Perguntaram-me se estou cansado.
claro que estou
com a voz rouca
de quem sente
mas meu cansaço não é covardia,
nem desistência
apenas
a prova de que luto
A situação não representa, necessariamente, julgamento definitivo das contas, mas um alerta para que o gestor possa corrigir eventuais desvios antes da apreciação final pelo Tribunal
Será possível que 56 milhões de brasileiros escolheram conscientemente trocar a rede de proteção social do Bolsa Família por um projeto político flertante com a milícia? Ao que parece, sim. Mas a resposta curta e simplista não dá conta da realidade. Definitivamente, o Brasil não abriga 56 milhões de apoiadores da criminalidade organizada, sonegadores convictos ou entusiastas de negociatas financeiras escusas.
Então, o que leva essa multidão a chancelar o herdeiro político do bolsonarismo — figura marcada pelo fantasma das "rachadinhas", pela lavanderia de capitais e pelas obscuras articulações com o sistema financeiro?
Responder a isso exige encarar o cenário macro do qual o Brasil é apenas um capítulo. Há cerca de uma década, o país absorveu a dinâmica global de crise do capitalismo tardio. É o velho capital em sobressalto gestando, mais uma vez, seu braço radical, xenófobo, autoritário e fundamentalista, maquiado por um "cristianismo" de encomenda. A novidade do século XXI é a simbiose perfeita entre essa extrema-direita e a arquitetura dos algoritmos das big techs.
O capital em crise encontrou o disfarce perfeito: apresentou-se como "antissistema" enquanto apontava o dedo para o campo progressista. O mesmo campo que, nas últimas três décadas, limitou-se a gerenciar um modelo econômico caduco — baleado nos anos 2000 e infartado em 2008. Ao assumir a gestão da ordem neoliberal, o campo progressita perdeu suas ferramentas históricas. Os sindicatos derreteram com a precarização do trabalho, os movimentos sociais perderam tração na era digital e os partidos abandonaram a transformação social. Social-democratas viraram neoliberais; socialistas viraram social-liberais.
O resultado é este: um neoliberalismo falido que concentra renda e espreme os espaços de sobrevivência. A disputa por esses espaços escassos transforma-se em ódio do vizinho contra o vizinho. De longe, em gabinetes nababescos ou paraísos fiscais, o algoritmo opera como uma varinha mágica, entregando na palma da mão do sujeito ressentido o alvo "certo" para a sua raiva. Não o sistema real, mas o bode expiatório fabricado: o idoso que precisa do benefício, as minorias, o próprio Estado e o campo democrático gestor da crise.
Os 56 milhões de votos do filho de Jair são heterogêneos. Reúnem os que odeiam por convicção, os manipulados pelo medo que chega pelo celular, os fieis orientados por pastores, os que abominam as políticas de inclusão e até mesmo beneficiários dessas próprias políticas, entorpecidos pela desinformação ou omitidos na apatia política (foram 33 milhões deles neste primeiro turno)
Assim se desenha o paradoxo trágico: o adversário navega na onda do algoritmo e colhe milhões de votos a despeito dos escândalos. Do outro lado, o governo Lula — que retirou o país do Mapa da Fome, popularizou o ensino superior e garantiu as reservas cambiais que salvaram o país da ruína — vê sua aprovação fustigada por ser associado às estruturas do próprio sistema. O governo atuou como eficiente "gestor da crise", mas quem gesta a rede e o ecossistema digital é a oposição.
Ainda há tempo de evitar o colapso? Sim. Mas não bastará gerenciar os danos. Será preciso encarar, desmascarar e enfrentar o verdadeiro sistema. Gerenciar bem o sistema em crise já não resolve. Lula tem a máquina na mão e também a caneta. E, junto a isso, talvez a ajuda complementar esteja na juventude que consegue se dar bem nas redes sociais apesar do algoritmo. Entreguem as redes nas mãos da juventude nesta reta final.
Ricardo Jimenez - editor do Blog O Calçadão
Se a eventual vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno poderia abrir a porta do alçapão que se encontra no fundo do poço, a eleição de Lula para um quarto mandato produziria outro cenário: não resolveria os problemas que estarão colocados diante do Brasil, mas preservaria importantes freios institucionais capazes de impedir que o novo Congresso Nacional transforme sua eventual maioria parlamentar em poder sem limites.
| Propostas completamente opostas |
Este ano, ainda ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) já havia autorizado R$ 1,09 bilhão para Ribeirão Preto. O objetivo foi financiar a qualificação viária do Corredor de Mobilidade Leste-Oeste
O Município de Ribeirão Preto firmou, em 15 de setembro de 2026, contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 250.000.000,00 (duzentos e cinquenta milhões de reais) destinado à execução de obras e serviços no âmbito do Programa Pró-Transporte. A informação consta do Extrato do Contrato de Financiamento nº 0647001-19, publicado no Diário Oficial do Município nº 12.489, de 25 de setembro de 2026 (página 8).
Mais de 30 organizações sociais entregam cartas de compromisso exigindo metas contra conflitos agrários, que somaram 1.593 casos em 2025; Articulação Nacional de Agroecologia propõe agenda para o próximo governo
Organizações da sociedade civil e movimentos sociais entregaram, no último dia 23, carta de compromisso a candidatas e candidatos às eleições deste ano exigindo o fim da violência no campo e a implementação de uma política de reforma agrária.
O documento, intitulado "Carta de Compromisso das Eleições de 2026: Pelo Fim da Violência no Campo", foi lançado pela Campanha Contra a Violência no Campo: em defesa dos povos do campo, das águas e das florestas, iniciativa criada em agosto de 2022 e que reúne mais de 30 organizações sociais e 70 entidades da sociedade civil. Paralelamente, a Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) divulgou sua Carta Política para as eleições, propondo uma agenda de transformação dos sistemas agroalimentares com base na agroecologia.
| Página do MP informando a ação civil contra o vereador Isaac Antunes (PL) |
Contra os vereadores do PL Isaac Dalcol Antunes e Anderson Senna, o MP atua por discriminação: em Ribeirão Preto, pede R$ 500 mil de indenização a Isaac, destinados ao Fundo Municipal da Criança e do Adolescente; em São José dos Campos, obteve a condenação de Anderson por falas contra a comunidade LGBTQIA+.
Dados de financiamento de campanha expõem conexão do autor, o deputado federal José Medeiros (PL/MT) com o agronegócio; e investigações apontam histórico passado de desmatamento, crimes ambientais e trabalho análogo à escravidão envolvendo algumas das principais famílias doadoras de suas campanhas ao legislativo.
| Levantamento estatístico de estudantes com deficiência (TEA, Baixa Visão, Física, etc.) matriculados nas redes CEI, EMFI e EMEF |
| Arquivo/ Foto: Filipe Augusto Peres |
Projeto de Lei 2.339/26 torna disciplina obrigatória em todas as escolas
O Projeto de Lei 2.339/26 torna obrigatória em todas as escolas a disciplina de Educação Alimentar e Nutricional na educação básica, que abrange educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A proposta prevê uma aula semanal, no mínimo, integrada ao projeto pedagógico das unidades. O texto está em análise na Câmara dos Deputados desde esta terça-feira (15).
Município integra sistema federal de avaliação de docentes; primeiros editais podem usar nova ferramenta já em 2027
Ribeirão Preto oficializou sua adesão à Prova Nacional Docente (PND), um sistema federal de avaliação de professores que promete padronizar e, segundo o governo, aumentar a transparência nos processos seletivos de docentes da rede municipal. A decisão foi publicada no Diário Oficial de 15 de setembro, através da Resolução SME nº 20.
| Dom Moacir durante celebração da missa Fotos: @filipeaugustoperes |
Manifestação na paróquia Nossa Senhora dos Anjos reúne movimentos sociais, pastorais e trabalhadores em protesto que reivindica justiça social, fim da escala 6x1 e proteção às mulheres
Na segundo-feira (7), Ribeirão Preto se transformou em espaço de resistência e esperança. Na Paróquia Nossa Senhora dos Anjos e Santa Edwiges, no bairro Heitor Rigon, a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas reuniu em torno de uma centena de pessoas em torno de demandas que tocam o cotidiano de milhões de brasileiros: moradia digna, fim da exploração trabalhista, defesa das mulheres e soberania nacional. O ato, que começou às 8h30 com acolhida e prosseguiu com missa presidida por Dom Moacir Silva às 10h, ecoou um grito que há 32 anos não cessa de denunciar as injustiças estruturais do país.
Perguntaram-me se estou cansado. claro que estou com a voz rouca de quem sente mas meu cansaço não é covardia, nem desistência apenas a p...