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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Movimentos feministas e partidos realizam ato na Esplanada do Theatro Pedro II em solidariedade às mulheres da Palestina e da América Latina

 

Ato em Ribeirão Preto
Foto: @filipeaugustoperes

Atividade organizada pelo Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina reuniu manifestantes para denunciar o genocídio perpetrado pelo Estado de Israel na Palestina e reafirmou a solidariedade internacional entre mulheres e povos da América Latina com o país invadido pelos sionistas


Foi realizado no sábado (21), às 9h30, na Esplanada do Theatro Pedro II, o ato em solidariedade às mulheres da Palestina e da América Latina. A mobilização reuniu movimentos sociais, coletivos feministas, organizações populares e partidos políticos em defesa da soberania, da liberdade e da solidariedade entre os povos.


Convocado pelo Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina junto aos partidos e organizações como Juntas, Movimento de Mulheres Olga Benario, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Partido dos Trabalhadores (PT), PSOL, PCB, PCBR, Unidade Popular (UP), Partido Verde (PV), Partido da Causa Operária (PCO), além de feministas e integrantes da sociedade civil, sob o tema “Pelas mulheres da Palestina e da América Latina”, o ato destacou a importância da articulação internacionalista e da unidade das lutas feministas frente às violações de direitos humanos e aos conflitos que atingem mulheres e populações civis.


Durante a atividade, a presidenta do Comitê  Permanente da Causa Humanitária Palestina, Fátima Suleiman, afirmou que a realidade vivida pelo povo palestino segue marcada pela violência e pela ausência de um cessar-fogo efetivo. Segundo Fátima , “já sabemos o que acontece na Palestina, que não houve cessar-fogo algum”, ressaltando que, mesmo sob a alegação de trégua, mais de 500 pessoas morreram.


Famílias inteiras estão sendo destruídas 


Em sua fala, Fátima denunciou o que classificou como um processo contínuo de extermínio da população civil, destacando que milhares de pessoas estariam sendo dizimadas “pela sede, pela fome, por tiros, por bombas muito potentes”  .


Suleiman também mencionou relatos de destruição de famílias inteiras e a dificuldade de reconhecimento dos corpos após bombardeios, descrevendo que, em muitos casos, restariam apenas “alguns resquícios de sangue”  .


Alternando indignação e apelo, a presidenta afirmou que “a falta de empatia das pessoas” diante desse cenário seria um dos maiores problemas enfrentados atualmente  . Para ela, a indiferença contribui para a normalização da violência. “Nada do que está acontecendo é normal”.


A presidenta também denunciou prisões arbitrárias na Cisjordânia e relatou casos de tortura e violência contra palestinos detidos, afirmando que muitos seriam devolvidos às famílias em condições degradantes  . Ao tratar da violência de gênero, conectou a situação na Palestina à realidade latino-americana, enfatizando que a violência contra mulheres é estrutural e atravessa fronteiras. “A mulher tem o direito de ficar, de sair, de vestir o que ela quiser”, afirmou  , defendendo o respeito à liberdade e à diversidade cultural.


Fátima também convocou os homens a se posicionarem ativamente contra a violência e em apoio às mulheres. Segundo ela, não basta a presença simbólica: é necessário compromisso concreto com a luta por direitos. “Nós precisamos de homens valentes, resistentes”, disse  .


Como forma de enfrentamento ao genocídio, a dirigente apontou o boicote a empresas que financiam o conflito como uma ferramenta política importante. “Uma das armas mais poderosas para combater esse genocídio na Palestina é o boicote”, afirmou  , incentivando a população a buscar alternativas de consumo e a se informar sobre as relações comerciais envolvidas.


Encerrando sua intervenção Suleiman reforçou a necessidade de união entre os povos. “A indiferença mata, porque a indiferença dói”, declarou  , conclamando os presentes a fortalecerem redes de solidariedade e a manterem viva a mobilização.


Logo após a fala de Fátima, Carla, muçulmana, também integrante do Comitê Permanente da Causa Humanitária Palestina, abordou a violência contra mulheres muçulmanas no Brasil, especialmente em razão do uso do hijab. Carla recordou um episódio recente ocorrido no sul do país, no qual duas mulheres foram atacadas por utilizarem o véu islâmico. Segundo Carla, elas foram “brutalmente atacadas por um homem covarde unicamente porque elas estavam usando um hijab”  .


O uso do Hijab não é obrigatório 


Carla explicou ao público que o hijab é uma identidade do Islã e que seu uso é um mandamento religioso, mas fez questão de enfatizar que não há imposição. “O uso do hijab é um mandamento na nossa religião, sendo que nós não somos obrigadas”, afirmou  , buscando esclarecer equívocos comuns sobre o tema.


E destacou ainda que a escolha pelo uso do véu não representa superioridade nem tentativa de impor padrões às demais mulheres. “Isso não significa que nós nos sentimos superiores às outras mulheres ou queremos obrigar as outras a usarem também”, disse  , lembrando que há, inclusive, muçulmanas que optam por não utilizá-lo.


Em tom didático, Carla ressaltou que o Brasil é um Estado laico e que a liberdade religiosa deve ser respeitada por todos. Segundo ela, o país garante o direito de cada pessoa professar sua fé, seja ela qual for  . Dirigindo-se aos presentes, afirmou: “Quem tem dúvida, não entende sobre o assunto, nós estamos aqui para ajudar vocês a entender”  .


A integrante do Comitê também repudiou qualquer forma de agressão contra mulheres em razão de sua vestimenta ou crença, classificando como “incabível, inadmissível” que alguém tente arrancar o hijab de uma mulher ou a agrida por causa dele  . Para Carla, a luta contra o preconceito religioso deve caminhar junto com a mobilização contra o genocídio denunciado no ato.


Ao encerrar sua fala, Carla reforçou que o Islã é uma religião de paz e que o uso do hijab é uma escolha consciente. “O Islã é paz, é amor”, afirmou  , acrescentando que ninguém a obriga a utilizar o véu: “Eu uso porque eu gosto, eu me sinto feliz”  .


Em várias falas de representantes do Juntas, da vereadora de Ribeirão Preto pelo Partido dos Trabalhadores Duda Hidalgo, do PCO, do Movimento de Mulheres Olga Benario, do PSOL e das demais organizações presentes destacou-se que a luta em defesa das mulheres da Palestina não pode ser dissociada do enfrentamento ao imperialismo, ao fascismo e ao avanço da extrema-direita no Brasil e no mundo.


Socialismo ou barbárie não é uma abstração 

Representando o Movimento Esquerda Socialista (MES), Annie Hsiou afirmou que o cenário internacional expressa o que definiu como uma fase de “barbárie”, retomando a formulação de Rosa Luxemburgo. Para Hsiou, “socialismo ou barbárie” deixou de ser uma abstração e tornou-se realidade concreta diante do genocídio em Gaza  . Em sua análise, a ausência de intervenção das grandes potências revelaria o peso do imperialismo, que, segundo suas palavras, “tem um enclave lá, e o nome desse enclave se chama Israel”  . Ela articulou ainda a luta palestina às crises no Sudão, no Congo e ao avanço das big techs e do capital internacional sobre países periféricos, defendendo que “se as mulheres do mundo não forem emancipadas, a barbárie vai vencer”  .


Já um representante do PCO enfatizou a necessidade de vigilância e organização diante das agressões contra mulheres que utilizam símbolos palestinos ou o hijab. Segundo ele, pessoas que saem às ruas com esses símbolos “correm o risco de ser agredidas pelos fascistas”  . Em tom de alerta, afirmou que “a defesa dessas mulheres cabe a nós todos”   e criticou o que considerou insuficiente mobilização de setores da esquerda diante do agravamento do cenário político.


Integrantes do Movimento de Mulheres Olga Benario destacaram que, em contextos de guerra e crise, mulheres e crianças são as primeiras vítimas. Uma das falas ressaltou que “quando eu mato mulheres, eu mato o futuro”  , relacionando o genocídio palestino a outras situações de bloqueio e crise humanitária, como em Cuba. Segundo a representante, sempre que há conflitos, “são nossos direitos que são afetados”  , reforçando que a luta feminista é necessariamente anti-imperialista.


A vereadora Duda Hidalgo (PT) conectou o debate internacional ao contexto brasileiro, denunciando decisões judiciais e discursos políticos que, segundo ela, naturalizam a violência contra meninas e mulheres. Ao mencionar recente decisão judicial em Minas Gerais, afirmou que se tratava de uma tentativa de “legalizar o estupro de vulnerável”  . Em sua intervenção, associou o avanço de discursos conservadores à mesma direita que “leva para os plenários a bandeira de Israel”   e que, segundo ela, ignora o genocídio enquanto difunde ideias responsáveis pelo aumento do feminicídio.


A decisão judicial em MG tenta legalizar o estupro de menores

Representantes do Juntas e do PSOL também reforçaram os números do massacre, apontando que “são 20 mil crianças” e “13 mil mulheres” mortas no conflito  , além de mais de um milhão de crianças sem acesso à educação. Questionaram como é possível que, diante de dados dessa magnitude, haja indiferença social. “Como pode alguém olhar para dados como esse e não sentir um pingo de empatia?”  , indagou uma das participantes.


As falas convergiram na denúncia da naturalização da violência , seja no massacre do povo palestino, seja no aumento dos casos de feminicídio no Brasil, e na defesa da solidariedade internacionalista. Para as organizações, a mobilização não se limita a um território. Como foi destacado, “a nossa solidariedade tem que romper fronteiras”.


Ao final das intervenções, ficou evidente a compreensão compartilhada de que a luta em defesa das mulheres palestinas, brasileiras e latino-americanas integra um mesmo horizonte político: o combate ao imperialismo, ao fascismo, ao racismo, ao colonialismo e à violência de gênero e reafirmou-se que a resistência nas ruas e nas redes deve continuar, conectando as pautas locais às lutas globais por emancipação e justiça social ativa nas ruas e nas redes, que a luta do povo palestino está intrinsicamente ligada à defesa dos direitos das mulheres e das populações oprimidas na América Latina, reafirmando o compromisso de manter a mobilização ativa nas ruas e nas redes.


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