sexta-feira, 2 de março de 2018

Na questão do Leite Lopes, o invasor é o aeroporto!


O Leite Lopes se tornou aeroporto no início dos anos 1980, pois antes disso era apenas um aeroclube.

Naquele período, a ocupação do entorno por populosos bairros já estava consolidada há anos.

Portanto, naquela região foi a área de ruído do aeroporto que invadiu a área residencial e não o contrário.


Diante dessa situação e da importância de Ribeirão Preto e região terem um grande aeroporto internacional de cargas e passageiros, o Plano Diretor de 1995 (de 1995!!) sugeria que seria necessária a construção desse grande aeroporto fora dos limites urbanos, pois já se entendia o grande problema e falta de sentido lógico construir um aeroporto internacional dentro da cidade e ainda mais em uma área repleta de bairros residenciais.

Essa é a verdade!

Mas aí, em 1997, veio a grande invenção, tornada a panaceia em que parte da elite e da mídia local se penduram politicamente há mais de 20 anos: internacionalizar o Leite Lopes a qualquer custo.

Pensem vocês quantos votos já foram conseguidos por discursos populistas e bairristas com relação a este assunto. Virou um clichê político encher a boca para repetir a narrativa decorada: "internacionalizar o Leite Lopes é trazer desenvolvimento para Ribeirão Preto e blábláblá".

Que desenvolvimento?

Ao longo desse mais de 20 anos de conversa a região do entorno do aeroporto se tornou a região com os mais graves problemas sociais da cidade. A insegurança jurídica fez os investimentos sumirem e os donos de terrenos, de olho nas indenizações, preferiram deixá-los sem construção e foram, logicamente, ocupados por quem não tem moradia (o problema de moradia popular é um dos mais sérios problemas da cidade).

Resultado: o entorno de Leite Lopes virou um problema social e humanitário.

Nos tempos da Prefeita Dárcy Vera, tentou-se alterar a lei de uso e ocupação do solo da região, de residencial para industrial, no sentido de facilitar para o poder público, em aliança com os interesses econômicos de uma elite, de retirar à força os moradores do local para deixar o campo livre à 'internacionalização'.

Claro que a bomba estourou primeiro no colo dos mais frágeis, os mais pobres. As comunidades da região começaram a sofrer processos de remoção forçados, inclusives na calada da noite, em flagrante afronta aos direitos humanos.

E a saga parece continuar. Nos debates sobre a revisão do Plano Diretor, que será votado ainda este semestre e que é duramente criticado por especialistas, a ameaça de alteração da lei de uso e ocupação do solo retornou, como alerta o líder comunitário Marcos Sérgio ao blog.

E tem mais: agora ameaçam colocar uma cerca elétrica separando o aeroporto das crianças que empinam pipas ao lado da cerca atual. Como alerta o líder da comunidade Nazaré Paulista a este blog (aqui) "isto vai ser uma tragédia anunciada".

Será que não há, além do movimento contrário à chamada 'internacionalização' que existe há 20 anos, nenhuma liderança política que defenda algo diferente na região e que rompa com essa narrativa construída e repetida à exaustão?

Este blog defende que é preciso se construir um novo aeroporto fora dos limites urbanos e que atenda a região. Há um projeto, em uma área próxima a Rincão e que pode acomodar um grande aeroporto que atenda São Carlos, Araraquara e Ribeirão Preto e sua região metropolitana (leia aqui)

E mais, nós do blog defendemos que um projeto de economia solidária, de criação de escolas técnicas, de um processo de regularização fundiária urbana e de parcerias entre cooperativas populares e o poder público municipal podem gerar muito mais renda e inclusão social na região do que este monstrengo chamado de 'internacionalização'.

Em suma: criança soltando pipa não é invasor. Invasor é o aeroporto!

Ricardo Jimenez

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