quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Se não forem apresentadas propostas à classe trabalhadora... Por: Leonardo Freitas Sacramento

Nas prévias democratas, os trabalhadores de Michigan votaram em massa em Sanders, o candidato socialista do Partido Democrata. Sanders colocava o desemprego na conta da globalização desigual e do capitalismo de mercado, crítica radical para os padrões norte-americanos.

Hilary acusou Sanders de "esquerdista", fazendo questão de construir uma discurso pró-mercado. Hilary venceu de forma acachapante em Califórnia, estado riquíssimo onde as famílias de classe média andam de bicicleta, fumam maconha, são favoráveis ao casamento homoafetivo e pagam de super-ecológicos. Lá, Sanders foi rejeitado.

Trump venceu em Michigan, um estado historicamente democrata, berço do sindicalismo norte-americano. Hilary teve rejeição absurda. Trump apresentou outro culpado para o desemprego aos trabalhadores de Michigan: o imigrante e os investimentos privados e estatais fora dos EUA.

Conclusão: se não forem apresentadas propostas à classe trabalhadora, ela não irá ao paraíso. Depois não adianta chamar a classe trabalhadora de pobre de direita porque ela vota em bilionários racistas, homofóbicos e machistas. A esquerda que luta contra o racismo, a homofobia e o machismo precisa apresentar um projeto de poder à classe trabalhadora que vá além do debate comportamental sobre o racismo, a homofobia e o machismo.

PS: Dória venceu na periferia de São Paulo com votos de parte da classe trabalhadora porque a propaganda partidária conseguiu apresentá-lo como "trabalhador". Segundo um dos entrevistados em um ótima reportagem do El Pais, Dória começou de baixo "como Lula". Segundo o mesmo entrevistado, Dória "é um trabalhador e convenceu a classe trabalhadora. Haddad só cuidou dos ricos"

Leonardo Sacramento é professor e secretário-geral da Aproferp

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