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sábado, 20 de novembro de 2021

Manifestação marca o Dia da Consciência Negra em Ribeirão Preto

Ato começou na Comunidade Nazaré Paulista e percorreu ruas da região exigindo o fim da violência contra a população negra e periférica e pedindo o Fora Bolsonaro.

por Ailson Cunha 
para o Blog O Calçadão, 20 de novembro de 2021.

Fotos: Ailson Cunha para o Blog O Calçadão

Hoje, Dia 20 de Novembro, Dia da Consciência Negra, manifestantes realizaram um protesto na periferia de Ribeirão Preto contra o presidente Jair Bolsonaro, pelo fim da violência contra a população negra e periférica, contra a fome que arrasa as famílias, por moradia digna, por saúde, educação e saneamento básico.

O Ato Nacional foi convocado pela Frente Fora Bolsonaro que reúne partidos políticos, movimentos sociais, movimentos sindicais e população em geral. Em Ribeirão Preto, o ato foi convocado pela Frente Democrática de Esquerda em conjunto com moradores de algumas comunidades da cidade. A concentração ocorreu a partir das 9h na Comunidade Nazaré Paulista.

O grupo saiu, por volta das 10h, em passeata pelas ruas da comunidade, passando por outras comunidades próximas, distribuindo panfletos e dialogando com as moradores e trabalhadores da região.

Diversas lideranças falaram junto ao carro de som para que o poder público olhe para as comunidades e populações periféricas exigindo seus direitos à saúde, educação, transporte público, saneamento básico e que não venham nas periferias somente de quatro em quatro anos pedir votos.

Para Juscilene Sena, líder comunitária e vice-presidenta da Casa da Mulher, é importante conscientizar a população sobre a defesa de moradias dignas, lembrando inclusive a campanha Despejo Zero Já, contra as desapropriações que ocorrem inclusive durante o período de pandemia desrespeitando uma decisão do STF.

Vídeo: Filipe Peres para o Blog O Calçadão

Bruna Silva, da Rede Emancipa, ressaltou a importância do ato na periferia como uma forma de resistência contra o genocídio da população negra e periférica.

Vídeo: Filipe Peres para o Blog O Calçadão

Neusa Paviato, da direção estadual do MST, lembrou que este ato é importante para denunciar as questões que envolvem as comunidades, em especial, o direito à terra e à moradia.

Vídeo: Filipe Peres para o Blog O Calçadão

O vereador Ramon Faustino, do coletivo Todas as Vozes, PSOL, lembrou que se trata de um dia de luta que se estende ao longo do mês contra uma série de violências que a população negra sofre diariamente.

Vídeo: Filipe Peres para o Blog O Calçadão

A covereadora Silvia Diogo, do Coletivo Popular Judeti Zilli, PT, lembrou que lutar pelo Fora Bolsonaro é uma luta por direitos da população negra.

Klicia, líder comunitária, lembrou que o ato é em prol das comunidades e pediu por urbanização e saneamento na comunidade. 

Mauro Inácio lembrou que a população negra está periferia e daí  a importância da realização deste ato hoje na Comunidade Nazaré Paulista.

Vídeo: Ricardo Jimenes para o Blog O Calçadão

A manifestação ocorreu de forma pacífica sem nenhum incidente. Em todo o trajeto contou com apoio dos moradores e terminou pouco depois das 11h.

Veja alguns registros do ato:

Fotos: Ailson Cunha para o Blog O Calçadão


















sexta-feira, 19 de novembro de 2021

Audiência de Conciliação garante volta às aulas presencias com capacidade máxima a escolas que realizaram adequações apontadas por infectologistas

Audiência foi realizada na manhã desta sexta-feira


Escolas municipais que comportam alunos dos berçários, maternais e etapas I e II (4 e 5 anos) continuarão a funcionar com a capacidade reduzida a 50%

Foi realizada nesta sexta-feira (19) a Audiência de conciliação na 4a Vara do Trabalho de Ribeirao Preto entre o Sindicato dos Servidores Municipais de Ribeirão Preto, Guatapará e Pradópolis e a Prefeitura de Ribeirão Preto para discutir a volta presencial dos alunos com 100% da capacidade. 

Parlamento Juvenil realiza evento em Comemoração ao Dia da Consciência Negra

O evento aberto ao público contou com uma mesa redonda e roda de samba ao final

Por Ailson Cunha
para o Blog O Calçadão, 19 de novembro de 2021
Mesa de debates: Marcelo Domingos, Maria Vitoria, Silvany Euclênio e Adria Maria. Fotos: Allan Ribeiro.

   O Parlamento Juvenil realizou nesta quarta, 17, um evento em comemoração ao Dia da Consciência Negra que ocorre neste sábado, dia 20.

  O Parlamento Juvenil é um projeto da Câmara Municipal de Ribeirão Preto destinados a estudantes do Ensino Médio e funciona de modo semelhante ao da Câmara Municipal, com mesa diretora, comissões e sessões ordinárias e extraordinárias onde são votados os projetos de leis, requerimentos, indicações que, quando aprovadas, são enviados como sugestões aos vereadores. O projeto conta com assessoria do mandato Coletivo Popular Judeti Zilli com a assessora Fabiana Barbosa.

    O evento em comemoração ao Dia da Consciência Negra foi proposto pela Comissão Juvenil de Questões Culturais e Matrizes Brasileiras presidida pela parlamentar Maria Vitória Santos Belarmino, estudante do Ensino Médio da Escola Estadual Sebastião Fernandes Palma. Para a parlamentar, a cultura é extremamente importante para o desenvolvimento das pessoas e que é preciso valorizar cultura do país com base em suas origens, indígenas, africanas e europeias.  

    A mesa de debates contou com a participação Silvany Euclenio, Marcelo Domingos, Adria Maria e da parlamentar Maria Vitoria.

    Silvany Euclenio, professora de história e proprietária do canal Pensar Africanamente, falou sobre o racismo enraizado na sociedade brasileira e buscou apontar caminhos para a formação de uma sociedade antirracista.

    Marcelo Domingos, enfermeiro e doutorando em Saúde Pública, falou a representatividade preta nas universidades trazendo à tona o preconceito existente sobre as cotas raciais, uma vez que outros tipos de cotas, por exemplo, as cotas para filhos de fazendeiros em cursos agropecuários nunca causou controvérsia (poderíamos acrescentar nessa lista as cotas para os filhos de militares que inclusive o atual presidente fez uso recentemente em Brasília).

    Adria Maria, professora e covereadora pelo mandato Coletivo Popular Judeti Zilli, falou sobre a representatividade preta na política com destaque para as mulheres ressaltando os casos de violência que essas parlamentares vêm sofrendo no exercício do mandato.

    O evento contou com a participação dos parlamentares juvenis e foi aberto ao público. Também estiveram presentes a vereadora Judeti Zilli, do Coletivo Popular, e a vereadora Duda Hidalgo

E quem diria... teve samba na Câmara

    Para encerrar o evento com chave de ouro e exaltar a cultura do povo preto rolou um samba de mesa com Dudu no cavaco, Rey no pandeiro, Joãozinho no reco-reco, Cris no tantan e Devair no banjo. Os músicos fazem parte de um projeto chamado "Samba de Vela" que acontece toda quarta feira e tem um repertório voltado para o samba raiz. 

    Ao som dos músicos, a casa do povo teve uma roda de samba com os participantes. Se quem samba na beira do mar é sereia quem samba na Câmara é o que?


quinta-feira, 18 de novembro de 2021

PARCERIA PARA INGLÊS VER

Prefeitura faz parceria sem custos com Editora Cambridge, mas depois compra R$ 3 milhões em livros da editora

Por Ailson Cunha,

para o Blog O Calçadão, 18 de novembro de 2021. 


            A Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto comemorou, no dia 25/10, um acordo com a Cambridge University Press. Em uma postagem nas redes sociais, chamou a parceria de histórica e informou que a partir de 2022 todos os estudantes da rede municipal, do 1º ao 9º ano do Ensino Fundamental terão aulas de inglês: as turmas do 1º ao 5º ano terão 3 aulas semanais e as turmas do 6º ao 9º ano terão 5 aulas. Além disso, a Prefeitura informou que os alunos terão acesso a conteúdos digitais e outros materiais.

Post compartilhado pela Prefeitura 

O Blog O Calçadão teve acesso ao Acordo de Cooperação firmado entre a Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e a Cambridge University Press. O acordo é assinado pelo Secretário da Educação, Felipe Elias Miguel, pelo professor e assessor pedagógico de língua inglesa, José Ricardo de Oliveira Cunha, e pelo Diretor da Editora no Brasil, João Sabino Madureira Neto.

O prefeito Duarte Nogueira durante assinaturas dos termos de cooperação e ciência sendo observado pelo Secretário Municipal de Educação, Felipe Miguel. Foto: redes sociais da prefeitura

O acordo, com vigência de 5 anos (de 2022 a 2026), tem como objeto a capacitação dos professores do Ensino Fundamental com a realização de (i) teste online de nivelamento linguístico (ii) curso online assíncrono para desenvolvimento e aprimoramento linguístico e (iii) capacitação síncrona dos materiais a serem adotados.

De acordo com a clausula sexta, a parceria não contempla a transferência de recursos financeiros, ou seja, a Prefeitura não iria pagar pelo ‘objeto’ da parceria. Contudo, conforme descrito no item (iii) referido anteriormente, a parceria prevê a adoção de material e esse tem custo para a prefeitura, precisamente R$ 3.492.647,69.

Licitação dos livros didáticos

Ao mesmo tempo em que fechava esse acordo, a Prefeitura concluía um Processo de Licitação para aquisição de livros didáticos de língua inglesa para o ano letivo de 2022, no valor estimado de R$ 3.492.647,69 (três milhões, quatrocentos e noventa e dois mil, seiscentos e quarenta e sete reais e sessenta e nove centavos).

O edital de licitação 338/2021, datado do dia 27 de setembro (não encontramos o aviso da licitação no D.O.) tinha como objeto aquisição de livros didáticos de língua inglesa para o ano letivo de 2022. Serão adquiridos 5 títulos diferentes e seus respectivos livros destinados aos professores. Mas os livros em questão não eram quaisquer livros, eram exclusivamente os livros da Cambridge University Press. Segue títulos e quantidades:

Livro

Aluno

Professor

Game Changer Level 1

Student's Book and Workbook with Digital Pack

3005

44

Game Changer Level 2

Student's Book and Workbook with Digital Pack

3044

45

Game Changer Level 3

Student's Book and Workbook with Digital Pack

2845

41

Game Changer Starter

Student's Book and Workbook with Digital Pack

Editora: Cambridge University Press

3148

45

American Guess What! 1A Combo with Online Resources.

Editora: Cambridge University Press

14742

273

Total parcial

26.784

448

Total

27.232

 O processo foi aberto no dia 14 de outubro e vencido por duas empresas:

1.   BECBOOKS SOLUCOES EDUCACIONAIS LTDACNPJ: 036.544.630/0001-74 = R$ 2.073.738,80

2.   JSLC COMERCIO DE LIVROS - EIRELI - CNPJ: 028.842.488/0001-13 = R$ 1.111.991,48

totalizando R$ 3.185.730,28 (três milhões cento e oitenta e cinco mil, setecentos e trinta reais e vinte e oito centavos) aos cofres públicos de da cidade. Como podemos ver, embora a parceira não contemple a transferência direta de recurso para Cambridge University Press, a editora emplacou nessa jogada a venda de mais de 27 mil livros só para o ano de 2022.

Para que o processo se concretizasse, a Prefeitura Municipal enviou no dia 19 de outubro, o Projeto de Lei 234/21 que autorizava “abertura de crédito especial no valor de R$ 48.732.000,00 (quarenta e oito milhões setecentos e trinta e dois mil reais), para atender a necessidade de adequação orçamentária, com o remanejamento entre naturezas de despesa nas dotações orçamentárias da Secretaria Municipal da Educação”. No Ofício 1002/21 CM, o executivo alegou como justificava do projeto, entre outras aquisições da Secretaria da Educação, tais como kits Multimídia, a compra de livros de inglês da Cambridge University Press. O projeto foi aprovado em 28 de outubro pela Câmara Municipal de Ribeirão Preto.

Embora a Prefeitura tenha realizado processo de licitação para a compra dos livros, ela não realizou nenhuma consulta ou processo sobre a escolha dos livros didáticos da Editora Cambridge, diferentemente do que ocorre no Plano Nacional do Livro Didático, PNLD.

Consultada, a Associação dos Coordenadores Pedagógicos de Ribeirão Preto, ACOPEDARP, comunicou por meio de nota que não houve participação de coordenadores em nenhuma fase do processo de escolha desses livros. A associação também informou que foi comunicada da capacitação que será oferecida pela parceria, mas que também não está colaborando com esse processo. (Veja nota completa no final).

O PNLD e o livro de inglês

O PNLD é um programa do governo Federal, vinculado ao Ministério da Educação, MEC, e que realiza a distribuição de livros didáticos para as escolas públicas de todo o país. A distribuição dos livros didáticos para cada escola é realizada mediante escolha prévia feita pelos professores de cada disciplina, geralmente realizada no ano anterior à distribuição.

A escolha realizada pelos professores, por sua vez, se baseia em uma lista prévia de obras aprovadas por uma equipe técnica especializada designada pelo próprio MEC com base em inúmeros critérios técnicos, pedagógicos e tipográficos, previamente estabelecidos por um edital público.

A última edição do PNLD para escolha de livros didáticos da língua inglesa foi realizada em 2016 (http://www.fnde.gov.br/pnld-2017/index.html). Naquela ocasião, a Universidade Federal da Bahia, UFBA, foi a instituição designada pelo MEC para avaliação de todas as obras, considerando as diretrizes gerais (Edital de convocação 02/2015 CGLPI) para assegurar um padrão de qualidade didático-pedagógico para as obras. São centenas de critérios avaliados desde critérios tipográficos até o respeito aos direitos humanos.

O PNLD ainda está em vigência e as escolas públicas ainda estão recebendo as reposições de livros didáticos inclusive os livros de língua inglesa. Uma fonte que não quis se identificar informou que esses livros não serão mais utilizados pela rede municipal.

O Outro Lado

Questionada pelo Blog O Calçadão, a SME reafirmou que se trata de uma parceria sem custos ao município e confirmou que não irá utilizar mais os livros do PNLD, mas que já adquiriu outros livros no valor de mais de R$ 3,7 milhões. A nota afirma ainda que o material teve o aval de especialistas de inglês da rede. (Veja nota completa abaixo).

Nota da Associação dos Coordenadores Pedagógicos de Ribeirão Preto

A ACOPEDARP comunica que os Coordenadores Pedagógicos da Rede Municipal de Ensino de Ribeirão Preto não fizeram parte do processo de escolha dos livros que serão adotados nas aulas de inglês do 1º ao 9º Ano do ensino fundamental, recentemente informadas na mídia como inseridas na grade curricular desse segmento.

A Secretaria Municipal de Educação não informou os Coordenadores Pedagógicos, por nenhum meio, como ocorreria o processo de escolha desse material - datas e critérios, apenas divulgou a seleção de livros da Cambridge University Press.

Com relação à capacitação dos professores de Língua Inglesa que assumirão essas aulas, somente foi comunicado aos Coordenadores Pedagógicos que os docentes participariam de formações promovidas pela Secretaria Municipal de Educação em parceria a Cambridge University Press, não havendo nenhuma participação, inclusão ou colaboração dos Coordenadores Pedagógicos nessa parceria entre SME e Cambridge University Press.

  Nota da Secretária Municipal de Educação

“A Secretaria Municipal da Educação informa que o acordo de cooperação com a editora da Universidade de Cambridge consiste na capacitação dos professores da rede, sem custo, tanto aqueles especialistas em língua inglesa, como professores regentes com formação acadêmica compatível.

Os livros do PNLD não serão usados por não serem compatíveis com a carga horária da implantação da Língua Inglesa para os anos iniciais do ensino fundamental e a ampliação da carga horária para os anos finais. Nesse sentido, foram licitados os materiais didáticos da própria editora, alinhados ao Quadro Comum Europeu de Referência para Línguas e a BNCC, usado por mais de 50 países e excelência no idioma. A aquisição do material didático foi realizada por meio de processo licitatório, e o valor investido é de R$ R$3.785.730,28.

A Pasta esclarece ainda que todo o material foi apresentado para os professores especialistas de inglês da rede, sendo muito bem-vindo.

Por fim, a Secretaria da Educação busca com essa ação, levar mais igualdade e oportunidade aos estudantes da rede municipal de Ribeirão Preto.”

 

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Professores estaduais receberão bônus este ano

 NOTÍCIA 


Deputada Estadual fez o anúncio em seu gabinete.

A deputada Maria Izabel Azevedo Noronha, a professora Bebel (PT/SP) anunciou nesta quarta-feira (17) que os professores estaduais receberão o bônus este ano.

terça-feira, 16 de novembro de 2021

O reajuste do piso salarial dos Agentes Comunitários de Saúde e Endemias é pra ontem - Por Alexandre Padilha

 


 

Não é possível cuidar da saúde da população brasileira sem auxílio dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e Agentes Combate a Endemias (ACE), e isso ficou ainda mais evidente na pandemia da Covid-19.

 

Esses profissionais fazem parte das equipes do programa Estratégia Saúde da Família das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e realizam rotineiramente visitas domiciliares para acompanhamento, monitoramento e conscientização de doenças.

 

Muitas pessoas que tiveram Covid-19 e infelizmente desenvolveram sequelas, são acompanhadas por esses profissionais. São eles os porta-vozes da garantia do direito à saúde universal e integral, diretrizes do SUS determinadas na Constituinte de 1988.

 

Representantes da Atenção Primária e Vigilância em Saúde, esses profissionais possuem a responsabilidade de fazer a diferença com a criação do vínculo das unidades de saúde com as famílias e comunidade, enfrentando desafios e cuidando do outro de maneira humanizada.

 

Apesar desse importante trabalho no SUS, infelizmente, assim como na destruição de outros direitos em saúde, vemos este trabalho sendo desmontado pelo atual governo. De acordo com IBGE, em 2019, apenas 38.4% dos domicílios receberam visita mensal dos ACS ou membros da equipe de Saúde da Família. Em 2013, esse valor era de 47.2%.

 

Tramitam no Congresso Nacional duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) - 14 e 22 - que tratam da aposentadoria especial e dos pisos salariais de ACS e ACE. Estamos na luta pela aprovação das PECs.

 

Nesta semana, aprovamos na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados uma uma emenda de minha autoria para o Orçamento de 2022. Ela permite a garantia de recursos para o reajuste do piso salarial para a categoria. Propomos R$ 5 bilhões a mais para todo o Brasil.

 

Esta aprovação na Comissão de Saúde foi o primeiro passo dessa importante conquista, agora a proposta é encaminhada para o relator do Orçamento e é muito importante que os parlamentares e sindicatos acompanhem a tramitação. Me comprometi com o Sindicato dos Agentes Comunitários do estado de São Paulo que farei marcação cerrada para aprovação desta medida.

 

 

 

 

*Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula, Ministro da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.

 

sábado, 13 de novembro de 2021

“Chicoto quem tem que ser chicotado”

 


 

Essa foi frase utilizada pelo prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB), para se referir aos servidores públicos quando há uma reclamação de algum cidadão. 

A expressão racista foi proferida na inauguração de um espaço em um shopping na zona sul da cidade, realizada nesta quinta-feira, 11 de novembro de 2021. Veja trecho do vídeo:



(O vídeo completo pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=yV6jZo_RTeg e a expressão racista está a partir do 45min20s.)

O chicoteamento é um instrumento de tortura e castigo que foi muito utilizado durante o período de escravidão no Brasil justamente para punir os negros escravizados que se recusavam a realizar alguma tarefa, que se rebelavam ou quando eram desobedientes.

Ao utilizar essa expressão, o senhor Duarte Nogueira, assim como os senhores de escravizados, se acha no direito de tratar uma pessoa como sua propriedade que deve servi-lo e, caso não seja servido adequadamente, pode utilizar de tortura e castigo.

Em pleno mês da Consciência Negra, a expressão utilizada pelo prefeito de Ribeirão Preto, cidade que há poucos anos retirou do seu calendário a data como feriado municipal, mostra que a luta antirracista ainda é longa.

O chicoteamento é instrumento de tortura e castigo, humilhante e degradante. Racismo não é piada. Chicoteamento não é brincadeira, e ainda hoje é utilizado. Relembre um caso:

https://emais.estadao.com.br/blogs/bruna-ribeiro/jovem-e-chicoteado-em-supermercado-e-a-violencia-historica-contra-criancas-e-jovens-negros/

O outro lado

O Blog tentou contato com o setor de Comunicação do gabinete do Prefeito, mas não conseguimos. Enviamos solicitação por email mas ainda não tivemos resposta. 

Por Ailson Cunha, para o Blog O Calçadão. 

Pfizer realiza pedido a Anvisa para incluir crianças em vacina contra Covid

 Notícia

Se aprovada, crianças de 5 a 11 anos poderão ser vacinadas.
Foto: Luiz Pessoa/SEI

A Pfizer pediu a Anvisa nesta sexta-feira (12) para incluir a faixa etária de 5 a 11 anos na indicação da sua vacina Comirnaty contra a Covid-19.

quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Filme Marighella tem sessão vista por assentados e acampados do MST e da UMM, em Ribeirão Preto

Cine Clube Cauim está exibindo o filme Marighella, de Wagner Moura.
Fotos: Ailson Vasconcelos da Cunha


Sessão do filme, que aconteceu no Cine Clube Cauim, o maior cinema de rua do interior paulista,  serviu para movimentar a militância do MST, da UMM e amigos em defesa das Reformas Urbana e Agrária

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Justiça marca audiência de reconciliação entre Prefeitura e Sindicato dos Servidores

Notícia
Justiça do Trabalho marcou reunião de conciliação para 19 de novembro


Prefeitura quer que a escola volte a ter 100% dos alunos frequentando presencialmente a escola. Falta pouco mais de 1 mês para o fim do ano letivo.


Por Filipe Augusto Peres

Nesta segunda-feira (8), o juiz do Trabalho João Baptista Cilli Filho, da 4ª Vara do Trabalho de Ribeirão Preto, deliberou, que a retomada das aulas presenciais com 100% dos alunos seja discutida em audiência de conciliação com o sindicato dos Servidores Municipais no próximo dia 19 de novembro. 

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

O Bolsa Família, reconhecido internacionalmente, foi construído por trabalhadores. Já o Auxílio Brasil é um presente de grego - Por Alexandre Padilha

 


Bolsa Família: programa de distribuição de renda reconhecido internacionalmente que foi construído por trabalhadores

 

Por Alexandre Padilha

 

Nos anos 2000, a cada mil crianças que nasciam em nosso país, 29 morriam antes de completar o seu primeiro ano de vida. Sonhos eram interrompidos, vidas perdidas, famílias destruídas e o futuro ceifado. Em 2015, ao invés de 29 crianças mortas a cada mil nascidos, o Brasil passou a registar 13 óbitos de crianças antes de um ano de idade,  uma redução de mais de 55%. 

Apesar de ainda não ser a taxa que sonhávamos, milhares de crianças tiveram a oportunidade de viver em nosso país. Para alcançar este objetivo, diversas iniciativas e medidas foram empregadas, como a garantia de energia elétrica para as populações, o aumento da cobertura do programa Estratégia Saúde da Família, mas, principalmente, um programa de transferência de renda integrado ao Sistema Único de Assistência Social (SUAS), o Bolsa Família.

Ele contribuiu de forma significativa  na construção de uma rede de proteção social no Brasil. Através dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), a rede educacional e as equipes do programa Estratégia Saúde da Família, provocaram mudanças agudas em nosso país. Segundo dados da Fundação Oswaldo Cruz, mais de 830 mil crianças tiveram suas vidas preservadas entre 2006 e 2015 em consequência do Bolsa Família.

Todos os dias, milhões de crianças e jovens  são  beneficiados com as ações do programa através das condicionalidades de garantia da vacinação adequada, das consultas de pré-natal, de crescimento, desenvolvimento e do acompanhamento de saúde.

O Bolsa Família é elogiado e premiado internacionalmente por ser um renomado programa de distribuição de renda que foi construído diariamente por milhares de trabalhadores das políticas públicas.

Por isso, política pública não é gerada a partir de arroubos ou vontades individuais de tiranos, como a que estamos presenciando. Política pública é uma complexa construção de governos, trabalhadores e sociedade, e não apenas um emaranhado de vontades que possuem como base interesses escusos.

O fim do Bolsa Família decretado a toque de caixa por Bolsonaro e sua vontade de acabar com legados reconhecidos, na verdade é uma fantasia para desconstruir as políticas de seguridade social e deixar o povo mais vulnerável.

O Auxílio Brasil é um verdadeiro presente de grego. O governo constrói uma proposta que desestrutura as políticas públicas, muda o que funciona, pois não consegue conviver com a sombra do obscurantismo que ele mesmo criou, com foco em ofertar mais recursos para um grupo menor de pessoas e construir algo que tem prazo final de validade, acreditando na reeleição de Bolsonaro. 

Nós, parlamentares da oposição, vamos lutar no Congresso Nacional pelo nosso povo e na manutenção do valor de R $600 de auxílio aos que mais precisam.

 

*Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula, Ministro da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

A luta popular está na resistência, no Brasil e no mundo

 

Mobilizações de massa no Chile pressionaram por uma nova Constituição

Talvez as manifestações ocorridas no Chile em 2019 sejam as mais importantes no campo da luta popular das últimas décadas. Realizadas 30 anos após a queda da ditadura de Pinochet, as mobilizações populares de massa apontavam a destruição social provocada pelo neoliberalismo como já não mais suportável. 

No Chile, ninguém mais se aposenta por conta da privatização da previdência, a educação pública superior inexiste, o custo de vida é elevado, os direitos sociais são diminutos e a desigualdade social é uma das maiores do continente.

Eis o caldeirão que explodiu e "surpreendeu" muita gente acostumada a acompanhar as notícias econômicas do Chile pela mídia empresarial brasileira e ter a falsa ideia de que ali se vivia o paraíso do neoliberalismo.

As manifestações pressionaram por uma nova Constituição a substituir a antiga, feita por Pinochet.

A Assembleia Nacional Constituinte chilena está em andamento desde meados deste ano. Mas caminha com dificuldade. Não no que diz respeito à adoção do um Estado plurinacional, mas no que diz respeito ao desmonte do modelo neoliberal adotado pela ditadura Pinochet em 1973 e vigente até hoje.

Desmontar o sistema neoliberal significa enfrentar um sistema que desregulamentou por completo as relações trabalhistas, retomando relações empregatícias anteriores à adoção da agenda de direitos de 1919, quando foi fundada o Organização Internacional do Trabalho (OIT). Hoje seres humanos trabalham 16 horas sem direitos. Um sistema que destruiu os direitos sociais adotados nos Estados de Bem-Estar Social dos anos 50 e 60, como o sistema de previdência pública, de seguridade social e de saúde pública universal. Um sistema que retirou a economia real do centro e colocou a financeirização no lugar, fazendo todo o sistema ser sustentado pelos orçamentos dos Estados Nacionais, através das dívidas públicas, ou através do desvio de dinheiro aos paraísos fiscais, retirando dos países os recursos necessários para financiar direitos sociais ou programas de desenvolvimento. Um sistema que destruiu o poder dos Estados nacionais em gerir suas próprias riquezas energéticas e minerais ou de operar programas nacionais de desenvolvimento com investimento do Estado.

Ser anti-neoliberal é enfrentar um sistema onde 2153 bilionários no mundo têm mais renda do que 4,6 bilhões de seres humanos, segundo dados da OXFAM. E a desigualdade e a concentração de renda não param de aumentar, atingindo duramente as mulheres (que são 75% dos subempregos), negros e idosos (que cada vez mais não podem contar com um sistema de aposentadoria).

As dificuldades para o avanço da constituinte chilena contra o sistema neoliberal não é só uma dificuldade chilena. O neoliberalismo, pensamento hegemônico dos últimos 40 anos, está entranhado não só na academia e na mídia, mas conseguiu adentrar o senso comum das populações. Palavras como "empreendedorismo" e "meritocracia" estão presentes inclusive em favelas mundo afora e Brasil adentro.

O mundo está em crise, Brasil junto, por conta do fracasso neoliberal. A extrema-direita proto-fascista se reergueu dos escombros do neoliberalismo. Mas as pessoas não conseguem enxergar isso e, então, a luta social, hoje intensa, se torna errática. Tanto é que vemos a extrema-direita, parceira do neoliberalismo, e de suas políticas excludentes, em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, crescer com uma narrativa "anti-sistema".

Enfrentar esse monstro instrumentalizado pelo sistema financeiro mundial e enraizado no seio da população trabalhadora não é simples. A resistência existe e está aí para todo mundo ver (o Chile é um exemplo de muitos no mundo). Mas sair da resistência para o avanço requer unidade política e programática, e isso está longe da realidade atual.

Entender como opera o atual sistema capitalista não é o problema. O Capital de Marx é uma obra viva como instrumento para isso, dentre outras. O problema é organizar o enfrentamento, em nível mundial e local. O que fazer? Essa famosa pergunta está na ordem do dia.

Há uma agenda anti-neoliberal hoje em construção no mundo? E no Brasil? Há um debate programático anti-neoliberal hoje em construção no mundo, envolvendo partidos políticos, sindicatos e movimentos sociais? E no Brasil?

No Brasil, a situação é similar ao resto do planeta. A resistência anti-neoliberal existe, mas é caótica e dispersa. PT e PSOL são dois partidos que se colocam nessa trincheira, mas sem uma clara unidade programática. As centrais sindicais também não têm unidade de programa nesse sentido. Nos movimentos sociais, o MST tem avançado no debate, mas também encontra dificuldades de diálogo com partidos e sindicatos. Outros dois partidos de tradição de centro-esquerda, PDT e PSB, têm mais neoliberalismo em suas fileiras do que resistência anti-neoliberal. A mídia empresarial é totalmente neoliberal e as mídias alternativas ainda não são capazes de fazer o contraponto à altura.

Ou seja, resistência anti-neoliberal há, mas difusa e muitas vezes caótica. O avanço anti-neoliberal ainda não existe de fato. Enquanto isso a extrema direita, proto-fascista, segue forte na Europa (França, Espanha, Alemanha, Itália etc) e na América latina: Brasil, Argentina, Chile, Colômbia.

E as dificuldades não só internacionais e nacionais. A dificuldade é local também. Aqui em Ribeirão Preto a resistência também existe. Temos após muito tempo uma frente de esquerda na Câmara Municipal. Temos uma frente de esquerda entre partidos, sindicatos e movimentos sociais tocando as agendas Fora Bolsonaro e outras. Mas falta um diálogo mais próximo, falta uma construção programática em nível local. Vejamos: a água está sendo privatizada com a extinção do DAERP e isso não conduziu a um movimento articulado, por exemplo. Qual o programa o campo popular irá apresentar em 2024 em Ribeirão? Esse programa será fruto das lutas reais existentes hoje na cidade?

Teremos um programa capaz de se colocar de frente para o debate com o programa Ribeirão 2030, construído pelo empresariado, por exemplo?

O futuro do mundo, e do nosso quintal, nessa quadra do século 21, está indefinido. O fracasso neoliberal é real. Suas consequências são dramáticas. A democracia liberal está em crise. Algo precisa ser colocado no lugar para dar aos povos uma perspectiva de dignidade, esperança e avanço nas condições de vida. Mas o como chegar lá ainda está na prancheta das organizações populares.

Seguimos na resistência.

Ricardo Rodrigues Jimenez - editor do Blog O Calçadão

Poema de arquivos queimados

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