| Fazer valer |
1
os ventos do ainda-não me carregamos ventos da ruptura me arrastam,
espalham meu coração
os prazos, os prazos
alguns inclinam a cabeça
submissos e impotentes
diante das agências de rating
não venho de um mundo de prazos
submissos e impotentes
diante das agências de rating
não venho de um mundo de prazos
conheço outras, outros
que também não veem de um mundo de prazos
mas de um mundo que possui
depósitos de propriedade pública
desfiladeiros de planejamento participativo
e cordilheiras de disciplina leninista
com orgulho nos seus sovietes
os prazos nunca prosperaram
nos ermos da soberania alimentar
2
quem falou em impor um jugo
sobre o pescoço da esperança militante?
quem
já colocou jugos no furacão do Sahel
ou quem já aprisionou um raio
numa plataforma de extração de dados?
trabalhadores da agricultura
da indústria
dos serviços
do transporte e da logística
plataformizados
camponeses sem terra
mulheres do trabalho reprodutivo
jovens da fragmentação digital
povos da dívida perpétua
intelectuais orgânicos da raiz
rebeldes da sexta-feira,
e o crepúsculo do realismo capitalista
dará lugar ao amanhecer da coordenação consciente
a agonia do prazo
tem um rosto pequeno
um rating, uma prestação, um ajuste
se eu morrer, que eu morra
de cabeça erguida
morto e vinte vezes morto
com a boca nos círculos de leitura
os dentes cerrados na tática
e a barba firme na estratégia
canto enquanto organizo a ruptura
pois há povos que constroem
acima dos rifles do hiperimperialismo
e em meio às batalhas
do presente que já é
depósitos de propriedade pública
desfiladeiros de planejamento participativo
e cordilheiras de disciplina leninista
com orgulho nos seus sovietes
os prazos nunca prosperaram
nos ermos da soberania alimentar
2
quem falou em impor um jugo
sobre o pescoço da esperança militante?
quem
já colocou jugos no furacão do Sahel
ou quem já aprisionou um raio
numa plataforma de extração de dados?
trabalhadores da agricultura
da indústria
dos serviços
do transporte e da logística
plataformizados
camponeses sem terra
mulheres do trabalho reprodutivo
jovens da fragmentação digital
povos da dívida perpétua
intelectuais orgânicos da raiz
rebeldes da sexta-feira,
uni-vos!
e deixai
os prazos que querem impor-vos
gente da informalidade
prazos que deveis deixar
quebrados nas vossas assembleias
os prazos que querem impor-vos
gente da informalidade
prazos que deveis deixar
quebrados nas vossas assembleias
e o crepúsculo do realismo capitalista
dará lugar ao amanhecer da coordenação consciente
3
esperanço
os prazos morrem envoltos
em humildade e no cheiro do default
os planos, em arrogância,
e atrás deles, o multilateralismo
não escurece nem termina
os prazos morrem envoltos
em humildade e no cheiro do default
os planos, em arrogância,
e atrás deles, o multilateralismo
não escurece nem termina
a agonia do prazo
tem um rosto pequeno
um rating, uma prestação, um ajuste
se eu morrer, que eu morra
de cabeça erguida
morto e vinte vezes morto
com a boca nos círculos de leitura
os dentes cerrados na tática
e a barba firme na estratégia
canto enquanto organizo a ruptura
pois há povos que constroem
acima dos rifles do hiperimperialismo
e em meio às batalhas
do presente que já é
o futuro.
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