Em tempos de Conferência Municipal de Saúde de 2026, vamos fazer alguns questionamentos sobre os encaminhamentos da Conferência de 2025.
A Conferência Municipal de Saúde de Ribeirão Preto de 2025 trouxe à tona uma série de temas essenciais para a saúde pública da cidade, porém é fundamental refletir sobre a distância entre o que foi discutido e as ações que realmente foram implementadas. Nesse contexto, alguns questionamentos emergem com urgência para que possamos avaliar a eficácia das políticas de saúde em nossa cidade.
Universalidade no atendimento: A conferência enfatizou a importância de garantir que todos tenham acesso aos serviços de saúde. No entanto, com o enfraquecimento do atendimento primário, podemos afirmar que a universalidade foi efetivamente implementada? Quais são os dados que sustentam ou contradizem essa afirmação?
Integralidade no atendimento: A proposta de um atendimento integral é um pilar do SUS. Entretanto, como podemos esperar a integralidade se estamos assistindo ao desmonte das equipes de saúde da família? Que modelo de saúde estamos construindo quando as estruturas que favorecem essa integralidade estão sendo fragilizadas?
Equidade: Em relação ao acolhimento de idosos nas unidades básicas de saúde, a pergunta que se impõe é: eles estão recebendo a atenção necessária ou estão sendo desorientados para um atendimento digital que não atende suas peculiaridades? O que está sendo feito para garantir que não haja discriminação no acesso aos serviços de saúde?
Controle social: O fortalecimento do controle social é fundamental para garantir a participação da população nas decisões de saúde. No entanto, como isso pode ocorrer efetivamente se os conselhos locais estão sendo enfraquecidos em prol de um conselho municipal mais centralizado? Essa centralização não cria barreiras adicionais à participação popular?
Equipes de odontologia: A necessidade de garantir a presença de dentistas nas unidades de saúde é inegável, mas como isso será possível se há dezenas de cargos não ocupados? O que está sendo feito para atrair e manter esses profissionais?
Reposição de servidores: A realidade de concursos realizados mas com a não convocação de aprovados é alarmante. Como a eficiência do sistema de saúde pode ser garantida se a prefeitura prefere dobrar a carga horária dos servidores existentes? O que leva a essa escolha, que resulta em um sistema caótico e sem planejamento, a ponto de o Ministério Público ter que intervir?
Ampliação das equipes de saúde da família: É contraditório falar em ampliação das equipes quando, na prática, estamos testemunhando a sua diminuição. Como a prefeitura justifica essa realidade frente ao discurso da conferência?
Funcionamento das UBSs: O compromisso de funcionamento até às 19h e aos sábados é uma demanda antiga. O que foi planejado ou concretizado para que isso se torne uma realidade, ou permanece apenas como um desejo?
Novas UBSs: A carência de novas unidades de saúde é evidente, mas como esperar a implementação de novas UBSs se investimentos estão sendo congelados, como no caso da UBS do Jóquei Clube? Qual o planejamento real para a construção de novas estruturas de atendimento?
Assistentes sociais e dentistas nas UPAS: Essa é uma demanda recorrente. Trata-se de uma necessidade concreta ou estamos apenas sonhando com algo distante, sem que haja iniciativas reais para a sua implementação?
Por fim, é alarmante que no documento da Conferência Municipal de Saúde de Ribeirão Preto de 2025 não haja qualquer menção sobre o impacto das terceirizações na rede de saúde municipal. As terceirizações são uma solução viável neste contexto ou apenas uma forma de desresponsabilização do poder público? O que isso significa para a construção de um SUS mais forte e funcional em Ribeirão?
Esses questionamentos são cruciais para sua reflexão coletiva e a necessidade de um diálogo aberto e transparente sobre a saúde em nossa cidade. A participação da população, por meio do controle social, é fundamental para que possamos enfrentar esses desafios e garantir que as promessas da conferência sejam, de fato, uma realidade.
Ricardo Jimenez - editor do Blog O Calçadão
Um comentário:
As promessas da Conferência de 2025 ainda continuam como promessas
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