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quinta-feira, 25 de junho de 2026

EDITORIAL MÊS DO ORGULHO GAY: A verdade que a ditadura tentou apagar

 


Em um período em que o mundo celebra a diversidade e reafirma a luta por direitos, o Relatório da Comissão Nacional da Verdade, Volume II: Textos Temáticos (2014) expõe uma ferida histórica que ainda clama por reparação: a perseguição sistemática a gays, lésbicas, travestis e transexuais durante a ditadura civil-militar brasileira (1964-1985).

As matérias que serão veiculadas nos próximos dias pelo Blog O Calçadão são fruto de um levantamento aprofundado do capítulo "Ditadura e Homossexualidades" (páginas 299 a 311 do relatório), que, pela primeira vez em um documento oficial do Estado brasileiro, reconheceu que a homofobia não foi um subproduto do regime autoritário, mas uma ferramenta de repressão deliberadamente utilizada para silenciar, punir e eliminar aqueles que fugiam aos padrões de "moral e bons costumes" impostos pelos militares.

O relatório, produzido sob a responsabilidade do conselheiro Paulo Sérgio Pinheiro e com pesquisas dos historiadores James N. Green, Carlos Manuel de Céspedes e do advogado Renan Quinalha, documenta como a ideologia da "segurança nacional" associou a homossexualidade à subversão comunista, criando um ambiente de terror onde ser gay, lésbica ou travesti significava estar sujeito a prisões arbitrárias, torturas, perda de emprego, censura e, em muitos casos, ao desaparecimento forçado.

Nas reportagens que publicaremos nos próximos dias, O Blog O Calçadão resgatou a memória de vítimas como diplomatas cassados por sua orientação sexual, artistas censurados, travestis perseguidas nas chamadas "rondas de limpeza" e lésbicas que enfrentaram a dupla opressão do machismo e da ditadura. São histórias de dor, mas também de resistência, como a do jornal Lampião da Esquina, que iluminou as "esquinas escuras" da repressão.

Em tempo e crescimento dos discursos conservadores, extremistas de extrema-direita, estas matérias nos convidam à reflexão e nos lembram que o direito de amar livremente foi conquistado com sangue, lágrimas e coragem pela população LGBTQIAPN+, e que a verdade sobre o passado é o primeiro passo para garantir que o Estado não use mais a homofobia como arma de opressão.

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