terça-feira, 20 de junho de 2017

A Esquerda mundial e o caminho da contestação, do otimismo, da esperança, da inclusão e da juventude!


O capitalismo da atualidade tem imposto à humanidade uma brutal desigualdade social. Hoje, o 1% mais rico detém metade da riqueza mundial e a concentração de renda continua a crescer.


Nos últimos 30 anos, os Estados nacionais foram colocados de joelhos diante dos ditames do capital. Os projetos nacionais de desenvolvimento foram subjugados pela agenda do financismo, que controla os orçamentos dos países e canaliza a riqueza produzida para o pagamento dos juros da ciranda financeira, que beneficiam o capital rentista.

Empregos são precarizados no mundo todo. Os trabalhadores têm trabalhado mais, com menos direitos e garantias trabalhistas, e com salários defasados.

A seguridade social, principalmente os sistemas públicos de aposentadoria, e as políticas de distribuição de renda têm sido rebaixadas, inclusive na Europa, berço da política do Bem-Estar Social.

O discurso único, apoiado em um gigantesco sistema de mídia mundial, tem sido vitorioso na política e na academia. Pensamentos políticos e econômicos à esquerda do discurso único não têm espaço.

Mesmo os tradicionais partidos de esquerda, no mundo todo, ao acessarem o poder, o fazem repetindo em grande parte a cantilena da agenda capitalista imposta, o que os confunde com os partidos de direita diante da opinião pública, quase sempre manipulada por meios de comunicação hegemonistas. Acabam que todos repetem o discurso neoliberal.

O mundo dominado pelo capitalismo financista, concentrador de renda, reflete na geopolítica, que se torna mais tensa e violenta. A escassez de empregos, de renda e de qualidade de vida destrói o discurso integrador propalado pela globalização e ascende o discurso de extrema-direita.

O aumento da xenofobia e da relação conflituosa entre os povos é apenas um sinal dessa realidade.

Diante disso, qual o papel da esquerda mundial?

Os exemplos de Mujica, no Uruguai, de Bernie Sanders, nos EUA, de Mélenchon, na França, de Jeremy Corbyn, na Inglaterra, e de outros movimentos de esquerda no mundo, como o Podemos, na Espanha, mostram claramente que o campo progressista e de esquerda tem espaço para crescer.

Mesmo diante de tempos sombrios, como vivemos no Brasil e no mundo, os exemplos acima mostram que o discurso da esperança é mais forte que o do medo.

Ao mesmo tempo em que o discurso da contestação do neoliberalismo tem que ser o carro-chefe, a esperança e o otimismo devem também estar presentes.

É preciso um mínimo de unidade para colocar diante do povo projetos políticos democráticos, progressistas e anti-neoliberais.

Projetos que defendam uma economia inclusiva, que funcione para todos e não apenas para os mais ricos.

Projetos que empolguem a juventude, que segue sendo o diferencial nos movimentos de esquerda no mundo e no Brasil. Sem a juventude, não há mudança, não há esperança. E a juventude está pronta para tomar as ruas em defesa de um projeto que aponte um futuro.

Projetos que, a partir da contestação ao discurso único neoliberal e da empolgação da juventude, criem alianças que incluam as minorias, as mulheres, os trabalhadores das periferias e até mesmo amplos setores da classe média capazes de não se entregarem ao discurso manipulador da mídia ou ao discurso fácil da extrema-direita.

Resgatar valores do Estado de Bem-Estar Social, da universalização de direitos (como educação, saúde e aposentadoria), da proteção trabalhista, das políticas de seguridade social e distribuição de renda (como o salário mínimo e a taxação dos mais ricos e do capital especulativo).

Desenvolver com inclusão e democratização, melhorando a vida das pessoas e dando a elas a possibilidade de participação política e de decisão sobre as políticas públicas que as afetam.

Resgatar os valores de uma diplomacia humanista, integradora. De acordos geopolíticos mundiais e regionais que priorizem as pessoas, o desenvolvimento com inclusão e sustentabilidade ambiental.

Um mundo menos desigual e mais sustentável é um mundo menos doente e conflituoso. O inimigo é o capitalismo desregrado e seus tentáculos que sufocam as pessoas, tiram a sua esperança e encurtam os horizontes.

É o momento, inclusive no Brasil, da esquerda sair da defensiva. A política da esperança tem de ser reconstruída. As pessoas devem voltar a acreditar na prática política como instrumento de transformação para melhor.

Um projeto nacional de desenvolvimento com inclusão deve ser reapresentado e defendido nas ruas.

Contestação, reafirmação de valores, unidade, otimismo, esperança, inclusão e juventude! O caminho da esquerda!

Ricardo Jimenez

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