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sábado, 7 de março de 2026

Pela vida das mulheres: ato reúne movimentos sociais no centro de Ribeirão Preto

 

Ato contou com boa participação
Fotos: @filipeaugustoperes

Manifestação marcou as mobilizações do Dia Internacional da Mulher e reuniu organizações feministas, movimentos sociais e partidos políticos na Esquina Democrática

Organizado pelo "Levante Mulheres Vivas de Ribeirão Preto", o ato “Pela Vida das Mulheres!” foi realizado na manhã deste sábado (7), no calçadão da rua General Osório com a Tibiriçá, na Esquina Democrática, no centro da cidade. A atividade integrou a agenda de mobilizações do Dia Internacional da Mulher e reuniu militantes de movimentos feministas, organizações políticas, coletivos sociais e representantes de diferentes movimentos populares da cidade.

A mobilização teve como eixo central a denúncia da violência contra as mulheres e a defesa da vida, articulando essa pauta a temas mais amplos ligados aos direitos sociais, às condições de trabalho e à organização popular. Entre as reivindicações levantadas durante o ato estiveram a defesa da democracia e da soberania popular, o combate ao feminicídio e a luta pelo fim da escala de trabalho 6x1, reivindicação apontada como especialmente prejudicial às mulheres trabalhadoras, que acumulam jornadas de trabalho formais, domésticas e de cuidado.

Jaqueline, do Juntas/PSOL

Logo no início das intervenções, militantes destacaram que a violência contra mulheres não pode ser compreendida apenas como casos isolados, mas como expressão de desigualdades estruturais presentes na sociedade. Representando a juventude organizada, a militante Raíssa, da União da Juventude Rebelião (UJR), afirmou que o feminicídio e o machismo estão ligados às estruturas sociais e econômicas que sustentam desigualdades profundas.

“As mulheres continuam morrendo e a gente não pode aceitar isso. A luta precisa ser diária, organizada e coletiva”, afirmou.


A servidora pública Célia Lima, que atua na área da saúde municipal, ressaltou que a violência contra mulheres deve ser compreendida também como um problema de saúde pública. Segundo ela, muitas agressões começam de forma silenciosa e se intensificam ao longo do tempo.

“A violência muitas vezes começa com agressões psicológicas e vai aumentando de intensidade até chegar ao feminicídio”, alertou, ao chamar atenção para a necessidade de organização das mulheres para enfrentar a violência.


Célia também destacou a realidade de mulheres que vivem situações de violência dentro do ambiente doméstico, muitas vezes sem autonomia financeira.

“Existem muitas mulheres que trabalham dentro de casa e não são reconhecidas. Muitas vezes o trabalho de cuidar dos filhos e da família não é valorizado, e isso também faz parte da violência que muitas enfrentam.”

A militante Gabriela, do Movimento de Mulheres Olga Benário, reforçou que a organização coletiva é fundamental para enfrentar o machismo e as diferentes formas de violência de gênero.

“As mulheres só conseguem ter força quando se organizam. É na organização coletiva que conseguimos enfrentar a violência e defender a vida das mulheres.”

Fátima Suleiman, Presidenta do Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina, destacou o caráter histórico e internacional do Dia Internacional da Mulher, lembrando que a data nasceu das lutas da classe trabalhadora.

“Há mais de um século as mulheres socialistas convocaram a luta pelo 8 de março. Hoje seguimos nessa luta pela libertação das mulheres e da humanidade da exploração, da guerra e da violência.”


Durante sua intervenção, Fátima também chamou atenção para a gravidade do feminicídio no país.

“No Brasil, uma mulher é assassinada a cada quatro horas. Isso mostra o tamanho da violência que enfrentamos.”

A relação entre violência de gênero, desigualdade social e precarização do trabalho também esteve presente nas intervenções. As falas destacaram que muitas mulheres permanecem em relações abusivas justamente por falta de autonomia econômica e de políticas públicas que garantam condições dignas de vida.


A vereadora Judeti Zilli (PT), integrante do Coletivo Popular Judeti Zilli, destacou a importância da presença das mulheres nos espaços institucionais de poder.

“Precisamos eleger mais mulheres para os parlamentos e para os espaços de decisão, para que possamos criar leis que atendam às necessidades das mulheres.”

Também integrante do Coletivo Popular, a co-vereadora Adria Maria, com trajetória no movimento de mulheres negras, salientou que o enfrentamento à violência contra mulheres precisa considerar as dimensões de raça e classe.

“As primeiras lutas pela liberdade neste país foram feitas por mulheres negras escravizadas. Elas lutaram pelo direito de existir e de ter seus corpos respeitados.”


A.M. ainda destacou que a violência contra mulheres possui forte dimensão racial.

“O movimento feminista precisa incorporar as questões de raça e gênero, porque quem mais morre neste país são mulheres negras.”

Isabela, da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), destacou que a luta das mulheres está ligada à luta por transformações sociais mais amplas.

“Enquanto existirem desigualdades sociais profundas, as mulheres trabalhadoras continuarão sendo as mais atingidas pela violência.”


Outro ponto levantado durante o ato foi a necessidade de que o movimento feminista dialogue com diferentes vulnerabilidades sociais.

“Não seremos livres enquanto todas não forem livres. É preciso olhar para as desigualdades sociais, raciais e para todas as vulnerabilidades que atravessam a vida das mulheres”

afirmou Franciele, do Juntas/PSOL, citando a pensadora Audre Lorde.

Aureni Menezes, do coletivo Diálogo de Ação Petista (PT), chamou atenção para a importância da organização política das mulheres e da construção de políticas públicas voltadas à garantia de direitos.

“A luta das mulheres precisa estar presente também na construção das políticas públicas. É fundamental que as mulheres participem da organização política para que seus direitos sejam efetivamente garantidos.”


Durante o ato também houve algumas intervenções masculinas que relacionaram a luta das mulheres à solidariedade internacional e à defesa dos direitos humanos. O militante Ronaldo, do coletivo Juntos, ressaltou que a violência contra mulheres está inserida em um contexto mais amplo de injustiças sociais.

“A luta das mulheres está ligada à luta contra todas as formas de opressão. Defender a vida das mulheres é defender também justiça social e direitos para toda a população.”

Já o professor João Francisco, da Torcida Antifascista do Botafogo FC de Ribeirão Preto, a Resistência Caipira, destacou a necessidade de indignação permanente diante da violência de gênero.

“Todos os dias precisamos nos indignar diante da violência contra as mulheres. Essa luta é de toda a sociedade.”

Além das falas políticas, o ato também apresentou dados sobre a violência contra mulheres em Ribeirão Preto. Materiais distribuídos à população que transitava no centro da cidade, apontam que 1.059 notificações de agressões contra mulheres foram registradas no município em 2025, sendo que 73% dos casos ocorreram dentro de casa. Os dados também indicam que 75% das vítimas têm entre 20 e 29 anos, com 26% das ocorrências registradas na região norte e 23% na zona oeste da cidade.

Os dados também apontam falhas nas políticas públicas de proteção às mulheres. Entre os problemas citados estão a ausência de monitoramento eletrônico eficaz de agressores, a desarticulação da rede de atendimento formada por delegacias, serviços de assistência social e sistema de justiça, além da falta de ações preventivas por regiões da cidade e de educação anti-machista nas escolas.

Durante o ato houve ainda manifestações de solidariedade internacional às mulheres vítimas de conflitos armados e guerras, em especial às mulheres palestinas e iranianas, com denúncias sobre a violência que as atinge em contextos de guerra e intervenções militares.

feminicídios 

A mobilização contou com a participação de diversas organizações e coletivos, entre eles Juntas, Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Emancipa, Movimento de Mulheres Olga Benário, Resistência Socialista, Trabalhadoras e Trabalhadores na Luta Socialista (TLS), Resistência Caipira, Resistência Feminista, PT, PSOL, PCBR, PT Mulheres, PT Juventude, Unidade Popular pelo Socialismo (UP), União da Juventude Rebelião (UJR), Coletivo Popular Judeti Zilli, Diálogo de Ação Petista, Partido Verde (PV) e Juntos.

Ao final da atividade, com a participação do Maracatu Nzila Baque Angola, as participantes realizaram um cortejo pelo calçadão do centro, encerrando o ato com música, palavras de ordem e manifestações em defesa da vida das mulheres.

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Dando os créditos devidos (@filipeaugustoperes), todas as fotos podem ser utilizadas livremente pelos movimento e organizações participantes.
















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