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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Três programas de governo, duas visões antagônicas: a engenharia política de 2026

BRAUNS, Ennio. Greve do ABC.

[…] poderiam ser trabalhadores e trabalhadoras 
nas grandes greves do ABC
fotografados pelos históricos fotojornalistas
do ABC
como Ennio Brauns

(Quadro: Manifestacion, de António Berni. Filipe Augusto Peres)


Uma análise comparativa completa dos planos de Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT-aliados) que demonstra como a elite econômica e a sua representação judicial coordena a candidatura de dois representantes da extrema-direta para fragmentar o voto contra o projeto democrático e de desenvolvimento nacional.

Os planos de governo de Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL), embora com linguagens diferentes, defendem os mesmos interesses de classe e propõem instituições parecidas de controle político. O programa de Lula, por sua vez, representa um projeto fundamentalmente diferente: baseado na redução de desigualdades, soberania nacional e fortalecimento da democracia substantiva. A suspensão e liberação de Renan Santos não é acidental, mas engenharia política destinada a fragmentar o voto de forma que Flávio (ou Renan, caso ambos avancem) vença contra Lula em segundo turno.

I. SEGURANÇA PÚBLICA: A GUERRA CONTRA POPULAÇÕES, NÃO CONTRA O CRIME

Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL): autoritarismo explícito e velado

Renan propõe explicitamente o Direito Penal do Inimigo (DPI) como framework de governo. Sua proposta divide a população em "cidadãos" (com direitos) e "inimigos" (sem direitos). Indivíduos classificados como membros de facções perderiam direitos políticos, civis e sofreriam restrição de liberdade de locomoção. O ônus da prova seria invertido: presumem-se culpados até que comprovem inocência. Estados de Defesa seriam permanentes em "áreas sob comando das facções", ou seja, qualquer favela ou comunidade urbana.

Flávio propõe "declarar guerra ao crime organizado" com linguagem menos explícita, mas conteúdo semelhante. Propõe "medidas duras, concretas e aplicáveis desde o primeiro dia". Defende "tornozeleiras eletrônicas", como as que seu pai tentou romper, para monitoramento permanente, "reconhecimento facial integrado a bancos de dados criminais", "fim da progressão de regime" para crimes hediondos, e "maioria penal reduzida". Embora não nomeie "Direito Penal do Inimigo", propõe exatamente isso: suspensão de direitos fundamentais em nome da "guerra ao crime".

Lula propõe reorganização da segurança pública através do fortalecimento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), "inteligência tática" e "controle de armas de fogo". Seu programa enfatiza "cooperação federativa" e "combate aos fluxos financeiros ilícitos". Não propõe suspensão de direitos, mas fortalecimento de instituições democráticas de segurança. A diferença é radical: enquanto Renan e Flávio propõem guerra contra populações classificadas como "inimigas", Lula propõe combate ao crime dentro do marco legal democrático.

Renan e Flávio convergem em propor a suspensão permanente de direitos fundamentais para categorias de população. Lula propõe fortalecimento institucional dentro da democracia. Essa é a diferença entre fascismo e democracia.

II. ECONOMIA: AUSTERIDADE PARA OS POBRES, PRIVILÉGIO PARA OS RICOS

Renan e Flávio: austeridade fiscal radical

Renan propõe "ajuste fiscal" como primeira medida de seu plano. Seu programa intitula o capítulo de segurança como "Um Remédio Amargo",  sugerindo que redução de gastos sociais é necessária mas dolorosa. Propõe "reforma trabalhista para flexibilizar relações de trabalho", "redução de supersalários", "reforma administrativa" e "austeridade fiscal". O Livro Amarelo destaca "contenção de gastos" e "equilíbrio fiscal" como prioridades.

Flávio propõe "equilíbrio fiscal" e "tesouraço nos gastos públicos". Seu programa defende "menos imposto no que a família consome", "conta de luz mais simples", "juros menores". Porém, a estratégia para alcançar isso é "estabilizar e reduzir a dívida pública" através de cortes. Flávio afirma que "juros altos são consequência da dívida crescente" e que "juros menores não se decretam: conquistam-se com contas em ordem". Isso significa cortes em políticas sociais.

Lula propõe crescimento econômico com inclusão e estabilidade. Seu programa defende "valorização real do salário-mínimo" e "mercado de trabalho aquecido" que levaram a "expansão da massa salarial e do consumo". Alcançou "maior renda real do trabalho e menor desemprego da série histórica". Propõe "redução sustentada das taxas de juros" através de "crescimento econômico", não através de cortes. Seu programa destaca "investimentos produtivos públicos e privados" em infraestrutura, educação e saúde.

Diferença fundamental: Renan e Flávio propõem que o povo pague pela "austeridade fiscal". Lula propõe que o crescimento econômico reduza naturalmente a dívida, mantendo políticas sociais.

Reforma Tributária: quem paga?

Renan não detalha reforma tributária em seu programa resumido, mas destaca "contenção de gastos" e "menos impostos", sugerindo redução de receita estatal.

Flávio propõe "menos imposto no que a família consome" e "redução de impostos". Isso significa redução de receita estatal sem compensação, exigindo cortes em políticas sociais.

Lula implementou reforma tributária que beneficia os pobres. "A cesta básica ficará isenta desses impostos e os mais pobres terão direito a um mecanismo de cashback, o que favorece a progressividade tributária." Seu programa defende "justiça tributária" e "combate aos privilégios e às distorções".

Programas Sociais: manutenção ou eliminação?

Renan propõe "produtividade pela cidadania" e "economia de assistencialismo". Sua linguagem sugere que assistência social é "comodismo" e que o objetivo é "qualificação, trabalho, crédito e patrimônio". Isso indica redução ou completa eliminação de programas assistenciais.

Flávio promete "manter e aperfeiçoar os programas sociais", mas sua estratégia é transformá-los em "trilha que leva à qualificação, ao trabalho, ao crédito e ao patrimônio". "Proteção não é o fim da linha: é o começo de uma trilha". Isso significa redução de benefícios permanentes em favor de uma suposta "qualificação", o que não ocorreu no governo de seu pai.

Lula expandiu programas sociais. "O Bolsa Família foi recriado e expandido com benefícios especiais para crianças e adolescentes." Alcançou "desigualdade, medida pelo coeficiente de Gini, atingiu o menor patamar histórico de 0,504". Propõe continuar essa expansão.

Síntese econômica: Renan e Flávio propõem austeridade que reduz direitos sociais. Lula propõe crescimento que amplia direitos sociais. Essa é a diferença entre neoliberalismo e desenvolvimento social.

III. EDUCAÇÃO E CULTURA: FORMAÇÃO DE ELITES OU EDUCAÇÃO PÚBLICA UNIVERSAL?

Educação: Qual objetivo?

Renan propõe "Formar elites, cultivar o povo", o próprio título de seu capítulo sobre educação revela a estratégia. Formar elites é diferente de educar o povo. Isso significa educação diferenciada por classe social, em que uma determinada classe social, por meio de sua educação superior, decidirá o que é bom para o povo, cultivando-o em seus "valores superiores".

Flávio propõe "educação de verdade" com "método fônico", "escola sem doutrinação", "escolas cívico-militares" e "gestão escolar por resultados". Essas propostas indicam educação controlada, militarizada, não democrática, contra qualquer tipo de pluralidade e altamente doutrinária.

Lula propõe "educação para todos" com "investimentos em todos os níveis educacionais". "O Ministério da Educação reassumiu a liderança estratégica e federativa do setor. Os investimentos em todos os níveis educacionais voltaram." Propõe programa contra evasão e expansão de acesso.

Cultura: Identidade Nacional ou Mercado?

Renan propõe "Chega de saudade: cultura" com foco em "indústria cultural" e mercado.

Flávio propõe "leis de incentivo" e "patrimônios históricos", modelo mercantilista em que cultura é negócio.

Lula recriou o Ministério da Cultura e "retomada dos mecanismos de financiamento permitiram voltar a valorizar a identidade nacional e a diversidade cultural brasileira". Seu programa defende cultura como direito, não como mercado.

IV. MEIO AMBIENTE E TERRITÓRIO: EXPLORAÇÃO OU PRESERVAÇÃO?

Amazônia: Floresta em pé ou floresta explorada?

Renan propõe "bioeconomia" , "gerar renda a partir da floresta em pé, com biotecnologia, fármacos, cosméticos". Embora fale em "floresta preservada", a ênfase é em "agregação de valor" , transformar a floresta em commodity, como o agronegócio já faz com a produção de soja, por exemplo.  Propõe também "desfavelização" , eliminação de comunidades indígenas e quilombolas.

Flávio propõe "desenvolver o Norte" com "bioeconomia" e "soberania com profissionalismo". Promete "os povos indígenas e as comunidades quilombolas terão autonomia para decidir sobre as atividades produtivas em suas terras", mas simultaneamente propõe exploração de "terras raras" e "minerais críticos".

Lula alcançou "menor taxa de desmatamento da história da Amazônia". "Promovemos a recuperação e a restauração florestal. Retomamos o compromisso do Brasil com o Acordo de Paris, atualizando nossas metas de redução de emissões." Seu programa defende preservação real, não exploração disfarçada.

Desfavelização: limpeza social?

Renan propõe explicitamente "desfavelização" como capítulo de seu plano. "Acabar com a favela é precondição para que o Brasil deixe de ser um país dividido entre lei e ausência de lei, entre cidade e periferia, entre cidadão e morador sem documento." Isso é linguagem de "higiene social" , eliminação de populações consideradas indesejáveis.

Flávio não menciona "desfavelização" explicitamente, mas propõe "urbanização de áreas degradadas" e "lixão zero", eufemismos para eliminação de favelas.

Lula propõe "investimentos em infraestrutura urbana, habitação, saneamento básico" com foco em "inclusão" e "redução de desigualdades territoriais". Seu programa defende integração de favelas à cidade, não eliminação.

Síntese ambiental: Renan e Flávio propõem exploração e limpeza social. Lula propõe preservação e inclusão. Essa é a diferença entre fascismo e democracia substantiva.

V. POLÍTICA EXTERNA E SOBERANIA: ALINHAMENTO OU AUTONOMIA?

Soberania Nacional: conceito ou prática?

Renan propõe "soberania com profissionalismo, não com ideologia"., como se o seu posicionamento não fosse ideológico. Sua crítica é que Lula trocou "interesse nacional pela ideologia". Renan defende "pragmatismo", o que significa alinhamento com potências hegemônicas em troca de benefícios imediatos.

Flávio afirma que "soberania se exerce na prática, não no discurso" e critica a "diplomacia guiada pela ideologia". Propõe o mesmo "pragmatismo" e "ganho mútuo do comércio". Critica Lula por receber Nicolás Maduro e permitir "navios de guerra iranianos". Defende alinhamento com "parceiros tradicionais" , código para alinhamento e submissão aos mandos e desmandos dos Estados Unidos.

Lula defende "soberania nacional" como "princípio permanente e inegociável". "Faremos firme oposição a qualquer tentativa de subordinar o Brasil a interesses estrangeiros ou de reduzir nosso país a uma posição de dependência geopolítica." Seu programa busca "autonomia de decisão" e "capacidade de construir um projeto nacional de desenvolvimento".

Alianças estratégicas: independência ou vassalagem?

Renan critica Lula por "alinhamento ideológico" com Venezuela e Irã. Isso é código para dizer que Lula deveria se alinhar com Estados Unidos.

Flávio critica que "não trataremos como adversários os nossos parceiros mais importantes e tradicionais",  referindo-se a Estados Unidos, Argentina e Israel. Propõe "reverter o quadro com profissionalismo e foco no interesse nacional".

Lula propõe "protagonismo na arena global" e "reabertura do Brasil ao mundo, assegurando a soberania nacional". Seu programa defende relações multilaterais e cooperação, não vassalagem.

Síntese geopolítica: Renan e Flávio propõem alinhamento com Estados Unidos (disfarçado de "pragmatismo"). Lula propõe autonomia e soberania. Essa é a diferença entre dependência e independência nacional.

VI. DESENVOLVIMENTO TERRITORIAL: BIOECONOMIA OU DESENVOLVIMENTO INTEGRADO?

Nordeste: região de exploração ou desenvolvimento?

Renan propõe "Zonas Econômicas Especiais" no Nordeste. Essas zonas são áreas de exploração intensiva com regulação reduzida, típicas de modelos de dependência econômica. E a questão ambiental?

Flávio propõe "Trem do Nordeste", "Transnordestina" e "Baixio do Irecê", infraestrutura para escoamento de produção. Enfatiza "data centers", "energia limpa" e "terras raras". Isso é integração do Nordeste ao mercado global como fornecedor de commodities.

Lula propõe "redução de desigualdades territoriais" e "rede policêntrica de cidades que impulsione a integração nacional". Seu programa defende desenvolvimento integrado, não exploração regional.

VII. INSTITUIÇÕES POLÍTICAS: DEMOCRACIA OU TECNOCRACIA?

Judiciário: reforma ou concentração de poder?

Renan propõe "tribunais especializados com magistrados selecionados por critérios técnicos rigorosos e dotados de proteção especial". Isso é concentração de poder em uma elite de "especialistas", dando nome aos bois: fascismo tecnocrático.

Flávio propõe "reforma do judiciário" com "STF como corte constitucional". Defende "instituições fortes, cada Poder dentro de seus limites". Embora menos explícito que Renan, também propõe concentração em especialistas.

Lula propõe "fortalecimento da democracia real e efetiva" e "aprofundamento da democracia". Seu programa defende "políticas públicas orientadas pela inclusão, pela equidade, pela solidariedade".

VIII. O PADRÃO REVELADO: DUAS VISÕES ANTAGÔNICAS

Renan Santos e Flávio Bolsonaro: convergências estruturais

Segurança: Suspensão de direitos para populações classificadas como "inimigas"
Economia: Austeridade fiscal que reduz direitos sociais
Educação: Formação de elites, não educação universal
Ambiente: Exploração e limpeza social
Soberania: Alinhamento com potências hegemônicas
Instituições: Concentração de poder em tecnocracia especializada

Síntese: Ambos propõem fascismo tecnocrático, apenas com linguagens diferentes. Renan é explícito (Direito Penal do Inimigo). Flávio é velado (guerra ao crime). O resultado é idêntico: suspensão de direitos, concentração de poder, alinhamento com elites globais.

Lula: projeto alternativo

Segurança: Fortalecimento institucional dentro da democracia
Economia: Crescimento com inclusão e redução de desigualdades
Educação: Educação universal para todos
Ambiente: Preservação real e integração de populações
Soberania: Autonomia e independência nacional
Instituições: Fortalecimento da democracia substantiva

Síntese: Lula propõe desenvolvimento nacional com democracia, exatamente o oposto de Renan e Flávio. Seu programa defende redução de desigualdades, soberania e direitos.

IX. A ENGENHARIA POLÍTICA: POR QUE SUSPENDER RENAN?

Agora compreendemos por que a elite judicial suspendeu Renan e o liberou 48 horas depois. Não foi acidente. Foi engenharia política precisa.

Se Renan não tivesse sido suspenso, permaneceria como candidato desconhecido com variante entre 3 e 8% nas pesquisas. A suspensão o transformou em "vítima da elite judicial", em "resistente democrático", em "denunciante do Banco Master". Ganhou visibilidade, simpatia e legitimidade.

Resultado: Renan emergiu como "terceira via" outsider que fragmenta o voto contra Lula. Flávio permanece protegido (seu sigilo foi mantido). Lula é enfraquecido (atacado de todos os lados).

Em segundo turno, a fragmentação favorece Flávio. Ou, se Renan chegar ao segundo turno contra Flávio, a elite judicial apoia Flávio (que implementará versão similar de seu fascismo tecnocrático).

De qualquer forma, a elite judicial vence. Se Lula vencer, estará enfraquecido e cercado. Se Flávio ou Renan vencerem, implementam fascismo tecnocrático.

 A ESCOLHA REAL ESTÁ DIANTE DE NÓS

A análise comparativa completa dos três programas de governo revela uma verdade incômoda: não há "terceira via" democrática. Renan e Flávio propõem versões diferentes do mesmo fascismo tecnocrático, apenas com linguagens diferentes.

Renan é explícito: propõe Direito Penal do Inimigo, desfavelização, tribunais especializados. Flávio é velado: propõe "guerra ao crime", "urbanização de áreas degradadas", "reforma do judiciário". O resultado é idêntico: suspensão de direitos, concentração de poder, alinhamento com elites globais.

Lula, por sua vez, propõe algo fundamentalmente diferente: desenvolvimento nacional com democracia, redução de desigualdades, soberania e fortalecimento de direitos, mesmo com todas as limitações da estrutura burguesa-capitalista.

A suspensão de Renan não foi erro. Foi estratégia. Transformou um candidato desconhecido em "terceira via" que fragmenta o voto contra Lula. A elite econômica, e a sua representação judicial, não está apostando em um candidato específico, está apostando em um padrão institucional que qualquer um que vencer terá que aceitar: a supremacia da tecnocracia, da vontade judicial subordinadas aos interesses do grande capital sobre a nossa frágil democracia eleitoral. Vale lembrar que o próximo Presidente, em um suposto afastamento de Moraes, pode vir a indicar 5 ministros para o STF no próximo mandato. Vale também lembrar que Trump e sua corja nacional estão no encalço para invalidar qualquer processo eleitoral que contrarie os seus interesses.

A escolha real não é entre Lula, Renan e Flávio. É entre democracia (mesmo que burguesa) com direitos (Lula) ou fascismo tecnocrático (Renan e Flávio). Tudo o mais é engenharia política destinada a obscurecer essa escolha fundamental.

Que reconheçamos o padrão e recusemos sua legitimidade.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Quadro: Manifestación, de António Berni

 

BERNI, António. Manifestación (1934)

10

entre copos meio cheios de cuspe e cerveja,  
o balcão de zinco guarda o mapa  
daqueles que o mundo esqueceu de matar  
mas na arpillera, eles são um mar de cabeças erguidas,  
primeiros planos poderosos de uma greve que não cessa  

alguém pergunta ao garçom a hora do apocalipse,  
mas o rádio chia... 
não, é o orador fora da tela,  
bigodes e calvície avançada, bradando "abaixo a guerra!"  

(foi na Argentina
mas poderiam ser operários bradando 
"abaixo o genocídio  do povo palestino!"
em uma greve geral na Itália)

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Quadro: Manhã de Domingo, de Diego Rivera

 


9

o impossível
para um revolucionário
não passa de uma folha em branco
ainda sem o suor coletivo...

RIBEIRÃO PRETO LANÇA EDITAIS DE R$ 3 MILHÕES PARA A CULTURA COM VERBA DA LEI ALDIR BLANC




Secretaria Municipal abre inscrições para seis chamamentos públicos com recursos do governo federal; projetos podem ser inscritos até 29 de setembro.

A Prefeitura de Ribeirão Preto, por meio da Secretaria Municipal da Cultura e Turismo, publicou no Diário Oficial desta sexta-feira, 28 de agosto, a abertura de inscrições para seis editais de fomento cultural, que somam R$ 3.072.124,20 em recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

sábado, 29 de agosto de 2026

Ribeirão Preto debate genocídio palestino e conecta a luta global anti-imperialista

 

Mansur Peixoto, Fátima Suleiman e Thiago Ávila 
Fotos: @filipeaugustoperes


Evento reúne políticos e ativistas para debater imperialismo, movimentos sociais, tecnologia de vigilância testada em Gaza e resistência palestina

O Memorial da Classe Operária reuniu, na noite de sexta-feira (28), ativistas, lideranças comunitárias e representantes políticos em torno de um debate urgente: a situação palestina e suas conexões com as estruturas de exploração que marcam o Brasil e o mundo. O evento "Palestina: uma conversa necessária sobre o povo palestino e a limpeza étnica em curso", promovido pelo Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina, destacou como tecnologias bélicas testadas em Gaza são exportadas globalmente, enquanto sistemas de inteligência artificial e vigilância já operam em solo brasileiro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

UMA CONVERSA NECESSÁRIA SOBRE A PALESTINA




A luta do povo palestino precisa ser debatida, denunciada e conhecida. 

Por isso, convidamos você  de Ribeirão Preto e região para uma conversa sobre a realidade na Palestina, a Nakba contínua  e a resistência do povo palestino.

🇵🇸 PALESTINA: Uma conversa necessária com :

Thiago Ávila, 
Intercionalista,comunicador, socioambientalista, revolucionário, Candidato a Deputado Federal e  coordenador da Sumud Flotilla .

 Mansur Peixoto, 
Criador e apresentador do projeto História Islâmica.

Fátima Suleiman, ativista pró Palestina, educadora ambiental e presidente do Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina.

📅 28/08 (sexta-feira)
🕖 19h
📍 Memorial da Classe Operária – UGT
Rua José Bonifácio, nº 59 – Centro
Ribeirão Preto – SP

✊🏽 A Nakba continua e a Palestina resiste!

Venha participar dessa importante atividade, fortalecer a solidariedade ao povo palestino e ampliar o debate sobre a luta por justiça e dignidade.

Convide, compareça e compartilhe! 🇵🇸
@thiagoavilabrasil 
@mansur.peixoto 
@comitepalestinarp

Após aprovar 'Banco de Substitutos', prefeitura admite não ter banca organizadora ou empresa especializada definidas para desenvolvimento de novos concursos públicos


Resposta ao pedido realizado pelo Blog O Calçadão


Investigação revela descontinuidade entre aprovação de lei de precarização e ausência de cronograma para contratações efetivas em Ribeirão Preto

Na noite de 10 de agosto, a Câmara Municipal de Ribeirão Preto votou e aprovou, em segundo turno, o Projeto de Lei Complementar nº 26/2026 com placar de 18 votos favoráveis contra apenas 4 contrários. O projeto institucionaliza o "Banco de Professores Substitutos", um mecanismo permanente que autoriza a contratação temporária de até 5% do quadro efetivo de professores. Quatro dias depois, a Secretaria Municipal de Administração respondeu a um pedido de acesso à informação protocolado pelo Blog O Calçadão com uma resposta que expõe uma lacuna que inquieta os profissionais da educação: não há banca organizadora, cronograma, edital ou previsão de vagas para o próximo concurso público de professores efetivos. 

Quadro: A promessa de uma mudança, de Michael Armitage

 

ARMITAGE, Michael. The promisse of a change


8

no lixão a céu aberto 
vivem pessoas 
vivem e trabalham ao redor dos resíduos

entre colinas e árvores retorcidas
alucinógenas
a paisagem sinuosa
se funde à fumaça tóxica
à exploração
à expoliação capitalista

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Moradores da Lagoinha publicam demandas do bairro

 



Associação de Moradores Amoralagoinha publica Carta Aberta à Prefeitura e sociedade civil com demandas do bairro Lagoinha, zona leste de Ribeirão.

·         1. Praça da Paz – um dos pontos mais bonitos no passado hoje está muito mal-cuidada, sem bancos, sem aparelhos de ginástica ou pista para caminhadas (já teve), além disso têm pontos de esgoto e de água pluviais abertos que transbordam com as chuvas. As árvores e vegetação não têm poda regular dando o aspecto de abandono. As calçadas que a limitam estão obstruídas ou sem condições de passeio.

22    2. Antiga sede da PM no bairro – local abandonado servindo para moradia noturna de pessoas em situação de rua, drogados e desocupados, além da sujeira bem na entrada do bairro.

·         3. Falta de iluminação pública adequada nas ruas do bairro – a empresa Conecta iniciou a migração das lâmpadas para Led, no entanto, o resultado não melhorou a luminosidade, visto que os pontos de luz estão muito distantes um do outro, além de que, não o realizou em todas as ruas do bairro.

·         4. Melhorias na Sinalização de trânsito – muitos acidentes por falta de sinalização adequada, principalmente nos cruzamentos das ruas Antonio Fernandes Figueiroa e Mal. Mascarenhas de Morais.

·         5. Melhorias na limpeza e conservação do bairro – muito mato nas calçadas e guias.

·         6. Problemas recorrentes de vazamentos de água na rede que serve o bairro, bem como de esgoto em pontos da Rua Niterói.

·         7. Segurança dos moradores – furtos de fios e metais nas casas, principalmente as que estão em reforma por moradores de rua que perambulam pelas ruas nas madrugadas.

·         8. Bocas de lobo entupidas e tampas quebradas, motivadas pelo trânsito de caminhões pesados.

·         9. Problema de circulação viária na Rua Niterói em horários de pico para acesso aos condomínios – melhorar a sinalização de trânsito.

·         10. Abertura de ruas para melhorar o tráfego – Av. Leão XIII ao lado do supermercado Tonin, e Rua Walt Disney para interligação do bairro ao sistema viário.

·        11.  Grandes áreas públicas sem destinação ou exploradas sem benefício para a comunidade – galpões do DER.

·         12. Problemas de drenagem na época de chuvas – pontos conhecidos que exigem obras de drenagem para escoamento das águas.

·         13. Ausência de limitação para tráfego de caminhões pesados nas ruas do bairro, devendo limitarem-se à área industrial do bairro, inclusive para fins de estacionamento. Visto que além de prejudicarem as condições do asfalto degastado das ruas, danificam também os cabeamentos e fiação da rua por onde passam por terem altura maior.

·         14. Árvores com cupins sem acompanhamento adequado pela prefeitura, nos canteiros centrais de avenidas e nas praças do bairro.

·         15. Cobertura escolar municipal – falta uma escola e creche no bairro para atender a demanda dos moradores.

 

SOLUÇÕES QUE PRECISAMOS

 

·         Transformar a Praça da Paz e áreas verdes adscritas em parque municipal;

·         Organizar o trânsito nas vias principais com melhorias na sinalização, inclusive semafórica;

·         Melhorias na rede de distribuição de água no bairro, com a substituição dos encanamentos antigos por novos – rever a pressão da água bombeada;

·         Troca efetiva dos postes de luz pública com nova iluminação Led em todas as ruas do bairro;

·         Destinação das grandes áreas verdes em parques públicos (rua Walt Disney margeando o rio tanquinho);

·         Melhoria da segurança pública no bairro com uma base da GCM para ronda e apoio aos moradores;

·         Revisão de sentidos de ruas atualmente de mão dupla para mão simples de modo a ordenar melhor o trânsito no bairro;

·         Definição de áreas de estacionamento para os caminhões no quadrilátero do distrito industrial, com impedimento de circularem nas ruas da área habitacional;

·         Implantar uma escola fundamental ou creche municipal.


Associação de Moradores Aloralagoinha



Quadro: Surpreso!, de Henri Rousseau

 

ROUSSEAU, Henri. Surpreso! (1891)


7

O tigre capitalista não mora na floresta de Chiapas 
não mora no leste de Java
ele habita a mente dos corretores da bolsa 
ele habita as redações de economia:
olhos esbugalhados 
dentes arreganhados sobre folhagens 
o tigre impõe ao cobrador de ônibus 
a vida como reflexo de seu bote

e em propagandas libertárias
afirma que subirá o seu morro
para eliminar a narcocultura
e "criar bons hábitos"
pois os pobres "têm escolhas ruins"...

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Eleição 2026: não pode haver dúvida entre o voto crítico em Lula ou entregar o país ao autoritarismo


É preciso aumentar bancadas que defendam os interesses populares
Imagem gerada por IA

Em 2026, parte da esquerda brasileira afirma enfrentar uma encruzilhada: votar em Lula sabendo que ele não resolverá a contradição capitalista, que não fará reforma agrária radical, que não romperá com o neoliberalismo ou se recusar a votar e entregar o país ao autoritarismo. Se a primeira opção lhes parece insuficiente, combater a segunda é necessária.

Ribeirão Preto institui nova política de educação inclusiva e revoga norma de 2024

 



Decreto altera fluxo de atendimento a alunos com deficiência, TEA e altas habilidades; Diário Oficial não especifica investimentos ou cronograma de implementação

A Prefeitura de Ribeirão Preto publicou no Diário Oficial desta segunda-feira (24) o Decreto nº 164, de 18 de agosto de 2026, que institui a Política Municipal de Educação Especial Inclusiva. O texto, assinado pelo prefeito Ricardo Silva, revoga integralmente o Decreto nº 119, de 24 de maio de 2024, e estabelece novo fluxo de atendimento para estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista (TEA) e altas habilidades ou superdotação.

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Tattoo Fest Ribeirão une arte, música e cultura no Armazém Baixada

 

Evento reuniu centenas de pessoas
Fotos: @filipeaugustoperes


No domingo (23 de agosto), Ribeirão Preto recebeu um encontro de criatividade e expressão artística. O Tattoo Fest Ribeirão, realizado no Armazém Baixada, consolidou-se como um espaço onde tatuadores, piercers, músicos e artistas de graffiti convergiram para celebrar a cultura visual e sonora da cidade.

Quadros: Eco de um grito, de Siqueiros

 

David Alfaro Siqueiros. Eco de um griot. 1937

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a criança sentada no monte de ferros retorcidos 
não tem certidão de nascimento,
não tem carteira de estudante,
não tem o direito de existir na contabilidade do Estado

não passa de uma cabeça gigante de uma espécie de bronze
ou mercúrio
(eu não sei!)
brotando de outra cabeça maior
como um eco de laringe rasgada
que a burguesia cataloga 
enquanto ruído de fundo na linha de montagem

sábado, 22 de agosto de 2026

Quadro: A jangada da Medusa, de Théodóre Gericault

 

GERICAULT, Théorode. Le Radeau de la Méduse (1818-19)


5

as tábuas amarradas com cordas podres de Géricault
não flutuam apenas na costa
flutuam sobre o asfalto das metrópoles
entre os caixas automáticos e as filas do seguro-desemprego

no neoliberalismo
a madeira é o salário que encolhe a cada lua;
e a água salgada o medo do despejo que sobe pela cintura

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A armadilha digital: como idosos brasileiros e europeus caem na radicalização online

Idosos podem decidir a eleição de 2026?

Por Filipe Augusto Peres

Uma reportagem do The Guardian em abril de 2026 expôs um fenômeno que preocupa: famílias destruídas por parentes idosos radicalizados pela extrema direita. Na Europa, pessoas que votavam à esquerda durante décadas transformaram-se em adeptos de teorias da conspiração e retórica anti-imigrante. No Brasil, sinais parecidos começam a emergir, e a eleição de 2026 pode amplificar esse cenário.

Quadro: A reprodução proibida, de René Magritte

 

MAGRITTE, René. A reprodução proibida, (1937)

4

o homem de casaco escuro olha para o vidro
e o vidro se recusa a devolver seus olhos,
suas rugas de classe média decadente,
o suor frio de quem precisa parecer jovem para manter o soldo

o espelho de Magritte é um algoritmo leal:
só entrega nuca,
duplica o vazio,
repete a ordem unida do silêncio

a pátria dos generais aprendeu o truque do pintor belga
e se posta diante da tela,
aplica o filtro verde-oliva da moralidade
e jura que é bela, higiênica, sem fissuras

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Ribeirão Preto recebe R$‌ 1 milhão do governo federal para recuperação pós-vendaval

Decreto 


Governo Federal também destinou quase 5 milhões de reais pelo PAC destinados à mobilidade urbana

A Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto foi autorizada a abrir um crédito extraordinário de R$‌ 1.093.055,87 (um milhão, noventa e três mil reais) para atender ações emergenciais em saúde pública. Os recursos, repassados pelo Governo Federal através da Portaria nº 12.086, de 6 de agosto de 2026, destinam-se especificamente ao enfrentamento das consequências do vendaval que atingiu a cidade há pouco mais de um mês.

O decreto municipal nº 160, publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (20), formaliza a decisão e confirma que Ribeirão Preto ainda se encontra em Estado de Emergência Pública, conforme estabelecido pelo Decreto nº 143, de 24 de julho de 2026.

Quadros: Os pilares da sociedade, de George Grosz

 

Os pilares da sociedade (1926)
George Grosz

3

os cavalheiros de George Grosz continuam na mesa de mogno
o velho juiz com a cabeça serrada
deixando vazar fezes mornas e espadas enferrujadas sobre o linho,
ainda reza a missa da pátria devoradora de braços

... usava monóculo, terno escuro de lã grossa
e mandava cortar a carne dos filhos dos outros
com a gravidade de quem assina um decreto sanitário

mas a mesa de Weimar ganhou fibra óptica
o jornalista de Grosz, aquele com penico na cabeça
e um lápis 
já não imprime panfletos com cheiro de chumbo
ele terceirizou o ódio para a fábrica de memes

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Governo Tarcísio revogou abono de permanência de 5.454 servidores e atingiu 4.500 professores


Dados obtidos com exclusividade pelo Blog O Calçadão via Lei de Acesso à Informação revelam impacto médio de R$ 680 por servidor totalizando uma retirada de de R$ 1,15 milhão por mês da classe trabalhadora, mediante o retorno deste montante aos cofres públicos

Três programas de governo, duas visões antagônicas: a engenharia política de 2026

BRAUNS, Ennio. Greve do ABC. […] poderiam ser trabalhadores e trabalhadoras  nas grandes greves do ABC fotografados pelos históricos fotojo...