segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Da última vez levamos 21 anos para retomar a democracia e 38 anos para eleger um novo governo popular!


No Brasil, o movimento golpista sempre operou contra a soberania nacional e contra qualquer possibilidade de ascensão popular às posições de poder.


A chamada 'Era Vargas' e o Trabalhismo representaram, para ficarmos apenas no século 20 para cá, a real possibilidade de construção de uma agenda popular e de defesa da soberania nacional.

Foi um período que representou a conquista de direitos básicos trabalhistas e de cidadania, a formulação de uma política de Estado para operar na diminuição das enormes disparidades sociais e de infra-estrutura do país.

Representou o apontamento de um projeto nacional de desenvolvimento industrial e tecnológico inédito até então.

O golpismo atuou contra Vargas e o Trabalhismo com ódio assassino.

Buscou derrubar Vargas em 1954. Buscou impedir a posse de Juscelino (que não era Trabalhista mas representava o ápice do desenvolvimentismo nacional). Buscou impedir o governo de Jango com o parlamentarismo e derrubou Jango após a retomada do presidencialismo.

Em 1963 o Brasil vivia um período de otimismo, de esperança, de desenvolvimento. Jango era um presidente bem avaliado e um democrata Trabalhista pronto para aprovar as tão sonhadas e necessárias Reformas de Base.

Mas o golpismo cobriu o Brasil de sombras, o discurso falso moralista e ideológico ganhou a grande mídia e  a ditadura cívico-militar matou a esperança de uma geração em 1964.

O ódio contra o Trabalhismo prosseguiu na aniquilação de lideranças populares no período da ditadura. Ódio principalmente contra Brizola, comandado pela Globo, e contra seus governos no Rio de Janeiro no pós-abertura e no pós-Constituição.

O ódio à 'Era Vargas' permaneceu até 1994, quando o então eleito FHC afirmou que seu governo representaria o "fim da Era Vargas".

Acabar com a 'Era Vargas' significa abdicar do Brasil soberano, extinguir com o projeto nacional, acabar com a possibilidade de um governo popular. Significa a vitória das elites anti-nacionais e anti-populares.

O próprio governo do PT instalado em 2002 só amealhou o ódio verdadeiro do golpismo quando Lula começou a entender a importância da 'Era Vargas' e do projeto nacional, culminado, defendo eu, com a nacionalização do pré sal em 2009.

Um ódio destilado desde 2005 e que encontrou a partir de 2013 o modus operandi.

Hoje enfrentamos um golpe. Um golpe que se impôs com brutalidade. Um golpe que feriu a democracia e caça violentamente o último dos líderes populares que o Brasil criou.

Um golpe parlamentar-judicial-midiático que está reintroduzindo no Brasil uma agenda neoliberal ultrapassada mas que busca se impor agora de uma maneira anti-democrática, autoritária, violenta.

O povo e suas lideranças se distanciam da possibilidade de participação política e o domínio do poder econômico e das bancadas intolerantes, fundamentalistas e conservadoras tende a avançar.

Um Brasil menos soberano, mais dependente, mais desigual, mais violento, mais injusto, menos tolerante e menos democrático se desenha no horizonte pós-golpe. 

Da última vez, a democracia demorou 21 anos para se restabelecer e um novo governo popular, 38 anos. Duas gerações foram perdidas!

E dessa vez?

Só sei que a cada dia o golpe se aprofunda, a aliança entre o fisiologismo político sobrevivente da ditadura e do governo Sarney e a nova geração de agentes estatais 'puritanos', 'moralistas' e partidários se fortalece junto com o poder de uma mídia hegemônica, e, hoje, a saída democrática se torna mais distante no horizonte.

As forças populares, progressistas, nacionalistas não têm tido condições de criar um movimento de resistência capaz de conter o golpe.

Vai piorar muito antes de melhorar.

Ricardo Jimenez



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