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terça-feira, 30 de junho de 2026

Relatório do IPM projeta lucro bilionário até 2050 e só aponta déficit em horizonte distante

 

Até 2050 não haverá déficit

Estudo atuarial encomendado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas indica que regime próprio de previdência de Ribeirão Preto terá saldo positivo de R$ 2,25 bilhões em 2026 e só acumulará possível prejuízo a partir de 2051; especialistas questionam projeção de longo prazo como instrumento de pressão para mudanças nas regras previdenciárias

O Instituto de Previdência dos Municipários (IPM) de Ribeirão Preto publicou no Diário Oficial do Município a projeção atuarial do Regime de Previdência Social dos Servidores Públicos, que aponta que o instituto continuará apresentando superávit financeiro por pelo menos mais 25 anos. O relatório, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas e publicado na edição nº 12.428, desta segunda-feira (29), revela que o IPM encerrará 2026 com resultado financeiro positivo de R$ 2,25 bilhões e manterá saldo positivo até 2050, quando atingirá R$ 244,2 milhões .

Projeção de longo prazo estica cenário até 2125

Apenas a partir de 2051 o resultado acumulados, de acordo com projeções do relatório, passaria a ser negativo, chegando a -R$ 7,2 trilhões daqui a 100 anos, aproximadamente, em 2125. 

Especialistas em contabilidade pública ouvidos pela reportagem questionam a utilidade de projeções que se estendem por mais de um século, como a que vai até 2125 . A Lei de Responsabilidade Fiscal, por exemplo, exige que os relatórios de gestão fiscal apresentem demonstrativos atuariais, mas não estabelece prazo mínimo nem máximo para as projeções, o que permite que cada ente defina seus próprios horizontes . Críticos apontam que projeções excessivamente longas podem ser utilizadas para sustentar argumentos de reformas previdenciárias, mesmo diante de um cenário de longo prazo positivo.

 Histórico de medidas e pressão por reformas

A publicação do relatório ocorre em meio a movimentações do IPM para garantir sua saúde financeira. Em novembro de 2025, a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal projeto de lei autorizando o repasse de R$ 11,8 milhões ao IPM para cobrir insuficiências financeiras do plano financeiro ainda em 2025, para custear pagamento de aposentadorias, pensões e 13º salário.

O histórico de medidas remonta a 2019, quando a Câmara aprovou lei que estabeleceu teto para aposentadorias de novos servidores e criou regime de previdência complementar . Na ocasião, o IPM havia fechado 2018 com déficit financeiro de R$ 240 milhões, considerado pela Secretaria Municipal da Fazenda o maior rombo desde a criação do instituto em 1991 . A justificativa da Prefeitura à época já apontava que o déficit da previdência era um dos principais problemas da administração municipal, com rombo projetado de R$ 15 bilhões.

Fonte: Diário Oficial do Município de Ribeirão Preto nº 12.428, páginas 3 a 6, 29 de junho de 2026

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