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domingo, 8 de março de 2026

A Ribeirão do futuro passa por 2026 - por Ricardo Jimenez


Nas primeiras décadas do século XXI, Ribeirão Preto tem demonstrado uma dependência crítica de financiamentos federais, os quais foram predominantemente alocados durante as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As obras anti-enchente providenciadas no segundo governo Lula, juntamente com os investimentos em mobilidade e corredores de ônibus impulsionados durante o governo Dilma, são marcos significativos nesse contexto. Esses recursos, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foram fundamentais para mitigar problemas históricos da cidade, como as enchentes, e melhorar o transporte público, dois aspectos essenciais para o desenvolvimento urbano.

Em contraste, as administrações que se sucederam a esses períodos deram sinais de inércia, preferindo focar na contenção de direitos da classe trabalhadora e na destinação de recursos para o capital financeiro, numa lógica de arrocho fiscal. Essa postura não apenas prejudicou a população de Ribeirão Preto, mas também estagnou a implementação de políticas públicas estruturantes que poderiam ter progredido a cidade em direção a um futuro mais sustentável e inclusivo.

O diagnóstico para os próximos 20 anos de Ribeirão Preto é claro: o crescimento e a revitalização urbana dependem de investimentos em infraestrutura e projetos estruturais. Entre as iniciativas prioritárias, devemos destacar a complementação das obras anti-enchente a montante do córrego Ribeirão, a construção da via leste-oeste, crucial para conectar, revitalizar e desenvolver bairros como Campos Elíseos e Ipiranga, e o prolongamento da Avenida Rio Pardo, que facilitará a mobilidade entre o Alto do Ipiranga e o Planalto Verde. Tais projetos são essenciais não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a promoção da inclusão social na região oeste da cidade.

Ademais, é imperativo considerar uma política robusta de parques municipais que transforme Ribeirão Preto em um exemplo de integração urbana e preservação ambiental, bem como a instalação completa do Instituto Federal na antiga Cianê, que potencializará a educação e a formação profissional da população local. A proposta de uma política integrada de mobilidade urbana com tarifa zero insere-se como um elemento inovador, promovendo o acesso igualitário e facilitando a circulação de pessoas na cidade. Isto sem falar na urgente e necessária polítca de regularização fundiária urbana atrelada à uma política de moradia social.

A eleição de 2026 não se limita a definir o futuro imediato da cidade, mas projeta-se como um referencial para o destino de Ribeirão Preto. A importância do governo federal, sob a liderança de Lula, revela-se vital, mas a atenção também deve voltar-se para o governo estadual, que tem se mostrado carente nas últimas gestões. As administrações de João Dória e Tarcísio de Freitas resultaram na desarticulação do planejamento estadual, culminando na extinção da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) e na transformação das regiões metropolitanas em estruturas sem função clara e efetiva.

É imperativo, portanto, ressuscitar o planejamento estadual, especialmente em áreas cruciais como o gerenciamento de resíduos sólidos e o fomento ao turismo, através do fomento aos consórcios interurbanos. Um governador com a visão e a capacidade de Fernando Haddad poderia fazer uma diferença substancial não apenas para o estado de São Paulo, mas, também, para Ribeirão Preto, ao reverter as tendências de retrocesso que marcaram as administrações recentes e propiciar um ambiente propício ao desenvolvimento integrado e sustentável da cidade.

Em síntese, o futuro de Ribeirão Preto está intrinsecamente ligado a uma série de escolhas políticas e estratégicas que envolvem tanto o nível federal quanto o estadual, e se apresenta como uma oportunidade para redefinir o caminho da cidade em direção à justiça social, ao desenvolvimento econômico robusto e à transformação urbana consciente e inclusiva.

Cabe a nós levar esta mensagem para a população de Ribeirão e conseguirmos o maior número de votos possíveis para o nosso projeto político, pensando na Ribeirão do futuro.


Ricardo Jimenez - Professor, Presidente da Abarcoeste e editor do Blog O Calçadão

sábado, 7 de março de 2026

Pela vida das mulheres: ato reúne movimentos sociais no centro de Ribeirão Preto

 

Ato contou com boa participação
Fotos: @filipeaugustoperes

Manifestação marcou as mobilizações do Dia Internacional da Mulher e reuniu organizações feministas, movimentos sociais e partidos políticos na Esquina Democrática

terça-feira, 3 de março de 2026

homem da cabana de fibra

 


1

o homem da cabana de fibra
 
vive na margem do mapa,
entre olhos secos pela luz de LED,
com as mãos desacostumadas à escrita
e o polegar que não larga feed
 
feed conservador, antifeminista,
rústico e esquivo
porque o algoritmo aprendeu a desconfiar
do vento que traz conversa que o contraria

sábado, 28 de fevereiro de 2026

Um ano de Ricardo Silva: a realidade política além do tik tok

 

Após uma acirrada batalha eleitoral, Ricardo Silva assumiu a Prefeitura de Ribeirão Preto, sendo promovido a gestor na esteira do medo da ascensão da extrema-direita, representada por seu adversário. Grande parte do campo progressista, consciente da gravidade dessa possibilidade, uniu forças para garantir sua vitória. Desde então, Ricardo adotou uma estratégia que parece ter saído diretamente das páginas de manuais de marketing político: uma presença forte e constante nas redes sociais, alinhando-se à tendência dos prefeitos “TikTok”.

No primeiro ano de gestão, essa tática surtiu efeito. Um período sempre marcado pela paciência e pela expectativa dos eleitores. A tática, combinada com o estilo de seu antecessor, Duarte Nogueira, que não convesava com niguém — e incapaz de dialogar com a população — criaram o cenário ideal para o novo prefeito. Ricardo pôde, assim, deslizar pela gestão, gravando vídeos e alegando que sua administração ainda estava executando o orçamento de Nogueira, um orçamento que, não por coincidência, priorizava investimentos em obras questionáveis em detrimento das áreas sociais.

Só para constar, além do orçamento antissocial, Nogueira também se despediu do cargo com empréstimos bancários a rodo, feitos para custear obras, um legado que Ricardo criticou e denunciou ao assumir. 

Passou-se o primeiro ano e a popularidade de Ricardo cresceu, impulsionada por promessas embaladas na frase "vamos tocar Ribeirão pra frente". O que parecia uma sinfonia de esperança, no entanto, tornou-se uma marcha solene ao entrarmos no segundo ano do governo.

A paciência do eleitor é finita e a crítica começa a aparecer. Ribeirão Preto começa a se dar conta de que os problemas estruturais, há muito tempo negligenciados, continuam presentes: a gestão de resíduos sólidos, o caos na saúde e no abastecimento de água, os problemas na educação, a falta de política de moradia popular, além das enchentes que enfrentamos ano após ano. As obras da 9 de Julho e o plano de mobilidade, que tiveram algum projeto, são testemunhas silenciosas de uma forma de administração que não dialoga com a cidade real, da população.

Internamente, a sustentação política de Ricardo se revela uma colcha de retalhos feita de interesses duvidosos. A mesma força política que dominou a Câmara sob Nogueira continua a governar, uma mistura de bolsonarismo de ocasião e um toma lá da cá que prioriza o apadrinhamento político em detrimento de soluções concretas dos problemas da cidade. O secretariado de Ricardo, recheado de figuras distantes da realidade vivida nos bairros, espelha essa falta de atenção às demandas reais da população.

É alarmante perceber que, apesar de Ricardo ter mudado a forma de comunicação, a essência de sua gestão permanece inalterada: uma incapacidade crônica de abordar e resolver os problemas estruturais que afligem Ribeirão. O diálogo, nesse contexto, parece estar restrito apenas ao grande capital e aos empreendimentos privados que são aprovados sem as contrapartidas sociais necessárias para as comunidades impactadas.

A nível externo, Ricardo se alia ao governo de Tarcísio de Freitas, mas essa conexão não traz à população de Ribeirão qualquer esperança em termos de soluções concretas para os desafios enfrentados. Enquanto o vereador mais influente da cidade, pertencente ao bolsonarismo local, se perpetua no poder, a tragédia se torna mais evidente.

Ricardo, apesar de seu otimismo nas redes sociais e de sua aparente proatividade, encontrará dificuldades para cumprir o conjunto enorme de promessas que colecionou no primeiro ano de governo. Do ponto de vista concreto, apesar da discrição do Prefeito ao anunciá-los, é do governo federal que estão vindo e poderão vir os recursos necessários. Recursos que deverão viabilizar a maior obra de mobilidade da cidade, ligando as regiões leste e oeste; recursos para resolver a questão do abastecimento de água e, se o governo federal seguir na mesma linha a partir de 2027, os recursos para  enfrentar as enchentes — com obras a montante do córrego Ribeirão.

Logo, ao nos aprofundarmos sob a superfície do TikTok, encontramos uma Ribeirão profundamente paralisada, imersa em uma política atrasada que não só se afasta da população, mas que também adota uma lógica privatista que empurra para longe as soluções estruturais. O que a cidade precisa, urgentemente, é de um governo que tenha a coragem e a visão de olhar além das redes sociais e realmente escutar as vozes reais de quem vive, conhece e se preocupa com uma Ribeirão mais próspera, menos desigual e mais moderna. 

O projeto que Ribeirão precisa está longe do tik tok, da atual política orçamentária e da atual maioria da Câmara de Vereadores. O projeto se encontra nos bairros, na escuta às forças vivas da cidade e num modelo de administração que valorize a coisa pública, o investimento público, a geração de renda e a democria participativa concreta.

Ricardo Jimenez - editor do Blog O Calçadão



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Manual de Sobrevivência para um Mundo Nuclear

Gaza destruída


1 


companheiros,

o relógio não está quebrado 

está armado


o tratado expirou

como quem apaga a luz do quarto

e diz:

“Durmam tranquilos”


mas não há sono

as ogivas bocejam

com dentes de urânio

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Servidores aprovam conjunto de reivindicações da Campanha Salarial 2026 em Assembleia Geral

A pauta foi amplamente discutida com os servidores
Imagem: Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis

Em Assembleia Geral realizada no início da noite desta segunda-feira (23), os trabalhadores municipais ligados ao SSM-RPGP presentes aprovaram a proposta de reposição salarial total de 14,50%. O índice é composto por 4,5% referentes à recomposição da inflação do período, calculada com base no IPCA, e 10% de aumento real, considerando o crescimento da arrecadação do município de Ribeirão Preto.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Movimentos feministas e partidos realizam ato na Esplanada do Theatro Pedro II em solidariedade às mulheres da Palestina e da América Latina

 

Ato em Ribeirão Preto
Foto: @filipeaugustoperes

Atividade organizada pelo Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina reuniu manifestantes para denunciar o genocídio perpetrado pelo Estado de Israel na Palestina e reafirmou a solidariedade internacional entre mulheres e povos da América Latina com o país invadido pelos sionistas

Vigília

 


acordo antes do sol

e a madrugada me soletra o nome

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Mais de 60% dos beneficiários de 2014 deixaram o Bolsa Família até 2025

 

Foto: Lyon Santos / MDS

Estudo da FGV com base em microdados do MDS aponta mobilidade intergeracional, maior inserção no mercado formal e reforço de mecanismos de transição para o trabalho. Pesquisa da FioCruz também revela impacto do BF sobre queda no número de suicídios no país

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Tatuapé transforma o Anhembi em roça e resistência ao homenagear o MST

Plantar para Colher e Alimentar: Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra
Fotos: @filipeaugustoperes


Escola, que levou à avenida desfile marcado pela apelo à reforma agrária, pela espiritualidade indígena, memória histórica como caminho de dignidade, ficou em 4º lugar e fará o desfile das campeãs 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

STF decide por campanhas sociais e impõe freio a tentativas de silenciamento articuladas pelo agronegócio




O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no último dia 11 que campanhas de mobilização social promovidas por entidades da sociedade civil, com base em direitos fundamentais, estão protegidas pela liberdade de expressão. A decisão, com repercussão geral (Tema 837), foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 662055 e deverá orientar todas as instâncias do Judiciário em casos semelhantes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

PT - 46 anos de uma construção política brasileira

 

Minha militância política vem desde 1999, mas minha trajetória no Partido dos Trabalhadores (PT) começou em 2015. Durante os anos que enxerguei o PT de fora, observava o partido como uma grande força de esquerda, com Lula como seu ícone central. Sabia da sua história, mas não tinha a exata noção do que era de fato o PT. No entanto, ao ingressar no PT, tive a oportunidade de compreender a complexidade e a riqueza desse partido. 

O PT é um espaço marcado pela diversidade, com uma intensa disputa interna e um forte enraizamento popular. Cada dia, a busca por ampliar o contato com a classe trabalhadora é uma prioridade. Dentro do partido, encontramos uma variedade de militantes, cada um lutando para que sua voz seja ouvida e suas demandas, atendidas. Com o passar do tempo, o PT tem se adaptado, com contradições e evoluções, mas sua essência permanece intacta, visível no cotidiano de suas atividades.

O partido representa uma experiência singular no Brasil, reunindo lideranças de diversas lutas — a operária, a comunitária, a campesina, além de grupos da base católica e intelectuais. Embora Lula seja a figura mais prominente do PT, é essa base diversa, viva e engajada que possibilitou sua ascensão política. Ao afirmar que seu sucessor será o PT, Lula reafirma a importância do partido para o futuro do Brasil.

O PT é um partido de esquerda popular e nacional, profundamente enraizado na classe trabalhadora e sempre em contato com ela. Sua capacidade de se misturar e dialogar com o povo brasileiro garante não apenas sua relevância, mas também sua necessidade no cenário político atual. Celebramos os 46 anos do PT e, mais importante, sonhamos e trabalhamos pelo seu futuro.

O futuro do Brasil dependerá do futuro do PT. Olhando para trás, vemos que foi o PT o responsável pela consolidação dos direitos da Constituição de 1988. Foi e é o anteparo que amortece o avanço violento do neoliberalismo sobre o povo trabalhador. Foi o partido que inovou na política, com o modo petista de governar, o orçamento participativo e as políticas públicas que levaram água, luz, alimento, moradia e dignidade para milhões que, antes do PT, estavam abandonados.

O PT precisa olhar para o futuro. Revisar seu programa político à luz da luta de classes e da geopolítica do século 21, mas jamais perder de foco a sua natureza popular, brasileira. 

Viva o PT.


Ricardo Jimenez - militante petista, editor do Blog O Calçadão, Professor

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Ribeirão Preto: oportunistas com câmeras culpam os servidorers enquanto a Prefeitura culpa o povo




Ribeirão Preto é uma cidade rica, um dos maiores PIBs do país, com uma brutal concentração de renda e uma pobreza absoluta em políticas públicas: falta  àgua, falta moradia social, o trânsito é violento e arcaico, o transporte coletivo é caro, ruim e ultrapassado, a saúde é precária, a educação é decadente, o gerenciamento de resíduos sólidos está no século passado, não há política ambiental e a assistência social carece de estrutura e modernização. 

Ribeirão Preto é uma rica cidade do interior de São Paulo parada no tempo em termos de políticas públicas.

Nestas condições, surgem duas categorias que são, ao mesmo tempo, vítimas das circunstâncias e alvos perfeitos: os servidores públicos e a população.

Servidores e população são vítimas das circunstâncias. Sem ecopontos e coleta seletiva, lixo e entulho se encontram em todas as regiões da cidade. Sem investimento adequado, o fornecimento de água falha em toda a cidade. Sem uma política de parques e praças nas periferias, não há alternativa para a juventude, aos idosos e às crianças. A saúde primária carece de estrutura e as equipes de saúde da família estão defasadas.

Esse é o cenário perfeito para o surgimento de duas figuras que tentam transformar os servidores e a população de vítimas das circunstâncias em vilões e culpados pelos problemas.

A primeira figura é o oportunistas com uma câmera na mão invadindo UPAs, unidades de saúde, escolas e demais repartições públicas coagindo servidores em nome de uma fiscalização fajuta que, na verdade, serve de ferramenta para engajamento nas redes sociais para fins eleitorais. Geralmente é um suplente de vereador ou alguém que deseja visibilidade para a próxima eleição. A técnica é conhecida. Usando o celular como arma, esticam o braço em direção ao rosto do servidor exigindo solução para um problema estrutural que deveria ser estudado pelo legislativo e resolvido pelo executivo. Mas é o servidor, que muitas vezes está sobrecarregado, que tem seu rosto exposto em rede social para o oportunista pousar de "fiscalizador". Pura enganação que, no fundo, só propaga a confusão política e não resolve nada.

A segunda figura é a própria Prefeitura e seus vereadores de plantão. Sem condições de dar respostas concretas às demandas da população, passam a culpar a população pelos problemas. Um parque abandonado há 15 anos onde os gradis foram furtados serve de acúmulo de lixo e entulho. A população denuncia, cobra solução. Sem poder resolver de fato o problema, a Prefeitura faz um vídeo de tik tok dizendo que está solucionando o problema enquanto secretários municipais que não sabem nem onde fica o parque saem por aí dizendo que o lixo e o entulho estão lá porque a "população não colabora".

Falta água nos bairros. A população cobra. A solução do problema passa por investimentos na rede. Mas a Prefeitura e o Saerp preferem culpar as pessoas, dizendo que estão lavando calçadas e consumindo água demais. Tem famílias em Ribeirão Preto cuja água não tem força para chegar nas torneiras e no chuveiro. Famílias que vivem armazenando água em galões e que tomam banho de canequinha há anos. Nunca receberam uma visita do poder público, mas também entram na lista dos "culpados".

A Prefeitura e os oportunistas com celular se completam, vivem da mentira e da espetacularização do fracasso para engajar nas redes.

E esta verdadeira carreta descontrolada segue em alta velocidade. Ribeirão nunca cresceu tanto. A Secretaria do Planejamento Urbano vive lotada de empresários e projetos de empreendimento imobiliário são aprovados aos montes. A cidade cresce e se expande. Mas quando se olha pelo ângulo so serviço público a visão é outra. A saúde, a educação, a segurança, a assistência social, o abastecimento de água, a coleta de lixo não se expandem na mesma velocidade, ao contrário, em vários locais ela encolhe.

Pecisamos repensar qual Ribeirão Preto queremos para o futuro, pois a cidade dos oportunistas e mentirosos não vai oferecer nunca um futuro digno para a população.

Ricardo Jimenez - Editor do Blog O Calçadão


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Fé, espetáculo e poder: quando o corpo caminha para esconder o projeto


Projeto de poder


O Brasil não vive uma explosão espontânea de fé. Vive a consolidação de um projeto de poder que aprendeu a usar símbolos religiosos, mobilização emocional e espetáculo público como ferramentas políticas. A chamada Caminhada de Nikolas Ferreira, assim como os megaeventos de mobilização juvenil evangélica descritos no discurso recente que circula nas redes, não são fatos isolados. São peças do mesmo tabuleiro.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Região oeste se organiza e cobra planejamento e presença do poder público municipal

 

SAERP faz reparos na rede

Nos últimos anos, enquanto a tendência da organização e da luta comunitária foi de diminuição, a região oeste de Ribeirão Preto deu exemplo de organização e mobilização comunitária. Por meio do Conseg Oeste, os bairros da região já realizavam uma série de lutas por melhorias e denúncias por abandonos nos bairros. Essa luta se fortaleceu com a ascensão de algumas importantes associações de moradores, com destaque para a AMOIVITA, a  tradicional Associação de Moradores da Vila Tibério, e a ainda mais recente ABARCOESTE (Associação de Bairros do Complexo da Região Oeste), um colegiado de representantes de mais de 30 bairros da região oeste. 

Esta organização tem feito barulho e dado resultados, principalmente na cobrança ao poder público. "Um dos principais problemas da região é o abastecimento de água. A união de forças das entidades representativas da região fez com que o poder público nos ouvisse. Cobramos a Prefeitura, o SAERP, fizemos reuniões. Queremos que venham investimentos em reservatórios, no sentido de resolvermos de vez este problema aqui na região oeste", dise Ricardo Jimenez, presidente da ABARCOESTE.

Na questão da segurança, o Conseg Oeste tem um trabalho de muitos anos com a política de vizinhança solidária. "Trabalhamos a política de vizinhaça solidária através de tutores que representam ruas e bairros há muitos anos e, recentemente, articulamos nossa atuação juntamente com a ABARCOESTE, no sentido de não só trabalhar pela segurança, mas também cobrando a zeladoria urbana", disse Maria Sílvia, presidente do Conseg Oeste.

A força da organização comunitária da região tem atraído inclusive o apoio de vereadores. Alguns mandatos, como o das vereadoras Perla Muller e Duda Hidalgo, têm participado de reuniões e realizado requerimentos a partir das demandas dos bairros.

No último mês de janeiro, foi a vez da Secretaria de Meio Ambiente dar explicações à comunidade local. Em uma reunião ocorrida no Sesi do Planalto Verde, organizada por representantes dos Vizinhos Unidos do Planalto Verde I, Associação de Moradores do Wilson Toni e Abarcoeste, a comunidade cobrou a Prefeitura pela demora nas obras do Parque Rubem Cione, cuja entrega da primeira etapa havia sido prometida pelo Prefeito Ricardo Silva para fevereiro mas que foi adiada para maio.

"Queremos que a Prefeitura reponha o gradil do parque, fiscalize para que não se atire mais entulho e lixo, e que garanta a segurança das pessoas que vivem ao redor do parque", afirmou Maria Lima, representante do Conseg Oeste e da Abarcoeste no Jd Paiva Arantes.

A região oeste, principalmente  a área mais alta, próxima ao anel viário, tem tido um crescimento urbano acelerado nos últimos 20 anos, com vários empreendimentos imobiliários sendo aprovados um atrás do outro pela Prefeitura. O problema, segundo os moradores, é que os investimentos públicos não são feitos na mesma velocidade. "Temos demandas nas áreas da saúde, educação, asistência social, segurança, meio ambiente, mobilidade e abastecimento de água. Queremos que a Prefitura ouça a região oeste antes de tomar decisões. O planejamento urbano precisa ser realizado com a participação comunitária", disse o prediente da Abarcoeste Ricardo Jimenez.

A próxima luta que entra na pauta das entidades representativas da região é a política de resíduos sólidos. A comunidade quer a efeitvação da coleta seletiva e a ampliação dos serviços dos ecopontos, principalmente o que chamam de "cata-trecos", ou seja, um caminhão que faça o transbordo do inservíveis até o ecoponto para as famílas que não podem pagar pelo serviço.


Reportagem Blog O Calçadão

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Comer entre os de Ipanema

 



Imagem da Pedra só Arpoador 
                                                                                    Foto: @filipeaugustoperes


comer entre as pessoas de Ipanema

caminhar e visualizá-las

andando em suas imponentes bicicletas  laranjas

do Itaú 

Fé, cultura e marcam celebração do Dia de Iemanjá no Arpoador, no Rio

 

Cortejo terminou com devotos entregando cestos de rosas a Iemanjá 
                                                   Foto: @filipeaugustoperes

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Sem votos nas periferias, não se ganha eleições em Ribeirão



Ribeirão Preto conta com aproximadamente 480 mil eleitores espalhados por toda a cidade. No entanto, dentro desse universo, há um grupo crucial para que qualquer candidatura alcance a vitória: os eleitores das periferias. Veja alguns exemplos: na região norte, encontramos bairros como Heitor Rigon, Ipiranga, Jandaia, Simioni, Quintinos, Aeroporto, Salgado Filho, Ribeirão Verde, Dutra, Marincek, Valentina, Maria Casagrande, Orestes Lopes, Cristo Redentor, Campos Elíseos, Tanquinho, Vila Mariana e Vila Elisa; na região oeste, estão Jd Paiva, Wilson Toni, Paulo Gomes Romeu, Monte Alegre, Vila Virgínia, Parque Ribeirão e Progresso; na região leste, temos Parque São Sebastião, Jd Juliana, Jd Helena, Servidores, Jd Zara e Vila Abranches; e, por fim, na região sul, o bairro João Rossi.

Esses bairros abrigam uma população trabalhadora cuja realidade difere significativamente da classe média de outras partes da cidade. As demandas, realidades e problemas enfrentados por esses eleitores precisam ser compreendidos e discutidos em profundidade, algo que muitas vezes falta aos candidatos que buscam competir em Ribeirão Preto, especialmente no campo progressista, que historicamente tem se concentrado em atrair o voto da classe média e debater projetos focados nesse perfil.

A ideia de "periferias como centralidade" implica a necessidade de um olhar atento para esse segmento da população, que representa indiscutivelmente 60% ou mais dos eleitores da cidade. É fundamental ter uma presença ativa nesses bairros, entender suas particularidades, dialogar com os moradores, participar de suas lutas e construir uma organização política que tenha legitimidade no território. Identificar os sonhos, desejos e demandas locais é essencial para elaborar projetos e propostas alinhadas a esse conhecimento. Sem essa conexão, a vitória eleitoral em Ribeirão se torna um objetivo distante.

Nos últimos 25 anos, o voto das periferias de Ribeirão Preto passou por transformações significativas. Em 2000, ele foi destinado à candidatura de Antônio Paolcci, que venceu no primeiro turno. A partir de 2004, o eleitorado das periferias passou a apoiar o projeto popular de Darcy Vera, que manteve essa base até 2015. Recentemente, partes importantes desse eleitorado foram conquistadas por Ricardo Silva, que se destacou com uma postura popular em um embate intenso contra a postura elitista de Nogueira, que, mesmo com sua tendência elitista, conseguiu atrair parte desse público em 2016 e 2020. Duas figuras à direita dominando o voto das periferias.

A esperança no campo progressista ressurgiu em 2022, quando Lula e Haddad obtiveram uma votação expressiva na cidade, seguida por uma performance igualmente positiva da chapa de esquerda do PT e PSOL que concorreu à Prefeitura em 2024, quase chegando ao segundo turno e elegendo três vereadoras. As eleições de 2026 podem representar uma nova oportunidade para uma forte votação em favor de Lula em Ribeirão. Se essa votação vier acompanhada de um trabalho de base sólido e consistente, capaz de reconstruir o diálogo com a classe trabalhadora local, teremos um motivo real para sonhar com os anos de 2028 e 2032.

A política demanda um esforço contínuo, pautado por métodos claros e objetivos. É possível, em Ribeirão, construir um projeto para reconquistar a Prefeitura pelo campo progressista, apoiando-se nas conquistas do governo Lula.

Vamos à ação: as periferias precisam ser a nossa prioridade e centralidade.

Ricardo Jimenez - Professor, Presidente da Abarcoeste (Associação de Moradores do Complexo Oeste) e editor do Blog O Calçadão

A Ribeirão do futuro passa por 2026 - por Ricardo Jimenez

Nas primeiras décadas do século XXI, Ribeirão Preto tem demonstrado uma dependência crítica de financiamentos federais, os quais foram predo...