| O filho do homem, 1946 por Rene Magritte |
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o homem de sobretudo escuro e chapéu-coco
não precisa de baioneta nem de canhão
pois tem um buquê de violetas ou uma maçã verde
flutuando exatamente onde ficaria o maxilar
onde o Estado moderno costuma esconder a sua boca de lobo
a guerra fede
e se chama missão de paz,
retaliação
(falsas retaliações)
na era da informação
percebe-se um cavalheiro muito limpo,
impecavelmente anônimo,
uma mão invisível
vendendo a prazo o próprio oxigênio que você respira
atrás da maçã não há bochecha nem dentes de ouro
mas um duto de perfuração offshore
sugando os seus três segundos de hesitação,
o seu clique nervoso na madrugada,
o espasmo da sua retina diante da luz azul
a atenção virou o barril Brent do século
já não precisam fuzilar o seu corpo no paredão
basta alugar o seu tempo de tela,
transformar a sua raiva em derivativo financeiro
direcionar a sua raiva
e a sua fome em tráfego pago
a burguesia aprendeu a etiqueta do anonimato
e já não grita ordens em alemão
antes coloca uma fruta fresca na frente do crime,
ajusta a gravata de seda,
e enquanto você tenta adivinhar o rosto por trás da folha,
o leilão já terminou,
o seu minuto já foi liquidado na bolsa de valores,
e o carrasco, polido e sem feições,
agradece a sua audiência com um aperto de mãos
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