Páginas

sexta-feira, 8 de agosto de 2025

Formação Estadual da Jornada de Alfabetização debate crise global e papel estratégico da educação popular

 

Gerson de Oliveira resgatou o papel histórico da exclusão educacional como ferramenta de dominação.
Fotos: @filipeaugustoperes

Durante atividade realizada no CEFOL, em Valinhos (SP), André Kaysel e Gerson de Oliveira apresentaram análise de conjuntura que relaciona a crise da ordem mundial com a importância da alfabetização como tática política dos movimentos populares


Na manhã desta sexta-feira (8), no primeiro dia da Formação Estadual da Jornada de Alfabetização de Jovens e Adultos nas Periferias, realizada no CEFOL, em Valinhos (SP), o professor da Unicamp André Kaysel e o dirigente estadual do MST Gerson de Oliveira apresentaram uma análise de conjuntura marcada pela crítica à crise global do capitalismo e pela defesa da educação popular como estratégia de transformação social.


Kaysel destacou que o Brasil vive um “tempo liminar”, conceito que expressa o colapso do horizonte de expectativas individuais e coletivas, fruto de um cenário internacional de transição hegemônica, erosão das democracias liberais e declínio da influência dos Estados Unidos. 


Para ele, a ascensão da China, a desestruturação das instituições multilaterais e o avanço da extrema-direita colocam em xeque a ordem construída no pós-guerra. 


“Hoje, o Brasil está no centro de uma disputa geopolítica, e precisamos disputar também o significado de nação e democracia”, afirmou.


André Kaysel destacou a disputa geopolítica atual

Já Gerson de Oliveira resgatou o papel histórico da exclusão educacional como ferramenta de dominação. Segundo o dirigente, o analfabetismo no Brasil é resultado direto da herança escravocrata e das políticas excludentes do pós-abolição. 


“A leitura do mundo precede a leitura da palavra”, citou, evocando Paulo Freire para defender a centralidade da alfabetização como instrumento de organização política e emancipação.


Tanto Gerson como André convergiram na avaliação de que a atual conjuntura impõe desafios estratégicos aos movimentos populares e destacaram o papel da Jornada de Alfabetização como uma tática que combina formação de base, fortalecimento de consciência política e enfrentamento ao projeto neoliberal e autoritário em curso.


Em torno de 80 pessoas do interior paulista, entre educadores, coordenadores e militantes comprometidos com a educação popular estão presentes na formação, a qual seguirá até domingo (10).

Nenhum comentário:

Câmara derruba veto e promulga lei que afasta servidores investigados por violência contra crianças

  Projeto de autoria da vereadora Duda Hidalgo (PT) foi aprovado após rejeição do veto do prefeito Ricardo Silva (PSD) por 12 votos; texto a...