Semanalmente o blog O Calçadão publica um resumo comentado das principais notícias que movimentaram a cidade de Ribeirão Preto.
1. A Agrishow e o nosso Prefeito: sabemos que Duarte Nogueira é totalmente defensor do agronegócio e, dentro do PSDB, sempre foi da ala mais próxima ao neoliberalismo. Não é surpresa, agora, que Nogueira tenha simpatias pelo atual governo federal, fruto da aliança entre o neoliberalismo e o obscurantismo de extrema direita, e um entusiasta da forma neoliberal truculenta de governo de seu correligionário Dória em São Paulo. Portanto, na Agrishow, Nogueira se sentiu em casa. A fala de Bolsonaro em defesa de milícias rurais para assassinar trabalhadores sem terra não o assustou. Os cortes draconianos no financiamento da agricultura familiar, que inclusive produz aqui em Ribeirão Preto, não o sensibilizou. A recessão com inflação ( a partir da alta do dólar) que pode impactar duramente as exportações não o preocupou. Animado, Nogueira foi à sua coluna semanal em um jornal local para festejar a Agrishow e defender, pasmem, a reforma da previdência do banqueiro Paulo Guedes, aquela que quer transferir a previdência pública brasileira para os bancos, fortalecendo o setor rentista e levando os trabalhadores brasileiros ao empobrecimento na velhice. Para ele, a reforma da previdência, assim como era a reforma trabalhista do governo Temer, que Nogueira apoiou, será a salvação nacional. Assim é o nosso Prefeito. Seguimos.
2. A Agrishow e a agricultura familiar: o atual governo federal cortou 30 bilhões do orçamento federal e, além da educação, outra área que teve cortes profundos e destruidores foi a agricultura familiar. O ano de 2019 será o de menor orçamento da história para esta área. É sempre bom lembrar que a agricultura familiar, feita em pequenas e médias propriedades rurais, produz a comida que de fato chega na mesa do brasileiro (arroz, feijão, milho, frango, frutas, legumes e verduras) e cada vez mais dentro de um ramo de agroecologia, ou seja, produção sem agrotóxico. Aqui em Ribeirão Preto, um exemplo, dentre outros, é o do Assentamento Mário Lago, do MST, na antiga Fazenda da Barra. Mas a agricultura familiar não entra na Agrishow, a feira do agronegócio. E. logicamente, não houve por parte do nosso Prefeito nenhuma palavra a esse respeito. É como se os cortes na agricultura familiar não fossem impactar a nossa cidade. A falta de projeto de cidade que há anos nos afeta e nos atrasa, também se reflete na falta de visão da necessária integração entre campo e cidade nas nossas franjas urbanas. A Agrishow desse ano foi, mais do que em anos passados, um teatro de tragicomédia.
3. Greve dos servidores: após 23 dias de paralisação e uma suspensão tática em 3 de maio, a greve do servidores públicos de Ribeirão Preto foi judicializada no TJ/SP. Antes e após a greve, a Prefeitura se manteve bloqueada para o debate, oferecendo reajuste zero argumentando que não poderia ultrapassar os limites da lei de responsabilidade fiscal para gastos com folha de pagamento. Segundo o Sindicato dos Servidores, segue o estado de greve. É fato que os orçamentos públicos estaduais e municipais estão enfraquecidos pela crise econômica e pelo congelamento de gastos por 20 anos aprovado no governo Temer, mas a falta de diálogo e a tentativa de desprestigiar os servidores diante da opinião pública é um fato desde o início do mandato de Duarte Nogueira. O debate de um projeto de cidade deve obrigatoriamente conter os servidores e o serviço público como fatores fundamentais. É através dos servidores e do serviço público que as políticas governamentais chegam até a população. Distorções precisam e devem ser corrigidas, mas a absoluta maioria dos servidores são trabalhadores pobres, moradores dos bairros populares e profundamente interessados em prestar bons serviços para a cidade. Em tempos de dificuldades, é preciso haver unidade e transparência, mas essa não é a lógica de quem governa a partir dos preceitos neoliberais, privatistas, como no caso de Nogueira.