domingo, 14 de fevereiro de 2016

Castração animal: uma questão de política pública! Marcelo Botosso



A proliferação de animais domésticos nas cidades tem atingido números alarmantes. Comumente cães e gatos são encontrados em todos os cantos das cidades, muitos deles em situação de abandono e maus tratos. Uma volta rápida pelas ruas, principalmente na periferia, confirma essa situação.

Grande parte do nosso povo desassistido e mal instruído permite o cruzamento dos seus animais domésticos sem considerar a saúde e o custo da manutenção dos mesmos , lembrando que cães e gatos podem gerar até mais de uma dezena de filhotes a cada cria com intervalos de 6 e 3 meses, respectivamente.

Essa superpopulação de cães e gatos tem origem na domesticação e no descaso da nossa espécie para com as demais onde, ideologicamente, nos colocamos como a imagem e semelhança de um suposto criador antropomorfo.

Em nossa soberba humana, acreditamos que o mundo é somente nosso e as demais espécies estão aqui única e exclusivamente para nos servir. Nessa concepção imperativa e equivocada, relegamos a saúde e o bem-estar dos animais ao segundo plano, isso considerando a melhor das hipóteses.

Portanto, minimizar o sofrimento dos animais que estão associados a nós, humanos, passa inevitavelmente por uma ampla política pública de proteção animal e cuja ação imediata é a castração seguida de conscientização e, por que não, a implantação de conceitos educacionais sobre o tema na rede de ensino.

Considera-se que muitas pessoas ainda se apegam a mito da 'primeira cria', acreditando que devam deixar a fêmea procriar ao menos uma vez para evitar câncer. Na verdade, é castrando antes do primeiro cio, que se evitam várias doenças como, por exemplo, a infecção no útero, tumor nas mamas, câncer de próstata e nos testículos.

O acasalamento é um ato instintivo, o cão não faz por prazer, mas sim por causa de substâncias hormonais produzidas durante o cio.

Muitos abnegados cidadãos, individualmente ou associados à ONGs e demais grupos de proteção e defesa animal, fazem aquilo que deveria ser feito pelo poder público que, quando faz, não dá conta devido à elevada demanda, à deficiência orçamentária e à inoperância burocrática de sua atuação.

Enfim, a castração animal pelo seu resultado imediato urge ser encarada como política pública seguida das campanhas de conscientização e práticas educacionais de modo que as organizações da sociedade civil e o poder público consigam dar conta da crescente demanda.

Cabe a nós, sociedade civil, nos organizarmos não tão somente em entidades de proteção animal com suas ações diretas ( vacinação, castração, feiras de adoção etc ), mas também para pressionarmos de forma correta o poder público e seus signatários a fim de que assumam, de fato, a sua parcela de responsabilidade nesta questão.

Organizemo-nos!

Marcelo Botosso é Historiador

2 comentários:

  1. Parabéns!!!! Somente através da discussão séria e conscientização dos nossos comandantes é que alcançaremos resultados positivos.

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    1. Sem dúvida, Márcia. Sempre com muita organização e pressão popular para não cairmos no vazio de um "oba-oba".
      Lutemos!

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