segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Ano letivo inicia com falta de professores em RP




Por Danilo Valentim

Como se não bastasse a política de tratar a educação como caridade e assistencialismo, vide o episódio da campanha de arrecadação de material escolar pela cidade, como se não bastasse a mudança da data de pagamento sem dialogo e de forma autoritária, como se não bastasse as 30 medidas de cortes e retiradas de direitos trabalhistas dos servidores, como se não bastasse o anuncio de uma política de cortes e de precarização do que é básico na educação (Como impor a economia de água, força e serviços de manutenção) como se não bastasse os decretos baixados pelo prefeito, como se não bastasse o atraso do salário de janeiro, como se não bastasse o atraso das férias, como se não bastasse jogar a população contra os servidores os culpabilizando pela crise da cidade tentando passar a ideia de servidores tem privilégios, como se não bastasse a falta de coordenadores pedagógicos e supervisores nas escolas, em que, o atual governo baixa decretos impedindo a contratação destes, como se não bastasse a carta ALIENANTE da secretaria Suely Vilela endereçada aos professores afirmando que a profissão docente é SACERDÓCIO, e que, devemos ter criatividade. Agora, em menos de uma semana de aula algumas escolas FALTAM professores.

Oras Duarte Nogueira e Secretaria Suely Vilella, ter professores é o básico. O inacreditável é observar o governo demitir 20 professores sabendo que havia a necessidade. Em algumas escolas estão pedindo para que professores deixem de cumprir seus TDCs (Trabalho Docente Coletivo) para assumirem a falta de docentes. TDC por lei é horário de formação, e é ilegal professores assumirem TDAs (Trabalho Docente com Alunos) em horários de TDCs.


Professores não devem assumir salas de aula nos seus horários de TDCs, pois além de ser horário de formação, é ilegal. Se assumirmos salas em horário de formação estaremos contribuindo para camuflar o problema criado pelo próprio governo, estaremos legitimando a política neoliberal de sucateamento e precarização, além de prejudicar a sua própria saúde. Quando faltam professores a responsabilidade de encontrar outro professor é do DIRETOR, e caso o diretor não consiga, deve ser ele próprio quem DEVE ASSUMIR a sala.


A lógica é perversa, pois primeiro precarizam nossas condições, e depois sobrecarregam nossa saúde, além de estabelecer ilegalidades.

Lembrando que as verbas para a compra de material escolar existem, são vinculadas, assim como uniforme e alimentação. Queremos saber, cadê as verbas vinculadas a compra de material escolar?


Secretaria Suely Villela, somos profissionais da educação, não sacerdotes. Temos formação em nível superior, investimos tempo, dinheiro, dedicação e comprometimento. Não temos uma missão redentora, e nem trabalhamos somente por amor, como vc quer fazer crer nesta carta. A ideia de que temos que ser criativos é uma falácia. Não é possível ter capacidade criativa sem condições de trabalho. Professor não é mágico e não faz milagre. Somos PROFISSIONAIS, e este governo assume mostrando exatamente o que quer, PRECARIZAR e SUCATEAR a educação. Querem desregulamentar e desprofissionalizar nossas carreiras.


Vale destacar que este governo quer que a população e os servidores paguem a conta do esquema de corrupção que há na cidade. Esquema que envolveu vereadores, empresários, executivo, alto escalão do governo e sindicato.


Lembrando que o Sr prefeito está citado na lista da Odebrecht.

Sr prefeito não temos privilégios, temos direitos conquistadas ao longo de décadas, de muitas lutas históricas de várias gerações.

Posto isto, é necessário entendermos que a política educacional em curso no município é a mesma implementada na esfera nacional pelo governo ilegítimo de Michel Temer. Uma política que visa enxugar o Estado, minimizá-lo, retirar direitos sociais e trabalhistas. Uma política de transferências de recursos públicos para a esfera privada. Um projeto de exclusão social, de austeridade, e de manutenção do status co.

Para além disso, temos que compreender, que o governo que assumiu a cidade representa os interesses do capital empresarial, do agronegócio, do latifúndio, dos banqueiros, de cortes nos direitos dos trabalhadores, que seguirá a lógica PSDBista privatista de mercado empresarial histórica desde a década de 1990 no Estado de São Paulo até os nossos dias, desmontando a educação pública municipal, precarizando e sucateando os direitos e serviços públicos.

Querem implantar o aprofundamento da agenda neoliberal na cidade, e para isto seguem a cartilha do capital, que é desmontar a CLT (Leis trabalhistas), a Constituição de 88, o Estatuto de magistério, e toda a legislação nacional que garante direitos do professorado.

Sendo assim, será necessário muita resistência e luta para garantirmos nossos direitos, das crianças e da população. Não podemos perder de vista que os direitos que temos hoje foram conquistas históricas, e a nossa geração tem a responsabilidade de preservá-las.


Vamos ocupar os conselhos de escola, APMs (Associação de pais e mestres), Conselho Municipal de Educação, Conselho do Fundeb e outros espaços para fiscalizar e garantir que as verbas da educação cheguem as escolas e que sejam gastas de forma correta. Vamos ocupar para continuar denunciando o CAOS que é este governo!


Professor: Danilo Valentim
Membro do Conselho Municipal de Educação

Diretor da Aproferp

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