sábado, 18 de fevereiro de 2017

O teto caiu


                                                                                                Foto: Filipe Peres


Por Cassiano Figueiredo


Olívio Dutra, uma figura importante no debate da reorganização do campo da esquerda, na minha opinião, disse em relação ao partido dele em um debate dentro do Partido que "o teto da casa caiu".


Eu concordo com Olívio Dutra nessa afirmação. O teto caiu e seus estilhaços feriram não só as organizações, a nossa militância de vanguardas partidárias, mas feriu gravemente e principalmente os que sempre estiveram no andar de baixo.
E essa reflexão sobre os processos que botaram o teto é muito importante, especialmente quando feita de uma perspectiva de quem tem lado, mas de forma apartada das paixões por bandeiras ou siglas partidárias. Arrisco dizer que essas paixões estão entre os elementos que fizeram a gente colecionar derrotas.
Acontece que quando estamos embotados pelas paixões somos incapazes de pensar de forma racional. Essas paixões, por exemplo, impedem que muitos militantes honestos e aguerridos da base do PT, por exemplo, tenham uma leitura crítica do que foram os fracassos e erros dos governos Lula e Dilma. Ou negarem a contradição que se é apoiar um Rodrigo Maia para presidência da Câmara.

Mas também são essas paixões que nos levam a um sectarismo tamanho de não reconhecer os avanços importantes de treze anos de um modelo de governo, que teve como símbolo um metalúrgico - e diga-se, a maior liderança popular dos últimos 50 anos, apesar de todas as ressalvas, e que hoje é o maior perseguido político desse país - para os setores realmente populares.
Precisamos nos ocupar de encontrar convergências, debater francamente, de modo fraterno, nossos erros e nossas divergências, botar o bloco para barrar a retirada de direitos e, sem sombra de dúvidas apontar caminhos para avançar.
É por isso que precisamos extirpar, pra ontem, o tom fratricida dos debates - ou embates - que temos tido no campo da esquerda.
Está colocado para nós, e não incluo aqui nenhum tipo de casta dirigente burocrata, construir ferramentas de enfrentamento real ao capitalismo. Temos que transitar para o socialismo. Mas isso não é para amanhã.
Luciana Genro disse na bienal da UNE esse ano que nós não vamos reinventar a esquerda repetindo as velhas fórmulas. Ela está coberta de razão. Não vamos reinventar a esquerda se não formos capazes de romper nosso nicho de intelectualidade e construir um projeto de país democrático e popular. E pra esse desafio, nem o PT, nem o PSOL, PCdoB e apesar do Zé Maria acreditar o contrário, nem o PSTU estão à altura desse desafio sozinhos. Ou somos nós, em unidade debatendo de forma fraterna as divergências que existem, ou serão eles.
É por isso que, tomando outra vez a frase do Olívio, será que apesar de ter caído o teto, ainda temos alicerces para nos reconstruir

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