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terça-feira, 3 de novembro de 2026

Veias abertas

 


"Está acontecendo algo muito belo, uma espécie de exorcismo coletivo dos velhos demônios…"
(Eduardo Galeano - Veias Abertas da América Latina)

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não carrego o ouro que penso ter
e meu valor não dorme em cofre algum

melancólico diante de tempos tão sombrios
nefastos
mesmo assim
não me guardo na sola do sapato
nem me isolo no chão...
célula de um corpo que me faz 
meu sangue corre pelas veias da América Latina

Secretaria de Educação de Ribeirão Preto padroniza regimentos escolares e regulamenta núcleo de alfabetização

Resoluções SME nº 26 e 27 estabelecem modelos obrigatórios para escolas municipais e criam instância técnica para articular a Política Municipal de Alfabetização e Letramento.

sábado, 31 de outubro de 2026

Sindicato alerta que privatização da SAERP atinge IPM e transfere custo das aposentadorias à população de Ribeirão Preto

Privatização aumentará valor da conta em até 2 meses

Em entrevista ao programa Larga Brasa, no último dia 21 de outubro, presidente do sindicato dos servidores critica gasto de R$ 950 mil em estudo para privatizar a água, aponta "engrenagem" que trava IPM e Sassom e prevê aumento das contas em até dois meses após a terceirização.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Bolsonarismo e "Mercado": a democracia sob chantagem

 



Mais uma vez, o bolsonarismo perdeu uma eleição e reagiu como se o resultado não pudesse ser legítimo. Vieram a violência, as tentativas de coação e as listas de pessoas apontadas como possíveis eleitoras do lado adversário, expostas ao linchamento nas redes sociais. É uma tática de triste lembrança: transformar cidadãos em alvos para intimidar quem pensa diferente. Um comportamento próprio de uma corrente que não aceita os limites da democracia — nem a possibilidade de ser derrotada.

Esse tipo de reação já não surpreende. Há, porém, outra forma de pressão que merece ser observada com igual atenção: a chantagem política exercida em nome do “mercado”. A palavra sugere uma entidade neutra, guiada por cálculos técnicos e interesses impessoais. Mas, no debate público, ela costuma ganhar endereço e rosto: os escritórios da Faria Lima, em São Paulo, e os porta-vozes que falam como se representassem toda a economia.

É claro que mercados não são uma pessoa, nem todos os agentes financeiros pensam da mesma maneira. Mas essa ressalva não deve servir para esconder o poder de grupos que tentam impor suas prioridades como se fossem as únicas possíveis. Sob a aparência de profissionalismo e rigor técnico, muitas vezes se defende uma agenda bem concreta: cortar gastos, conter salários e direitos, reduzir a proteção social e transferir para os trabalhadores o peso dos ajustes.

A última eleição presidencial tornou essa diferença de tratamento evidente. Enquanto liderava as pesquisas o candidato associado ao “tesouraço”, havia tranquilidade entre os representantes mais vocais do mercado. Pouco se perguntava de onde viriam os cortes anunciados, nem como seriam feitos os prometidos R$ 250 bilhões de redução no orçamento. O tamanho da tesoura parecia importar menos do que a direção do corte: direitos, serviços públicos e aposentadorias eram alvos aceitáveis.

Com a vitória de Lula, o humor mudou. A Bolsa caiu, o dólar subiu e os alertas sobre o futuro econômico se multiplicaram. Oscilações de mercado, por si só, não provam uma articulação deliberada; preços respondem a muitos fatores. Mas a rapidez com que certas reações são apresentadas como vereditos sobre um governo eleito revela uma tentativa recorrente de limitar, antes mesmo do debate, o espaço de decisão política.

O problema não é discutir responsabilidade fiscal, inflação ou equilíbrio das contas públicas. São temas legítimos e importantes. O problema é tratar uma única receita como inevitável e qualquer alternativa como irresponsabilidade. O plano de Lula pode e deve ser debatido, cobrado e avaliado. Mas buscar preservar direitos e melhorar a renda dos trabalhadores não deveria bastar para transformá-lo em inimigo de uma entidade abstrata que se julga autorizada a ditar os limites da política.

Bolsonarismo e mercado não são a mesma coisa. Um se mobiliza nas ruas e nas redes; o outro exerce influência por meio de capitais, previsões, editoriais e acesso aos centros de decisão. Ainda assim, quando seus interesses são contrariados, ambos podem recorrer a formas de pressão que enfraquecem a escolha democrática: um pela intimidação direta; outro pela ameaça de desordem econômica apresentada como consequência inevitável de um governo que não obedeça.

A democracia não termina apenas quando se atacam urnas ou se ameaçam eleitores. Também se estreita quando o voto é tratado como um incômodo e decisões políticas são submetidas a vetos informais de quem concentra poder. Governos eleitos devem prestar contas à sociedade — não governar sob chantagem. E nenhuma força, venha das redes ou dos gabinetes da Faria Lima, pode reivindicar para si o direito de substituir a vontade popular.

Ricardo Jimenez - Professor e Editor do Blog O Calçadão

Câmara de Ribeirão Preto aprova moção de repúdio contra listas de boicote político a empresas e trabalhadores que elegeram Lula



Requerimento da vereadora Perla Müller (PT) denuncia perseguição política e boicote econômico por posições ideológicas após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para o quarto mandato como Presidente da República. 

A Câmara Municipal de Ribeirão Preto aprovou o Requerimento nº 22106/2026, de autoria da vereadora Perla Müller (PT) o qual solicitou a aprovação da Moção de Repúdio à elaboração e divulgação de listas de empresas, empresários e profissionais autônomos destinadas a promover perseguição e boicote econômico em razão de suas posições político-ideológicas, conforme publicado na pauta do Expediente da 72ª Sessão Ordinária, realizada nesta quarta-feira (28). 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Comissão da Prefeitura aprova estudos do Consórcio Arena Ribeirão para a futura concessão do Parque de Exposições


Parecer favorável da Comissão Especial de PMI atesta que o material tem "conteúdo suficiente" para embasar o projeto; valores do contrato e contrapartidas não constam na publicação. Blog O Calçadão protocolou pedido de LAI para obter os dados omitidos.

terça-feira, 27 de outubro de 2026

A fábrica e o golpe



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na Alemanha de Hitler,

o Estado ergueu a sua grande fábrica de aço:

engrenagens de cartório, 

carimbo, cerca e cargo

o uniforme 

parou na porta do comércio:

o porteiro do Reich trancou a passagem do judeu


ali se decidia 

quem podia comprar

quem podia passar

quem podia existir na linha de produção


nos Estados Unidos de McCarthy

para denunciar possíveis infiltrados comunistas

montou-se uma linha de montagem: 

a linha da delação

2026: a geração que reencontrou a democracia

 


A história ensina que grandes acontecimentos forjam gerações. Não se trata apenas de compartilhar uma época, mas de construir valores, identidades e projetos coletivos a partir das experiências vividas. No Brasil, foi assim com o tenentismo, a geração de 1930, a campanha “O Petróleo é Nosso” e, mais recentemente, as gerações da Anistia, das Diretas Já e da Constituinte.

Esta última foi forjada na luta contra a ditadura e na reconstrução da democracia. Hoje, seus integrantes têm, em sua maioria, entre 65 e 80 anos. São homens e mulheres cuja trajetória carrega experiências democráticas e humanistas fundamentais para a história brasileira. Aprenderam, muitas vezes sob o custo da repressão, que democracia, direitos e liberdade não são concessões, mas conquistas que exigem vigilância permanente.

Nas décadas seguintes, duas novas gerações se formaram. A primeira, entre os anos 1990 e a primeira década dos anos 2000, foi marcada pela transição do modelo privatista de Fernando Henrique Cardoso para o desenvolvimentismo social dos governos Lula. Foi a geração que testemunhou a ampliação de direitos, o acesso à universidade, a conquista da casa própria, a valorização dos salários, o crescimento econômico e a expansão das oportunidades. Foi também a geração que elegeu Lula em 2002 e viveu a chamada era de ouro lulista, entre 2003 e 2010.

Essa geração compartilhou com a anterior o apreço pela democracia, pelos direitos sociais e pelo humanismo. Mais do que isso, reconheceu o papel do Estado na transformação concreta da vida das pessoas.

A geração seguinte, formada no contexto da crise do capitalismo global pós-2008 e das manifestações de junho de 2013, percorreu outro caminho. A insatisfação com os serviços públicos e com a representação política abriu espaço para uma crítica generalizada ao Estado e à própria política. Em parcelas expressivas dessa geração, o combate à corrupção tornou-se a principal bandeira, frequentemente associado à deslegitimação dos partidos, das políticas sociais e das instituições.

Foi a geração que transformou a camisa da Seleção em símbolo político, celebrou a Operação Lava Jato e alimentou movimentos de direita que contribuíram para a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Nesse processo, democracia, direitos sociais e humanismo perderam centralidade no debate público. Abriu-se, assim, uma fratura entre os herdeiros da redemocratização, a geração lulista e os setores mobilizados pela onda política de 2013.

Nem a campanha Lula Livre nem a vitória eleitoral de 2022, em um Brasil ainda marcado pela pandemia, foram suficientes para superar essa divisão e produzir uma identidade coletiva capaz de reconectar essas gerações.

Até que chegou 2026. Mais precisamente, o segundo turno.

Quando o país parecia caminhar para um novo período sombrio, impulsionado pelo bolsonarismo e pelo antipetismo, uma nova juventude se levantou contra a ameaça de uma guinada neoliberal autoritária. Foi às ruas e, nesse movimento, reuniu antigos lulistas, setores democráticos da direita e, sobretudo, os decanos das Diretas e da Constituinte, os baluartes da redemocratização.

A experiência dos mais velhos encontrou a energia dos mais jovens. Memória e renovação voltaram a caminhar juntas. As manifestações do campo democrático no segundo turno, ao reivindicarem democracia, soberania nacional e preservação dos direitos sociais, recolocaram no centro da disputa valores que haviam perdido espaço desde 2013.

Ainda não temos distância histórica nem condições objetivas para dimensionar plenamente o significado desse acontecimento. Mas talvez estejamos diante de algo maior do que uma mobilização eleitoral: o nascimento de uma nova geração política, capaz de estabelecer pontes com os lutadores da redemocratização e com aqueles que viveram a expansão social dos anos 2000.

O futuro dirá se essa convergência resistirá às urnas e às circunstâncias. Gerações não se consolidam em um único ato; constroem-se na continuidade da luta, na organização e na capacidade de transformar valores em projetos duradouros.

Por ora, porém, fica a gratidão. Gratidão à juventude que se levantou, aos que não desistiram da democracia e aos que, mesmo depois de tantas batalhas, voltaram às ruas para defender o futuro do país.

Se 2026 realmente forjou uma nova geração, seus frutos poderão acompanhar o Brasil pelas próximas duas décadas. E talvez sua maior conquista tenha sido esta: mostrar que a história não está condenada a repetir suas rupturas e que, mesmo quando tudo parece perdido, a democracia ainda é capaz de reunir gerações e renovar a esperança.


Ricardo Jimenez - Professor e Editor do Blog O Calçadão

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A vitória dos cansados

 

Celebra! Vencemos!

Segunda parte de "Teimosia dos Cansados"

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perguntaram-me se ainda estou cansado
claro que estou
mas o cansaço agora é outro:
peso do corpo que dançou a noite inteira
voz rouca de tanto cantar coletivamente
de quem sente o gosto do suor e da justiça pelo povo

não é mais a prova de que luto
pois não lutei sozinho

dois dias após
o desânimo desaparecera naquela terça
fora enterrado na praça
debaixo dos nossos pés cansados
onde não havia mais tempo para silenciar
ao ver tanta injustiça

e, ontem, toda esta violência repetida
foi rompida pelo nosso abraço  à noite

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Câmara de Ribeirão Preto aprova alterações na lei do Banco de Professores Substitutos; entenda o que mudou e por que a oposição votou a favor

Principais pontos que prejudicavam a categoria foram retirados

Após trabalho da oposição e mobilização da categoria, Executivo recua em pontos polêmicos: fim do "pedágio" de 12 meses e restrição do uso de temporários a faltas curtas e imprevistas. Projeto foi aprovado por 20 votos a zero nesta quarta-feira (21).

Direito à cidade: Sob o pretexto da "ordem urbana", Ricardo Silva centraliza poder de veto sobre o uso do espaço público

Decreto centraliza poder nas mãos do prefeito Ricardo Silva

Decreto nº 234/2026, publicado em 21 de outubro, transfere para o Chefe do Executivo a palavra final sobre eventos que fecham vias ou ocupam parques, esvaziando a análise técnica e reforçando a lógica de controle estatal sobre a sociabilidade urbana.

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Relatório oficial do Incra confirma retomada da reforma agrária com mais de 104 mil famílias em 2025

Em um governo popular, a luta se torna diálogo permanente

Documento de gestão aponta que a inclusão de 100 mil famílias no PNRA ocorreu majoritariamente via reconhecimento e regularização; números são fruto da pressão popular e do diálogo com o governo federal

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Novo PAC leva R$ 461 milhões a Ribeirão Preto e impulsiona saúde, mobilidade e infraestrutura

Governo Lula destinou quase 0,5 bilhão para o município de Ribeirão Preto

Programa federal financia 22 iniciativas, da terapia CAR-T contra câncer ao novo campus do IFSP, corredores de ônibus e redes de água em bairros

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Ato "Todos pela Democracia" reúne professoras e estudantes contra precarização do ensino e avanço do fascismo

 

Ato de professoras reforçou o apoio à candidatura de Lula
Fotos: @filipeaugustoperes

Evento organizado pela A Casa Hilton e Casa Coletiva, em parceria com a Frente Ampla e o DCE Livre da USP, debateu plataformização, cortes na educação e apoio à candidatura de Lula

sábado, 10 de outubro de 2026

Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina organiza ato em Ribeirão Preto em Dia Global de Ação

 

Ato lembrou os 1100 dias de genocídio 
Fotos: @filipeaugustoperes

Mobilização deste sábado (10) na Esquina Democrática integrou chamado internacional da Aliança Global pela Palestina e pediu fim da guerra em Gaza, embargo de armas e direitos plenos do povo palestino

Como o Estadão transformou uma negativa da PF em palanque para Flávio Bolsonaro

Análise do Discurso revela manipulação da informação 


Análise da construção discursiva revela que o jornal paulista inverteu a pirâmide da informação, colocou um áudio sem validade jurídica no topo da notícia e deu espaço para que o candidato atacasse Lula sem provas, enquanto a Polícia Federal e a PGR desmentiam a existência de delação.


Por Filipe Augusto Peres

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

terça-feira, 6 de outubro de 2026

TCE aponta inconsistências fiscais e na Educação em Ribeirão Preto no primeiro ano da nova gestão

 


A situação não representa, necessariamente, julgamento definitivo das contas, mas um alerta para que o gestor possa corrigir eventuais desvios antes da apreciação final pelo Tribunal

Veias abertas

  "Está acontecendo algo muito belo, uma espécie de exorcismo coletivo dos velhos demônios…" (Eduardo Galeano - Veias Abertas da A...