quarta-feira, 12 de julho de 2017

A República de Curitiba! Por Cassiano Figueiredo


Foto Ricardo Stuckert
A condenação de hoje do ex-presidente e principal presidenciável para 2018, o Lula, não é um fato isolado de perseguição política. Na verdade, a sentença do Juiz Moro está engrenada num processo político muito mais profundo. Fui militante do PSOL, Partido pelo qual guardo muito respeito e admiro a combatividade. No entanto, fui compelido a deixar o partido pelas divergências no tocante à Operação Lava Jato. Explico: A Operação Lava Jato surgiu porque não apenas os petistas, mas as elites econômicas e políticas sabem que Lula é a maior liderança popular dos últimos 50 anos, e continuará sendo até sua morte, provavelmente. O legado de Lula, por si, é muito maior que a república de Curitiba, o golpe e, talvez, maior que a própria Globo. Tanto é assim que Lula venceu em 2002, contra a vontade das elites. Repetiu o feito em 2006, foi crucial para eleger Dilma em 2010 e 2014. O PT é o maior Partido do país, e mesmo assim Lula consegue transcender o alcance do próprio Partido. Por isso a alternativa das elites, que queriam mais no contexto de crise, sabendo que não poderiam derrotar Lula e seu partido no voto popular, foi o golpe. O Golpe veio abrir caminho para que as elites econômicas aprofundassem um bruto ajuste contra os mais pobres. Foi para aprovar Reforma Trabalhista, da Previdência e outras maldades mais. É verdade que o PT fez ajuste fiscal. Até a FIESP soltou nota na Folha de S. Paulo em 2015 contra o impeachment. Mas o jogo virou quando Dilma, Lula e o PT peitaram as elites dizendo: "esse ajuste, não!" E isso nós precisamos não perder de vista. Mas o impeachment passou e alguns acreditaram - e eu mesmo defendi esse discurso - que a Lava Jato iria colocar toda a casta política abaixo depois do impeachment. Que prendessem todos! É por isso que não podíamos apostar nenhuma ficha na Lava Jato: a origem dela nunca permitiu que existisse uma correlação mínima de forças. Foi criada para tirar Lula da disputa central que está em jogo no país. Em outras palavras, se nós temos Lula, eles se apegaram à Lava Jato para criminalizar o campo progressista. Prova disso? Vazou áudio do Temer, do Aécio, Rocha Loures... De todo mundo! Só quem ficou preso foi quem era do PT. Quem poderia articular na direção do PT algo perigoso ao projeto das elites. Quem sempre foi importante na direção do maior Partido político do nosso país. Nem o áudio do Jucá falando que era preciso tirar Dilma para estancar a sangria bastou para abrir os olhos de muita gente. Aliás, há menos de uma semana foi dissolvido o grupo de Trabalho da Policia Federal em Curitiba que atuava na Lava Jato. Agora, justamente um dia após a aprovação da Reforma Trabalhista no Senado recai a condenação do Lula. Nesse contexto, a condenação do Lula não é só uma "condenação". A condenação do Lula significa estabilizar o projeto das elites, com a certeza de que ele não será interrompido em 2018. Significa que as elites nos querem divididos entre quem luta contra as reformas e quem luta contra a prisão de Lula. Não tem ponto sem nó nessa história. Mas a verdade é que uma luta compõe a outra. Até mesmo para superar o projeto lulista, nós precisamos de Lula. Ou alguém dúvida que os partidos pequenos devem acabar em pouco tempo? Hoje, a melhor chance do campo progressista é unificar um projeto popular para 2018, e sabendo que mesmo condenado Lula é nossa maior trincheira. Como cereja do bolo, hoje mandaram o Geddel pra casa. Hoje vence a República de Curitiba. Espero que em unidade, amanhã vença a República do projeto democrático e popular.

Cassiano Figueiredo

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