quarta-feira, 2 de março de 2016

O STF dará sequência hoje ao processo de queda de Cunha? Para onde irá o STF?

Nesta quarta-feira, 2 de março, o Supremo Tribunal Federal julgará os pedidos da Procuradoria-Geral da República para o afastamento do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados. Pode ser a continuidade do processo de queda e perda do mandato que se iniciou ontem com a abertura de investigação aprovada no conselho de Ética, após 4 meses de manobras realizadas por Cunha e sua bancada particular.

Enquanto o conluio golpista investe suas energias contra o ex-Presidente Lula, com minutos infindáveis no Jornal Nacional mostrando pedalinhos de ganso no sítio frequentado por Lula e com o direcionamento das investigações da Lava Jato e da Zelotes na direção do petista, Eduardo Cunha se mantém livre, leve, solto e manipulando a partir do seu cargo.

Cunha é acusado de manter contas na Suíça, com provas substanciais, abastecidas com propinas derivadas de sua relação promíscua, praxe da política brasileira, com empresários e vice versa, incluindo os esquemas da Petrobrás investigados na Lava Jato. Sabe-se que ao menos 90 milhões de reais, oriundos de propinas, podem ter abastecido as campanhas dos candidatos aliados de Cunha e que dão a ele hoje no Parlamento uma bancada particular calculada em mais ou menos 60 deputados fiéis.

Cunha talvez seja o polo mais agudo do sistema golpista que atenta não só contra o mandato de Dilma mas contra o futuro do Brasil. Cunha é aliado desse sistema até as últimas consequências, que passa inclusive pela sua saída da linha de frente para limpar os trilhos do golpe.

O consórcio golpista tem raízes na mídia, no judiciário, na Polícia Federal, no Ministério Público e na política, unindo do PSDB ao PMDB e demais penduricalhos menores. Travestido no já manjado e hipócrita 'combate à corrupção', que já é tradição da direita quando quer retomar o poder à revelia do voto, o conluio golpista quer mesmo é voltar a tomar posse do país, para isso, acabar com o PT e com Lula é crucial.

Estão todos envoltos na Agenda Brasil, de Renan Calheiros, que conquistou a abertura do pré-sal certamente chantageando o governo com a questão do impeachment que, em última instância, está nas mãos do Presidente do Senado.

E não vai parar no pré sal, pois vem aí o PL 555 do tucano cearense Tasso Jereissati, que prevê a retomada em massa das privatizações de estatais, entre elas, a maior, a Petrobrás, antigo sonho tucano.

O modelo de partilha do pré-sal, a retomada da indústria naval petrolífera, os royalties destinados à educação, a retomada dos cursos técnicos no Brasil profundo e a política de conteúdo nacional tendo a Petrobrás como base de ação fazem parte de um projeto de país para os próximos 50 anos e foi construído por Lula. E é exatamente esse modelo de país que o conluio golpista ataca sem trégua.

Há poucas margens de manobra para a luta popular em defesa da soberania nacional. Há a mobilização exemplificada nas ações da Frente Brasil Popular, há a luta pessoal de Lula e seus advogados em busca de defender a si próprio e seu legado, há a atuação de parlamentares combativos e há o STF, sim, ainda acredito que há o STF.

Mesmo pressionado pela pauta da mídia monopolista, o STF pode ainda ser um bastião do Estado Democrático de Direito. A decisão sobre Cunha hoje pode ser um sinal de bons ventos ou de capitulação (o que será trágico). Caberá ao STF nos próximos dias os lances capitais dessa disputa. Será ali que os rumos da luta de Lula serão decididos e será ali que os rumos do rito do impeachment serão mantidos ou não e será ali que, num futuro breve, a proibição das doações empresariais serão mantidas para as demais eleições futuras ou valerão, como deseja o conluio golpista, somente para 2016.

As respostas começam hoje. Aguardemos.

Ricardo Jimenez

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