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sábado, 4 de julho de 2026

Uma opinião sobre o fenômeno Lula da Silva - por Ricardo Jimenez

 

Lula é indiscutivelmente um dos fenômenos políticos mais intrigantes do Brasil nos últimos 40 anos. Sua trajetória é marcada por uma série de desafios e conquistas que o transformaram em uma figura agregadora e também polarizadora. 

Enquanto milhões de brasileiros e brasileiras vêem Lula como um líder político aliado aos interesses do povo, parte da elite financeira, alinhada ao neoliberalismo, vê Lula como um entrave a seus interesses, uma fração da esquerda, órfã de um ideal socialista claro, critica-o por sua suposta postura “conciliadora”. Essas duas visões, no entanto, escondem a complexidade de um fenômeno político brasileiro e fruto do nosso tempo.

Milhões apoiam Lula por conta dos enormes avanços sociais implementados por seus governos. O Brasil era um país da fome até 2002. Bancos universitários eram para poucos. Luz, água, casa própria eram sonhos. Sem falar no aumento real da renda, da geração de empregos, do acesso à saúde e muitas outras coisas valorizadas por milhoes mas enxergadas de maneira crítica pela elite neoliberal e por parte da esquerda.

A elite brasileira, composta por ruralistas, industriais e a poderosa mídia empresarial, tem combatido Lula desde seus primórdios na política. Seu sucesso como líder popular, conquistando continuamente a maioria dos votos em um país tão grande e diverso, desperta temor entre aqueles que preferem manter o status quo econômico e político. Para eles, Lula representa um perigo: a emergência de um líder que, embora não proponha a ruptura direta com o capitalismo, desafia seus pilares ao oferecer alternativas sociais que ameaçam os interesses da elite financeira.

Por outro lado, parte da esquerda critica Lula por não ter rompido com o modelo capitalista. Acusam-no de ser “aliado” da elite que o combate, falhando em implementar um projeto verdadeiramente anticapitalista. Essa crítica, no entanto, precisa ser reavaliada à luz da realidade histórica e política em que Lula se inseriu. Não se pode ignorar o colapso do socialismo do século 20 e a nova configuração do capitalismo global. O fato de que Lula tenha conseguido construir uma proposta que, embora classificada como “social-liberal”, busca atenuar as mazelas do neoliberalismo, é uma estratégia dos limites da realidade concreta em que a política se desenvolve.

Um aspecto fundamental na análise do fenômeno Lula é reconhecer que ele não é fruto de uma vontade individual, mas sim uma construção coletiva nascida do clamor popular. O Brasil, ao longo das últimas quatro décadas, viveu uma transição política e econômica que dificultou a emergência de alternativas radicais. O fenômeno Lula, em suas vitórias e derrotas, oportunizou a articulação de um projeto social que, mesmo não sendo revolucionário, propôs melhorias concretas para milhôes de brasileiros.

Analisando o cenário internacional, é evidente que, nos últimos 40 anos, com exceção da China, nenhum projeto de caráter anticapitalista chegou ao poder ou conquistou a maioria política em qualquer parte do mundo. O fenômeno Lula pode ser visto como um espelho desse contexto, onde seu projeto se destaca não apenas pela vitória eleitoral, mas pela habilidade de articular um partido enraizado nas massas, como o PT, que serve de canal para movimentos sociais e sindicais.

Lula, de maneira astuta, entendeu a lógica da hegemonia neoliberal e soube navegar dentro dela. Ele não pretendia ser um revolucionário, mas um líder que, com erros e acertos, se posicionou criticamente contra o neoliberalismo, atuando dentro das limitações impostas pela realidade sociopolítica brasileira. Suas conquistas sociais, como o Bolsa Família, são exemplos de como o Brasil pode avançar em inclusão social sem se colocar em oposição direta a seu modelo econômico predominante.

A crítica moral que parte da esquerda direciona a Lula acaba por se tornar uma armadilha que ofusca o entendimento das complexidades do cenário político. Seus desafios são imensos, mas qualquer análise deve levar em conta as derrotas históricas do socialismo e a necessidade de adaptação a um mundo onde a hegemonia do capitalismo é quase irreversível, pelo menos a curto prazo.

Cabe à esquerda que busca entender e interpretar essa realidade continuar o legado de Lula, não em um discurso de vitória absoluta, mas em um compromisso em corrigir os rumos e avançar com um projeto que adote a democracia participativa como pilar central. É essencial que a análise não ignore os erros do passado, mas busque, com clareza, legitimar a política aos olhos das massas. Esta tarefa implica a reconstrução e a inovação de um modelo que considere as demandas sociais e econômicas em contextos municipais e nacionais.

A viabilidade do projeto político deve, portanto, estar alinhada com um novo entendimento das forças produtivas nacionais, buscando incluir efetivamente grupos historicamente marginalizados. Lula, com sua trajetória, mostrou que é possível construir um discurso que se aproxime da realidade das pessoas, propondo um desenvolvimento com inclusão e participação social. Assim, o desafio que se impõe é a construção de um projeto democrático que não apenas resista às pressões do neoliberalismo, mas que também entenda as dinâmicas da geopolítica atual em favor do Brasil.

Concluindo, Lula é mais do que um símbolo político; ele representa a luta e os anseios de um povo que precisa ser ouvido. Sua trajetória, marcada por adversidades, se tornou um marco importante na luta por justiça social e inclusão. A esquerda que se disposição a construir a partir dessa realidade pode encontrar no legado de Lula a inspiração necessária para forjar um futuro mais justo e igualitário para todos.

O ciclo 2027-2030, que é potencialmente possível de ser homologado nas eleições de outubro, deve servir para esse objetivo: consolidar o projeto social de Lula e avançar em um projeto pós Lula que mantenha as conquistas e reorganize os caminhos para alcançar novos patamares, tendo a letitimação da política aos olhos das massas e a inclusão participativa das massas como premissas.


Ricardo Jimenez - Professor, editor do Blog O Calçadão e militante petista desde 2015

Jogos de terra

                                                                                                 (ou poema de duas formas)


Jogos de terra. Flor Garduño

1

entro
quando a água
já desaprendeu
a separar
céu e terra


não sei
se caminho
sobre a praia
ou sobre
uma lembrança
que ainda respira

quarta-feira, 1 de julho de 2026

terça-feira, 30 de junho de 2026

Relatório do IPM projeta lucro bilionário até 2050 e só aponta déficit em horizonte distante

 

Até 2050 não haverá déficit

Estudo atuarial encomendado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas indica que regime próprio de previdência de Ribeirão Preto terá saldo positivo de R$ 2,25 bilhões em 2026 e só acumulará possível prejuízo a partir de 2051; especialistas questionam projeção de longo prazo como instrumento de pressão para mudanças nas regras previdenciárias

Obra de R$ 4,7 milhões na Câmara está atrasada e construtora é notificada pela quarta vez



Contrato de reforma dos Plenários I e II, assinado em novembro de 2025, tem prazo de oito meses e enfrenta sucessivas cobranças de projetos e cronograma; novas notificações trazem risco de multa de até R$ 953 mil e rescisão contratual

segunda-feira, 29 de junho de 2026

PLC 18/2026: projeto reconfigura Conselhos Escolares e pode reduzir peso de decisão de professores e estudantes na rede municipal

 

PLC pode enfraquecer poder de professores e alunos

Proposta do Executivo, que será votada nesta segunda-feira (29), altera composição dos colegiados, elimina Fóruns Regionais e reduz reuniões do Fórum dos Conselhos para uma vez ao ano; dados mostram perda de peso de professores e estudantes

Vem novo decreto? Câmara derruba veto do Executivo e promulga Lei de Proteção Integral à Pessoa Idosa em Ribeirão Preto




Vereadores rejeitaram por unanimidade o veto total do prefeito ao Projeto de Lei nº 84/2026, que institui diretrizes para a articulação entre as políticas de saúde e assistência social voltadas à população idosa

sábado, 27 de junho de 2026

"Você é Sapatão": A Perseguição às Lésbicas Durante a Ditadura

Azulejaria Verde em Carne Viva, 2000
Adriana Varejão

A "Operação Sapatão" e o silêncio imposto: como o regime militar usou a lesbofobia como ferramenta de repressão

sexta-feira, 26 de junho de 2026

Poema municipal

 


Aloysio Nunes durante as eleições de 2013:
"Não vão ganhar
se ganharem, vamos contestar
se tomarem posse,
vamos derrubar".

Virou moda: Prefeito Ricardo Silva decreta não cumprimento de lei de apoio ao superendividado

 

D.O. de 25 de junho de 2026

Mesma estratégia usada contra a Biblioterapia se repete: após veto derrubado pela Câmara, Executivo edita decreto suspendendo execução e alegando inconstitucionalidade

"Cortaram minha carreira, destruíram minha vida": o expurgo dos homossexuais no Itamaraty

 


Homossexual, Cid Serra Negra subvertia a arte sacra durante a ditadura
Irmão Sol São Francisco de Asis


A Comissão de Investigação Sumária que cassou diplomatas por "prática de homossexualismo" durante a ditadura militar

quinta-feira, 25 de junho de 2026

Projeto da USP coloca a regularização fundiária urbana como centro do debate público em Ribeirão

 

Professores e alunos da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto em atividade de regularização fundiária na comunidade Nova Vila União – Foto: Fabio Melo Fotografia

Em uma cidade com mais de 40 mil pessoas vivendo em favelas ou agrupemantos de moradfia precária, a questão da regularização fundiária urbana se torna central. Pensando dessa forma, professores e estudantes da Faculdade de Direito da USP realizam mutirão para o levantamento do perfil socioeconômico dos moradores para subsidiar o pedido de regularização das moradias em área de domínio federal. É o projeto de extensão Berenices – Cidades nos Trilhos da Justiça Socioespacial: Regularização Fundiária como Motor de Transformação.


Ribeirão já tem aprovada na Câmara municipal toda a legislação pertinente à instalação de um grande projeto de regularização fundiária na cidade, buscando financiamento federal, estadual e até internacional. Falta interesse político para tal. O processo esbarra, principalmente, nos custos para o levantamento de informações e elaboração do projeto urbanístico, exatamente o que os mutirões da USP tentam transpor.

Os mutirões foram realizados nos dias 23 e 30 de maio, na Nova Vila União (Vila Albertina) e terão uma nova etapa no próximo dia 27 de junho, quando será concluída a coleta de dados e a entrega de documentos. A iniciativa é coordenada pelos professores Julia Azevedo Moretti e Caio Gracco Pinheiro Dias, da FDRP, e por Jeferson Cristiano Tavares, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAU) da USP de São Carlos. Também participam integrantes da Frente de Advogados pela Democracia (FAD), da União dos Movimentos de Moradia do Estado de São Paulo (UMM-SP) e representantes da associação de moradores da comunidade.

O nome Berenices é inspirado na obra Cidades Invisíveis, de Italo Calvino, que retrata um lugar marcado pela coexistência entre injustiça e resistência, opressão e esperança, inspirando a reflexão sobre a construção de cidades mais justas e inclusivas, segundo os coordenadores do projeto.

Projeto semelhante também foi realizado pelo Sindicato dos Arquitetos de São Paulo, através de um edital de financiamento, na Comunidade Nazaré Paulista, no Jardim Aeroporto. Na ocasião, o levantamento de dados e documentação local resultou em um projeto urbano de regularização encaminhado à Prefeitura, que até hoje não deu respostas sobre o que fará naquela comunidade.

Qualquer debate político que vise o futuro de Ribeirão Preto precisa passar pelo tema da regularização fundiária urbana impreterivelmente.

Ricardo Jimenez - editor do Blog O Calçadão

Homofobia como arma de Estado


Menino da Praia (1980), PENTEADO, Darcy. 

A homofobia como arma do Estado: como a ditadura militar perseguiu, torturou e censurou a população LGBT

EDITORIAL MÊS DO ORGULHO GAY: A verdade que a ditadura tentou apagar

 


Em um período em que o mundo celebra a diversidade e reafirma a luta por direitos, o Relatório da Comissão Nacional da Verdade, Volume II: Textos Temáticos (2014) expõe uma ferida histórica que ainda clama por reparação: a perseguição sistemática a gays, lésbicas, travestis e transexuais durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985).

Conflito com a Câmara Municipal? Prefeito decreta não cumprimento da Lei da Biblioterapia

 

Leia o decreto ao final da matéria

Decreto nº 124 determina que o Executivo não executará a Lei nº 15.257/2026, aprovada pela Câmara após rejeição de veto

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Governo Tarcísio revoga abonos de permanência de servidores

 


Instrução normativa publicada no Diário Oficial determina a revogação de benefícios concedidos com base em liminar cassada pelo TJ-SP, gerando incertezas sobre o impacto financeiro para milhares de servidores e para os cofres públicos

Fundação CASA registra evolução de 78% na aprendizagem de adolescentes, mas PL 1473/2025 preocupa conselheiros

Texto na íntegra está logo após a matéria

Projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados pode ampliar tempo máximo de internação para 10 anos; dados mostram avanços na alfabetização de jovens em conflito com a lei

Uma opinião sobre o fenômeno Lula da Silva - por Ricardo Jimenez

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