sábado, 5 de março de 2016

Aceitar o discurso da mídia é o pior erro da esquerda!

Não há possibilidade de vitória quando você vai para um combate aceitando as regras impostas pelo adversário.

Vejo alguns valorosos companheiros da esquerda se orgulharem por não terem entre seus quadros partidários 'nenhum denunciado nos escândalos da mídia'!

O que significa isso?


Então o PSDB, o DEM e a própria mídia também podem se orgulhar da sua 'pureza', já que eles também não estão nas 'capas de jornais' e nem são envolvidos nas tais 'investigações', ou quando o são, como na capa representada acima, é para buscar dar um certo ar de seriedade à hipócrita campanha 'anti-corrupção' da qual a direita sempre lança mão quando quer derrubar um governo trabalhista com o qual não concorda e não consegue vencer nas urnas.

O PT cometeu esse erro nos anos 90 quando também se orgulhava de não estar nas capas da mídia golpista e permaneceu no erro ao não tratar o mensalão como um julgamento político e, jogando nas regras do adversário, perdeu e vem perdendo batalhas.

Jamais devemos nos conformar com a corrupção. Mas quem foi que disse que a nossa mídia monopolizada é o juiz ideal e imparcial para julgar quem é e quem não é corrupto?

Voltemos ao batido mensalão. Por quê o PT foi julgado ao vivo na tela da mídia enquanto que o mensalão do PSDB, feito pelas mesmas pessoas, os mesmos doleiros e o mesmo pivô central, está caducando nos escaninhos da Justiça?

O mesmo acontece agora. Por quê as investigações na Petrobrás não retroagem para aquém de 2003? Delcídio do Amaral era do PSDB e nomeou alguns dos diretores corruptos investigados quando era diretor da Petrobrás no governo FHC. Se isso não vem ao caso, a investigação não é séria. Ponto.

Quando companheiros de esquerda se jactam de não estarem nas páginas da grande mídia eles estão dialogando com quem? Com a esquerda? A resposta é não. O que fazem é legitimar um processo enviesado construído com o objetivo político e não ético.

É a mesma coisa que uma Presidente da República acossada pelo golpismo resolver escrever um artigo de ano novo em um jornal paulista representante da grande mídia. Com quem a Presidente pensa que está dialogando ao fazer isso, com o povo? E o que ganhou com isso? Mais golpe!

Não vou fazer julgamento moral sobre a conduta pessoal de Lula ou de quem quer que seja. Os argumentos devem ser baseados em provas. Se há indícios de corrupção que sejam apurados dentro da lei, dando o direito à defesa. Isso serve para qualquer um. Mas é inadmissível ver uma farsa armada contra Lula e a própria democracia e não se colocar em luta, porque aí não é combate à corrupção, aí é golpe!

Combate à corrupção deve ser amplo e transparente, inclusive para a mídia tradicional que, sem controle social algum, posa de árbitro da moral escondendo seu rabo sujo.

Se a campanha fosse mesmo anti-corrupção nem a mídia nem o PSDB estariam dando apoio. Ou por acaso eles apoiam a proibição das doações empresariais em campanhas? Hein?

A direção do PT precisou que o maior líder popular dos últimos 50 anos sofresse uma agressão brutal para descobrir o óbvio e começar a reagir. Falta o governo seguir o mesmo caminho, pois é desanimador ver a mandatária da nação ter seu cargo salvo pela mobilização popular em dezembro e começar janeiro propondo uma reforma da previdência e escrevendo artiguinho de ano novo no PIG.

E a parte da esquerda que hoje repete o erro do PT no passado, saiba que somente por enquanto vocês não são acossados pelo sistema, mas é só uma questão de tempo. Se colocar sob o julgamento moral dos hipócritas e aceitar as regras do jogo é o maior erro político que se pode cometer.

Por isso repito que defender Lula e o PT hoje é defender a democracia em uma luta mais ampla, não subtraindo de maneira alguma as críticas merecidas que a cúpula do PT faz jus. E essa é uma tarefa de todos os democratas e progressistas do país.

Ricardo Jimenez

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