Nas primeiras décadas do século XXI, Ribeirão Preto tem demonstrado uma dependência crítica de financiamentos federais, os quais foram predominantemente alocados durante as administrações de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As obras anti-enchente providenciadas no segundo governo Lula, juntamente com os investimentos em mobilidade e corredores de ônibus impulsionados durante o governo Dilma, são marcos significativos nesse contexto. Esses recursos, oriundos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), foram fundamentais para mitigar problemas históricos da cidade, como as enchentes, e melhorar o transporte público, dois aspectos essenciais para o desenvolvimento urbano.
Em contraste, as administrações que se sucederam a esses períodos deram sinais de inércia, preferindo focar na contenção de direitos da classe trabalhadora e na destinação de recursos para o capital financeiro, numa lógica de arrocho fiscal. Essa postura não apenas prejudicou a população de Ribeirão Preto, mas também estagnou a implementação de políticas públicas estruturantes que poderiam ter progredido a cidade em direção a um futuro mais sustentável e inclusivo.
O diagnóstico para os próximos 20 anos de Ribeirão Preto é claro: o crescimento e a revitalização urbana dependem de investimentos em infraestrutura e projetos estruturais. Entre as iniciativas prioritárias, devemos destacar a complementação das obras anti-enchente a montante do córrego Ribeirão, a construção da via leste-oeste, crucial para conectar, revitalizar e desenvolver bairros como Campos Elíseos e Ipiranga, e o prolongamento da Avenida Rio Pardo, que facilitará a mobilidade entre o Alto do Ipiranga e o Planalto Verde. Tais projetos são essenciais não apenas para o desenvolvimento econômico, mas também para a promoção da inclusão social na região oeste da cidade.
Ademais, é imperativo considerar uma política robusta de parques municipais que transforme Ribeirão Preto em um exemplo de integração urbana e preservação ambiental, bem como a instalação completa do Instituto Federal na antiga Cianê, que potencializará a educação e a formação profissional da população local. A proposta de uma política integrada de mobilidade urbana com tarifa zero insere-se como um elemento inovador, promovendo o acesso igualitário e facilitando a circulação de pessoas na cidade. Isto sem falar na urgente e necessária polítca de regularização fundiária urbana atrelada à uma política de moradia social.
A eleição de 2026 não se limita a definir o futuro imediato da cidade, mas projeta-se como um referencial para o destino de Ribeirão Preto. A importância do governo federal, sob a liderança de Lula, revela-se vital, mas a atenção também deve voltar-se para o governo estadual, que tem se mostrado carente nas últimas gestões. As administrações de João Dória e Tarcísio de Freitas resultaram na desarticulação do planejamento estadual, culminando na extinção da Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa) e na transformação das regiões metropolitanas em estruturas sem função clara e efetiva.
É imperativo, portanto, ressuscitar o planejamento estadual, especialmente em áreas cruciais como o gerenciamento de resíduos sólidos e o fomento ao turismo, através do fomento aos consórcios interurbanos. Um governador com a visão e a capacidade de Fernando Haddad poderia fazer uma diferença substancial não apenas para o estado de São Paulo, mas, também, para Ribeirão Preto, ao reverter as tendências de retrocesso que marcaram as administrações recentes e propiciar um ambiente propício ao desenvolvimento integrado e sustentável da cidade.
Em síntese, o futuro de Ribeirão Preto está intrinsecamente ligado a uma série de escolhas políticas e estratégicas que envolvem tanto o nível federal quanto o estadual, e se apresenta como uma oportunidade para redefinir o caminho da cidade em direção à justiça social, ao desenvolvimento econômico robusto e à transformação urbana consciente e inclusiva.
Cabe a nós levar esta mensagem para a população de Ribeirão e conseguirmos o maior número de votos possíveis para o nosso projeto político, pensando na Ribeirão do futuro.
Ricardo Jimenez - Professor, Presidente da Abarcoeste e editor do Blog O Calçadão






