais e realmente escutar as vozes reais de quem vive, conhece e se preocupa com uma Ribeirão mais próspera, menos desigual e mais moderna.
O projeto que Ribeirão precisa está longe do tik tok, da atual política orçamentária e da atual maioria da Câmara de Vereadores. O projeto se encontra nos bairros, na escuta às forças vivas da cidade e num modelo de administração que valorize a coisa pública, o investimento público, a geração de renda e a democria participativa concreta.
Ricardo Jimenez - editor do Blog O Calçadão
Um comentário:
Prefeito Ricardo tenta esconder Lula nos grandes projetos federais para Ribeirão Preto
Postar um comentário