Páginas

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Faltam menos de 20 dias para as eleições que podem definir os próximos 20 anos. Às ruas!




Por Caio Cristiano, presidente do PSOL-RP e vice-presidente do Sindicato dos Servidores 
Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis.

O desenlace das crises institucionais é frequentemente imprevisível, mas o cálculo político que rege a ofensiva da extrema-direita na atual conjuntura é cristalino. Com apoio de Trump e dos EUA, eles querem eleger um governo lambe-botas do imperialismo americano. Para isso, estão dispostos a tudo e qualquer coisa, mesmo ações ilegais.

Faltando poucas semanas para um pleito decisivo, a classe trabalhadora e as forças da esquerda socialista encontram-se diante de um desafio histórico. O de dar toda batalha que for necessária para eleger Lula e todo um conjunto de candidaturas de esquerda para o Senado e para as Câmaras Estaduais e Federal. Cada voto vai ser muito importante, pois não está em jogo uma eleição qualquer, mas os rumos do país, a correlação de forças e os rumos da soberania nacional pelas próximas duas décadas. Quiçá para as duas próximas gerações. Marcou a história do país a gestão de Bolsonaro pai na pandemia passada; os dados oficiais registraram mais de 700 mil mortes evitáveis que ocorreram devido à forma negacionista que a pandemia foi conduzida. Um genocídio!

Agora, com a chegada do Super El Niño, seriam inimagináveis os efeitos de uma gestão de Flávio Bolsonaro no enfrentamento aos efeitos das ondas de calor extremo ou das fortes chuvas e tempestades com seus respectivos alagamentos e deslizamentos de encostas. Será uma nova tragédia, um novo genocídio regado a negacionismos e racismo ambiental. Não podemos permitir que esse fascista pró-EUA sente na cadeira da presidência em hipótese alguma!

Tem evidente cunho eleitoral a emergência de uma conjuntura adversa com a operação política articulada a partir do Supremo Tribunal Federal pelo ministro André Mendonça, com forte evidência de orientações norte-americanas. Com métodos consagrados pelo lavajatismo — investigando e julgando ao mesmo tempo e com o vazamento seletivo de informações —, a manobra tem o objetivo de tumultuar o processo eleitoral na intenção de favorecer Flávio Bolsonaro. Ocorre que Mendonça está até a medula envolvido com Vorcaro e é bolsonarista declarado.

Contudo, a manobra do ministro Mendonça deu abertura para que viesse a público a investigação da PF sobre diversos crimes praticados por Flávio Bolsonaro (lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, fruto das suas ligações com Daniel Vorcaro e do obscuro financiamento de R$ 130 milhões do Banco Master para a produção do filme Dark Horse).

No entanto, amparada pela tática da sobrecarga de escândalos e pela nivelação demagógica de que todos são iguais;, a base neofascista demonstra impermeabilidade moral às denúncias contra os bolsonaros e suas figuras públicas.

Nós, da esquerda socialista, não temos qualquer dever de cumplicidade com figuras da direita liberal no Judiciário, cujas relações promíscuas com o capital privado e o rentismo expressam a podridão estrutural do Estado burguês. O escândalo do Banco Master — banco em liquidação sob o próprio governo Lula — expõe as entranhas do sistema financeiro e da Faria Lima.

Todavia, seria um erro tático primário permitir que o discurso da corrupção moralista desvie o foco do confronto central: a derrota do neofascismo e de suas conexões com o imperialismo estadunidense encabeçado por Donald Trump. Devemos exigir a completa transparência de todas as investigações em curso, doa a quem doer! E a prisão dos responsáveis e envolvidos!

Nossa estratégia é a superação desse modelo de Estado e de sociedade, mas a atual correlação de forças nos obriga a priorizar a eleição de Lula e de nossos parlamentares para ganharmos tempo para acumularmos forças, pois um possível mandato de Flávio Bolsonaro seria um governo de terra arrasada, com consequências que podem durar gerações.

Por outro lado, a esquerda liberal e a ultraesquerda seguem cometendo erros graves. A primeira só quer eleger seus deputados e abandonou a campanha para eleger Lula; a segunda aposta em agitar a estratégia socialista sem qualquer mediação política. Ambos esquecem que, se Flávio Bolsonaro for eleito, nossos partidos e candidatos eleitos podem ser cassados. É um risco real que não pode ser ignorado.

Nos parece que a fração liberal da classe dominante, que em 2022 aderiu pontualmente à defesa da ordem democrática, já dá sinais de reposicionamento ao respaldar investidas que desestabilizam o processo eleitoral em favor da extrema-direita. A eventual vitória de Flávio Bolsonaro representaria o perdão irrestrito aos golpistas de 8 de janeiro, o desmonte dos direitos trabalhistas e previdenciários, a destruição dos serviços públicos, a entrega de recursos estratégicos e a consolidação de um modelo punitivista e autoritário. Devemos acompanhar esse movimento, pois, quando nossos inimigos se dividem, devemos utilizar essa divisão com toda força e a nosso favor.

Mobilização popular, um giro na campanha Lula e o papel das pautas da classe trabalhadora

Lula respondeu bem à tentativa do ministro bolsonarista André Mendonça de tentar envolver o governo no caso Master, ao defender a abertura total do sigilo de toda e qualquer investigação envolvendo Vorcaro e sua rede de corrupção; foi um acerto tático importante.

Contudo, a campanha precisa ganhar ofensividade, resolver as dificuldades na distribuição de materiais de campanha e agitar com força um programa que vise resolver os principais problemas da vida concreta do povo trabalhador brasileiro, sempre com base na soberania nacional, um programa de efetivas mudanças estruturais no país. Termos segundo turno, precisamos ir com tudo para o segundo tempo das eleições presidenciais.

E, diante da instabilidade induzida e do risco iminente de retrocesso, a postura de já ganhou torna-se uma irresponsabilidade. A passividade e o eleitoralismo abstrato não serão capazes de conter a máquina de desinformação da extrema-direita. Para reverter o marasmo e mobilizar os setores populares, é indispensável ligar a campanha à luta concreta pelos direitos da maioria explorada.

Fim da jornada 6x1. A batalha pela redução do tempo de trabalho sem redução salarial, com a eliminação da escala 6x1, deve ser assumida como prioridade imediata para demarcar posições e expor o caráter antipovo do bolsonarismo.

Passe livre nacional. Um programa nacional que garanta a locomoção gratuita e de qualidade é fundamental para garantir ao nosso povo o direito de ir e vir, de ter acesso à saúde, ao lazer e ao esporte, ligando a periferia ao centro sem que o povo tenha que gastar parte de sua renda com o direito de locomoção.

Soberania e recursos estratégicos. A defesa do patrimônio público, das riquezas minerais e da autonomia política contra a ingerência da Casa Branca precisa centralizar o programa da
esquerda.

Enfrentamento à espoliação financeira. É urgente combater a sangria da renda familiar promovida pelos juros abusivos e pela proliferação das bets, articuladas com a superexploração do trabalho. O governo poderia enviar uma Medida Provisória ao Congresso Nacional para proibir as bets no país, o que poderia dominar a pauta política no momento e dar força à candidatura de Lula na luta pela melhoria da vida das famílias trabalhadoras tão endividadas nesse período.

A nacionalização do combate ao crime. O tema da segurança pública ocupa uma das principais preocupações do povo brasileiro. Contudo, enquanto apenas os estados atuarem nessa agenda, a segurança pública continuará a ser usada como uma moeda eleitoral e um instrumento de mobilização fascista do medo e da insegurança popular.

Saúde e educação 100% públicas. Além de um incremento robusto nos investimentos nessas pastas, é fundamental acabar com as terceirizações nessas pastas.

Pela vida das mulheres, da juventude negra e da população LGBTQIAPN+. Precisamos de um programa efetivo, com investimento robusto, para proteger a vida das mulheres, mas também de setores oprimidos, como a juventude negra e a população LGBT. Nosso país não pode continuar a ser um dos primeiros na lista de países que mais matam mulheres, pessoas trans e jovens negros!

Cuidar dos idosos. A população brasileira segue envelhecendo. É preciso, desde já, garantir um envelhecimento digno para nós e nossa gente. A ampliação e consolidação dos programas já desenvolvidos pelo governo, tais como o Atendimento Domiciliar à Pessoa Idosa, de acesso à assistência social e na política de cuidado, precisam ser ampliadas significativamente e ser bastante bem divulgadas.

É óbvio que um programa de mudanças estruturais vai muito além dos exemplos acima citados, precisaria passar por uma ampla e profunda reforma agrária, revogação das contrarreformas dos governos golpistas, a proteção do meio ambiente e, em especial, da Amazônia, a taxação firme das grandes fortunas, a revogação do arcabouço fiscal e controle
governamental do Banco Central. E a criação de conselhos populares autônomos para dirigir politicamente o país a partir dos interesses da classe trabalhadora.

A reeleição de Lula e o fortalecimento das bancadas de esquerda não representam a conclusão da nossa luta, mas o terreno necessário para garantir tempo, preservar garantias democráticas e acumular forças contra a ofensiva reacionária na América Latina. Nas semanas que restam, o realismo revolucionário exige unidade de ação, presença nas ruas, combate firme à demagogia fascista e a consciência plena de que o futuro do país está sendo jogado agora.

Fascistas não passarão! Bolsonaro nunca mais! Às ruas!

Um comentário:

Anônimo disse...

Vote no 22 pelo nosso Brasil

O poema que nos faz

  1 há um poema dentro de nós, como uma criança  que chuta a parede do ventre e exige nascer o poema diz: — te amo. dizemos: — nos amamos o ...