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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

CNBB: '"Cada eleitor(a) é convidado(a) a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo"

Conselho Permanente da entidade divulgou mensagem ao povo brasileiro em que cobra compromisso dos candidatos com a democracia, com os pobres e com a justiça social

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, em 21 de outubro de 2026, uma mensagem oficial ao povo brasileiro por ocasião do segundo turno das eleições nacionais. No documento, assinado em Brasília, a entidade reafirma a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas. A mensagem também condena práticas como ameaças a eleitores e a negociação de votos, classificando-as como "inadmissíveis".

Intitulado "Mensagem do Conselho Permanente da CNBB ao Povo Brasileiro por ocasião do segundo turno das eleições nacionais de 2026", o texto é aberto com a citação bíblica 

"Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça" (Mt 6,33). 

A entidade destaca que o Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade, além do cuidado com o meio ambiente, a garantia dos direitos humanos e a promoção da paz.

 "O desenvolvimento deve assegurar vida digna e justa a todos e oportunidades às novas gerações", afirma o documento, que espera dos eleitos o compromisso com essas pautas.

Os bispos condenam práticas que atentam contra a lisura do processo eleitoral. 

"Ameaçar ou pressionar eleitores bem como negociar votos são práticas inadmissíveis", afirmam. 

A CNBB ressalta que, embora os governos recebam mandatos, os cidadãos conservam a responsabilidade de participar, fiscalizar e reivindicar. "A crítica responsável e o diálogo franco fortalecem a democracia", diz o texto, que também defende a liberdade de expressão e a proteção para quem denuncia injustiças.

A entidade faz um convite explícito à reflexão individual de cada eleitor. 

"Cada eleitor(a) é convidado(a) a considerar a trajetória dos candidatos, suas práticas e seus compromissos com a democracia e com as condições de vida do povo", aponta a mensagem. A CNBB ancora essa reflexão em sua missão pastoral, afirmando que a esperança em Jesus Cristo chama ao compromisso com o Reino de Deus e com os mais vulneráveis: "Atenciosos aos pobres, aos ameaçados e aos que trabalham pela justiça, continuemos responsáveis uns pelos outros e pelo nosso país".

O documento é encerrado com uma invocação religiosa e um pedido de união, em que convoca a proteção de Nossa Senhora Aparecida, perseguida por fanáticos religiosos, apoiadores e extrema-direita, de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da república, no último mês.

"Que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz", conclui a CNBB.

Pastorais e organismos assinam manifesto em defesa da "vida digna" e criticam desmonte de direitos

Em consonância com a mensagem da CNBB, um amplo conjunto de pastorais, organismos e articulações nacionais divulgou a carta "Votar também é cuidar da vida". O documento, assinado por mais de 30 entidades ligadas à Igreja Católica, faz um chamado direto à escolha de projetos que priorizem a vida digna, a justiça e o cuidado com a "Casa Comum".

O texto evidencia uma clara preocupação com o avanço de políticas que ameaçam direitos sociais. 

"Todavia, acompanhamos com indignação projetos que colocam em risco a aposentadoria, a saúde pública, as universidades, o trabalho, a terra e a vida do povo. Não podemos escolher projetos que ataquem os direitos dos pobres e massacrem os mais vulneráveis", afirmam as entidades. O documento também faz uma crítica velada a setores que tentam se passar por defensores do povo: "São os lobos em pele de cordeiro, mas, pelas suas trajetórias de vida, sabemos quem são!".

Entre as pautas defendidas pelo manifesto estão o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), a moradia digna, a geração de empregos qualificados, o fim do desmatamento e da mineração que "matam", a justiça criminal restaurativa, a erradicação da fome e da miséria, e a superação da desigualdade social. O grupo ainda enfatiza que "ficar em casa é abrir mão de um direito conquistado com muita luta" e que a escolha eleitoral não pode ser feita por "simpatia", mas por compromisso com a vida.

A carta é encerrada com uma oração que faz referência ao Magnificat, exaltando a opção preferencial pelos pobres: "Mãe negra Aparecida, que 'derriba do trono os poderosos e eleva os humildes, sacia de bens os famintos e despede os ricos sem nada' (Lc 1,52-53), rogai por nós!".

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