Semanalmente o Blog O Calçadão publica um resumo comentado das principais notícias que agitaram Ribeirão Preto.
1. Pacto pela educação
O dia 30 de maio levou 1,8 milhão de pessoas às ruas do Brasil, dando continuidade à luta pela educação que colocou 2 milhões nas ruas no 15 de maio. Em Ribeirão Preto, 4 mil foram para a rua no 15M e 3 mil no 30M. O Brasil vai mostrando um fôlego importante para fazer da defesa da educação, seriamente ameaçada pelo atual governo, um centro de unidade democrática para a luta por direitos. É uma disputa por projeto de país, principalmente o país apontado nos preceitos constitucionais. Os cortes realizados pelo MEC ameaçam inviabilizar o funcionamento da rede federal de ensino. Muitos alunos que dependem da assistência estudantil para estudarem já ficarão sem a ajuda a partir de julho. Além disso, a unidade em torno da educação também faz o enfrentamento ao processo de perseguição ideológica que vem sendo estruturado pela ala obscurantista e macartista do atual governo, ala à qual pertence o atual ministro da educação. É também uma luta travada na educação municipal de Ribeirão Preto, em crise há anos por falta de investimento e valorização dos profissionais educadores.
2. O HC e o SUS como referências
Essa semana o Secretário de Saúde de São Paulo anunciou recursos de 3 milhões de reais para a contratação, através da Faepa, de 76 profissionais (incluindo médicos anestesistas) para recolocar em funcionamento 4 centros cirúrgicos que estavam parados por falta de recursos humanos. O HC atende 700 mil pessoas por ano vindas de Ribeirão Preto e mais 25 cidades da região (inclusive sul de Minas Gerais). É no HC, através do SUS, que são realizados tratamentos de alta especificidade (transplantes de fígado e medula) que atendem a todos, inclusive famílias ricas, que jamais poderiam pagar um transplante ou tratamento de leucemia, por exemplo, no setor privado. É nesse momento que precisamos defender a importância do SUS como um instrumento fundamental de atendimento à saúde pública. Defender o SUS é defender o seu financiamento. Nesse momento, cada eleitor deve cobrar dos políticos (Governador, Prefeito, deputados e vereadores) qual a posição deles com relação a uma das propostas a serem encaminhadas pelo governo Bolsonaro, através do banqueiro Paulo Guedes, de desvincular o financiamento do SUS dos mínimos constitucionais, acabando com a obrigação do poder público de investir um piso em saúde pública. E aí, vamos perguntar isso aos políticos?
3. De olho em 2020
A quantas andam as movimentações políticas com vistas às eleições municipais de 2020 em Ribeirão Preto? O andar da carruagem indica que haverá, de novo, um embate entre o grupo de Duarte Nogueira (PSDB) e o grupo próximo a Ricardo Silva, hoje divididos entre o PSB (atual partido de Ricardo) e o PDT (antigo partido de Ricardo). No meio disso está o poder econômico, que já anda se movimentando forte, inclusive patrocinando a campanha para a redução de vereadores (tema tratado abaixo). O projeto de ambos os grupos é muito parecido e não se distancia da agenda econômica neoliberal hoje predominante no país, com um toque mais liberal no PSDB e um toque mais social no PSB/PDT. Por fora dessa disputa, que se acirra inclusive dentro da Câmara de Vereadores, está o PSL, o partido do bolsonarismo, e a esquerda representada por PT, PSOL e PCdoB. Apesar da força do bolsonarismo em Ribeirão Preto, o PSL carece de organização e de projeto, se baseando na expectativa de que o ódio à política ainda os beneficie em 2020. Já a esquerda ainda se apresenta pouco coesa e também deficiente de projeto. O PCdoB se fragilizou muito após 2016 e o PT e o PSOL ainda buscam se organizar internamente em torno de suas estratégias e táticas eleitorais. Tudo leva a crer em uma repetição da disputa entre nogueirismo e ricardismo em 2020.