quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Notório saber: o não saber que faz mau(L).

O projeto de lei 936/16, de autoria do deputado estadual Rodrigo Morais (DEM) tem como objetivo declarado de desvirtuar o que se entende por Notório Saber.

Além de ser um copilação de vários outros textos, até mesmo de enciclopédias digitais, é importante pensar que conceito de “notório saber” é extremamente distorcido pelo deputado. Eu explico.

Um conhecimento notório sobre o tema vai mais além do que uma banca, por mais qualificada que seja, possa descrever, pois ele é um título que supre a exigência do doutorado em instituições de ensino superior. Por que ele supre o título de doutorado? Porque o profissional que recebe esse título desenvolve pesquisa e projetos relevantes para o avanço da ciência. Não é só porque ele sabe sobre o tema, mas porque ele produz inovações no campo do saber ao qual se dedica. Esse profissional, portanto, faz a mesma coisa que um doutor deve fazer: pesquisar e colaborar para o avanço do conhecimento humano. (Acesse aqui um exemplo)

Pois bem, a proposta desvirtua esse objetivo do título de notório saber, e passa a considerar apenas um saber fazer, um saber técnico não integrado, mas apenas depositado, para usar uma fala de Paulo Freire.

Essa inversão de sentido atribui ao “notório saber” a compreensão de um saber comprovável por um instrumento de aferição que será desenvolvido pela secretaria de ensino.

Eu não sei se é por ingenuidade ou por falta de saber que o ilustre deputado levantou essa bandeira, ainda mais ele que se diz defensor da educação (aqui).

Em minha opinião, o que se está tentando fazer é tapar um buraco abrindo outro. O governo Tucano
de São Paulo, por não valorizar a carreira do magistério, não investir em educação, fazer malabarismos matemáticos para justificar que a jornada dos professores está de acordo com as lei 11.738 (Lei do Piso Salarial dos professores), agora ataca a educação pública, em conluio com o governo golpista do Ilegítimo. A contratação de profissionais para atuarem como professores no ensino médio, sem a formação docente mínima das licenciaturas, é condenar a população a um tipo de educação não emancipatória, uma educação do tipo reprodutivista e sem intervenção social. É decretar o fim da reflexividade da educação e a glorificação da educação sectária: uma educação para pobres (pública) e outra para ricos (privada). 

De fato, o que está por traz disso tudo é o uso do dinheiro público para manutenção do povo pobre sem educação de qualidade, sem saúde e sem perspectivas.

As reformas do Ensino Médio não são reformas são demolições! 

E por isso não podemos nos calar!


É hora e resistir!

Saiba mais sobre as sobre as "reformas" da educação.







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