quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Votação na câmara municipal: cerceamento de direito, confusão e aprovação de decreto

                                                                                                 Fotos: Filipe Peres

POR SANDRO CUNHA (PROFESSOR SANDRÃO)


Nessa terça-feira, dia 14/02/2017, os servidores municipais de Ribeirão Preto foram cerceados no seu direito legítimo e constitucional de assistir a sessão da câmara, onde foi votado o decreto legislativo de autoria do vereador Orlando Pessoti, que garantia a volta da data de pagamento para o último dia útil do mês, como tem sido há 30 anos nessa cidade, até a posse do novo prefeito Duarte Nogueira, que com sua arrogância absolutista, acredita que pode governar a cidade com decretos, passando por cima do legislativo e elegendo os servidores como os vilões da crise em que nossa cidade se encontra.

Logo na chegada a câmara, os servidores foram surpreendidos pelos guardas municipais, que os impediram de entrar e subir ao plenário, alegando que só os que tinham senha poderiam entrar e os que não tinham, aguardariam a liberação da mesa diretora.

Conforme o tempo passava, formou-se uma aglomeração de dezenas de servidores na porta da câmara, que queriam nada mais do que exercer seu direito de acompanhar a sessão. Quero esclarecer que a grande e única responsável por esse fato lastimável e constrangedor é a mesa diretora da câmara, e mais diretamente o presidente da câmara vereador Rodrigo Simões. O amadorismo e a falta de bom senso do presidente da câmara é que acarretou tudo isso. Se há uma ordem do bombeiro que só podem entrar 240 pessoas no plenário, que o vereador Rodrigo Simões esclarecesse os cidadãos, através de pronunciamento nos meios de comunicação, fazendo assim uma ação preventiva e que as senhas começassem a ser distribuídas desde a manhã, pois assim, informados, todos os cidadãos teriam a possibilidade de ter acesso a senha até o limite das 240. Além disso, não é porque o plenário está lotado que o cidadão não pode entrar na câmara. Ontem, todas as pessoas estavam sendo impedidas de entrar na câmara, mesmo aquelas que iam ao gabinete de um vereador ou a qualquer outra repartição da câmara. É um absurdo total, um cidadão não poder entrar na casa das leis, que foi construída e é sustentada e mantida com o seu imposto pago diariamente.


Retomando ao decreto legislativo, quero dizer que 15 vereadores votaram a favor,11 se abstiveram e não tivemos nenhum voto contrário ao decreto. Isso significa que os vereadores entenderam que mudar a data de pagamento e prejudicar o servidor, que já tem seus compromissos de pagamentos de contas, não vai alterar em nada os cofres do governo. Viram que o servidor não é o vilão da crise que o executivo e o legislativo anterior nos deixou. Acredito que a câmara municipal, raramente em uma votação, pode constatar tantas abstenções em uma votação. Foram 11 vereadores que se abstiveram, aqueles da base de sustentação do governo Nogueira. Claro, numa atitude de omissão e de medo do superior, esses vereadores se abstiveram, na intenção de fazer média com os servidores (Não votei contra vocês), mas numa atitude de subserviência ao patrão Nogueira (Olha, foi o que deu para fazer prefeito), porque na hora do leilão de cargos e verbas, eles querem ficar bem com o chefe e receber o seu quinhão. 

Essa política clientelista e de troca de favores políticos que ainda vivemos em nossa cidade e em nosso país, é que leva a isso, um recorde de abstenções ou omissões que prejudicam aqueles que trabalham diariamente atendendo toda a população diariamente, o servidor municipal, que ao contrário do que esses vereadores omissos e que o prefeito acham, que somos os vilões da crise, nós é que mantemos os serviços públicos a toda a população, sem distinção, e que geramos a riqueza dessa cidade. 

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