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| Ato de professoras reforçou o apoio à candidatura de Lula Fotos: @filipeaugustoperes |
Evento organizado pela A Casa Hilton e Casa Coletiva, em parceria com a Frente Ampla e o DCE Livre da USP, debateu plataformização, cortes na educação e apoio à candidatura de Lula
Realizado na Praça XV de Novembro, em Ribeirão Preto, na noite de quarta-feira (15), com organização da A Casa Hilton e Casa Coletiva, em parceria com a Frente Ampla e o DCE Livre da USP, o ato "Todos pela Democracia" contou com a participação da vereadora Duda Hidalgo (PT), da vereadora e professora Judeti Zilli (PT), representando o Coletivo Popular Judeti Zilli, da presidenta da ANDES, Annie Hsiou, e das professoras Clarice Sumi, Sandra Regina, Bya Faria, Susana Segura, além do representante do DCE Livre da USP, Wanderley de Souza Neto.
O encontro foi marcado por relatos sobre precarização do trabalho docente, plataformização do ensino, cortes orçamentários, riscos ambientais e avanço de discursos autoritários, com manifestações de apoio à candidatura de Lula e críticas ao bolsonarismo.
As falas convergiram para a denúncia de um processo de desmantelamento da educação pública, conduzido tanto por políticas estaduais quanto federais. Durante o ato as professoras denunciaram que que mais de 60% dos docentes da rede estadual paulista atuam como temporários, sob contratos que impedem afastamentos superiores a seis dias por ano e que limitam a um único dia a licença. A perda de contrato após apresentação de atestado médico por problemas de saúde mental foi citada como exemplo da insegurança vivida pela categoria.
As professoras também apontaram que a plataformização do ensino retira a autonomia pedagógica dos professores, transformando-os em monitores de conteúdo pronto, e exclui alunos da escola pública. Sendo associada ao programa do ex-presidente Jair Bolsonaro, a PEC 38, que trata da reforma administrativa, foi lembrada como ameaça ao serviço público e à educação,
A precarização da educação básica também apareceu nas falas, detalhada a partir da formação de professores.
Outro ponto abordado foi o ensino plataformizado, criticado por oferecer aulas prontas e material de baixa qualidade, o que retira a autonomia intelectual e a liberdade pedagógica do professor, transformando-o em monitor de plataformas. Segundo relatos, a plataformização baixa a qualidade do ensino, afeta diretamente a formação de novos docentes e marginaliza o aluno da escola pública.
Diante desse cenário, foi defendido que sem investimento não há desenvolvimento soberano e que a escola pública e a educação básica devem ser tratadas como diretriz para garantir financiamento adequado para universidades, institutos federais e escolas públicas, além da valorização dos trabalhadores da educação e dos pesquisadores.
As professoras também criticaram o congelamento de salários e direitos e o processo de terceirização, o qual diminui a qualidade da educação.
A defesa do financiamento da pesquisa científica também esteve presente, onde se lembrou que a FAPESP existe porque 1% da receita do estado de São Paulo é destinado à fundação, mas que o acesso às bolsas não alcança todos os estudantes, especialmente os de graduação que não estão nas melhores posições.
A existência de agências como CAPES e CNPq foi citada como fundamental para garantir a possibilidade de estudar e fazer pós-graduação. O debate foi colocado como uma disputa pelo MEC e por mais investimento em ciência e pesquisa.
A relação entre as universidades estaduais e o governo de São Paulo foi tema de destaque. Nas falas, as professoras e estudante afirmaram que a USP está "em pé de guerra" contra o governo de Tarcísio de Freitas, e que as estaduais como um todo enfrentam um programa de privatização e sucateamento.
A greve dos estudantes no início do ano foi citada como forma de combater esse projeto. Durante o ato, também se denunciou o uso da Polícia Militar para intimidar estudantes, com menção à desocupação violenta da reitoria no Butantã, em que vários estudantes ficaram feridos. A crítica se estendeu à tentativa de atropelar a autonomia universitária e de transformar a universidade pública em um espaço restrito à elite.
Outro eixo do debate foi o avanço de discursos de ódio dentro das escolas, com relatos de crianças perseguindo colegas por questões religiosas e de gênero.
Para as presentes, a reprodução do ódio foi atribuída à influência de famílias alinhadas ao bolsonarismo, que utilizam as crianças como ferramentas de manutenção desses discursos.
As participantes defenderam que a luta contra o fascismo não é restrita a um grupo, mas afeta toda a sociedade, e que a organização coletiva é essencial para impedir retrocessos. O ato teve como mote a defesa da candidatura de Lula no segundo turno, com a convocação de estudantes e professores para a mobilização nas ruas e a paralisação das aulas no dia 22 de outubro.
Por fim, foram abordados os impactos da crise climática e do racismo ambiental, com menção à contaminação por mercúrio em rios amazônicos, à perda de territórios indígenas e à morte de um pesquisador que atuava na autodelimitação de terras indígenas.
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