sábado, 31 de dezembro de 2016

O ajuste fiscal de Nogueira - Ribeirão Preto: da 'ponte' para o futuro ao 'corredor' polonês?



O PSDB vai iniciar seu terceiro mandato à frente da Prefeitura de Ribeirão Preto e seu novo Prefeito, Duarte Nogueira, anuncia de antemão seu ajuste fiscal, ou como ele mesmo chamou, "saneamento financeiro".

Assim como as anteriores administrações de Jábali e Gasparini, Nogueira faz o ajuste fiscal em cima dos servidores e colocando o patrimônio público na mira das alienações, ou seja, da venda rápida para fazer caixa.

Duarte Nogueira anunciou ontem: alienação do patrimônio, congelamento de salários dos servidores, suspensão dos planos de carreira, aumento da contribuição previdenciária, estudo para aumento do IPTU, corte de gastos primários, incluindo a saúde, dentre outras coisas.

Não poderia ser diferente.


Em âmbito nacional, um governo sem voto está aplicando uma drástica agenda neoliberal de cortes de investimentos e cassação de direitos, um ajuste fiscal na parte de baixo da pirâmide social e no conjunto do funcionalismo, exceto naquelas áreas sensíveis ao golpismo, como as aposentadorias militares e os mega salários do MP e Justiça.

O programa 'Ponte para o Futuro' proposto por Temer antes ainda da queda de Dilma, durante o processo de traição e conspiração contra a Presidenta eleita, é bem claro na proposta de 'estado mínimo', flexibilização de direitos, corte de investimentos e venda de patrimônio público.

Nogueira apenas segue esta cartilha, até porque seu partido, o tetra derrotado PSDB (e seu penduricalho favorito, o PPS) é quem dá as cartas na política econômica do governo Temer.

O engraçado é que Nogueira vai acabar pagando o preço disso tudo. O golpismo e sua política econômica insana estão levando o país à ruína da depressão e do desemprego. Estados e municípios iniciarão 2017 em sérias dificuldades financeiras. A crise vai se espalhar.

Ribeirão Preto já é uma cidade onde as despesas correntes e de capital superam as receitas há alguns anos e não há venda de patrimônio que segure o déficit nessa atual conjuntura. Sem ajuda federal a coisa vai para o buraco.

Como promover a expansão da saúde, da educação, políticas públicas de desenvolvimento tecnológico, planejamento estratégico, moradia, mobilidade urbana, meio ambiente, inclusão e distribuição de renda, fundamentais para a atual Ribeirão Preto, sem dinheiro, com a máquina pública manietada e com um funcionalismo combalido e absolutamente desanimado?

E de novo nenhuma palavra sobre a questão do endividamento (tem alguém que sabe exatamente a situação das dívidas de Ribeirão Preto, fonte de reclamação de Prefeitos há mais de 15 anos?), seja com o setor privado, seja com o setor público. Aqui como lá, esse tema é absolutamente proibido. Nas dívidas e nos juros das dívidas não se toca, ajuste só pode ser feito em cima de gastos primários e pronto, o 'deus mercado' determinou.

Após uma campanha absolutamente pobre em ideias e onde os principais candidatos ficaram duelando em torno do tema da corrupção (para ver qual era mais corrupto ou mais 'delatado') sem apresentar nenhum modelo novo de cidade e sem se aproximar e se comprometer com as pautas dos movimentos populares, o futuro de Ribeirão Preto só poderia ser mais do mesmo.

Claro, mais do mesmo tucano: arroxo, enxugamento da máquina pública e paulada no funcionalismo.

Como dissemos antes, o tucanato vai para o terceiro mandato em Ribeirão Preto. Das duas vezes anteriores os Prefeitos 'arroxadores' foram de um mandato só. Jábali nem mesmo concorreu à sua reeleição em 2000 e Gasparini perdeu no primeiro turno em 2004, inaugurando o ciclo Dárcy Vera de 'administração'.

Teremos que suportar mais um mandato tucano, com luta e contrapropostas, buscando construir neste ciclo uma verdadeira proposta para Ribeirão Preto, fruto da unidade e diálogo entre os setores progressistas. Uma proposta que contemple de fato a participação popular e aponte um novo modelo de cidade, participativa, inclusiva e menos desigual. Uma proposta que faça Ribeirão Preto ser governada para além dos interesses do poder financeiro, da especulação imobiliária e do rame rame fisiológico entre Executivo e Legislativo.

E há muita gente boa por aí, progressistas, de esquerda, democratas, militando dentro e fora de partidos, com ideias e vontade de participar. É preciso e urgente uma aproximação entre elas.

O triste é que sabemos do risco que os trabalhadores e trabalhadoras da cidade correm. As lutas populares tendem a se intensificar e o novo Prefeito pode passar rapidamente da 'ponte para o futuro' ao 'corredor polonês', porque de repressão o tucanato entende, e muito.

Estaremos a postos.

Todo apoio aos servidores municipais na luta contra as medidas truculentas anunciadas pelo Prefeito contra o conjunto da categoria.

Em frente!

Blog O Calçadão

PS: Mas, e a corrupção? O leitor já deve ter percebido que o blog O Calçadão não entra nesse debate pseudo moralista. Esse tema, do modo como está, beira a histeria e serve a interesses políticos ou à propagação de discursos de ódio, geralmente seletivos ou voltados à minorias expostas e fragilizadas. Aqui nós achamos que o combate à corrupção se faz dentro da lei, com transparência. Uma vez que o indivíduo é pego em algo ou denunciado, deve ser investigado e julgado, com direito à defesa e, se algo é provado, deve ser punido de acordo com a lei e pronto. Nós não concordamos é quando o combate à corrupção se torna um circo, seletivo, midiático e com fins políticos. Isso nós combatemos. E, acreditem, toda vez que um 'catão da moralidade' grita muito 'contra a corrupção' ele tem, para além da cara lavada, um rabo bem sujo.

Um comentário:

  1. o palestrante do Nogueira foi um professor da USP que há décadas defende o projeto tucano de ampliação do aeroporto. O PSDB tem muitos componentes infiltrados nas mais diversas esferas do poder público, sobretudo no judiciário.

    ResponderExcluir