quarta-feira, 19 de julho de 2017

Em Comissão na Câmara, entidades contestam Secretário sobe fechamento da UBDS Central


Fotos: Filipe Peres

Na tarde de ontem, 18/07, ocorreu a audiência do Secretário de Saúde de Ribeirão Preto, Sandro Scarpelini, na CEE sobre o fechamento da UBDS Central para a vinda de um AME, que é uma proposta da Prefeitura surgida neste primeiro semestre.


Na fala do Secretário, não houve novidade. O mesmo reafirmou que o prédio da UBDS Central é o único na cidade em condições de abrigar o AME no menor tempo possível, e que os outros prédios aventados, alguns de posse do Estado, inclusive, necessitariam de amplas reformas, o que poderia inviabilizar a vinda do AME ou atrasar o projeto em 3 ou 4 anos.

"Ribeirão Preto tem pressa para instalar o AME porque a fila para exames é grande na cidade", afirmou.

As entidades presentes contestaram o Secretário reafirmando que não há nenhuma rejeição à vinda do AME, o problema é o fechamento da UBDS Central.


Laerte Augusto, Presidente do Sindicato dos Servidores, lembrou ao Secretário que a administração municipal tem de ouvir a sociedade. "As entidades são contrárias, o sindicato é contrário, a população é contrária ao fechamento da UBDS Central. É preciso ouvir esse movimento. Não é momento para se fechar essa unidade histórica e que atende milhares de pessoas todos os meses", concluiu.

Laerte

Outras entidades e especialistas usaram da palavra também para questionar e contestar o Secretário. Fernanda Bergamini, do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde - CEBES), disse que a melhoria no atendimento na saúde básica não pode vir com a diminuição no pronto atendimento pois "isso é deixar a população desatendida", afirmou. Fernanda ainda informou que a média dos AME's é de 2 retornos por consulta: "Retornos e atendimentos acima desse valor, por contrato, é a Prefeitura que assume os custos. Isso precisa ficar claro para a população", concluiu.

Fernanda

No questionamento feito pelos vereadores, surgiram alguns pontos interessantes. O vereador Jorge Parada (PT) questionou o Secretário sobre o prédio estadual da rua Minas, "onde já há um ambulatório de especialidades". Essa seria, segundo Parada, uma opção para a vinda do AME sem precisar fechar a UBDS Central.

Parada questiona Secretário

O Secretário afirmou que o prédio da rua Minas não tem condições de receber o AME em tempo célere. Porém, no questionamento do vereador Maraca (PMDB), surgiu uma informação relevante. Maraca questionou o Secretário sobre uma resposta da Secretaria a um ofício seu sobre a transferência do pronto atendimento da UBDS Central para a futura UPA da rua Cuiabá. Na resposta do ofício, a Secretaria afirmava que a Prefeitura não poderia manter as duas coisas.

"Realmente, não há recurso para manter a UBDS Central e a UPA ao mesmo tempo", reafirmou o Secretário ao vereador.

Nesse ponto surge algo novo. É possível que a UBDS Central já tivesse nos planos da Prefeitura para ser fechada, por falta de recursos, antes mesmo da proposta de colocar um AME no lugar?

Se isto for verdade, o problema não é a não existência de outro prédio capaz de abrigar o AME. O problema é que a Prefeitura não tem intenções, ou condições, como alega, de manter a UBDS Central em funcionamento e, por isso, quer transferir o prédio para o Estado colocar o AME.

Segundo Edson Fedelino, do Sindsaúde, e Fábio Sardinha, da comissão do IAMSPE, o problema colocado permanece. "O Prefeito, na campanha, prometeu 3 AME's e em nenhum momento disse que para isso fecharia o PS central. Ninguém é contra a vinda do AME e isso precisa ficar claro para a população", afirmou Sardinha. "O Sindsaúde contesta há anos os pífios investimentos em saúde por parte do governo do Estado. No HC falta medicamentos, o HC criança está sem ser terminado há anos. Há exemplos de AME's que não funcionam direito", questionou Edson.

Edson
Sardinha

Moradores da zona oeste presentes na audiência disseram ao blog que também há um problema de mobilidade para acessar a UPA da Cuiabá. "Na UBDS Central, nos finais de semana e feriados, o acesso por ônibus é mais fácil para quem mora nos bairros da zona oeste", afirmou a dona Cidinha, moradora do Dom Mielle.

O blog continuará cobrindo essa luta das entidades para o não fechamento da UBDS Central.

Blog O Calçadão




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