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domingo, 21 de julho de 2024

Qual o perfil do eleitorado em Ribeirão Preto?

Mais de 50% do eleitorado apto a votar em Ribeirão Preto são mulheres, possuem ensino médio completo e tem menos de 45 anos de idade.



O Tribunal Superior Eleitoral, TSE, divulgou no dia 19 de julho, as estatísticas do eleitorado apto a votar em todos os municípios do país. Em Ribeirão Preto, o número de eleitores aptos é 477.595, crescimento de 8,1% em relação a 2020 (441 mil eleitores), ano da última eleição municipal. São 35 mil eleitores a mais que em 2020. Esse é o maior crescimento percentual desde 2008. Veja tabela com dados das últimas eleições municipais:


Tabela 01: Eleitores aptos em Ribeirão Preto por eleição municipal desde 2000. 

Ano eleitoral

Quantitativo

Variação em relação à eleição municipal anterior

2024

477.595

8,09%

2020

441.845

1,49%

2016

435.369

3,80%

2012

419.435

7,91%

2008

388.690

8,15%

2004

359.391

11,07%

2000

323.564


Fonte: TSE, organização do autor.


Esses eleitores estão distribuídos em 4 zonas eleitorais (108, 265, 266 e 305) e em 131 locais de votação. O crescimento no eleitorado ocorreu em todas as Zonas Eleitorais do município, porém foi maior na Zona 305 (que pega parte da zona sul e leste da cidade) refletindo o crescimento populacional naquelas regiões.  Ainda assim, a Zona Eleitoral 265 continua sendo a maior de Ribeirão Preto, mas deve ser superada pela Zona 305 já no próximo pleito. 


Tabela 02: Eleitores aptos em Ribeirão Preto por Zona eleitoral em 2020 e 2024*. 

Zona 

Eleitores 2020

Eleitores 2024

Variação

108

105.412

111.156

5,4%

265

115.844

126.116

8,9%

266

109.175

114.708

5,1%

305

111.414

125.615

12,7%

Total

441.845

477.595

8,1%

Fonte: TSE, organização do autor.

* Em 2018, houve extinção de uma zona eleitoral (322ª) e remanejamento de seções eleitorais para as demais Zonas o que impossibilita comparação com eleições anteriores.

 

O maior local de votação da cidade continua sendo o Colégio Marista (108ª Zona) com 8.493 eleitores aptos a votar. Já o menor local é a E. E. jovem Felipe Gui Rocha  (305ª Zona) com 256 eleitores aptos a votar. Veja os 20 maiores locais de votação da cidade:

Tabela 03: Eleitores aptos em 2024 nos 20 maiores locais de votação em Ribeirão Preto.

Ordem

Zona

Local de Votação

Eleitores

1º

108

COLÉGIO MARISTA

8.493

2º

265

EE, PROFESSORA AMÉLIA DOS SANTOS MUSA

8.179

3º

305

CENTRO UNIVERSITÁRIO BARÃO DE MAUÁ

7.664

4º

266

EE, DOM ALBERTO JOSÉ GONÇALVES

7.509

5º

265

EMEFEM, PROFESSOR ALPHEU LUIZ GASPARINI

7.302

6º

265

EE, ALBERTO SANTOS DUMONT

7.180

7º

266

EE, PROF, DR, OSCAR DE MOURA LACERDA

6.848

8º

266

EE, PROF, DR, DOMINGOS JOÃO BAPTISTA SPINELLI

6.705

9º

266

EE, PROFA, JENNY DE TOLEDO PIZA SCHROEDER

6.623

10º

108

EE, PROF EUGÊNIA VILHENA DE MORAIS

6.369

11º

305

EE, PROF, CID DE OLIVEIRA LEITE

6.291

12º

305

INSTITUTO SANTA ÚRSULA 

6.244

13º

266

EMEF, GERALDA DE SOUZA ESPIN

5.963

14º

266

EE VEREADOR ORLANDO VITALIANO

5.937

15º

265

EE, PROFESSORA IRENE DIAS RIBEIRO

5.861

16º

108

E,E, OTONIEL MOTA

5.844

17º

266

EE, DEPUTADO ORLANDO JURCA

5.706

18º

108

EE, PROF, JOSÉ LIMA PEDREIRA DE FREITAS

5.696

19º

108

CEMEI, PROF, EDUARDO ROMUALDO DE SOUZA

5.695

20º

108

FATEC - RIBEIRÃO PRETO

5.626

Fonte: TSE, organização do autor.


O TSE também divulgou o perfil desse eleitorado no que se refere ao gênero, estado civil, faixa etária, grau de instrução. No que se refere ao gênero, em Ribeirão Preto, as mulheres são maioria do eleitorado, representando 54%. São quase 40 mil mulheres eleitoras a mais que homens eleitores.


Tabela 04: Eleitores aptos (2024) em Ribeirão Preto por gênero. 

Gênero

Eleitorado

Eleitorado (%)

Feminino

258.033

54,03%

Masculino

219.415

45,94%

Não informado

147

0,03%

Total

477.595

100,00%

Fonte: TSE, organização do autor.


No que se refere ao grau de instrução, o TSE subdivide em 8 categorias: Analfabeto, Lê e escreve, Ensino Fundamental Incompleto, Ensino Fundamental Completo, Ensino Médio Incompleto, Ensino Médio Completo, Ensino Superior Incompleto e Ensino Superior Completo. Para fins de divulgação e facilidade de leitura fizemos a junção da categoria ES Incompleto com a categoria EM Completo, subentendo que o eleitor com ES incompleto tem o EM completo. Da mesma forma juntamos a categoria EM incompleto com EF completo. Por fim, agrupamos em uma categoria outros, os eleitores com EF incompleto, analfabeto e aqueles que apenas leem e escrevem. Assim, em Ribeirão Preto, 36% do eleitorado possui o Ensino Médio Completo e 15,4% possui o Ensino Superior Completo. Por outro lado, aproximadamente 22% dos eleitores aptos a votar no município não possuem sequer o Ensino Fundamental Completo 


Tabela 05: Eleitores aptos (2024) em Ribeirão Preto por grau de instrução.

Escolaridade

Eleitorado

Eleitorado (%)

Outros (analfabeto, lê e escreve, EF incompleto)

104.447

21,9%

Ensino fundamental completo (+EM incompleto)

127.050

26,6%

Ensino médio completo (+ES incompleto)

172.601

36,1%

Superior completo

73.497

15,4%

Total

477.595

100,0%

Fonte: TSE, organização do autor.


Em relação à faixa etária, diferente de anos anteriores, o TSE divulgou o número de eleitores em 8 faixas de tamanhos diferentes o que dificulta a comparação entre as faixas. Pelos dados divulgados, a faixa com o maior número de eleitores é entre 45 e 59 anos (intervalo de 15 anos), diferente de outras faixas com intervalos de 10 anos. (Em anos anteriores, o TSE divulgava faixas de 5 anos o que permitia um agrupamento). Cabe ressaltar que a cidade tem 1.423 eleitores com 16 e 17 anos, idades em que o voto é facultativo. Além disso, são 58,4 mil eleitores acima de 70 anos de idade, faixa etária em que o voto também é facultativo.


Tabela 06: Eleitores aptos (2024) em Ribeirão Preto por faixa etária. 

Faixa etária

Eleitorado

Eleitorado (%)

16 e 17 anos

1.423

0,22%

18 a 20 anos

17.888

3,75%

21 a 24 anos

31.454

6,59%

25 a 34 anos

88.055

18,44%

35 a 44 anos

98.402

20,60%

45 a 59 anos

118.715

24,86%

60 a 69 anos

63.212

13,24%

70 a 79 anos

37.064

7,76%

Superior a 79 anos

21.382

4,48%

Total Geral

477.595

100,00%

Fonte: TSE, organização do autor.

O 1º turno da eleição ocorre em 5 de outubro e os eleitores irão votar para prefeito e vereador. Conhecer o perfil desse eleitor tanto na cidade é importante para que os candidatos possam realizar suas campanhas de maneira mais efetiva.




domingo, 14 de julho de 2024

Ruy Cabeleireiro, inesquecível líder comunitário do Complexo Aeroporto

 .


Ruy Cabeleireiro foi, sem dúvidas, uma das figuras mais marcantes na história da Vila Hípica e Complexo Aeroporto, em Ribeirão Preto. Sua atuação em prol das comunidades periféricas e dos jovens que ali viviam foi fundamental para a defesa dos interesses dessa região da cidade.

Com seu salão de cabeleireiro no centro da cidade, Ruy não se contentava em apenas cortar cabelos. Ele tinha o compromisso de ensinar a profissão para aqueles que sonhavam em seguir esse caminho. Nas comunidades, Ruy dava aulas gratuitas e ajudava na formação de centenas de profissionais cabeleireiros, principalmente jovens em situação de vulnerabilidade social. Além disso, cortou gratuitamente o cabelo de milhares de pessoas ao longo de sua vida.

Além do trabalho como educador, Ruy também teve uma atuação política na defesa dos direitos e melhorias para as condições de vida das pessoas da Vila Hípica e do Complexo Aeroporto. Como candidato a vereador, ele buscava levar as demandas das comunidades para os espaços políticos da cidade.



Sua partida deixou saudades, mas seu legado continua vivo nas memórias de todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer e conviver com Ruy Cabeleireiro. Sua liderança histórica na região é um exemplo a ser seguido por todas as pessoas que buscam transformar suas comunidades para melhor.

Sua viúva, Edna, e suas filhas têm todo o motivo para se orgulharem da história de Ruy. Seu compromisso em ajudar os outros, sua generosidade em ensinar e sua determinação em lutar por melhores condições de vida são valores que devem ser lembrados e perpetuados.

Hoje, a antiga casa e salão na Vila Hípica são um lugar de memória da atuação desse verdadeiro herói popular. Um local para relembrarmos as conquistas alcançadas graças ao trabalho incansável de Ruy Cabeleireiro.

É impossível não se emocionar ao pensar nas centenas de jovens periféricos que encontraram no aprendizado de uma profissão. Graças a Ruy, muitas famílias foram beneficiadas com o sustento proporcionado pelos novos cabeleireiros formados em sua escola.



Ruy Cabeleireiro deixou um legado inestimável tanto para as pessoas das comunidades em que atuou quanto para toda a sociedade ribeirãopretana. Sua dedicação exemplar é um exemplo inspirador para todos nós, mostrando-nos como é possível fazer a diferença onde quer que estejamos.

Que seu trabalho continue sendo lembrado e valorizado pelos anos vindouros. Que mais líderes comunitários sigam seus passos e promovam mudanças positivas nas vidas daqueles que mais precisam.

Ruy Cabeleireiro foi mais do que apenas um cabeleireiro ou político; ele foi uma força motriz na busca por justiça social e igualdade. E é assim que devemos honrar sua memória: lutando por um mundo mais justo, onde todos tenham acesso às mesmas oportunidades independentemente do local onde vivem.

Vamos em frente, campeão!




Texto de Ricardo Jimenez em homenagem ao Ruy Cabeleireiro. Periferias como Centralidade.


sábado, 13 de julho de 2024

Câmara dos Deputados analisa proposta que estabelece prisão em segunda instância

 

Não será um Carneiro na caixa

Proposta apresentada pelo ex-ministro da Saúde do Governo Bolsonaro, General Pazuello (PL-RJ), vai na contramão dos Direitos Humanos e da Constituição Brasileira

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Breno Altman: “ O regime colonial de Israel é mais violento, racista e brutal do que qualquer outro desde o final da Segunda Guerra”

 

Jornalista e fundador do site Opera Mundi conclamou os presentes a aderirem à luta Palestina.
Foto: Filipe Augusto Peres 


Lançando o seu mais novo livro "Contra o Sionismo: Retrato de uma Doutrina Colonial e Racista", durante o 8º Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais, no último dia 6 de julho, organizado pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, Breno o jornalista Breno Altman fez duras críticas ao estado sionista de Israel e convocou a militância a se engajar em um movimento permanente e organizado de solidariedade à Palestina. 


Em sua fala, Altman abordou as questões que envolvem o sionismo e o conflito israelo-palestino, a partir de uma perspectiva crítica.

De acordo com Altman, a posição das pessoas em relação à questão palestina serve como uma régua moral para diversos temas contemporâneos. Ele argumenta que a situação palestina não é complexa, mas sim bastante simples, e que a doutrina sionista é uma ideologia de supremacia étnica e colonial, a qual deve ser amplamente criticada e desmascarada.

Altman destacou que o Estado de Israel se legitima a partir de uma tragédia histórica, referindo-se ao Holocausto e à morte de seis milhões de judeus, o que, segundo ele, gera um receio global em enfrentar e criticar Israel por medo de ser rotulado como antissemita. No entanto, o autor enfatizou que o sionismo é uma corrente política e ideológica específica, que não deve ser confundida com a identidade judaica.

Ele explicou que o sionismo, o qual surgiu no final do século XIX, se baseia em dois pilares principais: a construção de um estado de supremacia étnica judaica e a escolha da Palestina como território para esse projeto, levando, inevitavelmente ao colonialismo. 

O jornalista argumentou que, para implementar um estado étnico judaico na Palestina, o sionismo recorreu à expulsão, limpeza étnica, segregação, submissão e, em última instância, ao genocídio.

O regime colonial de Israel é mais violento, racista e brutal do que qualquer outro desde o final da Segunda Guerra

Breno também afirmou que Mundial, superando até mesmo o apartheid na África do Sul. Ele defendeu que a luta do povo palestino deve ser apoiada de maneira irrestrita e incondicional, conforme garantido pelo direito internacional, incluindo a luta armada, como previsto na Resolução 3103 das Nações Unidas.

Encerrando sua apresentação, Altman fez um apelo para que a solidariedade com o povo palestino seja ampliada, aprofundada e intensificada. 


quarta-feira, 10 de julho de 2024

Ana Mielke: “A gente precisa desnaturalizar a hegemonia intelectual das big techs como únicas e exclusivas produtoras de conhecimento e tecnologia”

 

Ana Mielke questionou se cabe às big techs serem as determinadoras de nossa democracia.
Foto: Filipe Augusto Peres

Em fala realizada durante o 8º Blog Prog, jornalista do Intervozes destacou que desenvolver tecnologias públicas de IA é uma questão de soberania

segunda-feira, 8 de julho de 2024

8º Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais

 

Presentes votam a Carta de SP durante a plenária final do 8º BlogPro.
Foto: Filipe Augusto Peres


Blog O Calçadão esteve presente no 8º BlogProg organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé

quarta-feira, 3 de julho de 2024

Conselhão do Presidente Lula: ações de governo com foco em quem mais precisa - Por Alexandre Padilha



Lula é o presidente que mais governou escutando as pessoas, e, assim,

implementando políticas públicas capazes de reduzir desigualdades e de

mudar a vida dos menos favorecidos. Agora, em seu terceiro mandato,

não seria diferente.

Nessa semana, algumas demandas cruciais da sociedade civil foram

atendidas pelo governo federal, durante uma sessão histórica do Conselho

de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, que é o

espaço escolhido pelo presidente Lula – já em seu primeiro mandato –

para dialogar com a sociedade, ouvir representantes dos mais diversos

setores e, a partir daí, formular políticas públicas que terão impacto

profundo na vida das pessoas. Especialmente para aquelas que,

infelizmente, ainda vivem em situação de pobreza, após os quatro anos de

obscurantismo do governo passado.

Durante reunião plenária do Conselhão, o governo assinou três decretos

que criam políticas públicas cruciais para a nossa população e para a

sustentabilidade do nosso país. O primeiro é o que cria a Política da

Primeira Infância estabelecendo uma coordenação interministerial no

governo federal unificando os dados das crianças para melhor

acompanhamento e centralidade à política.

O segundo é a implementação dos Projetos Tecnológicos de Alto

Impacto, que une a força dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e

Desenvolvimento Indústria e Comércio com empresários e representantes

da academia para catalogar áreas de alto impacto para investimento em

ciência e tecnologia que mobilize às universidades, centros de pesquisa e a

iniciativa privada.

E o terceiro decreto é sobre a Economia Circular, que é um conceito que

tem como premissa evitar o desperdício de recursos na cadeia produtiva,

dando mais utilização de produtos e materiais, reforçando o compromisso

com a agenda da economia verde.


O Conselhão foi criado em 2003 no primeiro governo do presidente Lula e

recriado no ano passado. Ele promove a interlocução direta do governo

federal com a sociedade civil através de empresários, ativistas,

movimentos sociais e sindicais, lideranças indígenas, influenciadores,

entre outros. Nos outros mandatos do presidente Lula, o Conselhão foi

responsável pela concepção de importantes políticas públicas implantadas

como o Minha Casa, Minha Vida e o Programa Universidade para Todos

(ProUni).

Agora, neste terceiro mandato, o colegiado que forma o Grupo de

Trabalho de Crédito foi responsável pelo apoio na criação do programa

‘Acredita’, destinado a democratização do acesso ao crédito para o

empreendedor brasileiro.

O Conselhão é um aliado no debate econômico, como na nova Indústria

Brasil, no apoio à regulamentação da Reforma Tributária e na taxação de

bilionários, e na implementação da transição verde, como no plano de

Transição Energética, regulamentação do Mercado de Carbono,

recuperação de Áreas Degradadas e nos projetos de Desenvolvimento

para a Amazônia.

Os nossos conselheiros e conselheiras também participaram dos debates

sobre Plano Brasil Digital 2030+, Projetos Tecnológicos de Alto Impacto,

do combate às desigualdades, de propostas para o desenvolvimento de

políticas para o Combate à Fome, Periferias, e os esforços envidados de

apoio às vítimas da tragédia no Rio Grande do Sul. É governo federal e

sociedade civil caminhando juntos na construção de políticas públicas para

o desenvolvimento do país.

*Alexandre Padilha é médico, professor universitário, Ministro das

Relações Institucionais da Presidência da República e deputado federal

licenciado (PT/SP). Foi Ministro da Coordenação Política no primeiro

governo Lula, da Saúde no governo Dilma e Secretário da Saúde na gestão

Fernando Haddad na cidade de SP.

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Aprovado o projeto de lei que proíbe trotes e atos violentos nas Universidades do Estado de São Paulo

Deputada Estadual Thainara Faria (PT) em defesa do PL que proíbe trotes e atos violentos nas Universidades do Estado de São Paulo

De autoria da deputada estadual Thainara Faria (PT), o documento define a responsabilidade das universidades e institutos diante de casos de violência cometidos por seus alunos e funcionários. 

Na última quinta (27), a Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) aprovou o PL nº 1355/2023, de autoria da deputada estadual Thainara Faria (PT), que torna obrigatória a adoção pelas Instituições de Ensino Técnico e Superior de medidas de prevenção e responsabilização diante de casos de violência envolvendo seus estudantes.

O texto determina que está vedada a realização de atividades de recepção de novos estudantes no início ou ao longo do ano letivo, os chamados “trotes”, em instituições de educação técnica e superior, que envolvam coação, agressão, humilhação, discriminação por racismo, capacitismo, misoginia, ou qualquer outra forma de constrangimento que atente contra a integridade física, moral ou psicológica dos alunos. 

Sendo assim, cabe às universidades e aos institutos: a adoção de medidas preventivas para coibir tais práticas dentro e fora de suas dependências; a instauração de processo disciplinar contra alunos e funcionários que descumprirem a vedação; e a imposição de penalidades administrativas, que pode incluir o desligamento da instituição. As medidas servem para situações de violência não só nos trotes, mas em qualquer outro período do ano, desde que seja constatado ato de violência entre os estudantes. 

Uma forma de responsabilizar agressores e os afastarem das vítimas, o que torna possível que se considere medidas protetivas dentro do ambiente escolar. 

Cabe ressaltar que, de acordo com o PL aprovado, a entidade que se omitir ou se mostrar negligente no cumprimento das competências previstas será punida administrativamente pelo respectivo sistema de ensino, na forma do regulamento, sem prejuízo de eventuais sanções penais e civis aplicáveis aos seus dirigentes por cumplicidade.

Autora do projeto, a deputada estadual Thainara Faria afirma que “a demanda saiu dos próprios estudantes, que procuraram o nosso mandato por meio da nossa Frente Parlamentar pela Permanência Estudantil”. Ela destaca que a ideia é garantir a segurança e o bem-estar de alunos e famílias “num momento tão importante da vida das pessoas.”

“O ambiente universitário não pode ser um espaço perigoso. Quantas mulheres não foram vítimas de atos violentos? Quantos jovens não perderam as vidas em ações que para alguns eram vistas como brincadeiras, mas que ultrapassaram todos os limites? Precisamos caminhar ao lado das universidades, dos institutos e dos estudantes que querem um ambiente de harmonia.”

terça-feira, 25 de junho de 2024

GEDUC responde solicitação do Blog O Calçadão




O Grupo de Atuação Especial de Educação atendeu solicitação e esclareceu como anda a investigação sobre a denúncia de racismo realizada pela SME ocorrido durante o JEESP


No dia 15 de junho, o blogue O Calçadão entrou em contato com Dr. Naul Luiz Felca, Promotor de Justiça do GEDUC/NRP, questionando sobre a informação relacionada à denúncia da Secretaria Municipal de Educação sobre ofensas racistas cometidas por alguns estudantes do Sabin, Unidade Jardim Califórina, direcionadas aos alunos da EMEF. Elisa Duboc Garcia ocorrida durante os Jogos Esportivos Escolares do Estado de São Paulo, no mês passado. 

Na ocasião, o blog quis saber se o MPSP acatou a denúncia e se o Dr. Naul Luiz Felca estaria à frente do caso. A resposta veio na tarde desta terça-feira (25). 

A resposta do GEDUC, representada na Oficial de Promotoria Luciana Masson Leoncini, informa que, por ordem do Promotor de Justiça Dr. Naul Luiz Felca foi aberto um processo de investigação em resposta a denúncia. O objetivo é apurar o caso relatado na denúncia e, para isso, foram enviados ofícios solicitando informações relevantes. No momento, a investigação está aguardando o retorno desses ofícios para prosseguir com as diligências necessárias.

Leia a resposta na íntegra.

Por determinação do Dr. Naul Luiz Felca, Promotor de Justiça do GEDUC/NRP, em atendimento a e-mail enviado, informamos que, a partir de representação encaminhada, foi instaurado expediente para apuração do caso em tela, estando, ainda, no aguardo de retorno de ofícios expedidos.

Atenciosamente.
Luciana Masson Leoncini
Oficial de Promotoria

GEDUC/NRP

O que é o GEDUC?

O GEDUC atua na identificação, prevenção e repressão aos atos ou omissões capazes de corresponder à violação ou à ameaça de lesão a interesses difusos e coletivos relativos ao direito à educação, em especial aos princípios assegurados na Constituição Federal.


Ribeirão Preto realiza 7ª Conferência Municipal das Cidades

 

A arquiteta Gabriela Furtado fala durante a abertura da
Conferência Municipal da Cidade de Ribeirão Preto.
Fotos: Filipe Augusto Peres

 

A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, organizou nos dias 21 e 22 de junho a 7ª Conferência Municipal da Cidade de Ribeirão Preto (7CMC-RP). A Conferência foi conduzida pela arquiteta Gabriela Furtado, servidora da Secretaria da Saúde.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Professor Elias - uma vida em defesa da educação

Elias fez a diferença como professor e como diretor

Elias Reis, filho da Vila Tibério, botafoguense de coração e guerreiro incansável na luta pela educação. Nascido em um ambiente humilde, enfrentou desde cedo as dificuldades que a vida lhe impôs. Mas nada disso o impediu de seguir em frente e conquistar seus sonhos.

Estudante do Sinhá Junqueira, Elias viu-se obrigado, ainda na infância, a conciliar os estudos com o trabalho para ajudar a família. De engraxate à polícia mirim, ele sempre se esforçou para alcançar seus objetivos. Ao buscar vaga no ensino público para realizar o ensino médio, se deparou com a falta de vaga, principalmente para alunos pobres. Mas a falta de acesso ao ensino médio público não o impediu de buscar conhecimento: pagou com seu trabalho o ensino médio no Colégio Brasil.

Sua trajetória acadêmica foi sempre marcada por desafios e superações. Atrasou seu curso superior porque precisava trabalhar, mas nunca desistiu de seu sonho. Prestou um concurso de nível técnico no Hospital das Clínicas e, com um salário um pouco melhor, conseguiu ingressar no curso de ciências sociais na Barão de Mauá, onde estudou com grandes mestres como Gilberto Abreu e Melhem Adas. 

O professor de cursinho que atraía alunos e enchia salas de aula

Na faculdade, participou da campanha das Diretas e vivenciou o processo de redemocratização do país.Seus passos foram guiados pela paixão pelo ensino e pela democracia. 

Desde cedo começou a dar aulas, inclusive nas escolas públicas onde não teve oportunidade de frequentar como aluno. Criativo, fundou um cursinho em 1987, reintroduzindo a tradição democrática nas ciências humanas no Cooperativa Universitário Bandeirantes.

Era uma época de explosão dos cursinhos pré-vestibular e de competição entre os melhores. Foi assim que Elias, após o fechamento do Cooperativa, iniciou brilhante carreira como professor de cursinho, em Ribeirão, Franca e todo o interior de São Paulo. 

Paralelo a isso, entrou por concurso como professor na rede estadual, dando aula nas escolas Edgardo Cajado e Tomaz Alberto Whately. “Eu ganhava dinheiro dando aula em cursinhos, mas utilizava minha estada na rede pública estadual para desenvolver o trabalho de dar oportunidade aos estudantes dali de terem um horizonte de sucesso educacional”, diz orgulhoso.

Por um determinado tempo, se licenciou sem remuneração da rede estadual para acompanhar sua esposa, durante o curso de medicina, na cidade de Catanduva.


Retornou a Ribeirão Preto e à rede estadual como diretor de escola. Elias continuava sua missão incansável pela melhoria da educação pública, ao mesmo tempo em que seguia construindo uma trajetória notável em cursinhos como COC, Anglo e também escolas da região. No palco dos cursinhos, Elias viveu a época dos “professores estrelas”, que atraíam as matrículas e enchiam salas de aula.

Mas sua luta maior estava na rede estadual. Combateu duramente os retrocessos educacionais impostos pelo modelo de Estado mínimo, como o fechamento do noturno e do EJA, do qual sempre foi um entusiasta.

Elias foi um diretor querido e lembrado na escola João Palma Guião, no bairro do Dom Mieli. Também é inesquecível na Escola Divo Marino, do Portal do Alto. O nome dado à escola, inclusive, foi fruto de sua luta pessoal: “Ou davam um nome de um professor, alguém ligado à educação, ou meu conselho de escola não aprovaria”, afirma.


 

O orgulho ao relembrar a sua trajetória

Elias é exemplo vivo da importância do diretor na construção da identidade escolar.Profundo conhecedor dos desafios enfrentados pelos estudantes menos favorecidos economicamente ou socialmente - pois ele mesmo já foi um destes estudantes - Elias Reis é mais que professor: é um mentor inspirador que prova diariamente seu amor à educação através das suas atitudes dentro e fora das salas de aula.



Texto de Ricardo Jimenez

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Conselho Federal da OAB conclui que PL 1904/2024 é inconstitucional, inconvencional e ilegal

 

Foto:Raul Spinassé


Da página da OAB

O Conselho Pleno do CFOAB aprovou, por aclamação, pela inconstitucionalidade do Projeto de Lei (PL) 1904/2024, que equipara o aborto realizado após 22 semanas de gestação ao crime de homicídio simples, inclusive nos casos de gravidez resultante de estupro. O parecer técnico-jurídico da comissão criada pela Portaria 223/2024 foi apresentado e votado nesta segunda-feira (17/6) pelos 81 conselheiros federais. 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Para Francisco Antônio de Souza, brasileiro e trabalhador, lutar sempre foi um verbo necessário

 

Francisco, na comunidade Nazaré Paulista

Nascido no Piauí, com passagem pelo Ceará. A vida de Francisco Antônio de Souza, o Francisco da Comunidade Nazaré Paulista em Ribeirão Preto, não é muito diferente da vida de milhões de trabalhadores brasileiros, para os quais lutar é, e sempre foi, verbo necessário.

Pedreiro de profissão, Francisco teve uma longa caminhada até chegar em Ribeirão Preto em 2001, procurando por trabalho. Morou em vários lugares, já se conscientizando da importância da questão da moradia para quem vive do próprio trabalho. 

Antes de se arriscar na ocupação de um terreno abandonado na região do aeroporto, atual Nazaré Paulista, em 2015, Francisco ainda teve de lutar pela vida após ser atropelado quando voltava do trabalho e passar 11 dias em coma.

Chegou na ocupação da Nazaré Paulista junto da esposa e duas filhas. Logo de cara teve de lidar com um novo desafio: ser uma liderança comunitária. A luta não dá muito espaço para pensar e, em 2015, o fantasma da remoção forçada rondava a comunidade todos os dias e, principalmente, todas as noites.

Quando se viu, Francisco já estava envolvido na luta pela moradia, junto com dezenas de outros moradores todos assessorados por um conjunto de estudantes de direito da USP que atuavam na comundade num projeto denominado de Najurp. Foi atuando junto ao Najurp que Francisco conheceu uma personagem que até hoje é bastante falada na Nazaré Paulista, a "doutora" Ana. No caso, era a estudante de direito e atual advogada Ana Mauer.

"A doutora Ana foi a primeira a nos dar apoio numa luta que parecia perdida", diz ao lembrar do passado.

Entre 2015 e 2018 muita luta aconteceu. Muita gente se aproximou da comunidade. Advogados, ativistas sociais, professores, assistentes sociais, a própria defensoria pública. Francisco lembra de muitos. "É preciso lembrar do doutor Vitor Hugo da defensoria, da Marina do Armazém Baixada, do Padre Chico, de tanta gente que fez da nossa causa uma forma de ajudar", lembra.

A ocupação em terreno particular afastava o diálogo com a Prefeitura: "Fomos umas dez vezes acampar em frente da Prefeitura. O movimento de moradia juntava as comunidades. A gente subia para falar com o Prefeito e era sempre a mesma coisa: ele dizia que podia dar esperança para todo mundo, menos para a Nazaré, porque ali era área particular. Às vezes batia o desânimo mas nunca a desesperança. Eu sempre acreditei em Deus e na luta".

Após a passagem inicial do Najurp e da doutora Ana, a causa da comunidade foi parar nas mãos do advogado Jorge Roque e com ele veio a mais esperada das notícias em 2021: a Justiça dava ganho de causa aos moradores. A área, apesar de ser particular, estava abandonada há anos, antes mesmo das primeiras ocupações, e a Justiça julgou em benefício daqueles que não têm onde morar. Os moradores da Nazaré Paulista, representados por sua associação e pelo Dr. Jorge Roque, ganhavam a posse da área. Fim do pesadelo da remoção forçada.

Numa luta coletiva, há sempre muitos braços, e Francisco não deixa ninguém de fora. Lembrando sempre com carinho de todos que passaram e contribuíram com a Nazaré, Francisco reconhece a importância do doutor Jorge na conquista da posse da área pela comunidade. "Foi uma luta coletiva de muitos anos onde cada um tem a sua importância", completa.

Hoje a Nazaré Paulista é bem diferente do seu começo. São mais de 600 famílias num verdadeiro bairro ao lado da cerca do aeroporto e entre os históricos bairros do Jardim Aeroporto e do Jardim Jóquei Clube. A luta atual é pela regularização fundiária urbana, a transformação concreta em um bairro, com CEP e Escritura.

Num domingo de junho, a Associação de Moradores atual e um grupo de profissionais ligados a um projeto do Sindicato dos Arquitetos de São Paulo celebravam o término de um projeto técnico que será entregue na Prefeitura: são os mapas urbanos da regularização fundiária da Nazaré. Fruto, mais uma vez, da colaboração de ativistas preocupados com a comunidade. E entre jovens arquitetos e urbanistas do grupo, estava uma advogada chamada Ana Mauer. Sim a "doutora" Ana, realizando, talvez, seu último gesto de colaboração com a Nazaré Paulista, ajudando do toque final, a regularização fundiária de uma comunidade que muitos acreditavam que seria derrubada pelos tratores madrugadores que apavoram os mais de 49 mil sem-teto de Ribeirão Preto.

Mas a Nazaré sobreviveu e vai sobreviver. É um exemplo de luta para Ribeirão Preto.

Perguntado sobre qual é o seu sonho agora, depois de tudo que se passou, Francisco da uma resposta que somente alguém que tem uma consciência de classe forjada na luta coletiva pode dar: "Meu sonho é ver a comunidade se transformar num bairro, com todo mundo com moradia, luz, endereço, água e dignidade". 

"Cheguei aqui com esposa e duas filhas. Hoje tenho dois genros e netos. Ter uma casa é o princípio básico para se ter direitos", termina.

Os sonhos de Francisco são sempre sonhos coletivos.


Texto de Ricardo Jimenez para o Blog O Calçadão


Adendo: O Calçadão recebeu as seguintes informações após a publicação do texto - "o projeto de regularização fundiária da Nazaré Paulista foi fomentado pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo e não pelo Sindicato"; "a Dra Ana Mauer entrou com o processo de posse na área na Justiça em 2019 antes da entrada do Dr. Jorge Roque e o processo foi ganho quatro meses depois" (confirmando que a luta na Nazaré Paulista foi uma luta coletiva); "a Dra Ana Mauer atuou como estudante de direito no Najurp na Nazaré Paulista entre 2012 e 2015, após isso ela foi a advogada da comunidade até 2019".



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