quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Sobre o PL que impede a educação sexual nas escolas de RP! Leonardo Sacramento


Leia o texto que Leonardo Sacramento publicou em suas redes sociais sobre o PL fundamentalista aprovado na Câmara de Ribeirão Preto em 26/09/17.
Justamente hoje ocorreu algo bem interessante na reunião de pais da EMEF Paulo Freire.
Uma aluna da sala que ministro aula foi chamada, há três dias, de "sapatão". O aluno que a chamou a viu beijando no rosto uma amiga. Aí, ele a chamou de sapatão.
Eu conversei com o aluno e perguntei por que ele achava que ser lésbica poderia virar um palavrão. Ele não soube responder. Hoje na reunião, a irmã e a mãe da aluna relataram o quanto isso a impactou, a ponto de ficar mais retraída e não querer ir à escola. Todos os pais se sensibilizaram.
Aí todos os pais e o professor firmaram uma orientação didática, a ser trabalhada em suas casas e na escola. Os pais ficaram de conversar com todos os filhos, especialmente os meninos, que possuem comportamento machista e homofóbico. Tentar compreender por que entendem que qualquer coisa relativa à lésbica pode se tornar um palavrão.
Na sala ficou firmado que o professor não apenas conversaria, mas faria atividade para conscientização dos alunos, todos com 10 anos em média, sobre homofobia e lesbofobia. Os pais exigiram.
O que isso revela? O óbvio. Na vida real, ninguém quer o seu filho metido em atos de preconceito, de violência e de humilhação para com o outro. Vida real, vereadores. Não é facebook ou púlpito.
Justamente hoje, quando tomei conhecimento dessa sandice fundamentalista aprovada pela Câmara e proposta pela Glaucia Berenice Santos Silva​. Confesso que fiquei surpreso ao ver Marcos Papa​ votando favoravelmente ao projeto. Marcos Papa, vi um grupo pró-Bolsonaro lhe parabenizando. Pense no significado!
Como podem ver, esse projeto não condiz com a realidade, e não toca no que as famílias querem: filhos longe de preconceitos. Esse projeto é inconstitucional. Não surpreende vindo de uma Câmara campeã em projetos inconstitucionais, normalmente feitos na calada da noite para agradar eleitorado. 
Currículo é matéria do Congresso Nacional e do Conselho Nacional de Educação, não de uma Câmara Municipal campeã nacional de projetos inconstitucionais.
No caso, esse projeto flerta com o que há de mais conservador e reacionário. Impedir que o Estado eduque as crianças, para o uso de contraceptivos, para a saúde sexual e para a aceitação de todas sexualidades, é medieval. Esse projeto foi feito para animar a plateia conservadora, reproduz preconceitos e dá um beijo pornográfico no obscurantismo.
Não precisa dizer que farei as atividades firmadas hoje na reunião dos pais. Diante da crise institucional que vivemos, aviso que os ignorarei. É o que resta!
Se o Prefeito Nogueira não vetar, e espero que vete, irei à Câmara Municipal lutar pela retirada desse entulho fascista!

Leonardo Sacramento é professor em Ribeirão Preto

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