terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Blog O Calçadão visita o Acampamento Alexandra Kollontai, do MST, em Ribeirão Preto


                                                                                               Fotos: Filipe Peres
                                             
O acampamento Alexandra Kollontai celebrará no próximo dia 22 de maio 9 anos de luta na região de Serrana, na Fazenda Martinópolis, contra a Usina Nova União que entre dívidas trabalhistas, tributos e processos na justiça comum e tributária da União e do Estado deve em torno de 4 vezes o território da Fazenda. Esperando pela adjudicação e a consequente assinatura do Governador Geraldo Alckmin para a destinação destas terras para a Reforma Agrária, em torno de 300 famílias vivem e trabalham no Alexandra.

Alexandra Kollontai foi uma revolucionária russa, simpatizante de um socialismo agrário que, quando ocupou o posto de Comissária do Povo, pouco após a Revolução Russa, trabalhou exaustivamente para que fossem reconhecidos os direitos e as liberdades às mulheres. Já em 1917 esta grande mulher ajudou a modificar leis que subordinavam o sexo feminino ao masculino. Saber que leis como direito ao voto, condições salariais iguais, relações familiares e sexuais liberalizadas, direito ao aborto, ao divórcio, a creches e benefícios sociais ligados à maternidade começavam a fazer parte, já naquela época, graças em grande parte a ela, da realidade soviética, nos dá uma ideia do tamanho da esperança que carregam as famílias que vivem neste acampamento. E foi com este espírito que Deni Rodrigues, Dirigente Regional da Região de Ribeirão Preto na área da Educação, do MST, Eduardo Ero, responsável pelo setor de formação do acampamento e Márcio, responsável pelo setor de segurança, receberam o Blogue O Calçadão numa manhã de sábado.

 Atualmente em uma área de recuo, localizada no SEPET Araju, assentamento localizado ao lado da Fazenda Martinópolis, as quase 300 famílias acampadas no Alexandra mostram para a sociedade um belo exemplo de como, em apenas um pequeno pedaço de chão, conseguem plantar suas hortaliças, suas frutas, de forma sustentável: “Imagina o que se poderá fazer quando cada família tiver o seu próprio terreno, o seu próprio lote, não só para a sua subsistência mas para o consumo da sociedade”, afirma cheio de esperança e orgulho Deni, Dirigente Regional da Região de Ribeirão Preto na área da Educação, do MST.

É uma preocupação do MST formar desde cedo em suas crianças uma consciência voltada para a agroecologia. Desse modo, produz-se milho, feijão (no Acampamento o blogue pôde constatar seis tipos diferentes da semente), abóbora, mandioca e tantas outras coisas. São produtos organicamente saudáveis, corretos levando uma qualidade de vida não apenas para os futuros assentados mas para as famílias que irão consumir os alimentos produzidos no Kollontai.

Assim como nos demais acampamentos/assentamentos, sempre com a preocupação de desenvolvimento sustentável, no Alexandra o Sistema Agroflorestal (SAF) se faz presente, estabelecendo uma espécie de plantação agrícola e florestal em um mesmo local: bananeiras, amoreiras gigantes, seriguelas, mangueiras, batatas doce mostram a biodiversidade presente no espaço. Apesar do descaso da prefeitura de Serrana com os acampados do MST, honrando o nome da revolucionária russa, que tanto simpatizava com o socialismo agrário, essas pessoas dão um exemplo de que a construção de um mundo mais justo e igualitário é possível. No caso deles, basta o poder público fazer justiça.

Abaixo, mais fotos do belo trabalho realizado pelo Acampamento Alexandra Kollontai:






































































































































3 comentários:

  1. Tá de parabéns o calçadão, o acampamento agradece essa visita e desde já fica o convite para mais visitas, a casa agora tbm é de vcs."ocupar, produzir e resistir"

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