| Até 2050 não haverá déficit |
Estudo atuarial encomendado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas indica que regime próprio de previdência de Ribeirão Preto terá saldo positivo de R$ 2,25 bilhões em 2026 e só acumulará possível prejuízo a partir de 2051; especialistas questionam projeção de longo prazo como instrumento de pressão para mudanças nas regras previdenciárias
O Instituto de Previdência dos Municipários (IPM) de Ribeirão Preto publicou no Diário Oficial do Município a projeção atuarial do Regime de Previdência Social dos Servidores Públicos, que aponta que o instituto continuará apresentando superávit financeiro por pelo menos mais 25 anos. O relatório, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e publicado na edição nº 12.428, desta segunda-feira (29), revela que o IPM encerrará 2026 com resultado financeiro positivo de R$ 2,25 bilhões e manterá saldo positivo até 2050, quando atingirá R$ 244,2 milhões .
Projeção de longo prazo estica cenário até 2125
Apenas a partir de 2051 o resultado acumulados, de acordo com projeções do relatório, passaria a ser negativo, chegando a -R$ 7,2 trilhões daqui a 100 anos, aproximadamente, em 2125.
Especialistas em contabilidade pública ouvidos pela reportagem questionam a utilidade de projeções que se estendem por mais de um século, como a que vai até 2125 . A Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo, exige que os relatórios de gestão fiscal apresentem demonstrativos atuariais, mas não estabelece prazo mínimo nem máximo para as projeções, o que permite que cada ente defina seus próprios horizontes . Críticos apontam que projeções excessivamente longas podem ser utilizadas para sustentar argumentos de reformas previdenciárias, mesmo diante de um cenário de longo prazo positivo.
Histórico de medidas e pressão por reformas
A publicação do relatório ocorre em meio a movimentações do IPM para garantir sua saúde financeira. Em novembro de 2025, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei autorizando o repasse de R$ 11,8 milhões ao IPM para cobrir insuficiências financeiras do plano financeiro ainda em 2025, para custear pagamento de aposentadorias, pensões e 13º salário.
O histórico de medidas remonta a 2019, quando a Câmara aprovou lei que estabeleceu teto para aposentadorias de novos servidores e criou regime de previdência complementar . Na ocasião, o IPM havia fechado 2018 com déficit financeiro de R$ 240 milhões, considerado pela Secretaria Municipal da Fazenda o maior rombo desde a criação do instituto em 1991 . A justificativa da Prefeitura à época já apontava que o déficit da previdência era um dos principais problemas da administração municipal, com rombo projetado de R$ 15 bilhões.
Fonte: Diário Oficial do Município de Ribeirão Preto nº 12.428, páginas 3 a 6, 29 de junho de 2026
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